{"id":448,"date":"2005-12-28T14:09:31","date_gmt":"2005-12-28T17:09:31","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=448"},"modified":"2005-12-28T14:09:31","modified_gmt":"2005-12-28T17:09:31","slug":"obras-historicas-viram-po-no-velho-instituto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/obras-historicas-viram-po-no-velho-instituto\/","title":{"rendered":"Obras hist\u00f3ricas viram p\u00f3 no velho Instituto"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Naira Hofmeister<\/span><br \/>\nA cena se repete todos os dias: centenas de alunos do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o General Flores da Cunha sobem as escadarias do pr\u00e9dio para as salas de aula, biblioteca e outras depend\u00eancias da escola.<br \/>\nPoucos reparam nas tr\u00eas grandes telas que ornamentam o lugar, preservando a mem\u00f3ria hist\u00f3rica e o patrim\u00f4nio art\u00edstico ga\u00facho. Mesmo um observador atento encontraria dificuldades para distinguir nas pinturas as figuras de Garibaldi, a Ponte da Azenha, os imigrantes a\u00e7orianos na chegada a Porto Alegre, em 1752. As imagens, pintadas por Augusto Luiz de Freitas e Luc\u00edlio de Albuquerque, praticamente desapareceram depois de anos de abandono. Afora a sujeira \u2013 as telas est\u00e3o cobertas de p\u00f3 \u2013, as tr\u00eas obras tem manchas de \u00e1gua, consequ\u00eancia de uma inunda\u00e7\u00e3o ocorrida em 1984.<br \/>\nPode-se observar ainda partes rasgadas pelo cascalho que ficou entalado entre a tela e o suporte. Mais: a tinta est\u00e1 ressecada e sem pigmenta\u00e7\u00e3o, os contornos das figuras se perdem, as molduras est\u00e3o tomadas por cupins e a ilumina\u00e7\u00e3o local \u00e9 p\u00e9ssima. Teias de aranha, chicl\u00e9s e nomes \u201cassinados\u201d nas molduras completam a triste realidade dessas obras de arte. \u201cConsiderando que as<br \/>\ntelas est\u00e3o nessa escola p\u00fablica, onde n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o patrimonial nem conscientiza\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o, poderia ser muito pior\u201d, exclama Tha\u00eds Gomes Fraga, funcion\u00e1ria do arquivo do IE.<br \/>\nA despeito da desconsidera\u00e7\u00e3o di\u00e1ria que sofrem, as telas mant\u00e9m sua impon\u00eancia, ao menos por seu tamanho. As duas menores medem mais de 5m x 3m e a maior, localizada no centro da escadaria, 6m30cm x 5m50cm. Datam do in\u00edcio do s\u00e9culo 20, entre 1916 e 1923 e originalmente deveriam adornar as paredes do Pal\u00e1cio Piratini, sede do governo ga\u00facho. No Brasil, apenas duas<br \/>\noutras telas cl\u00e1ssicas superam em tamanho as expostas no IE.<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u201cAgora parece que estamos no caminho certo\u201d<\/span><br \/>\nAp\u00f3s 20 anos de luta, finalmente um projeto da Associa\u00e7\u00e3o de Ex-alunas foi aprovado pela LIC estadual, para receber investimentos em troca de isen\u00e7\u00e3o fiscal, mas Cec\u00edlia Heckthever diz que est\u00e1 tendo dificuldades em encontrar parceiros para o trabalho: \u201cAs pessoas t\u00eam medo de apoiar, pois h\u00e1 um descr\u00e9dito nas coisas p\u00fablicas\u201d, exclama.<br \/>\nSegundo Cec\u00edlia, o vice-governador Ant\u00f4nio Hohlfeldt \u201cprometeu c\u00e9u e terra\u201d ao grupo que pede a restaura\u00e7\u00e3o. \u201cEle disse que se sentia compromissado com a institui\u00e7\u00e3o na qual sua m\u00e3e havia estudado, mas agora deve ter coisas muito mais importantes para fazer\u201d, ironiza.<br \/>\nPor conta do descaso dos governantes, um dos prov\u00e1veis parceiros da obra, se mant\u00e9m indeciso: \u201cO Tumelero viu com simpatia a id\u00e9ia, mas est\u00e1 esperando uma palavra do vice-governador para liberar os recursos\u201d.