{"id":44448,"date":"2017-02-14T11:30:47","date_gmt":"2017-02-14T14:30:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=44448"},"modified":"2017-02-14T11:30:47","modified_gmt":"2017-02-14T14:30:47","slug":"guarani-mbya-retomam-area-tradicional-em-maquine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/guarani-mbya-retomam-area-tradicional-em-maquine\/","title":{"rendered":"Guarani Mbya retomam \u00e1rea tradicional em Maquin\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Ana Maria Barros Pinto<\/span><br \/>\nSurge uma nova aldeia Guarani Mbya no RS, em uma \u00e1rea de mata atl\u00e2ntica na Esta\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Fepagro), em Maquin\u00e9 (litoral norte). Um grupo de cerca de 80 pessoas \u2013 adultos, jovens e crian\u00e7as- entraram pacificamente na \u00e1rea no final de janeiro e fizeram um acampamento, na a\u00e7\u00e3o que eles chamam de retomada.<br \/>\nA \u00e1rea de 367 hectares \u00e9 reivindicada pelos Mbya em nome da ancestralidade. \u201c\u00c9 territ\u00f3rio dos nossos antepassados guarani, somos um povo e queremos respeito \u00e0s nossas tradi\u00e7\u00f5es e cultura\u201d, diz o cacique Andre Benites. Ele conhece bem a regi\u00e3o: cresceu por ali, em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, assim como outras fam\u00edlias, plantando em pequenos peda\u00e7os de terra cedidos por moradores. Come\u00e7aram a organizar a retomada assim que souberam da extin\u00e7\u00e3o da Fepagro, atrav\u00e9s de projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa em dezembro de 2016.<br \/>\n<figure id=\"attachment_44455\" aria-describedby=\"caption-attachment-44455\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-44455 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/15665939_1753494341646183_9108266228637043604_n.jpg\" alt=\"A opy, casa onde s\u00e3o realizadas as rezas, \u00e9 tradicional nas aldeias\" width=\"640\" height=\"480\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-44455\" class=\"wp-caption-text\">Grupo j\u00e1 construiu um opy, casa onde s\u00e3o realizadas as rezas, tradicional nas aldeias<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNessa terra, explica o cacique Andr\u00e9 Benites, h\u00e1 mata nativa com frutas silvestres, terra boa para o plantio de alimentos e rem\u00e9dios (ervas medicinais) e um rio. Ou seja, os recursos naturais que permitem o manejo das esp\u00e9cies tradicionais da cultura guarani est\u00e3o preservados. A retomada \u00e9 tamb\u00e9m uma rea\u00e7\u00e3o ao descaso dos governos, que Benites define assim: \u201cEstamos esquecidos na beira de estradas, vivendo em acampamentos prec\u00e1rios. Queremos viver com dignidade, que o Governo reconhe\u00e7a isso\u201d.<br \/>\n<figure id=\"attachment_44453\" aria-describedby=\"caption-attachment-44453\" style=\"width: 168px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-44453 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/16508466_10212227806361352_5527173621122618124_n-168x300.jpg\" alt=\"O cacique Cirilo Morinico, da aldeia Anhetengu\u00e1, da Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, se juntou ao grupo\" width=\"168\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-44453\" class=\"wp-caption-text\">O cacique Cirilo Morinico, da aldeia Anhetengu\u00e1, da Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, se juntou ao grupo<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO cacique Cirilo Morinico, da aldeia Anhetengu\u00e1, da Lomba do Pinheiro em Porto Alegre, se juntou ao grupo pela conquista da tekoh\u00e1 (terra, aldeia). Com voz tranquila e pausada, como \u00e9 caracter\u00edstica deste povo, Cirilo fala que os guaranis s\u00e3o orientados por Nhanderu (Deus) e t\u00eam esperan\u00e7a na retomada. \u201cQueremos mostrar para a sociedade que o nosso povo tem tradi\u00e7\u00e3o, espiritualidade, uma cultura que tem de ser preservada. Hoje vivemos em pequenas \u00e1reas, como passarinhos cercados. Aqui no nosso territ\u00f3rio ancestral tem vida\u201d.