{"id":45067,"date":"2017-02-27T14:22:27","date_gmt":"2017-02-27T17:22:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=45067"},"modified":"2017-02-27T14:22:27","modified_gmt":"2017-02-27T17:22:27","slug":"os-comanches-uma-tradicao-da-vila-sao-jose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/os-comanches-uma-tradicao-da-vila-sao-jose\/","title":{"rendered":"Os Comanches, uma tradi\u00e7\u00e3o da Vila S\u00e3o Jos\u00e9"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Matheus Chaparini<\/span><br \/>\nNos altos da rua Borborema, vila S\u00e3o Jos\u00e9, na Zona Leste de Porto Alegre, fica a sede da Tribo Comanches. Em uma sexta feira de fevereiro a reportagem do Jornal J\u00c1 foi conferir um ensaio na quadra.<br \/>\nValdir de Souza Ribeiro \u00e9 o presidente da Sociedade Recreativa Beneficente Carnavalesca Tribo Comanches, fundada em 10 de outubro de 1959.<br \/>\nDentro da sede, entre as paredes repletas de fantasias, alegorias e p\u00f4steres de t\u00edtulos do Sport Club Internacional, ou na avenida, Valdir \u00e9 Ita\u00fana, seu nome de guerra.<br \/>\nEle era um guri da S\u00e3o Jos\u00e9 quando um grupo de amigos decidiram criar uma agremia\u00e7\u00e3o carnavalesca. A primeira empreitada foi uma escola de samba, o Comando do Morro, que durou apenas dois anos.<br \/>\nUm dia, ap\u00f3s o fim da escola, estavam sentados em uma pra\u00e7a da redondeza quando algu\u00e9m sugeriu: quem sabe a gente faz uma tribo? \u201cNaquele tempo tinha muita tribo. Bah! Escola de samba n\u00e3o tinha muito\u201d, conta Valdir.<br \/>\nAs cores escolhidas foram amarelo, vermelho e azul. O nome foi decidido em uma vota\u00e7\u00e3o apertada, com diferen\u00e7a de apenas um voto. A inspira\u00e7\u00e3o veio dos filmes americanos que passavam na televis\u00e3o.<br \/>\n\u201cA gente via os Comanches, assim, em cima da montanha, \u00e0 cavalo e a gente era gurizada nova, achava fant\u00e1stico\u201d, explica.<br \/>\n<figure id=\"attachment_45073\" aria-describedby=\"caption-attachment-45073\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-45073 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Tribo-Comanches-desfile-de-2004.-Arquivo.jpg\" alt=\"Tribo Comanches na avenida no carnaval de 2004 \/ Arquivo Comanches\" width=\"725\" height=\"485\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-45073\" class=\"wp-caption-text\">Tribo Comanches na avenida no carnaval de 2004 \/ Arquivo Comanches<\/figcaption><\/figure><br \/>\nValdir \u00e9 est\u00e1 no cargo h\u00e1 cerca de 25 anos. Antes disso, se orgulha de ter sido o presidente no ano do primeiro t\u00edtulo de campe\u00e3o de carnaval, em 1967, quando a disputa entre as tribos era a principal atra\u00e7\u00e3o do carnaval porto alegrense.<br \/>\n\u201cEra o tempo da Pepsi Cola, do Vicente Rao, que era Rei Momo, tempo do Heitor Pires, o comendador. Ele botava o dinheiro e a prefeitura botava os \u00f4nibus. A gente pedia 3, 4 \u00f4nibus e eles davam\u201d, recorda.<br \/>\nAtualmente a disputa se d\u00e1 apenas entre duas tribos: Comanches e Guaianazes, \u201co que restou da guerra\u201d. H\u00e1 uma forte rivalidade entre as duas tribos e a esta disputa \u00e9 o que mant\u00e9m vivo o carnaval de \u00edndio, como alguns chamam. Os Comanches venceram as \u00faltimas quatro disputas.<br \/>\nEste ano, a tribo vai para a avenida com cerca de 300 pessoas. Segundo Valdir, a maioria dos integrantes mora nas redondezas da sede. A bateria conta com 70 percussionistas.<br \/>\nSurdos, maracan\u00e3s, repiniques e ag\u00eas s\u00e3o os instrumentos da pescuss\u00e3o. A harmonia vem com dois cavacos, viol\u00e3o de seis e de sete cordas. O desfile conta ainda com personagens como porta estandarte, feiticeiro e cacique \u2013 em outros tempos, eram mais personagens, como deusa, cacique, paj\u00e9.