{"id":4529,"date":"2009-05-04T14:50:34","date_gmt":"2009-05-04T17:50:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=4529"},"modified":"2009-05-04T14:50:34","modified_gmt":"2009-05-04T17:50:34","slug":"querem-acabar-com-o-passe-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/querem-acabar-com-o-passe-livre\/","title":{"rendered":"Prefeitura quer fim do Passe Livre"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Por D\u00e9bora Gallas | colaborou Bruno Mattos<\/span><br \/>\nO suposto aumento dos \u00edndices de viol\u00eancia nos dias em que o transporte p\u00fablico \u00e9 gratuito para a popula\u00e7\u00e3o de Porto Alegre foi apresentado como justificativa da Prefeitura em documento enviado \u00e0 C\u00e2mara em abril pedindo o fim do passe livre.<br \/>\nA proposta foi enviada pelo Conselho Municipal de Transportes. O presidente do \u00f3rg\u00e3o, Jaires Maciel, alegou que o projeto foi apresentado devido \u00e0 inseguran\u00e7a nos dias de passe livre. De acordo com ele, h\u00e1 muita depreda\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e quem se utiliza do servi\u00e7o n\u00e3o o faz com boas inten\u00e7\u00f5es.<br \/>\nCriado em 1991 pelo ent\u00e3o prefeito Ol\u00edvio Dutra (PT), o passe livre acontece uma vez por m\u00eas. Nesse dia, os porto-alegrenses podem utilizar os \u00f4nibus da capital de maneira gratuita. Ocorre normalmente no primeiro domingo do m\u00eas, podendo ser transferido para dias de elei\u00e7\u00e3o, vacina\u00e7\u00e3o ou para feriados como o Ano Novo e o Dia do Trabalho. \u00c9 a chance para as pessoas que n\u00e3o podem pagar a passagem tenham um dia de cultura ou lazer. Agora, por causa da proposta enviada \u00e0 C\u00e2mara, esta conquista dos cidad\u00e3os de Porto Alegre pode ser extinta.<br \/>\nNa \u00faltima sexta-feira, o passe livre completou dezoito anos de exist\u00eancia. Nesse dia, sa\u00edmos \u00e0s ruas para saber o que a popula\u00e7\u00e3o pensa sobre o poss\u00edvel t\u00e9rmino do benef\u00edcio.<br \/>\nEm um \u00f4nibus da linha Santana, \u00e0s nove da manh\u00e3, Lourdes Pazilato se dirigia \u00e0 casa de uma amiga. De l\u00e1, iriam de carro at\u00e9 o zool\u00f3gico de Sapucaia do Sul. A aposentada n\u00e3o paga a passagem tamb\u00e9m nos outros dias por ter mais de 60 anos. Por isso, teria feito o programa independentemente do passe livre.<br \/>\nLourdes \u00e9 a primeira a fazer aquela que seria a reclama\u00e7\u00e3o mais freq\u00fcente do dia: \u201choje tem pouco \u00f4nibus. As pessoas que trabalham acabam se atrasando\u201d. Disse ainda que o passe livre \u201cpor um lado \u00e9 ruim, porque tem muitos que assaltam. Mas tem que ver os dois lados. Tem gente que n\u00e3o tem dinheiro nem pra comprar um p\u00e3ozinho. Esse \u00e9 o \u00fanico dia do m\u00eas em que essas pessoas podem passear\u201d.<br \/>\nNa parada do Hospital de Pronto Socorro, no bairro Bom Fim, o casal Felipe e Cristina esperava o \u00f4nibus Bom Jesus. Felipe, que \u00e9 funcion\u00e1rio de um estacionamento ali perto, acha o passe livre \u201cmuito bom, mas que tem pouco \u00f4nibus\u201d. Sugere que ocorra em outro dia da semana, para que os desempregados possam sair em busca de trabalho. \u201cPorque o cobrador n\u00e3o ajuda quando tu precisa. Ele te humilha, quase desce o bra\u00e7o em ti. Mesmo quando tu tem passagem\u201d.<br \/>\nCristina reclamou da demora, mas concluiu que \u00e9 um problema recorrente: \u201cO nosso \u00f4nibus \u00e9 sempre assim. Qualquer feriado isso acontece\u201d. Nenhum dos dois acredita que a cidade fique mais violenta por causa do passe livre. \u201cA viol\u00eancia n\u00e3o aumenta. A viol\u00eancia j\u00e1 t\u00e1 em todo lugar, nos bairros, longe do centro. Mas algumas pessoas n\u00e3o podem sair da vila nos outros dias. Na vila tu n\u00e3o tem lazer. Sair de l\u00e1 e vir pro centro \u00e9 um ref\u00fagio\u201d diz Felipe.