{"id":43894,"date":"2017-01-29T10:57:54","date_gmt":"2017-01-29T13:57:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=43894"},"modified":"2017-01-29T10:57:54","modified_gmt":"2017-01-29T13:57:54","slug":"pesquisa-agricola-tem-futuro-incerto-no-rs-com-extincao-da-fepagro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/pesquisa-agricola-tem-futuro-incerto-no-rs-com-extincao-da-fepagro\/","title":{"rendered":"Pesquisa agr\u00edcola tem futuro incerto no RS com extin\u00e7\u00e3o da Fepagro"},"content":{"rendered":"<p><strong>GERALDO HASSE<\/strong><br \/>\n\u201cEu ainda n\u00e3o consegui entender\u201d, diz a agr\u00f4noma Sidia Witter, doutora em apicultura e especializada no estudo da biologia das abelhas nativas brasileiras e, sobretudo, das esp\u00e9cies mais comuns do territ\u00f3rio ga\u00facho.<br \/>\nFormada h\u00e1 30 anos, ela trabalha desde 2004 na esta\u00e7\u00e3o de Taquari, uma das 19 bases de experimenta\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Fepagro), uma das nove funda\u00e7\u00f5es estaduais a serem extintas pelo governador Ivo Sartori sob pretexto de enxugar os custos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<br \/>\nEm consequ\u00eancia da extin\u00e7\u00e3o, junto com o trabalho de Sidia caminham provavelmente para o vazio dezenas de projetos de pesquisa tocados por outros 88 pesquisadores, que mant\u00eam ocupada uma centena e meia de funcion\u00e1rios envolvidos com diversas modalidades de estudo e experimenta\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria.<br \/>\nTodos est\u00e3o \u201csem entender\u201d o rumo das coisas na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica ga\u00facha.<br \/>\nNa secretaria foi criado um \u201cdepartamento de diagn\u00f3stico e pesquisa\u201d onde dever\u00e3o acomodar-se os funcion\u00e1rios est\u00e1veis (concursados) da Fepagro, todos colocados no \u201cquadro de extin\u00e7\u00e3o\u201d at\u00e9 que ven\u00e7am os prazos para que passem ao quadro dos inativos.<br \/>\nSitua\u00e7\u00e3o semelhante vivem outros mil funcion\u00e1rios atingidos pela extin\u00e7\u00e3o de mais oito funda\u00e7\u00f5es estaduais, entre elas a FEE, a Piratini e a Zoobot\u00e2nica.<br \/>\n<strong>SOBRAM D\u00daVIDAS<\/strong><br \/>\nNa Fepagro, a maioria dos pesquisadores e demais funcion\u00e1rios encaminhados ao abate est\u00e1 lutando para que, de uma forma ou de outra, seus projetos de trabalho tenham continuidade.<br \/>\nPor enquanto faltam defini\u00e7\u00f5es e sobram interroga\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm meados de janeiro, depois de diversas assembl\u00e9ias, Associa\u00e7\u00e3o dos Servidores da Fepagro encaminhou \u00e0 Secretaria da Agricultura \u00a0quatro of\u00edcios sucessivos pedindo esclarecimentos sobre os desdobramentos da medida do governo.<br \/>\nPor exemplo: \u201cComo ser\u00e1 mantido o curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em sa\u00fade animal (34 alunos) cujos professores s\u00e3o os pesquisadores da Fepagro?\u201d<br \/>\nOutra pergunta: \u201cO que acontecer\u00e1 com os funcion\u00e1rios que moram em casas da Fepagro nos centros de pesquisa?\u201d<br \/>\nSeguem-se dezenas de d\u00favidas cruciais sobre quest\u00f5es funcionais e pessoais.<br \/>\nA resposta do secret\u00e1rio da Agricultura, Ernani Polo veio de uma vez s\u00f3 no dia 25 (quarta-feira):<br \/>\n\u201dN\u00e3o haver\u00e1, neste momento, nenhuma interrup\u00e7\u00e3o nos trabalhos que vinham sendo desenvolvidos, principalmente com a migra\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento da Fepagro para o or\u00e7amento desta Pasta, que possibilibilitar\u00e1, assim, o custeio das atividades e dos centros de pesquisa\u201d.<br \/>\nSegundo Polo, antes mesmo da extin\u00e7\u00e3o, foram iniciadas conversa\u00e7\u00f5es com \u00f3rg\u00e3os (como a Capes) que custeiam pesquisas tocadas por t\u00e9cnicos da Fepagro.<br \/>\nNa realidade, a busca de recursos externos para as pesquisas da Fepagro foi transferida para a Secretaria de Planejamento, Governan\u00e7a e Gest\u00e3o..<br \/>\n<strong>CENTROS DO INTERIOR PODEM PASSAR PARA EMPRESAS PRIVADAS<\/strong><br \/>\nConsta no site da Fepagro que as verbas externas, obtidas mediante bolsas, contratos e conv\u00eanios, garantem a continuidade de 80% dos trabalhos de pesquisa da Fepagro.<br \/>\nS\u00e3o recursos extraor\u00e7ament\u00e1rios. Em 2016, a funda\u00e7\u00e3o tinha um or\u00e7amento inicial de R$ 26 milh\u00f5es e gastou R$ 27 milh\u00f5es. Este ano, est\u00e1 autorizada a gastar R$ 24 milh\u00f5es.<br \/>\nAt\u00e9 agora, a ger\u00eancia financeira da Fepagro continua operando com a autonomia de sempre. N\u00e3o se sabe quando a mudan\u00e7a chegar\u00e1 ao pr\u00e9dio da Rua Gon\u00e7alves Dias, 570, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.