{"id":434,"date":"2005-11-28T13:45:27","date_gmt":"2005-11-28T16:45:27","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=434"},"modified":"2005-11-28T13:45:27","modified_gmt":"2005-11-28T16:45:27","slug":"gauchos-sentem-efeito-estufa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/gauchos-sentem-efeito-estufa\/","title":{"rendered":"Ga\u00fachos sentem efeito estufa"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cidade\/sol_media.jpg?0.5024901226023928\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"233\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Foto: Raquel Santana\/Jornal J\u00e1<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Patr\u00edcia Benvenuti<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os dias s\u00e3o mais quentes e as noites menos agrad\u00e1veis do que antigamente. A popula\u00e7\u00e3o de Porto Alegre percebe que o clima vem mudando nos \u00faltimos anos, mas muitos n\u00e3o sabem explicar o porqu\u00ea. O fato, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 restrito \u00e0 capital ga\u00facha. A cidade sofre, como o resto do mundo, o efeito estufa, intensificado pelo lan\u00e7amento na atmosfera de carbono e di\u00f3xido de carbono, al\u00e9m de vapor d\u00b4\u00e1gua, devido \u00e0 evapora\u00e7\u00e3o das \u00e1guas oce\u00e2nicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Agrometeorologista da Embrapa de Passo Fundo, Gilberto Cunha lembra que o efeito estufa, naturalmente, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o vil\u00e3o assim. &#8220;O efeito estufa, na realidade, \u00e9 ben\u00e9fico, pois impede que o planeta resfrie demais durante a noite. O problema \u00e9 que a emiss\u00e3o de gases poluentes est\u00e1 tornando a Terra quente demais&#8221;, frisa o especialista.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com o professor do Instituto de Geografia da UFRGS, Paulo Livi, s\u00e3o as temperaturas m\u00ednimas, e n\u00e3o as m\u00e1ximas ou as m\u00e9dias, que vem subindo gradativamente desde a d\u00e9cada de 1950. &#8220;Por isso se tem a sensa\u00e7\u00e3o de que os invernos n\u00e3o s\u00e3o mais rigorosos. \u00c9 claro, sempre faz um ou dois dias realmente frios nesse per\u00edodo, mas at\u00e9 mesmo os per\u00edodos de geada ficaram menores&#8221;, afirma.<\/p>\n<p align=\"justify\">A eleva\u00e7\u00e3o das m\u00ednimas, segundo o professor, \u00e9 provocada pelo aumento da nebulosidade e diminui\u00e7\u00e3o da insola\u00e7\u00e3o, essa \u00faltima em 25%. O calor, assim, ficaria retido entre as nuvens, que funcionam como um cobertor . O meteorologista do CCPMet (Centro de Pesquisas e Previs\u00f5es Meteorol\u00f3gicas) da UFPEL (Universidade Federal de Pelotas), J\u00falio Marques confirma que o aumento das temperaturas m\u00ednimas \u00e9 percebido especialmente \u00e0 noite, quando a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica deveria ser de uma temperatura mais fresca. &#8220;Esses efeitos s\u00e3o notados de uma forma lenta, mas intensa, com tempestades cada vez mais fortes e estiagens mais severas&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p align=\"justify\">As m\u00e9dias das temperaturas em Porto Alegre, por\u00e9m, precisam ser relativizadas. &#8220;Dentro do territ\u00f3rio analisado, est\u00e3o locais como o Parque da Reden\u00e7\u00e3o e o Jardim Bot\u00e2nico. Provavelmente, se fiz\u00e9ssemos essa pesquisa somente no centro da capital, ter\u00edamos um resultado bem diferente&#8221;, revela o professor da UFRGS.<\/p>\n<p align=\"justify\">Marques destaca ainda que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em cidades industrializadas como Porto Alegre tamb\u00e9m se devem a altera\u00e7\u00f5es microambientais, como a redu\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes e o aumento da urbaniza\u00e7\u00e3o. &#8220;Os fatores naturais tamb\u00e9m contam, mas quem mais contribui para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o os antropog\u00eanicos [a\u00e7\u00f5es causadas pelo homem]&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Efeitos na sa\u00fade<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os seres humanos sentem de forma intensa os impactos dessas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Em \u00e9pocas de mudan\u00e7as de temperatura, as doen\u00e7as respirat\u00f3rias s\u00e3o as que mais se manifestam. &#8220;Quem mais sofre s\u00e3o os al\u00e9rgicos, sem d\u00favida&#8221;, afirma a coordenadora da \u00c1rea de Pneumologia da Secretaria da Sa\u00fade de Porto Alegre, Elaine Ceccon. A m\u00e9dica afirma que quando a temperatura sofre uma queda brusca, os br\u00f4nquios de quem sofre de asma e de rinite, especialmente, inflamam-se com o ar frio que penetra nos pulm\u00f5es. A conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 uma contratura dos m\u00fasculos dos br\u00f4nquios, que pode levar \u00e0 crises respirat\u00f3rias.