{"id":43235,"date":"2017-01-11T21:38:38","date_gmt":"2017-01-12T00:38:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=43235"},"modified":"2017-01-11T21:38:38","modified_gmt":"2017-01-12T00:38:38","slug":"agronegocio-reage-a-samba-leva-a-questao-indigena-para-a-sapucai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/agronegocio-reage-a-samba-leva-a-questao-indigena-para-a-sapucai\/","title":{"rendered":"Agroneg\u00f3cio reage a samba-enredo sobre a quest\u00e3o ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Quando o agroneg\u00f3cio sofre com a ignor\u00e2ncia e o preconceito&#8221; \u00e9 o t\u00edtulo de um artigo do presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado de SC (Faesc) e do Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural (Senar\/SC), Jos\u00e9 Zeferino Pedrozo, que circula nas redes sociais.<br \/>\nA &#8220;ignor\u00e2ncia e o preconceito&#8221; a que se refere o articulista vem do <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-E_ivbY8qlg\">samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense<\/a>, \u00a0que este ano escolheu como tema os povos do Xingu e que numa ala apresenta o\u00a0agroneg\u00f3cio predador, respons\u00e1vel pelo etnoc\u00eddio de \u00edndios, a polui\u00e7\u00e3o de rios e a destrui\u00e7\u00e3o de florestas.<br \/>\n<figure id=\"attachment_43236\" aria-describedby=\"caption-attachment-43236\" style=\"width: 196px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-43236\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Agronegocio-reage.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Zeferino Pedroso\" width=\"196\" height=\"282\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-43236\" class=\"wp-caption-text\">Jos\u00e9 Zeferino Pedrozo<\/figcaption><\/figure><br \/>\n&#8220;O Brasil&#8221;, diz Pedroso, &#8220;pode se orgulhar de ter uma agricultura forte, moderna, avan\u00e7ada e sustent\u00e1vel, respons\u00e1vel por garantir alimento farto e saud\u00e1vel a toda a popula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da qualidade, o alimento produzido aqui \u00e9 um dos mais baratos e acess\u00edveis do mundo&#8221;.<br \/>\nMais: ele afirma que &#8220;foi essa condi\u00e7\u00e3o que permitiu ao Pa\u00eds erradicar a fome, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, e n\u00e3o os programas sociais do governo. Carnes, cereais, l\u00e1cteos, frutas, oleaginosas, fibras, hortigranjeiros \u2013 n\u00f3s somos autossuficientes em quase tudo&#8221;.<br \/>\n&#8220;O mundo reconhece a pujan\u00e7a brasileira na produ\u00e7\u00e3o de comida. Por isso, somos l\u00edderes na exporta\u00e7\u00e3o de carnes e gr\u00e3os.&#8221;<br \/>\n&#8220;O n\u00edvel de efici\u00eancia produtiva \u00e9 elevad\u00edssimo: conseguimos tudo isso ocupando menos de 30% do territ\u00f3rio nacional. E mais: a agricultura verde-amarela \u00e9 altamente sustent\u00e1vel. O produtor produz e, ao mesmo tempo, preserva os recursos naturais porque sabe que essa conduta assegura a perpetua\u00e7\u00e3o da atividade. Prova disso \u00e9 que 65% do territ\u00f3rio mant\u00eam a cobertura florestal&#8221;.<br \/>\n&#8220;Por produzir a comida boa e barata que alimenta a Na\u00e7\u00e3o, a agricultura e o agroneg\u00f3cio deveriam ser os setores mais festejados e reconhecidos da sociedade brasileira. A imprensa especializada e as autoridades do setor j\u00e1 manifestam esse reconhecimento, mas, amplos estamentos da sociedade expressam profunda desinforma\u00e7\u00e3o a esse respeito.&#8221;<br \/>\n&#8220;S\u00f3 o mais tosco dos preconceitos ou uma vis\u00e3o ideol\u00f3gica coletiva insana e destorcida conduziria uma agremia\u00e7\u00e3o a esse desatino: ofender, difamar e caluniar uma parcela da sociedade brasileira formada por fam\u00edlias rurais cujo trabalho tornou-se o \u00faltimo reduto do combate \u00e0 crise econ\u00f4mica que castiga o Pa\u00eds&#8221;.<br \/>\n&#8220;A agricultura e o agroneg\u00f3cio merecem respeito. Nosso total rep\u00fadio \u00e0 Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense que, neste ano, conspurca vergonhosamente os princ\u00edpios de paz, respeito e harmonia do carnaval brasileiro com inverdades hist\u00f3ricas e nega\u00e7\u00e3o da realidade&#8221;.<br \/>\n(<em><strong>Nota do Editor:<\/strong> Pode ser que uma generaliza\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio como predador seja um excesso carnavalesco, mas essa vis\u00e3o id\u00edlica dos abnegados que se arriscam \u00a0para oferecer &#8220;a comida boa e barata que alimenta a na\u00e7\u00e3o&#8221; \u00a0tira a autoridade da cr\u00edtica)<\/em>.<br \/>\nAs cr\u00edticas de Pedroso se somam a muitas outras que a Imperatriz vem enfrentando nos \u00faltimos dias de parte do agroneg\u00f3cio por homenagear povos do Xingu. Diz o refr\u00e3o do samba enredo:<br \/>\n\u201cO \u00edndio luta pela sua terra,<br \/>\nd<span style=\"font-weight: 300\">a Imperatriz vem o seu grito de guerra!