<br \/>\n<figure id=\"attachment_45075\" aria-describedby=\"caption-attachment-45075\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-45075 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Carnaval-Valdir-Comanches-Arquivo.jpg\" alt=\"Presidente Valdir em a\u00e7\u00e3o na quadra: &quot;eu n\u00e3o sei fazer nada, mas eu sou curioso&quot; \/ Arquivo Comanches\" width=\"725\" height=\"456\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-45075\" class=\"wp-caption-text\">Presidente Valdir em a\u00e7\u00e3o na quadra: &#8220;eu n\u00e3o sei fazer nada, mas eu sou curioso&#8221; \/ Arquivo Comanches<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO tema para o carnaval 2017 \u00e9 Um tema para Lino e Jacira. Segundo o presidente, as fantasias e alegorias est\u00e3o praticamente prontas. \u201c\u00c9 s\u00f3 colocar no carro.\u201d<br \/>\n<span class=\"intertit\">&#8220;Isso aqui \u00e9 uma fam\u00edlia, meu!&#8221;<\/span><br \/>\nApesar de ter vivido os melhores dias das tribos, o momento em que Valdir mais se emociona n\u00e3o \u00e9 ao lembrar gl\u00f3rias de carnavais passados, mas ao defender a uni\u00e3o do grupo em momentos de dificuldade. Valdir se considera \u201cum cara glorioso\u201d por ter o seu pessoal ao lado. \u201cIsso aqui \u00e9 uma fam\u00edlia, meu!\u201d<br \/>\nMesmo com o repasse da prefeitura \u00e0 Liga, que era dividido entre as agremia\u00e7\u00f5es, colocar a tribo na avenida n\u00e3o era uma tarefa f\u00e1cil. Para Valdir, este feito s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, ano ap\u00f3s ano, gra\u00e7as \u00e0 uni\u00e3o dos integrantes da tribo, na maioria moradores da regi\u00e3o. O trabalho \u00e9 o ano todo.<br \/>\nAs cabe\u00e7as das fantasias s\u00e3o feitas em papel\u00e3o reciclado. Um funcion\u00e1rio do supermercado que hoje ocupa o terreno onde j\u00e1 foi a quadra dos Comanches separa caixas de papel\u00e3o que sobram e encaminha para a tribo.<br \/>\n\u201cEu tenho minha comunidade muito forte aqui. Talvez saia alguma coisa, mas a gente n\u00e3o t\u00e1 contando com isso a\u00ed. Eu j\u00e1 falei com a minha harmonia: \u2018esse ano n\u00e3o tem nada, quem quiser ir, vai, quem n\u00e3o quiser, pode parar agora\u2019. Eles deram o grito de guerra.\u201d<br \/>\nEste ano, o prefeito Nelson Marchezan J\u00fanior decidiu cortar o repasse que todos anos a prefeitura fazia para o carnaval. Dos R$ 7 milh\u00f5es previstos, cerca de R$ 5 milh\u00f5es seriam usados na estrutura do desfile e o restante, dividido entre as agremia\u00e7\u00f5es.<br \/>\nUma equipe montada pela prefeitura e Liespa est\u00e1 visitando diversas empresas que s\u00e3o potenciais patrocinadoras. Mas at\u00e9 o momento, n\u00e3o se fala em confirma\u00e7\u00f5es ou valores.<br \/>\nO projeto da prefeitura \u00e9 que a partir deste ano, o carnaval se sustente sem verba p\u00fablica. A forma de capta\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e1 definida. Se a capta\u00e7\u00e3o for feita de forma individual, por cada entidade, as menores ter\u00e3o mais dificuldade, correndo o risco de extin\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos.<br \/>\nQuando perdeu sua esposa, Valdir quis parar com os Comanches. Dona Georgina era costureira da tribo e bra\u00e7o direito do presidente, que hoje \u00e9 auxiliado pela filha Karen. Ele prop\u00f4s o fim da entidade, mas a comunidade n\u00e3o aceitou.<br \/>\nHoje, mesmo com todas dificuldades e com a incerteza da situa\u00e7\u00e3o financeira futura, o fim dos Comanches \u00e9 algo que Ita\u00fana nem cogita: \u201cN\u00f3s vamos abra\u00e7ar e n\u00e3o vamos deixar morrer.\u201d<br \/>\n<figure id=\"attachment_45071\" aria-describedby=\"caption-attachment-45071\" style=\"width: 578px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-45071 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Carnaval.-Valdir.-Arquivo-Comanches.jpg\" alt=\"Dona Angelina e Valdir dando entrevista ap\u00f3s o titulo de 2002 no carnaval \/ Arquivo Comanches\" width=\"578\" height=\"800\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-45071\" class=\"wp-caption-text\">Dona Georgina e Valdir dando entrevista ap\u00f3s o titulo de 2002 no carnaval \/ Arquivo Comanches<\/figcaption><\/figure><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matheus Chaparini Nos altos da rua Borborema, vila S\u00e3o Jos\u00e9, na Zona Leste de Porto Alegre, fica a sede da Tribo Comanches. 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