{"id":4609,"date":"2009-05-06T20:16:08","date_gmt":"2009-05-06T23:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=4609"},"modified":"2009-05-06T20:16:08","modified_gmt":"2009-05-06T23:16:08","slug":"acampamento-do-mst-resiste-a-ordem-de-despejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/acampamento-do-mst-resiste-a-ordem-de-despejo\/","title":{"rendered":"Acampamento do MST resiste \u00e0 ordem de despejo"},"content":{"rendered":"<p><strong>As trincheiras do Acampamento Jair Antonio da Costa j\u00e1 est\u00e3o cavadas; acampados n\u00e3o t\u00eam para onde ir<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/dsc09170.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4616\" title=\"dsc09170\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/dsc09170.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"600\" \/><\/a><br \/>\nPor<strong> Ana L\u00facia Behenck Mohr <\/strong>e<strong> Paula Bianca Bianchi<\/strong><br \/>\nFaltam taquaras para a horta comunit\u00e1ria do Acampamento Jair Antonio da Costa, do MST. A maioria delas est\u00e3o fincadas frente ao port\u00e3o e ao redor dos 5 hectares do acampamento localizado na pequena Nova Santa Rita, a pouco mais de 20 km de Porto Alegre. Neste momento, as taquaras tem sido usadas para camuflar trincheiras. Placas de madeira com palavras de ordem espalhadas pelo ch\u00e3o fazem as vezes de escudo. Helic\u00f3pteros da Pol\u00edcia Federal sobrevoam com freq\u00fc\u00eancia. Quase todos os dias P2 \u2013 policiais \u00e0 paisana &#8211; passam pelo local, tiram fotos. Para os cerca de 500 acampados do Jair, a palavra de ordem \u00e9 resistir.<br \/>\nAli, do lado do port\u00e3o, no in\u00edcio da tarde de s\u00e1bado, sob um sol de rachar, um homem com um fac\u00e3o no coldre espera. Ele \u00e9 membro do coletivo de seguran\u00e7a do Acampamento. Atr\u00e1s do port\u00e3o, outro homem, tamb\u00e9m da seguran\u00e7a, mant\u00e9m a vigia. Do lado de fora, a reportagem tenta, sem sucesso, arrancar alguma informa\u00e7\u00e3o do homem da faca. \u201cEu n\u00e3o sei de nada, companheira\u201d, diz ele. Um pouco atr\u00e1s, meninos do Assentamento Rita de C\u00e1ssia 2, logo do outro lado da rua, pedem para entrar para jogar bola, tamb\u00e9m sem sucesso.<br \/>\nAp\u00f3s duas batidas na \u201ccachorra\u201d \u2013 uma placa de metal que serve como meio de comunica\u00e7\u00e3o entre seguran\u00e7a e o resto do acampamento -, surgem algumas pessoas que finalmente chamam os respons\u00e1veis por recepcionar a imprensa. Entramos. O MST d\u00e1 entrevistas para todos os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, com exce\u00e7\u00e3o da RBS, como nos explicam depois. No momento os acampados do Jair t\u00eam evitado receber a \u201cgrande m\u00eddia\u201d. Segundo eles, \u00e9 comum que as suas declara\u00e7\u00f5es sejam distorcidas.<br \/>\nSe depender do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, os acampados do Jair devem deixar a \u00e1rea, cedida pelo Assentamento Santa Rita de C\u00e1ssia 2 e encurralada entre a BR 116 e a floresta, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. No dia 24 de abril venceu o prazo dado pela entidade para que as fam\u00edlias desocupassem o local.<br \/>\nO MPF alega que o acampamento est\u00e1 em uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental, argumento rebatido pelo MST. \u201cEstamos na \u00e1rea comunit\u00e1ria do assentamento\u201d, explica Leandro, 18 anos, parte da equipe de comunica\u00e7\u00e3o do Jair. No Rio Grande do Sul, 20% do terreno dos assentamentos \u00e9 separada pelo Incra como zona de prote\u00e7\u00e3o ambiental, enquanto o resto \u00e9 dividido entre as zonas de moradia, produ\u00e7\u00e3o e comunit\u00e1ria. Para Leandro, o motivo real do despejo n\u00e3o tem nada de ecol\u00f3gico. \u201cO problema \u00e9 que o acampamento est\u00e1 numa \u2018\u00e1rea de risco\u2019, do lado da BR, o que facilita as manifesta\u00e7\u00f5es\u201d, afirma.<br \/>\nPouco antes do dia 24 as fam\u00edlias que vivem no local se reuniram e decidiram resistir. \u201cEstamos aqui h\u00e1 tr\u00eas anos. A gente j\u00e1 levou bala de borracha, cacetada. N\u00e3o vamos ir embora.\u201d, diz Luciana da Rosa, a outra respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o do acampamento. \u201cEm 2007 foi assinado um acordo que garantia o assentamento de duas mil fam\u00edlias at\u00e9 o fim de 2008. Foram assentadas 500. Se acontecer alguma coisa, \u00e9 culpa do governo\u201d, alega. Luciana se refere ao TAC (Termo de Ajuste de Conduta) assinado pelo Incra em novembro de 2007, cujo cumprimento deveria ser cobrado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<br \/>\nA ordem de despejo n\u00e3o \u00e9 exatamente uma novidade para os membros do Acampamento, que nasceu em 2005 numa beira de estrada em Nova Hartz. Em 2006, menos de um ano ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o, os integrantes foram colocados para fora devido a uma a\u00e7\u00e3o de reintegra\u00e7\u00e3o de posse e acolhidos pelo rec\u00e9m fundado Santa Rita de C\u00e1ssia 2. A diferen\u00e7a entre os dois despejos \u00e9 que, ao contr\u00e1rio de 2006,\u00a0 hoje os acampados n\u00e3o t\u00eam para onde ir.<br \/>\nEnquanto a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resolve, 30 integrantes do\u00a0 Jair fazem greve de fome, acampados em frente a sede do MPF em Porto Alegre. Eles fazem coro a Luciane: &#8220;se acontecer alguma coisa, a culpa \u00e9 do governo federal&#8221;, afirma a acampada Michele. O protesto \u00e9 uma forma de for\u00e7ar a entidade a revisar a decis\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As trincheiras do Acampamento Jair Antonio da Costa j\u00e1 est\u00e3o cavadas; acampados n\u00e3o t\u00eam para onde ir Por Ana L\u00facia Behenck Mohr e Paula Bianca Bianchi Faltam taquaras para a horta comunit\u00e1ria do Acampamento Jair Antonio da Costa, do MST. 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