<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 300\"> Salve o verde do Xingu\u201d<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_43251\" aria-describedby=\"caption-attachment-43251\" style=\"width: 293px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-43251\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Cah\u00ea-Rodrigues-imperatriz-leopoldinense.jpeg\" alt=\"Cah\u00ea Rodrigues \/ Arquivo pessoal\/CC\" width=\"293\" height=\"197\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-43251\" class=\"wp-caption-text\">Cah\u00ea Rodrigues \/ Arquivo pessoal\/CC<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO tema \u201cXingu, o clamor que vem da floresta&#8221; foi criado pelo carnavalesco Cah\u00ea Rodrigues, 40, com o intuito de homenagear os ind\u00edgenas da regi\u00e3o e sua luta pela preserva\u00e7\u00e3o da floresta e de sua cultura.<br \/>\nA m\u00fasica tamb\u00e9m critica o extrativismo insustent\u00e1vel, a hidrel\u00e9trica de Belo Monte e agradece aos irm\u00e3os Villas-B\u00f4as, enquanto as alas mostram a exuber\u00e2ncia da cultura ind\u00edgena e os males que os afetam, como desmatamento, uso agressivo de agrot\u00f3xicos, queimadas e polui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nUma das fantasias, em especial, desagradou parte do setor do agroneg\u00f3cio.<br \/>\nEla mostra um fazendeiro, com um s\u00edmbolo de caveira no peito, a\u00a0pulverizar agrot\u00f3xicos.<br \/>\nEm nota de rep\u00fadio, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) afirmou ser \u201cinaceit\u00e1vel que a maior festa popular brasileira, que tem a admira\u00e7\u00e3o e o respeito da nossa classe, seja palco para um show de sensacionalismo e ataques infundados pela Escola Imperatriz Leopoldinense\u201d.<br \/>\nNo dia seguinte, a\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Criadores de Girolando tamb\u00e9m se manifestou contra a Leopoldinense.<br \/>\nA pol\u00eamica tende a esquentar.<br \/>\nUma reportagem da Carta Capital sobre o assunto \u00a0diz que &#8220;mais da metade das subst\u00e2ncias usadas aqui \u00e9 proibida em pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e nos EUA, e os agrot\u00f3xicos atingem 70% dos alimentos, segundo um dossi\u00ea da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva. Em um ano, um brasileiro ter\u00e1 consumido cinco litros dessas toxinas, de acordo com o Instituto Nacional do C\u00e2ncer (INCA).<br \/>\nRespons\u00e1veis por 70 mil intoxica\u00e7\u00f5es agudas e cr\u00f4nicas anualmente em pa\u00edses desenvolvidos, os agrot\u00f3xicos tamb\u00e9m est\u00e3o altamente associados \u00e0 incid\u00eancia de c\u00e2ncer e outras doen\u00e7as gen\u00e9ticas, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<br \/>\nPara elaborar o tema, o carnavalesco carioca estudou durante quase um ano os povos do Xingu, e passou quatro dias em uma oca, vivendo ao lado deles.<br \/>\n\u201cEu vi quanto o \u00edndio depende da floresta para sobreviver e qu\u00e3o forte \u00e9 o contato com a terra, com o verde. Logo pela manh\u00e3, quando acordei, vi curumins brincando de correr atr\u00e1s de borboletas, \u00e9 a brincadeira preferida deles, e subindo em \u00e1rvores para pegar uma fruta, descascar e comer com a m\u00e3o. O \u00edndio \u00e9 a pr\u00f3pria natureza. E quando voc\u00ea agride a natureza, est\u00e1 agredindo diretamente a vida do \u00edndio\u201d, conta Cah\u00ea.<br \/>\nO medo e a amea\u00e7a de uma nova invas\u00e3o, de perderem seu espa\u00e7o de direito, que os \u00edndios vivem quase diariamente, tamb\u00e9m marcou Rodrigues. \u201cPude sentir na pele essa ang\u00fastia, e a Imperatriz n\u00e3o est\u00e1 inventando nada, faz parte da hist\u00f3ria do Brasil\u201d.<br \/>\nPara ele, a ABCZ e outras empresas que seguiram a cr\u00edtica\u00a0foram precipitadas. &#8220;Nunca foi inten\u00e7\u00e3o agredir o agroneg\u00f3cio diretamente. A ala que leva o t\u00edtulo de &#8220;fazendeiros e agrot\u00f3xicos&#8221; aponta o uso indevido da subst\u00e2ncia que mata os peixes, polui os rios e agride a vida dos \u00edndios e a nossa. Estamos falando do caos que cerca a vida do \u00edndio\u201d.<br \/>\nEm outra passagem, o samba-enredo diz \u201co belo monstro rouba as terras dos seus filhos\u201d.<br \/>\nSegundo o carnavalesco, \u00e9 uma analogia \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte e \u00e0 desapropria\u00e7\u00e3o de terras de povos ind\u00edgenas. Para a ABCZ, foi uma cr\u00edtica a suas pr\u00e1ticas: \u201cChamados de \u201cmonstros\u201d pela escola, n\u00f3s, produtores rurais, respondemos por 22% do PIB Nacional e, historicamente, salvamos o Brasil em termos de gera\u00e7\u00e3o de renda e empregos\u201d.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quando o agroneg\u00f3cio sofre com a ignor\u00e2ncia e o preconceito&#8221; \u00e9 o t\u00edtulo de um artigo do presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado de SC (Faesc) e do Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural (Senar\/SC), Jos\u00e9 Zeferino Pedrozo, que circula nas redes sociais. 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