{"id":438,"date":"2005-12-06T13:50:35","date_gmt":"2005-12-06T16:50:35","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=438"},"modified":"2005-12-06T13:50:35","modified_gmt":"2005-12-06T16:50:35","slug":"especialistas-apresentam-posicoes-divergentes-sobre-incineracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/especialistas-apresentam-posicoes-divergentes-sobre-incineracao\/","title":{"rendered":"Especialistas apresentam posi\u00e7\u00f5es divergentes sobre incinera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/ambienteja\/lixo.jpg?0.013475968861738796\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"240\" height=\"165\" \/><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Incinera\u00e7\u00e3o de lixo \u00e9 condenada pela maioria (Foto Aline Gon\u00e7alves\/PMPA\/J\u00c1)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Patr\u00edcia Benvenuti<\/strong><br \/>\nO\u00a01\u00ba Simp\u00f3sio Brasileiro de Incinera\u00e7\u00e3o, que se realiza em Porto Alegre at\u00e9 quarta-feira (7\/12), trouxe, j\u00e1 em seu primeiro dia (05\/12), uma s\u00e9rie de pol\u00eamicas a respeito do processo. As formas de se lidar com a polui\u00e7\u00e3o e as novas tecnologias empregadas em tais processos foram temas centrais dos pain\u00e9is.<br \/>\n\u201cA polui\u00e7\u00e3o ambiental atmosf\u00e9rica pode ser considerada a menos conhecida das pessoas\u201d, afirmou o professor e engenheiro agr\u00f4nomo da UFRGS, Darci Campani. Ele acredita que os poluentes da \u00e1gua e do solo lideram as pesquisas dos especialistas. Em contrapartida, sobre o ar n\u00e3o se tem o mesmo conhecimento, o que gera a necessidade de discuss\u00f5es.<br \/>\nCampani adotou um discurso filos\u00f3fico, em sua pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o, para resumir os malef\u00edcios da incinera\u00e7\u00e3o. Ele explica que o ciclo do carbono \u00e9 um sistema fechado, diferente da radia\u00e7\u00e3o solar, que permite troca de massa e energia com outros sistemas. \u201cO princ\u00edpio da vida, pois, \u00e9 o ciclo de carbono, que faz com que os \u00e1tomos permane\u00e7am unidos e d\u00eaem forma \u00e0s coisas. Largando essas part\u00edculas na atmosfera por meio dos incineradores, estamos quebrando esse ciclo. O resultado \u00e9 o efeito estufa e o aquecimento global, que acabam com qualquer chance de sustentabilidade.\u201d<br \/>\n<strong><span style=\"color: #cc3300\">Perigos da incinera\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade<\/span><\/strong><br \/>\nO geneticista Fl\u00e1vio Lewgoy, por sua vez, apresentou dados da ecogen\u00e9tica \u2013 ci\u00eancia que trata da predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica aos f\u00e1rmacos, alimentos e agentes ambientais em geral \u2013 para mostrar os perigos da incinera\u00e7\u00e3o sobre a sa\u00fade. \u201cMeio ambiente e sa\u00fade p\u00fablica est\u00e3o interligados, e a escolha das tecnologias interfere na vida das pessoas e causa custos sociais\u201d, salienta o m\u00e9dico, que tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3cio fundador da Agapan (Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural).<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o entre os fatores foi demonstrada por meio de um dos princ\u00edpios da ecogen\u00e9tica, a fragilidade . \u201cA grosso modo, existem tr\u00eas tipos de pessoas: as geneticamente suscet\u00edveis, as normais e as congenitamente resistentes\u201d, explica. Os suscet\u00edveis abrangem os idosos, as crian\u00e7as e os que nascem com problemas respirat\u00f3rios, card\u00edacos ou circulat\u00f3rios, na maior parte das vezes, correspondendo a cerca de 15% da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nJ\u00e1 os normais equivalem a uma m\u00e9dia de 85%, e ganham o nome