{"id":46963,"date":"2017-04-09T11:00:10","date_gmt":"2017-04-09T14:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=46963"},"modified":"2017-04-09T11:00:10","modified_gmt":"2017-04-09T14:00:10","slug":"zoobotanica-tem-mais-de-cem-pesquisas-em-andamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/zoobotanica-tem-mais-de-cem-pesquisas-em-andamento\/","title":{"rendered":"Zoobot\u00e2nica tem mais de cem pesquisas em andamento"},"content":{"rendered":"<p><em>Laborat\u00f3rio de Liquenologia do MCN, por exemplo, abriga trabalhos t\u00e3o importantes ao meio ambiente como desconhecidos.<\/em><br \/>\n<span class=\"assina\">Cleber Dioni Tentardini<\/span><br \/>\nO Museu de Ci\u00eancias Naturais (MCN) e o Jardim Bot\u00e2nico de Porto Alegre, duas das tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es vinculadas \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do Rio Grande\u00a0do Sul (FZB), t\u00eam mais de cem projetos de pesquisa \u00a0em andamento.<br \/>\nEnvolvem \u00e1reas como ecologia, conserva\u00e7\u00e3o e hist\u00f3ria natural, diversidade, sistem\u00e1tica e taxonomia, anatomia e morfologia, paleontologia, monitoramento de qualidade e impactos ambientais, monitoramento e invent\u00e1rio de fauna e flora, eco-epidemiologia.<br \/>\nDesde os l\u00edquens que se agregam \u00e0s \u00e1rvores em Porto Alegre, e que s\u00e3o indicadores dos n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o na cidade, at\u00e9 as propriedades medicinais de uma esp\u00e9cie de coc\u00e3o, um parente da coca colombiana, que est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAl\u00e9m das pesquisas em seus laborat\u00f3rios, a Zoobot\u00e2nica abre seus acervos a centenas de estudantes de todos os n\u00edveis de ensino, principalmente da gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, de v\u00e1rias cidades ga\u00fachas, de outros estados e pa\u00edses.<br \/>\n<span class=\"intertit\">L\u00edquen, \u00a0bioindicador ambiental<\/span><br \/>\nDentre os diversos projetos, financiados pelo governo federal atrav\u00e9s bolsas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do CNPq, Capes e Fapergs, principalmente, o Laborat\u00f3rio de Liquenologia da FZB abriga trabalhos cujos resultados s\u00e3o t\u00e3o importantes ao meio ambiente como desconhecidos.<br \/>\nApesar da desinforma\u00e7\u00e3o, s\u00e3o considerados biomonitores da qualidade do ar muito eficientes, a exemplo dos testes qu\u00edmicos feitos pela Fepam em \u00e1reas conhecidas de Porto Alegre como defronte \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o Rodovi\u00e1ria.<br \/>\nOs l\u00edquens indicam a presen\u00e7a na atmosfera de gases como enxofre, oz\u00f4nio, nitrog\u00eanio, e de metais pesados como cromo, zinco e merc\u00fario. Come\u00e7aram a ser testados tamb\u00e9m para monitorar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br \/>\n<figure id=\"attachment_46965\" aria-describedby=\"caption-attachment-46965\" style=\"width: 169px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-46965 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/herpothallon-rubrocinctum-tronco-169x300.jpg\" alt=\"Tronco com a esp\u00e9cie herpothallon rubrocinctum \" width=\"169\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46965\" class=\"wp-caption-text\">Tronco com a esp\u00e9cie herpothallon rubrocinctum<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA bi\u00f3loga Suzana de Azevedo Martins, do Museu de Ci\u00eancias Naturais da FZB,\u00a0uma das maiores especialistas em l\u00edquens no Brasil, explica que esses\u00a0organismos resultam da uni\u00e3o de fungos com algas ou cianobact\u00e9rias (respons\u00e1veis pelo gosto de terra na \u00e1gua).<br \/>\n\u201cComo s\u00e3o extremamente sens\u00edveis, esses organismos s\u00e3o bioindicadores da qualidade do ar muito eficientes. S\u00e3o \u201cindicadores ambientais\u201d que\u00a0podem nos dar muitas respostas sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, inclusive\u201d.<br \/>\nOs l\u00edquens na verdade est\u00e3o por toda parte: \u201cEles s\u00e3o considerados ep\u00edfitos, n\u00e3o sugam nada,\u00a0n\u00e3o retiram nutrientes de uma planta, por exemplo. Est\u00e3o ali no tronco como\u00a0podem estar num telhado, em uma folha, no ch\u00e3o, em diferentes tamanhos,\u00a0colora\u00e7\u00f5es e formatos, porque as algas est\u00e3o ali naturalmente, \u00e9 o habitat\u00a0delas. Agora, o fungo que forma o l\u00edquen n\u00e3o existe sozinho. A parte\u00a0reprodutiva do fungo libera um esporo, que vai cair num determinado local, e\u00a0esse substrato \u00e9 usado apenas para sustenta\u00e7\u00e3o, capta\u00e7\u00e3o de luz e de \u00e1gua\u201d,\u00a0afirma.