{"id":46330,"date":"2017-03-27T12:20:11","date_gmt":"2017-03-27T15:20:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=46330"},"modified":"2017-03-27T12:20:11","modified_gmt":"2017-03-27T15:20:11","slug":"o-regime-dos-caciques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-regime-dos-caciques\/","title":{"rendered":"O regime dos caciques"},"content":{"rendered":"<p>O voto em lista n\u00e3o tem pai nem m\u00e3e. Mas a criatura vir\u00e1 para o centro do palco e pode arrebatar a cena. Financiamento p\u00fablico de campanha puro \u00e9 sin\u00f4nimo de voto em lista partid\u00e1ria.<br \/>\nA luta pelo voto sai das ruas e vai para as conven\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias.<br \/>\nLista \u00e9 o modelo europeu e que funciona na maior parte das chamadas democracias avan\u00e7adas da Europa e \u00c1sia. Monarquias ou rep\u00fablicas. Socialistas ou neoliberais.<br \/>\n\u00c9 o regime dos caciques, banindo dos plen\u00e1rios os comunicadores, bigbrothers, atletas e palha\u00e7os profissionais. Salvo alguns trope\u00e7os para confirmar a exce\u00e7\u00e3o da regra, como a estrela porn\u00f4 Cicciolina, na It\u00e1lia.<br \/>\nNo escurinho dos conluios come\u00e7a a briga de foice pelo lugar na lista. Normalmente o l\u00edder (como se diz na Europa) entra em primeiro. Mas isto no parlamentarismo. Aqui deve ser diferente.<br \/>\nV\u00e3o se esmurrar caciques, corpora\u00e7\u00f5es, minorias, religiosos, puxadores de voto leigos ou ateus e assim por diante. E os majorit\u00e1rios, presidente e vice, governadores, senadores?<br \/>\nO objetivo imediato \u00e9 tirar o \u201ccentr\u00e3o\u201d do jogo, em nome da governabilidade. Haveria um objetivo secund\u00e1rio que seria dar chapa a pol\u00edticos acusados de corrup\u00e7\u00e3o. Pode ser que se crie tamb\u00e9m uma cota para indiciados.<br \/>\nO fundamental \u00e9 que com a proibi\u00e7\u00e3o de uso de dinheiro pr\u00f3prio ou de terceiros por candidatos individuais, n\u00e3o haver\u00e1 forma de ratear os recursos do Fundo Partid\u00e1rio. Ter\u00e1 de ser tudo canalizado para as listas.<br \/>\nMesmo as contribui\u00e7\u00f5es legais, individuais de pessoas f\u00edsicas controladas pelo CPF do doador, n\u00e3o podem ser usadas por candidatos individuais. Entra no caixa do partido e vai para o rateio.<br \/>\nEste \u00e9 o problema. Ningu\u00e9m quer falar disso, mas todos sabem que no fim do t\u00fanel a chamada \u201cclasse pol\u00edtica\u201d vai se justificar com a necessidade inexor\u00e1vel de entregar aos partidos a administra\u00e7\u00e3o dos recursos.<br \/>\nEnt\u00e3o a lista \u00e9 a \u00fanica forma de fazer uma elei\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria, dir\u00e3o.<br \/>\nPorque isto? A Justi\u00e7a Eleitoral, apoiada nas pol\u00edcias, vai vigiar e controlar todos os gastos legais e descobrir os ilegais. Ningu\u00e9m ter\u00e1 coragem de burlar a Lei, pois a m\u00e3o da mo\u00e7a de olhos vendados ser\u00e1 pesada.<br \/>\nContra a for\u00e7a n\u00e3o h\u00e1 resist\u00eancia, dizia-se no Rio Grande nos tempos das revolu\u00e7\u00f5es. O ditado pol\u00edtico volta a assombrar partidos e candidatos, s\u00f3 que desta vez s\u00e3o os grampos da Pol\u00edcia Federal e n\u00e3o mais os mosquet\u00f5es do Provis\u00f3rioss do Dr. Borges de Medeiros.<br \/>\nA percep\u00e7\u00e3o dos profissionais do ramo (dirigentes, burocratas de partidos e marqueteiros eleitorais) \u00e9 que n\u00e3o vai dar para gastar nem um centavo por baixo do pano nem falar bobagem ao telefone.<br \/>\nTamb\u00e9m n\u00e3o vai ser poss\u00edvel fazer encontros fortuitos, nem receber pacotes suspeitos, nem pagar contas em dinheiro.<br \/>\nCuidado com o que os dedos teclam nos e-mails, tweeter, face book, redes sociais.<br \/>\nTamb\u00e9m est\u00e3o expostas aos hackers as movimenta\u00e7\u00f5es financeiras. Cuidados com palavras ditas ao vento: quem estiver militando em campanhas deve falar sempre com a m\u00e3o na boca.<br \/>\nQuem estiver metido em pol\u00edtica que ande sempre com as m\u00e3os \u00e0 mostra, os bolsos para fora das cal\u00e7as, tudo bem \u00e0 mostra porque n\u00e3o h\u00e1 como escapar da vigil\u00e2ncia fina. Qualquer passo em falso pode gerar uma impugna\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTudo em nome do aperfei\u00e7oamento da democracia, da verdade eleitoral e da lisura do pleito. Dinheiro s\u00f3 do Fundo Partid\u00e1rio. Financiamento p\u00fabico de campanha. Sair desses limites \u00e9 um risco para l\u00e1 de arriscado.<br \/>\n\u00c9 inesgot\u00e1vel estoque de grampos, infinito o n\u00famero de c\u00e2maras e microfones. A parafern\u00e1lia eletr\u00f4nica aposentou os antigos \u201crat\u00f5es\u201d dos tempos da ditadura. \u00c9 de fazer inveja aos abelhudos do SNI dos tempos do Presidente M\u00e9dici.<br \/>\nA jovem democracia brasileira parece que levou a extremos inimagin\u00e1veis o velho lema da antiga UDN: \u201cO pre\u00e7o da Liberdade \u00e9 a Eterna Vigil\u00e2ncia\u201d. Bota vigil\u00e2ncia nisto.<br \/>\nSonho de uma noite de ver\u00e3o? Quem viver ver\u00e1, dizia o velho Ac\u00e1cio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O voto em lista n\u00e3o tem pai nem m\u00e3e. Mas a criatura vir\u00e1 para o centro do palco e pode arrebatar a cena. Financiamento p\u00fablico de campanha puro \u00e9 sin\u00f4nimo de voto em lista partid\u00e1ria. A luta pelo voto sai das ruas e vai para as conven\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias. 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