{"id":466,"date":"2006-02-03T16:23:59","date_gmt":"2006-02-03T19:23:59","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=466"},"modified":"2006-02-03T16:23:59","modified_gmt":"2006-02-03T19:23:59","slug":"o-outro-lado-da-festa-dos-navegantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-outro-lado-da-festa-dos-navegantes\/","title":{"rendered":"O outro lado da festa dos Navegantes"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/navegantes\/medalinha.jpg?0.5251062357009013\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">A devo\u00e7\u00e3o e o medo s\u00e3o as duas faces da medalinha na festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre (Fotos Naira Hofmeister)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Naira Hofmeister<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Devoto acostumado com festan\u00e7a nem estranha mais. Esperar quarenta minutos na parada de \u00f4nibus, uma das duas \u00fanicas linhas que saem do centro rumo ao Santu\u00e1rio da Nossa Senhora dos\u00a0Navegantes. Entrar no \u00f4nibus e acreditar que o espreme-espreme, pelo menos hoje, \u00e9 sinal de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/navegantes\/bus_lotado.jpg?0.5540070977881344\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Os prevenidos j\u00e1 trazem de casa a \u2018farofa\u2019: pastel, \u00e1gua, refrigerante e chocolate para as crian\u00e7as e at\u00e9 a cervejinha. Quem n\u00e3o tinha pensado nisso antes, tem que comer o p\u00e3o que o diabo amassou: ou passa fome e sede, ou se submete ao pre\u00e7o dos ambulantes, que varia de acordo com o movimento, a localiza\u00e7\u00e3o e principalmente com a temperatura.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m dos devotos, \u00e9 bom que se saiba, h\u00e1 os forasteiros, que, sem ter reza para agradecer, se divertem nas v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es que circundam a igreja. O roteiro come\u00e7a assim que se entra no local reservado para a festa: de cara, entre os brinquedos do parque infantil, a famosa roleta. Da pra jogar no Gr\u00eamio ou no Colorado, quanto quiser, e, se n\u00e3o tiver trocado, a banca troca o dinheiro. Um vencedor, questionado se ia dar o dinheiro pra santinha, responde: \u201cVou dar sim&#8230; para aquela que est\u00e1 l\u00e1 em casa\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/navegantes\/roleta.jpg?0.5223288358116425\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Voltemos aos desavisados: aqueles que assistem a missa, mas que n\u00e3o trouxeram \u201cobjetos para a ben\u00e7\u00e3o\u201d. Os ambulantes t\u00eam de sobra: santa para todos os gostos e bolsos. Tem de gesso, de pl\u00e1stico, fotografia, dentro de garrafa, com altar, na vela. O que importa \u00e9 ter algo para a ben\u00e7\u00e3o. \u201cEsse ano, o movimento t\u00e1 grande!\u201d, festeja o vendedor de medalinhas. \u201cDeve ser porque t\u00e1 todo mundo feliz&#8230; ou precisando demais\u201d, complementa outra.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/navegantes\/santaengarrafada.jpg?0.055465859899857306\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">O Pai-Nosso \u00e9 entoado com vontade, mas nem se compara ao coro que a rapaziada do pagode j\u00e1 come\u00e7a a\u00a0 ensaiar no boteco da esquina. Isso que ainda n\u00e3o passa do meio-dia. Maria, propriet\u00e1ria de um desses bares,\u00a0 avisa, amedrontada: \u201cDepois das duas da tarde, come\u00e7a a ter arrast\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/navegantes\/pagode.jpg?0.6176281035942026\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">Maria n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica a reclamar da falta de seguran\u00e7a. A Pol\u00edcia Militar, oficialmente, garante: Esse ano n\u00e3o haver\u00e1 confus\u00e3o. O efetivo de mais de 300 homens deve dar conta do recado. Pelo menos os quatro guardas com farda especial que cuidaram da seguran\u00e7a da missa, por volta das 13 horas esperavam o caminh\u00e3o da PM para ir embora.\u00a0 \u201cCom essa m\u00e1quina, \u00e9 melhor voc\u00ea ir tamb\u00e9m\u201d, foi o coment\u00e1rio de um dos policiais \u00e0 rep\u00f3rter. Com o final da missa, o clima vai ficando mais pesado nos bares da redondeza. Assim,\u00a0voltamos ao in\u00edcio: parada de \u00f4nibus, 40 minutos, espreme-espreme. Nossa Senhora dos Navegantes!<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc3300\">Padroeira de Porto Alegre e protetora dos pescadores<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/navegantes\/gracasa.jpg?0.7877348622679037\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>O evento, realizado desde o ano de 1875, \u00e9 considerado a maior festa religiosa do Rio Grande do Sul. Em 1988, ap\u00f3s o famoso acidente com o Bateau Mouche, no Rio de Janeiro, as prociss\u00f5es pela \u00e1gua foram proibidas. Desde ent\u00e3o, a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes \u00e9 conduzida em prociss\u00e3o pelas ruas da capital, at\u00e9 a Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira da cidade. Ap\u00f3s a missa acontecem os festejos populares.<br \/>\n<em>* Com informa\u00e7\u00f5es do site do Governo Brasileiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A devo\u00e7\u00e3o e o medo s\u00e3o as duas faces da medalinha na festa de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre (Fotos Naira Hofmeister) Naira Hofmeister Devoto acostumado com festan\u00e7a nem estranha mais. 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