<br \/>\nA retomada teve v\u00e1rios desdobramentos: os mbya foram chamados para uma audi\u00eancia na sede do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal de Cap\u00e3o da Canoa, no dia 3 de fevereiro, onde reiteraram aos procuradores os motivos da decis\u00e3o de retomar o territ\u00f3rio ancestral guarani. A disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 de resistir; a palavra \u00e9 negocia\u00e7\u00e3o. Aguardam o despacho do juiz federal marcando audi\u00eancia. No \u00e2mbito estadual, h\u00e1 uma a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse feita pela Procuradoria Geral do Estado<span style=\"color: #ffff00\">, com pedido de liminar.<\/span><br \/>\nDias antes, os procuradores do Estado Silvio Jardim e Vermelho D&#8217;Elia, da diretoria de Direitos Humanos da Associa\u00e7\u00e3o dos Procuradores do Estado do RS (Apergs), estiveram em Maquin\u00e9 para conhecer a situa\u00e7\u00e3o e se propuseram a contribuir na media\u00e7\u00e3o. Jardim \u00e9 representante na Comiss\u00e3o Estadual de Pol\u00edtica Ind\u00edgena (CEPI) e D\u2019Elia faz parte da Raiz Movimento Cidadanista. A reuni\u00e3o, na \u00e1rea externa do pr\u00e9dio da Fepagro, chamou a aten\u00e7\u00e3o do diretor da unidade, agr\u00f4nomo Rodrigo Favreto. Ele se aproximou do grupo, disse ter informado sua chefia em Porto Alegre sobre a presen\u00e7a ind\u00edgena na \u00e1rea, mas sabia de nenhum encaminhamento. Favretto conta que tem convivido pacificamente com aquele povo que ele n\u00e3o conhecia. Lembra que os ind\u00edgenas n\u00e3o derrubaram cercas ao entrar na \u00e1rea, eles pularam, e isso chamou muito a aten\u00e7\u00e3o dele. Ao falar sobre as pesquisas que fazem ali na Esta\u00e7\u00e3o Fepagro, citou o milho. Perguntado se conhecia o milho ind\u00edgena, o avati, reagiu com surpresa e respondeu \u201cn\u00e3o\u201d.<br \/>\n<figure id=\"attachment_44454\" aria-describedby=\"caption-attachment-44454\" style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-44454 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/16472853_1753493991646218_1862999805515742607_n.jpg\" alt=\"O grupo prepara a terra para o plantio de verduras\" width=\"640\" height=\"480\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-44454\" class=\"wp-caption-text\">O grupo prepara a terra para o plantio de verduras<\/figcaption><\/figure><br \/>\nApoio \u00e0 retomada Guarani Mbya:<br \/>\nH\u00e1 v\u00e1rios grupos apoiando os guarani mbya na sua retomada. O grupo informa que qualquer doa\u00e7\u00e3o \u00e9 bem vinda, principalmente de alimentos n\u00e3o perec\u00edveis, lona, roupas, cobertas, ferramentas.<br \/>\nH\u00e1 pontos de coleta nos seguintes locais:<br \/>\nAmigos da Terra Brasil\u00a0(Rua Olavo Bilac, 92 &#8211; Cidade Baixa &#8211; Porto Alegre);<br \/>\nBar da Carla (Rua Lobo da Costa quase esquina com a Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio). Informa\u00e7\u00f5es de hor\u00e1rio- contato pela p\u00e1gina no FB ou pelo telefone (51) 3332.8884.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Maria Barros Pinto Surge uma nova aldeia Guarani Mbya no RS, em uma \u00e1rea de mata atl\u00e2ntica na Esta\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Fepagro), em Maquin\u00e9 (litoral norte). 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