{"id":453,"date":"2006-01-09T14:15:13","date_gmt":"2006-01-09T17:15:13","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=453"},"modified":"2006-01-09T14:15:13","modified_gmt":"2006-01-09T17:15:13","slug":"nois-pixa-e-voceis-limpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/nois-pixa-e-voceis-limpa\/","title":{"rendered":"Nois pixa e voceis limpa"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong> <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/pix_media.jpg?0.4520349434474685\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"219\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Escrito no pr\u00e9dio causou revolta entre moradores<br \/>\n(Fotos: Carla Ruas\/J\u00c1)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Carla Ruas<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cNois pixa e voceis limpa\u201d. Com esta frase, localizada em um pr\u00e9dio na esquina das avenidas Osvaldo Aranha e Prot\u00e1sio Alves, os pichadores do Bom Fim mostram persist\u00eancia e atrevimento. Moradores e comerciantes do bairro est\u00e3o cada vez mais irritados com os escritos nas paredes, e buscam solu\u00e7\u00f5es para prevenir e limpar as picha\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sabina Canter \u00e9 propriet\u00e1ria do edif\u00edcio que recebeu a debochada inscri\u00e7\u00e3o no terceiro andar. Ela acredita que a reincid\u00eancia da picha\u00e7\u00e3o ocorreu por falta de seguran\u00e7a: \u201cEles tinham pichado neste lugar, mas n\u00f3s limpamos com soda caustica. Uma semana depois eles voltaram com esta frase\u201d, conta. \u201cSe tivessem guardas nas ruas isso n\u00e3o iria acontecer\u201d, acredita.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os comerciantes da Rua Santana tamb\u00e9m sofrem com os pichadores. \u201cNingu\u00e9m gosta de picha\u00e7\u00e3o, isso deixa a cidade muito feia\u201d, afirma Eunice Alves, atendente da Big Ferragem. As paredes da loja j\u00e1 foram pintadas muitas vezes para encobrir a tinta preta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na Avenida Ven\u00e2ncio Aires, chama a aten\u00e7\u00e3o um escrito que diz \u201cvoc\u00eas j\u00e1 morreram\u201d, na parede branca de uma garagem. Igor Guterres, funcion\u00e1rio do estabelecimento, se revoltou com a frase: \u201c\u00c9 uma pouca vergonha, e s\u00f3 nos resta ficar pintando por cima at\u00e9 eles cansarem\u201d, afirma.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/pix_media3.jpg?0.5033022824021817\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Frase no muro da Ven\u00e2ncio Aires deixou comerciante indignado<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Polui\u00e7\u00e3o visual ou livre express\u00e3o?<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os pichadores desafogam sua c\u00f3lera contra uma sociedade excludente, mas n\u00e3o t\u00eam as suas interven\u00e7\u00f5es aceitas por esta mesma sociedade. Seus escritos n\u00e3o autorizados em pr\u00e9dios e monumentos s\u00e3o considerados polui\u00e7\u00e3o visual, e at\u00e9 crime.<\/p>\n<p align=\"justify\">Antonio Silveira dos Santos, juiz de direito em S\u00e3o Paulo, defende a est\u00e9tica urbana sem picha\u00e7\u00f5es como um fator da qualidade de vida. No seu artigo Triste cultura da Picha\u00e7\u00e3o, ele afirma: \u201cA est\u00e9tica da cidade \u00e9 primordial para o bem estar da popula\u00e7\u00e3o e pode ser classificada como um bem difuso, que deve ser protegido pelo poder p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A picha\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 considerada por alguns como uma forma de express\u00e3o livre, n\u00e3o reconhecida e valorizada. Luizan Pinheiro, professor de Arte da Universidade Federal do Par\u00e1, defende-a como uma a\u00e7\u00e3o art\u00edstica, no seu artigo Picha\u00e7\u00e3o: risco de express\u00e3o das bordas do instituto. Para ele, este \u00e9 um \u201cato po\u00e9tico, marcado na sua dimens\u00e3o transgressora pelo sentido mais profundo da arte: o dilatar de todas as esferas da viv\u00eancia humana\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Militantes do movimento Hip Hop de Porto Alegre lembram que a picha\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de comunica\u00e7\u00e3o e que dela originou o grafite, forma j\u00e1 reconhecida de arte urbana. A grafiteira porto-alegrense Sabrina Santos explica que os pichadores escrevem nas paredes para se expressar e marcar territ\u00f3rio. \u201cA picha\u00e7\u00e3o veio de Nova Iorque, onde as gangues escreviam nas paredes para mostrar a sua for\u00e7a. Hoje em Porto Alegre ocorre a mesma coisa\u201d, conta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sabrina afirma que foram os pichadores que come\u00e7aram o grafite, que hoje ganha reconhecimento como arte. \u201cOs grafiteiros est\u00e3o cada vez mais respeitados como artistas, e o grafite tem cada vez mais espa\u00e7o na cidade\u201d. Esta modalidade art\u00edstica ganhou inclusive oficinas que ensinam a desenhar com spray nas paredes. Sabrina \u00e9 professora em uma dessas oficinas, promovida pela Secretaria da Cultura.<\/p>\n<p align=\"justify\">O rapper Sandr\u00e3o, do grupo CN Boys, enfatiza a import\u00e2ncia destas manifesta\u00e7\u00f5es no movimento Hip Hop. Para ele, o grafite \u00e9 a arte, enquanto picha\u00e7\u00e3o \u00e9 vandalismo. Sandr\u00e3o ensina para crian\u00e7as da periferia os quatro elementos do Hip Hop: Grafite, Dj, Mc e Biboy.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3333\">Monumentos riscados<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/pix_media2.jpg?0.047259160834674074\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"213\" \/><br \/>\n<span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Na Reden\u00e7\u00e3o, as picha\u00e7\u00f5es est\u00e3o h\u00e1 mais de 4 meses sem limpeza<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Outro alvo das tintas e sprays dos pichadores \u00e9 o Parque Farroupilha. O \u00faltimo ato de vandalismo ocorreu uma semana antes do natal, no Monumento Expedicion\u00e1rio. Nesta ocasi\u00e3o, a Secretaria do Meio Ambiente fez um mutir\u00e3o para a limpeza a tempo da feira de natal do Brique.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quem passeia pelo parque percebe outras inscri\u00e7\u00f5es, em pedras, lixeiras e monumentos. Cl\u00f3vis Breda, administrador da Reden\u00e7\u00e3o, explica que estas picha\u00e7\u00f5es s\u00e3o antigas, mas que ainda n\u00e3o foram apagadas. \u201cFalta material para a remo\u00e7\u00e3o e at\u00e9 para pintar por cima\u201d, relata.<\/p>\n<p align=\"justify\">A coordena\u00e7\u00e3o do parque monitora os escritos e realiza limpeza peri\u00f3dica de lixeiras e bancos. \u201cN\u00f3s limpamos monumentos de grande representatividade, mas no resto n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Breda. Para ele, estes atos ocorrem por falta de seguran\u00e7a durante a noite na Reden\u00e7\u00e3o. \u201cDe dia temos cinco guardas-parques fazendo o policiamento, mas \u00e0 noite s\u00e3o apenas dois, que ficam restritos ao mini-z\u00f4o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrito no pr\u00e9dio causou revolta entre moradores (Fotos: Carla Ruas\/J\u00c1) Carla Ruas \u201cNois pixa e voceis limpa\u201d. Com esta frase, localizada em um pr\u00e9dio na esquina das avenidas Osvaldo Aranha e Prot\u00e1sio Alves, os pichadores do Bom Fim mostram persist\u00eancia e atrevimento. 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