{"id":43785,"date":"2017-01-25T18:01:05","date_gmt":"2017-01-25T21:01:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=43785"},"modified":"2017-01-25T18:01:05","modified_gmt":"2017-01-25T21:01:05","slug":"a-bola-do-jogo-politico-quica-na-frente-de-carmen-lucia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-bola-do-jogo-politico-quica-na-frente-de-carmen-lucia\/","title":{"rendered":"A bola do jogo pol\u00edtico quica na frente de C\u00e1rmen L\u00facia"},"content":{"rendered":"<p><em>GERALDO HASSE<\/em><br \/>\n<em>\u00a0\u00a0<\/em><br \/>\nNos \u00faltimos dois anos, \u00e0 medida que se aprofundavam as investiga\u00e7\u00f5es sobre a corrup\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos mancomunados com empres\u00e1rios privados e altos funcion\u00e1rios de estatais, tr\u00eas pessoas do Judici\u00e1rio se tornaram os atores principais da cena brasileira: o chefe do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal Rodrigo Janot; o juiz de primeira inst\u00e2ncia Sergio Moro, baseado em Curitiba; e o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, relator do processo da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<br \/>\nAo mesmo tempo em que crescia o trio do Judici\u00e1rio, sa\u00edam do palco, na marra, a presidenta Dilma Rousseff, alvo de um impeachment maroto; e o deputado carioca Eduardo Cunha, ex-presidente da C\u00e2mara Federal, preso pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. No lugar dos dois ca\u00eddos, est\u00e3o o vice-presidente Michel Temer e o deputado carioca Rodrigo Maia, cujo(s) comportamento(s) n\u00e3o v\u00eam gerando o menor entusiasmo \u2013 ao contr\u00e1rio.<br \/>\nCom a morte de Zavascki em acidente a\u00e9reo no litoral do Estado do Rio de Janeiro, avulta agora a figura da ministra Carmen Lucia, presidenta do STF. Voluntariosa, ela bem que poderia fazer o que se esperava (e se anunciava) que Zavascki estava para fazer: homologar os depoimentos for\u00e7ados (dela\u00e7\u00f5es premiadas, segundo o jarg\u00e3o judicial) de 77 executivos da Construtora Odebrecht que, para se livrar da pris\u00e3o tempor\u00e1ria, denunciaram falcatruas em contratos de obras p\u00fablicas, favorecendo pol\u00edticos e partidos. Dizem que s\u00e3o tantos os nomes de pol\u00edticos citados que talvez se torne mais pr\u00e1tico transformar o Congresso em pris\u00e3o tempor\u00e1ria.<br \/>\n\u00c9 um imbr\u00f3glio fenomenal que s\u00f3 encontra paralelos em 1964 (derrubada do governo Jango Goulart) e em 1954 (suic\u00eddio do presidente Getulio Vargas). Desta vez, h\u00e1 o agravante de que as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o v\u00eam com nomes, valores e as circunst\u00e2ncias dos crimes.<br \/>\nSe a primeira mulher eleita presidenta da Rep\u00fablica n\u00e3o conseguiu segurar a barra, ter\u00e1 Carmen L\u00facia coragem de fazer sua parte?<br \/>\nA prop\u00f3sito, qual ser\u00e1 sua parte no jogo: homologar as den\u00fancias, segurar a bola, passar a responsabilidade para outro, tentar conciliar os advers\u00e1rios numa mesa de pizzaria ou engavetar os processos?<br \/>\nTeoricamente, ela pode tudo; na pr\u00e1tica, tem as m\u00e3os amarradas por diversos regulamentos. E, no frigir dos ovos, talvez resolva simplesmente dar ouvidos aos colegas ministros, a assessores, amigos e parentes. Pois os processos que estavam com a equipe de Teori Zavascki s\u00e3o explosivos por envolver cifras monumentais e comprometer altas figuras da rep\u00fablica, incluindo o atual ocupante da cadeira principal do Pal\u00e1cio do Planalto.<br \/>\nDiante disso, tem sido natural pensar que o ministro-relator da Lava Jato foi v\u00edtima de uma arma\u00e7\u00e3o criminosa. Sua morte pode ter sido mais uma brincadeira do D., seja ele o Destino ou o Dem\u00f4nio (Deus provavelmente n\u00e3o tem nada a ver com isso).<br \/>\nN\u00e3o se deve esquecer que no ver\u00e3o, entre o Natal e o Ano Novo ou entre o Ano Novo e o Carnaval, sempre h\u00e1 uma trag\u00e9dia no Brasil. Assim, pode-se admitir que a morte de Zavascki fa\u00e7a parte dessa quota acidental. Nesse caso \u00e9 de lamentar que ele tenha sa\u00eddo de cena sem que os brasileiros ficassem sabendo o que ele estava para fazer: ia tocar os processos pra frente ou segur\u00e1-los? Era um homem discreto, um t\u00edpico juiz que \u201cs\u00f3 falava nos autos\u201d. Estaria avaliando as amea\u00e7as recebidas?<br \/>\nSe o acidente foi forjado, por\u00e9m, podemos concluir que n\u00e3o foi \u201cqueima de arquivo\u201d, pois os arquivos da Lava Jato est\u00e3o vivos nos escaninhos do Judici\u00e1rio. Admita-se ent\u00e3o, como hip\u00f3tese mais robusta de investiga\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias do acidente, que o avi\u00e3o pode ter sido derrubado para intimidar quem vier a assumir a responsabilidade de avaliar as den\u00fancias feitas pelos prisioneiros da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<br \/>\nMais uma vez, o Judici\u00e1rio est\u00e1 no olho do furac\u00e3o. E agora sob a presid\u00eancia de uma mulher.<br \/>\nLEMBRETE DE OCASI\u00c3O<br \/>\nNum jogo de futebol numa pequena cidade do norte do Paran\u00e1, algumas poucas d\u00e9cadas atr\u00e1s, o \u00e1rbitro marcou um p\u00eanalti contra o time da casa. Bate-boca, cobra-n\u00e3o cobra, a bola foi colocada na marca fatal. Eis que o chef\u00e3o do clube mandante se aproxima e desfere um tiro na bola, que \u201cmorre\u201d na hora. Fecha o tempo, acaba o jogo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GERALDO HASSE \u00a0\u00a0 Nos \u00faltimos dois anos, \u00e0 medida que se aprofundavam as investiga\u00e7\u00f5es sobre a corrup\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos mancomunados com empres\u00e1rios privados e altos funcion\u00e1rios de estatais, tr\u00eas pessoas do Judici\u00e1rio se tornaram os atores principais da cena brasileira: o chefe do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal Rodrigo Janot; o juiz de primeira inst\u00e2ncia Sergio Moro, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-43785","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analiseopiniao"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-bod","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43785","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43785"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43785\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}