{"id":45063,"date":"2017-02-26T17:54:45","date_gmt":"2017-02-26T20:54:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=45063"},"modified":"2017-02-26T17:54:45","modified_gmt":"2017-02-26T20:54:45","slug":"nossa-alegoria-a-gente-fazia-no-meio-da-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/nossa-alegoria-a-gente-fazia-no-meio-da-rua\/","title":{"rendered":"\u201cNossa alegoria a gente fazia no meio da rua\u201d"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Matheus Chaparini<\/span><br \/>\nPanel\u00e3o de cola de farinha, oficina na rua, um ensopado no fogo ou uma carne na brasa e cacha\u00e7a noite adentro. Era assim que se fazia alegoria para o carnaval na cal\u00e7ada da rua Borborema, bairro S\u00e3o Jos\u00e9, ou em frente a qualquer quadra de tribo, bloco ou escola de samba de Porto Alegre. Pelo menos \u00e9 como Marlene Silva Machado se lembra dos preparativos de carnaval.<br \/>\nDona Marlene sai no carnaval de Porto Alegre desde a adolesc\u00eancia. Desfila pelos Comanches desde o primeiro ano da tribo. J\u00e1 saiu tamb\u00e9m pela extinta tribo Tapuias, apesar do ci\u00fame dos colegas de Comanches, e por escolas de samba como Imperadores do Samba e Bambas da Orgia. Al\u00e9m de desfilar, j\u00e1 teve ala nos Bambas e at\u00e9 alguns anos atr\u00e1s costurava.<br \/>\n<figure id=\"attachment_45065\" aria-describedby=\"caption-attachment-45065\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-45065 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Ensaio-Tribo-Comanches-02-12.jpg\" alt=\"Dona Marlene, em um ensaio dos Comanches, em 2017 \/ Matheus Chaparini\" width=\"725\" height=\"408\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-45065\" class=\"wp-caption-text\">Dona Marlene, em um ensaio dos Comanches, em 2017 \/ Matheus Chaparini<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEste ano, est\u00e1 impedida de desfilar porque est\u00e1 se recuperando de uma cirurgia. O fato de saber que n\u00e3o vai estar na avenida no final de mar\u00e7o, interfere pouco ou nada na rotina carnavalesca de Dona Marlene. Mora a poucos quarteir\u00f5es da sede dos Comanches e n\u00e3o perde um ensaio. \u201cN\u00e3o se perde o v\u00ednculo com os carnavalescos. A gente faz almo\u00e7o, jantar, roda de samba&#8230; aqui \u00e9 o ano todo.\u201d<br \/>\nMarlene \u00e9 saudosa de um tempo em que o carnaval era constru\u00eddo de forma mais colaborativa. \u201cNossa alegoria a gente fazia no meio da rua. Fazia uma panel\u00e3o deste tamanho de cola de farinha de trigo. A gente passava a noite inteira ali, tomando cacha\u00e7a e fazendo carro aleg\u00f3rico. Sa\u00eda sop\u00e3o, churrasco. Agora, terminou tudo aquilo, n\u00e3o tem mais.\u201d<br \/>\nMarlene \u00e9 critica ferrenha da remo\u00e7\u00e3o do carnaval da regi\u00e3o central da cidade, com a constru\u00e7\u00e3o do Porto Seco. Segundo ela, muita gente deixou de participar dos desfiles depois da mudan\u00e7a. \u201cOs governantes querem acabar com o carnaval. Colocar o carnaval l\u00e1 no Porto Seco? Aquilo \u00e9 um horror. Os barrac\u00f5es s\u00e3o muito bons, mas \u00e9 muito longe, a condu\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim. Se tem carro, n\u00e3o pode levar porque roubam.\u201d<br \/>\nEla reclama da dificuldade de acesso ao local, com poucos \u00f4nibus, muitas filas, paradas de distantes e estacionamentos inseguros. Al\u00e9m disso, h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es \u00e0 entrada de alimentos e bebidas de fora. \u201cL\u00e1 \u00e9 tudo uma careza. Quer dizer, uma m\u00e3e que vai levar tr\u00eas ou quatro filhos tem que levar um lanche de casa.\u201d<br \/>\nAos 74 anos, com boa parte deles dedicados ao carnaval de Porto Alegre, Marlene \u00e9 pessimista em rela\u00e7\u00e3o ao futuro das agremia\u00e7\u00f5es carnavalescas. \u201cT\u00e1 muito devastado. O carnaval maior est\u00e1 concentrado na Cidade Baixa. Eu acho que no futuro vai ter s\u00f3 bloco de rua. Escola, essas coisas n\u00e3o vai ter mais.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matheus Chaparini Panel\u00e3o de cola de farinha, oficina na rua, um ensopado no fogo ou uma carne na brasa e cacha\u00e7a noite adentro. 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