{"id":4494,"date":"2009-05-03T02:27:38","date_gmt":"2009-05-03T05:27:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=4494"},"modified":"2009-05-03T02:27:38","modified_gmt":"2009-05-03T05:27:38","slug":"pontal-do-estaleiro-em-nome-dos-trabalhadores-muda-se-a-lei-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/pontal-do-estaleiro-em-nome-dos-trabalhadores-muda-se-a-lei-3\/","title":{"rendered":"PONTAL DO ESTALEIRO (3) &#8211; Em nome dos trabalhadores, muda-se a lei"},"content":{"rendered":"<p>Um novo pedido para alterar o regime urban\u00edstico na \u00e1rea do Estaleiro S\u00f3 foi encaminhado \u00e0 Secretaria do Planejamento, em julho do ano 2000.<br \/>\nDesta vez, al\u00e9m do arquiteto Jorge Debiagi, assinam o requerimento dois escrit\u00f3rios de advocacia que defendem ex-funcion\u00e1rios do estaleiro \u2013 \u201cWoida, Forbrig, Magnago &amp; Advogados Associados\u201d e \u201cGenro, Camargo Coelho, Maineri &amp; Advogados Associados\u201d, este tendo ainda como s\u00f3cio-fundador o ent\u00e3o candidato a prefeito Tarso Genro, hoje ministro da Justi\u00e7a.<br \/>\n<figure id=\"attachment_4496\" aria-describedby=\"caption-attachment-4496\" style=\"width: 150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/full_doc_pontal2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4496 size-thumbnail\" title=\"Documento de 2000\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/thumb_doc_pontal2.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"206\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4496\" class=\"wp-caption-text\">Documento de 2000<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEles apresentam uma \u201csugest\u00e3o de regime urban\u00edstico\u201d para a \u00e1rea, alegando que \u201co terreno constitui o \u00fanico bem que possibilita o recebimento dos direitos trabalhistas dos ex-empregados do Estaleiro, cujos processos se encontram em fase de execu\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a e nos quais foi penhorado o im\u00f3vel em que se encontra a sede da empresa\u201d.<br \/>\nEstimam a indeniza\u00e7\u00e3o devida aos trabalhadores em R$ 9,2 milh\u00f5es e explicam que os cr\u00e9ditos trabalhistas tem \u201cinconteste car\u00e1ter alimentar envolvendo direitos de quase 400 trabalhadores muitos dos quais desempregados, e suas familias\u201d. E que \u201ca n\u00e3o considera\u00e7\u00e3o deste dado para efeitos mercadol\u00f3gicos, por certo implicar\u00e1 fen\u00f4meno de grave repercuss\u00e3o social, potencializando os j\u00e1 alarmantes n\u00edveis de mis\u00e9ria\u201d.<br \/>\nDizem tamb\u00e9m \u201cque neste terreno, integrado ao sistema de parques da orla, \u00e9 poss\u00edvel edificar um conjunto de pr\u00e9dios com atividades miscigenadas em conformidade com as prerrogativas do Plano Diretor\u201d.<br \/>\nE que para \u201cviabilizar as inten\u00e7\u00f5es do poder municipal de valoriza\u00e7\u00e3o urban\u00edstica da \u00e1rea, atrav\u00e9s da integra\u00e7\u00e3o desta com as \u00e1reas p\u00fablicas, ao Sul e ao Norte, \u00e9 necess\u00e1rio que o Regime Urban\u00edstico contemple a possibilidade da compensa\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas dos ex-empregados, acrescido dos valores necess\u00e1rios \u00e0 viabiliza\u00e7\u00e3o da urbaniza\u00e7\u00e3o das referidas \u00e1reas p\u00fablicas\u201d.<br \/>\nAdvertem, ainda, que \u201cse n\u00e3o for viabilizada a recupera\u00e7\u00e3o urbana desta \u00e1rea para empreendimento com estas caracter\u00edsticas, \u00e9 muito prov\u00e1vel que a mesma seja ocupada desordenadamente, o que n\u00e3o contribuiria para o desenvolvimento urbano\u201d.<br \/>\nO valor da \u00e1rea, \u201cse permitidas as altera\u00e7\u00f5es\u201d, \u00e9 estimado entre R$ 10 milh\u00f5es e R$ 13 milh\u00f5es, \u201clevando-se em conta o valor m\u00e9dio da cota terreno, de 0,30 do CUB\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Prefeito Tarso pediu urg\u00eancia <\/span><br \/>\nEleito em novembro do ano 2000, Tarso Genro assume em janeiro do ano seguinte, para um segundo mandato como prefeito de Porto Alegre. Em junho encaminha \u00e0 C\u00e2mara o projeto de Lei Complementar 470, que estabelece um regime urban\u00edstico especial para o Pontal do Melo.<br \/>\nRelatado pelo vereador Estilac Xavier, l\u00edder da bancada petista na C\u00e2mara, o projeto corre em regime de urg\u00eancia e \u00e9 aprovado no dia 12 de dezembro daquele mesmo ano, com um \u00fanico voto contr\u00e1rio, do vereador Beto Moesch. Um dos primeiros atos do prefeito, no dia 2 janeiro de 2002, foi sancionar a lei.