<br \/>\nEduardo e Salete Pereira, moradores de Eldorado do Sul, esperavam o \u00f4nibus no fim da linha Padre R\u00e9us. Levavam seus dois filhos para passar o feriado na avenida Cavalhada. Eduardo pega \u00f4nibus todos os dias porque trabalha em Porto Alegre. Apontou para o n\u00famero reduzido de brigadianos naquela manh\u00e3. \u201cEu vim l\u00e1 debaixo, desde o Mercado P\u00fablico, e s\u00f3 vi um. Eles reclamam de viol\u00eancia, mas no dia em que aumenta o fluxo tem redu\u00e7\u00e3o no policiamento. \u00c9 por isso que d\u00e1 tanto assalto\u201d.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4532 size-full\" title=\"eduardo-felipe-eduarda-e-salete_site\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/eduardo-felipe-eduarda-e-salete_site.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"600\" \/><br \/>\n<em>Fam\u00edlia Pereira aproveitou o passe livre para visitar Porto Alegre.<\/em><br \/>\nQuestionado sobre o fim do passe livre, diz que \u201cj\u00e1 faz tanto tempo que tem isso que j\u00e1 virou um direito do ga\u00facho. At\u00e9 pode ter alguns que saem pra assaltar, mas 80 ou 90 por cento de quem usa \u00e9 pelo lado familiar mesmo\u201d.<br \/>\nPerto do meio dia, a fam\u00edlia Soares da Silva aguardava pelo \u00f4nibus Restinga Velha no viaduto da Borges de Medeiros. Para eles, o passe livre \u201ctinha que ser quando a gente trabalha, que a gente n\u00e3o tem op\u00e7\u00e3o. Da\u00ed sobrava um dinheirinho\u201d. Rosaura Silva, moradora do bairro M\u00e1rio Quintana, reclamou dos constantes aumentos no pre\u00e7o da passagem. \u201cSe o Lula aumentar o nosso sal\u00e1rio, a passagem vai l\u00e1 pra cima de novo. Ent\u00e3o nem vale a pena\u201d.<br \/>\n<figure id=\"attachment_4531\" aria-describedby=\"caption-attachment-4531\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-4531 size-full\" title=\"familia-soares-da-silva_site\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/familia-soares-da-silva_site.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"338\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-4531\" class=\"wp-caption-text\">Fam\u00edlia Soares da Silva esperava o Restinga Velha<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u00c0 tarde, a superlota\u00e7\u00e3o de um \u00f4nibus Camaqu\u00e3 era perturbadora. A maior parte dos usu\u00e1rios era composta de jovens que se deslocavam de um ponto a outro da cidade em busca de divers\u00e3o. Faziam muito barulho e gritavam xingando o motorista. Alguns batiam no teto. Quase todos desceram na parada do shopping Praia de Belas. No mesmo local, cerca de 15 jovens que pegariam o TI desistiram ao ver a fila enorme, com cerca de 30 pessoas. \u201cVamos achar outra coisa pra fazer\u201d, sugeriu um deles.<br \/>\nDas cerca de 30 pessoas ouvidas, somente tr\u00eas eram contra o passe-livre. O motivo: a redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de \u00f4nibus. \u201cAt\u00e9 \u00e9 bom, mas lota muito. Eu que tenho crian\u00e7a de colo, tem gente hoje que nem d\u00e1 lugar\u201d disse Renata Dora, passageira do Rubem Berta &#8211; Prot\u00e1sio Alves. Wylmar da Silva, no terminal da rua Uruguai, justificou sua oposi\u00e7\u00e3o porque \u201ca cidade fica cheia de b\u00eabado e de chapado\u201d. Reclamou tamb\u00e9m da desorganiza\u00e7\u00e3o nos hor\u00e1rios de sa\u00edda dos \u00f4nibus. \u201cIsso \u00e9 culpa da empresa. Passam o m\u00eas inteiro bem. Mas nesse dia t\u00e3o pobre, n\u00e3o querem trabalhar. Nem tem carro pra por na rua\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por D\u00e9bora Gallas | colaborou Bruno Mattos O suposto aumento dos \u00edndices de viol\u00eancia nos dias em que o transporte p\u00fablico \u00e9 gratuito para a popula\u00e7\u00e3o de Porto Alegre foi apresentado como justificativa da Prefeitura em documento enviado \u00e0 C\u00e2mara em abril pedindo o fim do passe livre. 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