simplesmente por estarem entre o grupo anterior e o pr\u00f3ximo, o dos congenitamente resistentes \u2013 aproximadamente 0,17% \u2013, que t\u00eam uma estrutura gen\u00e9tica mais forte. \u201cO panorama mostra que, quando uma tecnologia \u00e9 implantada, os seres humanos reagem de forma diferente \u00e0s influ\u00eancias. Quem est\u00e1 no grupo de risco , por exemplo, sofre mais com os resultados da polui\u00e7\u00e3o\u201d, observa. Nesse chamado grupo de risco , o especialista coloca tamb\u00e9m as camadas mais pobres, que vivem em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de habita\u00e7\u00e3o e saneamento.<br \/>\nLewgoy afirma conhecer os novos m\u00e9todos empregados nos incineradores e destaca que s\u00e3o justamente esses recursos que tornam os equipamentos modernos ainda mais prejudiciais. \u201cOs incineradores atuais transformam os res\u00edduos em gr\u00e3os de uma dimens\u00e3o min\u00fascula, praticamente os abate. Isso facilita a inala\u00e7\u00e3o dessas part\u00edculas\u201d, esclarece. Uma vez dentro do corpo humano, podem atingir os pulm\u00f5es, o cora\u00e7\u00e3o e outros \u00f3rg\u00e3os vitais.<br \/>\nNos \u00faltimos 50 anos, mais de 800 mil produtos qu\u00edmicos entraram no mercado, e cerca de mil s\u00e3o adicionados a cada ano. \u201cEssas estat\u00edsticas se referem aos Estados Unidos, mas sabemos que logo eles chegam ao Brasil\u201d, salientou o ambientalista. O assombroso n\u00famero demonstra, segundo ele, a quantidade de produtos qu\u00edmicos que circulam no ambiente hoje, pondo em risco a sa\u00fade p\u00fablica. \u201cA incinera\u00e7\u00e3o faz com que subst\u00e2ncias t\u00f3xicas sejam levadas para a atmosfera em um primeiro momento e depois para os pr\u00f3prios alimentos que consumimos\u201d, completa.<br \/>\n<strong><span style=\"color: #cc3300\">Consumismo na raiz dos problemas<\/span><\/strong><br \/>\nA posi\u00e7\u00e3o de Lewgoy foi reiterada pelo qu\u00edmico e diretor-presidente da ACPO (Associa\u00e7\u00e3o de Combate aos Poluentes), M\u00e1rcio Mariano. \u201cSe formos a um lix\u00e3o, teremos a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o sabemos bem o que entra em um incinerador, quanto mais o que pode sair dele\u201d, destaca. De acordo com o palestrante, no interior das m\u00e1quinas os elementos qu\u00edmicos recombinam-se, podendo dar origem at\u00e9 mesmo a \u00e1cidos corrosivos e dioxinas &#8211; formadas pela combina\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas de cloro e mat\u00e9ria org\u00e2nica em altas temperaturas. \u201cMuitos t\u00eam a certeza do resultado desse processo de combust\u00e3o, mas \u00e9 imposs\u00edvel prever-, assegura.\u201d<br \/>\nO qu\u00edmico enumerou uma s\u00e9rie de efeitos nocivos da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, como a dispers\u00e3o de metais pesados, a forma\u00e7\u00e3o de compostos oxidados, a recombina\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos, a emiss\u00e3o de particulados impregnados e cloretos que podem favorecer a forma\u00e7\u00e3o de organoclorados, compostos que se caracterizam por persist\u00eancia ambiental, bioacumula\u00e7\u00e3o e alta toxicidade. Somente as dioxinas s\u00e3o respons\u00e1veis por tumores, redu\u00e7\u00e3o da fertilidade e transtornos hormonais.<br \/>\nUm dado preocupante, ressalta, \u00e9 a conscientiza\u00e7\u00e3o da Europa sobre os impactos da incinera\u00e7\u00e3o. Embora pare\u00e7a n\u00e3o haver raz\u00e3o para o temor, o t\u00e9cnico considera poss\u00edvel que o Brasil se torne um importador de lixo para ser destru\u00eddo . \u201cO pa\u00eds, ali\u00e1s, est\u00e1 se tornando um quebrador de protocolos internacionais\u201d, em uma alus\u00e3o ao Tratado de Kyoto, que prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono na atmosfera.