<br \/>\nCom a mudan\u00e7a, a \u00e1rea do estaleiro foi desmembrada da Unidade de Estrutura\u00e7\u00e3o Urbana 4036, que abrange toda a orla do Guaiba, transformando-se na sub-unidade de Estrutura\u00e7\u00e3o Urbana 03, \u201ccom defini\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00e3o para uso privado de atividades de interesse cultural, tur\u00edstico e paisag\u00edstico, vedado habita\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio atacadista e ind\u00fastria\u201d.<br \/>\nFoi estabelecida uma taxa de ocupa\u00e7\u00e3o (1,0) e a altura m\u00e1xima de 12,5 metros (quatro andares).<br \/>\nO vereador Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Dib diz que a proposta enviada pelo prefeito previa tamb\u00e9m pr\u00e9dios residenciais. \u201cFui eu que apresentei uma emenda suprimindo o residencial, porque a \u00e1rea era inund\u00e1vel\u201d, declarou o veterano Dib no dia da vota\u00e7\u00e3o do atual projeto.<br \/>\nNa verdade, pode-se ver pelos anais da C\u00e2mara que o texto do Executivo n\u00e3o era expl\u00edcito quanto a pr\u00e9dios residenciais e Dib fez uma emenda para deixar claro o veto.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Bancada do PT ficou de saia justa<\/span><br \/>\nO terreno do Pontal era o \u00fanico bem que restava de todo o patrim\u00f4nio do Estaleiro S\u00f3, a \u00fanica fonte para pagar as indeniza\u00e7\u00f5es de 600 trabalhadores, cujos cr\u00e9ditos trabalhistas superavam os R$ 9 milh\u00f5es.<br \/>\nTr\u00eas leil\u00f5es haviam fracassado porque n\u00e3o se sabia o que se podia fazer com o terreno. Como toda a orla, ele estava enquadrado no Plano Diretor nas \u00c1reas Especiais de Interesse Cultural, que n\u00e3o tem regras definidas, mas as diretrizes gerais s\u00e3o restritivas.<br \/>\nO que fazer? Definir regras para que o terreno se tornasse atraente aos compradores e os empregados que h\u00e1 seis anos esperavam tivessem seus direitos atendido. Era um argumento inatac\u00e1vel.<br \/>\nO vereador Adeli Sell (PT) foi ovacionado quando abriu a sess\u00e3o da C\u00e2mara Municipal de 5 de dezembro de 2001: \u201cNesta tarde eu tenho certeza absoluta de que n\u00f3s vamos fazer jus \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Porto Alegre e reintegrar o Estaleiro S\u00f3 \u00e0 orla da cidade. Assim eu pe\u00e7o o voto de todas e de todos para a aprova\u00e7\u00e3o desse projeto&#8230;\u201d.<br \/>\nAs galerias tomadas pelos trabalhadores demitidos do Estaleiro So e suas fam\u00edlias ditaram o rumo da sess\u00e3o. Quinze oradores se sucederam na tribuna, apenas Beto Moesh n\u00e3o pediu a aprova\u00e7\u00e3o do projeto do prefeito Tarso Genro.<br \/>\n\u201cVamos resolver o problema daqueles que trabalharam grande parte de sua vida no Estaleiro S\u00f3 e n\u00e3o tiveram indeniza\u00e7\u00e3o\u201d, disse o j\u00e1 veterano Antonio Dib, do PP. \u201cAl\u00e9m de estarmos gerando renda para a cidade no aspecto tur\u00edstico cultural, n\u00f3s tamb\u00e9m vamos estar resgatando a dignidade destes bravos funcion\u00e1rio e a tranquilidade de suas fam\u00edlias\u201d, disse Maristela Maffei, do PT.<br \/>\nO partido de Tarso, cujo l\u00edder, Estilac Xavier era o relator do projeto, votou em bloco, levando junto seu aliado, o PCdoB:\u201cSomos favor\u00e1veis \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o para que os ex-funcion\u00e1rios do Estaleiro, que j\u00e1 esperaram seis anos, e a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o que hoje n\u00e3o disp\u00f5e deste espa\u00e7o, sejam brincados com este projeto\u201d, disse Raul Carrion.<br \/>\nA posi\u00e7\u00e3o do PT a favor do projeto em 2001, deixou fragilizada sua bancada nas vota\u00e7\u00f5es de agora, quando fechou quest\u00e3o contra o projeto. Em quase todos os discursos, os aliados do prefeito bateram na \u201cincoer\u00eancia do PT\u201d.<br \/>\nHavia, por\u00e9m, uma diferen\u00e7a essencial, que n\u00e3o foi lembrada, entre a vota\u00e7\u00e3o de 2001 e a de 2009. Em 2001, a vota\u00e7\u00e3o ocorreu antes, para que o terreno pudesse interessar a um comprador num leil\u00e3o. Agora ocorre depois, com o terreno j\u00e1 comprado, por um valor aviltado, exatamente porque os pr\u00e9dios n\u00e3o podiam ter mais do que 12,5 metros e nem ser residenciais \u2013 o que agora se mudou.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/2009\/04\/29\/pontal-do-estaleiro-uma-lei-sob-medida-1\/\">PONTAL DO ESTALEIRO (1) &#8211; Uma lei sob medida<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/2009\/04\/30\/pontal-do-estaleiro-na-origem-uma-area-publica-2\/\">PONTAL DO ESTALEIRO (2) &#8211; Na origem, uma \u00e1rea p\u00fablica<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo pedido para alterar o regime urban\u00edstico na \u00e1rea do Estaleiro S\u00f3 foi encaminhado \u00e0 Secretaria do Planejamento, em julho do ano 2000. 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