<\/p>\n<p align=\"justify\">A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o-al\u00e9rgica, por\u00e9m, tamb\u00e9m sente esses efeitos, principalmente quem est\u00e1 submetido ao ar-condicionado. &#8220;A troca de ambientes, tanto do frio para o quente como vice-versa, causam nas pessoas que n\u00e3o sofrem alergia o mesmo efeito que causariam para um asm\u00e1tico&#8221;, explica. &#8220;Como o ar fica mais enxuto , a mucosa seca, e isso acarreta espirros, secre\u00e7\u00e3o nasal e tosse, sintomas que, muitas vezes, se confunde com resfriados&#8221;, completa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Elaine classifica que o maior problema encontra-se na s\u00edndrome do pr\u00e9dio doente . A express\u00e3o refere-se aos pr\u00e9dios que tem um ar-condicionado central e n\u00e3o permitem a circula\u00e7\u00e3o de ar. O resultado \u00e9 a prolifera\u00e7\u00e3o de germes. &#8220;Por isso, muitas vezes, h\u00e1 v\u00e1rias pessoas em um mesmo lugar que ficam doentes em \u00e9pocas pr\u00f3ximas&#8221;, afirma a especialista, alertando para a necessidade de uma reciclagem do ar. Uma das solu\u00e7\u00f5es pode ser a limpeza dos filtros, ou simplesmente abrir as janelas em alguns momentos do dia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m dos males respirat\u00f3rios, o aumento das chuvas tamb\u00e9m traz seus riscos \u00e0 sa\u00fade. As enchentes colaboram para a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as orais-fecais. De acordo com a m\u00e9dica veterin\u00e1ria da Secretaria Municipal da Sa\u00fade S\u00f4nia Thiesen, os alagamentos favorecem o aparecimento de casos de leptospirose, cuja bact\u00e9ria causadora, a Leptospira interrogans , est\u00e1 presente na urina de alguns roedores. J\u00e1 a transmiss\u00e3o da hepatite A, nessas circunst\u00e2ncias, decorre da ingest\u00e3o de alimentos e de \u00e1gua contaminados pelo v\u00edrus HAV (V\u00edrus da Hepatite A).<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: #cc3333\"><strong>Agricultura sente o aquecimento<\/strong> <\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Os impactos do aquecimento tamb\u00e9m s\u00e3o sentidos de forma intensa na agricultura. O agrometeorologista da Fepagro, Ronaldo Matzenauer entende que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas afetam o desenvolvimento e o crescimento das culturas. Na opini\u00e3o do t\u00e9cnico, tanto as culturas de inverno como as t\u00edpicas de ver\u00e3o s\u00e3o afetadas. &#8220;Cada planta tem um tempo para se desenvolver e florescer. Com essas mudan\u00e7as, as duas ficam prejudicadas. No ver\u00e3o, por exemplo, o consumo de \u00e1gua das plantas \u00e9 maior, da mesma forma como acontece com o ser humano. Isso acaba fazendo com que a transpira\u00e7\u00e3o aumente e afete o solo da regi\u00e3o&#8221;, assegura.<\/p>\n<p align=\"justify\">Cunha afirma que o aquecimento pode afetar a agricultura tamb\u00e9m na prolifera\u00e7\u00e3o de pragas, como ervas daninhas, e doen\u00e7as nas lavouras em fun\u00e7\u00e3o da umidade e do calor. O agrometeorologista ressalva que os efeitos sobre cada esp\u00e9cie dependem da variabilidade a que s\u00e3o submetidas. As mais prejudicadas s\u00e3o as chamadas fruteiras de clima temperado, como as macieiras, e os cereais de inverno &#8211; trigo e cevada -, suscet\u00edveis \u00e0 umidade e a v\u00e1rios fungos. O arroz tamb\u00e9m entra na lista dos prejudicados, j\u00e1 que precisa de muita irradia\u00e7\u00e3o solar e se depara com uma crescente nebulosidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">O especialista, no entanto, relembra que efeitos mais evidentes sobre a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola s\u00f3 poder\u00e3o ser percebidos no futuro. &#8220;Por enquanto, n\u00e3o se pode fazer maiores progn\u00f3sticos, mas a pesquisa cient\u00edfica ligada \u00e0 agricultura trabalha no sentido de desenvolver tecnologias que resistam a esses problemas&#8221;, ressaltou. Nesse sentido, Matzenauer tamb\u00e9m aponta que \u00e9 necess\u00e1rio intensificar as pesquisas. &#8220;Para que a produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o sofra tanto, \u00e9 preciso fazer estudos de zoneamento&#8221;, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Raquel Santana\/Jornal J\u00e1 Patr\u00edcia Benvenuti Os dias s\u00e3o mais quentes e as noites menos agrad\u00e1veis do que antigamente. 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