<br \/>\nA solu\u00e7\u00e3o mais racional nesse momento, segundo Mariano, seria a redu\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos e um novo padr\u00e3o de consumo. \u201cO mundo n\u00e3o suporta mais a quantidade de lixo produzida e o consumismo atual. Precisamos pensar em outras formas de combate a esse problema, como a reciclagem. A incinera\u00e7\u00e3o s\u00f3 agrava os problemas\u201d, conclui.<br \/>\n<strong><span style=\"color: #cc3300\">Professor apresenta outra vis\u00e3o<\/span><\/strong><br \/>\nContrariando todos os argumentos at\u00e9 ent\u00e3o expostos, o engenheiro qu\u00edmico e professor da Escola de Qu\u00edmica da Universidade Federal do Rio de Janeiro Abraham Zakon fez quest\u00e3o de mostrar os aspectos positivos da incinera\u00e7\u00e3o. Baseado em estudos da institui\u00e7\u00e3o carioca, o especialista destacou que o grande obst\u00e1culo a ser superado hoje \u00e9 o preconceito relativo ao processo de termodestrui\u00e7\u00e3o, express\u00e3o utilizada para esse tipo de combust\u00e3o. \u201cSe fosse pela polui\u00e7\u00e3o, todas as f\u00e1bricas, at\u00e9 mesmo as pizzarias que tivessem uma chamin\u00e9 seriam fechadas\u201d, alega.<br \/>\nA seguran\u00e7a da termodestrui\u00e7\u00e3o, conforme o professor, \u00e9 viabilizada por meio dos atuais recursos da engenharia qu\u00edmica, as chamadas novas tecnologias . Os res\u00edduos industriais e hospitalares \u2013 os mais perigosos \u2013 seriam incinerados de forma adequada, tomando-se o cuidado necess\u00e1rio.<br \/>\nBoa parte de sua explana\u00e7\u00e3o resumiu-se a mostrar as defici\u00eancias dos lix\u00f5es e aterros sanit\u00e1rios como destino final do lixo, bem como a dificuldade de manter um aterro com as normas estabelecidas \u2013 exist\u00eancia de c\u00e9lulas para res\u00edduos e monitoramentos ambiental, topogr\u00e1fico e geot\u00e9cnico. Al\u00e9m desses requisitos, tamb\u00e9m h\u00e1 risco para os materiais que formam as camadas de disposi\u00e7\u00e3o, fr\u00e1geis demais na vis\u00e3o do especialista para evitar a contamina\u00e7\u00e3o do meio ambiente. A maior restri\u00e7\u00e3o, contudo, encontra-se na demanda por grandes \u00e1reas operacionais, que acabam gerando um alto custo econ\u00f4mico.<br \/>\nAo contr\u00e1rio dos palestrantes anteriores, Zakon declarou que o CO2 e as cinzas s\u00e3o pass\u00edveis de aproveitamento industrial, e que produtos preocupantes como o enxofre, proveniente das queimas, podem ser tratados para diminuir seus malef\u00edcios \u00e0 atmosfera. Entre outros pontos defendidos est\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica \u2013 termoeletricidade \u2013 e a produ\u00e7\u00e3o de cer\u00e2mica a partir de cinzas, hip\u00f3tese comprovada pela UFRJ.<br \/>\nO professor ainda destacou a incinera\u00e7\u00e3o como forma de eliminar seres vivos patog\u00eanicos e evitar a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. Acrescentou que os aterros e lix\u00f5es sofrem combust\u00e3o e oxida\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, liberando CH4 e CO2, e as usinas de compostagem, embora bem recebidas pela sociedade, causam odores desagrad\u00e1veis. \u201cEstou convicto de que a incinera\u00e7\u00e3o polui menos e \u00e9 uma excelente alternativa, mas precisamos acabar com os preconceitos que a cercam\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Incinera\u00e7\u00e3o de lixo \u00e9 condenada pela maioria (Foto Aline Gon\u00e7alves\/PMPA\/J\u00c1) Patr\u00edcia Benvenuti O\u00a01\u00ba Simp\u00f3sio Brasileiro de Incinera\u00e7\u00e3o, que se realiza em Porto Alegre at\u00e9 quarta-feira (7\/12), trouxe, j\u00e1 em seu primeiro dia (05\/12), uma s\u00e9rie de pol\u00eamicas a respeito do processo. 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