<br \/>\nNos bastidores, j\u00e1 se fala que alguns centros de pesquisa do interior est\u00e3o na mira de empresas particulares. \u00c9 de seis meses o prazo para executar a extin\u00e7\u00e3o da Fepagro e das outras funda\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPela leitura dos funcion\u00e1rios da Fepagro, o problema mal come\u00e7ou a ser analisado.<br \/>\nA demora se explica, em parte, pela falta de recursos financeiros do governo; outra parte, pelo ineditismo da opera\u00e7\u00e3o de extin\u00e7\u00e3o; e, tamb\u00e9m, pelo relativo desconhecimento dos operadores da Secretaria sobre a Fepagro &#8212; seus objetivos, dificuldades operacionais e mecanismos de sobreviv\u00eancia num quadro de permanente aperto econ\u00f4mico-financeiro.<br \/>\nPela l\u00f3gica do arrocho, os primeiros locais desativados devem ser aqueles mais distantes da capital, mas o secret\u00e1rio Polo evitou qualquer defini\u00e7\u00e3o mais precisa.<br \/>\nEm seu of\u00edcio aos servidores da Fepagro, ele diz que \u201ca reestrutura\u00e7\u00e3o dos centros de pesquisa \u00e9 um assunto que ser\u00e1 analisado quando estiver consolidada a transi\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de pessoal, or\u00e7ament\u00e1ria, financeira e contratos, sendo que os crit\u00e9rios ser\u00e3o estabelecidos em momento oportuno\u201d.<br \/>\nSe o objetivo da mensagem era deixar as coisas no ar, Polo acertou na mosca.<br \/>\nEm seu question\u00e1rio sobre o futuro, os funcion\u00e1rios deixaram claro seu temor de que nas pr\u00f3ximas semanas, n\u00e3o havendo a\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, possa come\u00e7ar a faltar material para as pesquisas \u2013 desde gasolina para ve\u00edculos at\u00e9 ra\u00e7\u00f5es animais e suprimentos para a opera\u00e7\u00e3o de telefones e computadores.<br \/>\nComo n\u00e3o h\u00e1 precedentes semelhantes na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o pessoal atingido pela extin\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem onde buscar orienta\u00e7\u00e3o ou refer\u00eancias.<br \/>\n<strong>UMA EMBRAPA ESTADUAL COM QUASE 100 ANOS<\/strong><br \/>\nEmbora n\u00e3o fa\u00e7a propaganda nem apare\u00e7a em manchetes, a Fepagro mant\u00e9m um site de alta transpar\u00eancia no qual est\u00e1 expl\u00edcita a dimens\u00e3o do seu trabalho de investiga\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-cient\u00edfica.<br \/>\nGuardadas as propor\u00e7\u00f5es, ela \u00e9 uma Embrapa estadual que vem dando continuidade \u00e0s mais antigas esta\u00e7\u00f5es experimentais ga\u00fachas, criadas no in\u00edcio do s\u00e9culo XX para dar apoio aos colonos alem\u00e3es, italianos, poloneses e japoneses estabelecidos no estado.<br \/>\nA esta\u00e7\u00e3o mais antiga funciona desde 1919 em Veran\u00f3polis, que come\u00e7ou produzindo sementes para os agricultores. Em outros munic\u00edpios havia reprodutores a servi\u00e7o da multiplica\u00e7\u00e3o dos rebanhos ga\u00fachos. As esta\u00e7\u00f5es de Julio de Castilhos e Santa Rosa ajudaram na propaga\u00e7\u00e3o da soja nos anos 1960.<br \/>\nO caso da apicultura, em Taquari, ber\u00e7o da citricultura do Rio Grande, \u00e9 emblem\u00e1tico.<br \/>\nNo site da Fepagro est\u00e3o anunciadas cinco publica\u00e7\u00f5es sobre apicultura. A \u00faltima delas, Manual de Manejo de Abelhas Sem Ferr\u00e3o, com 144 p\u00e1ginas, publicada em fins de 2015, leva a assinatura de Sidia Witter, que opera em parceria com pesquisadores de outras institui\u00e7\u00f5es como a Embrapa, a Epagri (SC) e a UFRGS.<br \/>\nAs conclus\u00f5es indicam que as abelhas nativas mais conhecidas \u2013 jata\u00ed, manda\u00e7aia, manduri, mirim, guaraipo, tubuna e tubiba \u2013 s\u00e3o comprovadamente importantes na poliniza\u00e7\u00e3o de vegetais como ab\u00f3bora, a\u00e7a\u00ed, alfafa, ara\u00e7\u00e1, berinjela, buti\u00e1, cacau, caf\u00e9, canola, caj\u00e1, cornich\u00e3o, cupua\u00e7u, girassol, goiaba, guaran\u00e1, ma\u00e7\u00e3, maracuj\u00e1, morango, pimenta, piment\u00e3o, soja, tomate, trevo e urucum, entre outras.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GERALDO HASSE \u201cEu ainda n\u00e3o consegui entender\u201d, diz a agr\u00f4noma Sidia Witter, doutora em apicultura e especializada no estudo da biologia das abelhas nativas brasileiras e, sobretudo, das esp\u00e9cies mais comuns do territ\u00f3rio ga\u00facho. Formada h\u00e1 30 anos, ela trabalha desde 2004 na esta\u00e7\u00e3o de Taquari, uma das 19 bases de experimenta\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":43913,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-43894","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":43894,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-bpY","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43894"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43894\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}