<br \/>\nO maior problema para a restaura\u00e7\u00e3o das tr\u00eas telas do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o estado e o tamanho de cada quadro. \u201cPrecisaremos de dois ou tr\u00eas meses de trabalho antes de remov\u00ea-las, pois assim como est\u00e3o, v\u00e3o se romper com certeza\u201d, diz Leila Sudbrack, a restauradora. O primeiro passo ser\u00e1 a limpeza, no local onde elas est\u00e3o. Depois, uma subst\u00e2ncia fixadora da tinta ser\u00e1 colocada sobre as telas. \u201cA primeira fase da restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 o que eu chamo de terap\u00eautica ou hospitalar\u201d, brinca a restauradora. \u201c\u00c9 a etapa mais preocupante, que leva mais tempo e d\u00e1 mais trabalho, mas \u00e9 pura tecnologia\u201d, esclarece.<br \/>\nAs t\u00e9cnicas utilizadas ser\u00e3o as mais avan\u00e7adas no mundo: \u201cS\u00e3o as mesmas usadas na recupera\u00e7\u00e3o da Capela Sistina\u201d, exemplifica.<br \/>\nO trabalho final, ao contr\u00e1rio, utiliza t\u00e9cnicas artesanais do s\u00e9culo 19 onde entra a habilidade dos restauradores. Leila explica que o maior cuidado desses profissionais ser\u00e1 o de n\u00e3o intervir nas caracter\u00edsticas do pintor. \u201cS\u00e3o pinceladas quase matem\u00e1ticas, calculadas para que o novo tra\u00e7o n\u00e3o venha a competir com os do artista\u201d. A cor utilizada tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a mesma que a utilizada originalmente, ficando um tom abaixo. A previs\u00e3o \u00e9 que as obras durem 2 anos.<br \/>\n<span class=\"intertit\">IE pode entrar para o Circuito Cultural porto-alegrense<\/span><br \/>\nSe tudo der certo, dentro de 2 anos os quadros estar\u00e3o totalmente renovados e prontos para serem apreciados pelo p\u00fablico. O projeto da Associa\u00e7\u00e3o, que tem todo o apoio de Leila Sudbrack, \u00e9 incluir o Instituto de Educa\u00e7\u00e3o na rota art\u00edstica de Porto Alegre.<br \/>\nPara isso, estudam alternativas como investir em ilumina\u00e7\u00e3o adequada, realizar campanhas de preserva\u00e7\u00e3o patrimonial entre os alunos e ate mesmo cobrar ingressos dos visitantes para observar as obras. \u201cTemos que rever a conserva\u00e7\u00e3o, mas eu s\u00f3 abra\u00e7o uma briga por vez\u201d, brinca Cec\u00edlia.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Dados das obras <\/span><br \/>\n<strong>Chegada dos A\u00e7orianos<\/strong><br \/>\nAutor: Augusto Luiz de Freitas<br \/>\nLocaliza\u00e7\u00e3o: Centro da escadaria<br \/>\nDimens\u00f5es: 6m30cm X 5m50cm<br \/>\nLocal e data: Roma, 1923<br \/>\n<strong>Batalha da Azenha<br \/>\n<\/strong>Autor: Augusto Luiz de Freitas<br \/>\nLocaliza\u00e7\u00e3o: Lado direito da escadaria<br \/>\nDimens\u00f5es: 5m64cm X 3m76cm<br \/>\nLocal e data: Roma, 1922<br \/>\n<strong>Expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Laguna<br \/>\n<\/strong>Autor: Luc\u00edlio de Albuquerque<br \/>\nLocaliza\u00e7\u00e3o: Lado esquerdo da escadaria<br \/>\nDimens\u00f5es: 5m45 X 3m312cm<br \/>\nLocal e data: Rio de Janeiro, 1916<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Para ajudar<strong><span style=\"color: #cc3300\"><br \/>\n<\/span><\/strong><\/span><br \/>\nAssocia\u00e7\u00e3o dos Ex-alunos do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o general Flores da Cunha<br \/>\nEndere\u00e7o: Av. Oswaldo Aranha, 527 &#8211; Bairro Farroupilha &#8211; Porto Alegre &#8211; RS<br \/>\nFones: 3311.0386 (segundas, quartas e sextas das 14h00 \u00e0s 17h30).<br \/>\nLigue tamb\u00e9m: 3221.7941\/9961.7623 Am\u00e9lia Bulh\u00f5es\/ 3227.3918 Valdeci Bezerra<br \/>\n3217.9406\/9115.0426 Gilda Vasconcelos<br \/>\nE-mail: <a href=\"mailto:ass_exalunosie@yahoo.com.br\">ass_exalunosie@yahoo.com.br<\/a><br \/>\nSite: <a href=\"http:\/\/www.sosarteie.com.br\/\">www.sosarteie.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naira Hofmeister A cena se repete todos os dias: centenas de alunos do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o General Flores da Cunha sobem as escadarias do pr\u00e9dio para as salas de aula, biblioteca e outras depend\u00eancias da escola. Poucos reparam nas tr\u00eas grandes telas que ornamentam o lugar, preservando a mem\u00f3ria hist\u00f3rica e o patrim\u00f4nio art\u00edstico ga\u00facho. 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