<br \/>\nComo esses organismos produzem v\u00e1rias subst\u00e2ncias, tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados\u00a0na medicina, como recupera\u00e7\u00e3o de queimados, fabrica\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3tico. As\u00a0ind\u00fastrias de cosm\u00e9ticos, perfumaria, desodorante, alm\u00edscar, aproveitam\u00a0tamb\u00e9m os l\u00edquens como fixadores de aromas.<br \/>\n<figure id=\"attachment_46966\" aria-describedby=\"caption-attachment-46966\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-46966 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Dan-liquens-5.jpg\" alt=\"Amostra de v\u00e1rias esp\u00e9cies de fungos liquenizados\/Cleber Dioni \" width=\"725\" height=\"536\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46966\" class=\"wp-caption-text\">Amostra de v\u00e1rias esp\u00e9cies de fungos liquenizados (\u00e0 direita)\/Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_46974\" aria-describedby=\"caption-attachment-46974\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-46974\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Cladonia-confusa.jpg\" alt=\"Cladonia confusa\" width=\"725\" height=\"544\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46974\" class=\"wp-caption-text\">Cladonia confusa<\/figcaption><\/figure><br \/>\nDeduz-se que existam em torno de 5 mil esp\u00e9cies de fungos liquenizados no\u00a0Brasil. No RS, j\u00e1 foram descobertas 1.200. \u201cH\u00e1 esp\u00e9cies end\u00eamicas\u00a0(caracter\u00edsticas de determinadas localidades) mas s\u00e3o praticamente pan-tropicais, ocorrem no mundo inteiro, porque se adaptam bem\u201d, garante a\u00a0especialista.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Tem que amar para estud\u00e1-los, diz bi\u00f3loga<\/span><br \/>\nSuzana trabalha h\u00e1 37 anos na Funda\u00e7\u00e3o, onde ingressou como estagi\u00e1ria.\u00a0Hoje coordena o Laborat\u00f3rio de Liquenologia, da Se\u00e7\u00e3o de Bot\u00e2nica de\u00a0Faner\u00f3gamas, no Museu de Ci\u00eancias Naturais da FZB.<br \/>\nSeu primeiro contato com os l\u00edquens foi durante a implanta\u00e7\u00e3o do Polo Petroqu\u00edmico, em Triunfo. A Zoobot\u00e2nica foi contratada para fazer o\u00a0diagn\u00f3stico da \u00e1rea antes da implanta\u00e7\u00e3o do Polo e, naquela \u00e9poca, como estudante, Suzana foi como auxiliar no projeto. \u201cMeus orientadores foram a professora Maria Henriqueta Homrich, e dois alem\u00e3es, o Winkler e o Gr\u00fcninger, especialistas em l\u00edquens. A professora sugeriu trabalhar com esse grupo porque n\u00e3o havia ningu\u00e9m estudando eles no Estado. Elaboramos um projeto e o CNPq aprovou uma bolsa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d, lembra.<br \/>\n<figure id=\"attachment_46968\" aria-describedby=\"caption-attachment-46968\" style=\"width: 193px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-46968 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Dan-Suzana-liquens-3-193x300.jpg\" alt=\"Suzana no herb\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica\/Cleber Dioni\" width=\"193\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46968\" class=\"wp-caption-text\">Suzana no herb\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica\/Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\nSua tese de doutorado em S\u00e3o Paulo teve como orientador o cientista Marcelo\u00a0Marcelli, ent\u00e3o o maior liquen\u00f3logo brasileiro. \u201cAli, ele j\u00e1 me advertiu que s\u00f3 iria\u00a0me aceitar como orientanda porque eu j\u00e1 estava familiarizada com o assunto, pois era mestre em Ecologia, do contrario, ele n\u00e3o o faria, recorda. Porque \u00e9 muito dif\u00edcil, tem que avaliar v\u00e1rios fatores al\u00e9m das especificidades de cada\u00a0l\u00edquen, como o ph da casca da \u00e1rvore, a rugosidade, temperatura do microambiente, umidade, luminosidade etc\u201d.<br \/>\nA bi\u00f3loga deu aula por 15 anos na Faculdade de Nutri\u00e7\u00e3o do IPA, onde\u00a0lecionava a disciplina de Biologia Geral, e, hoje, dedica-se, com o mesmo\u00a0entusiasmo de quando come\u00e7ou, a orientar os futuros liquen\u00f3logos. E faz\u00a0quest\u00e3o de adverti-los logo no in\u00edcio: \u201c\u00c9 preciso amar os l\u00edquens para estud\u00e1-los a fundo porque s\u00e3o t\u00e3o apaixonantes como complexos\u201d, ressalta.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Estudo come\u00e7ou em 1979 no Polo Petroqu\u00edmico<\/span><br \/>\nOs estudos com l\u00edquens tiveram in\u00edcio no Rio Grande do Sul pelas pesquisadoras Lia Martau e L\u00facia Aguiar, em 1979, no ent\u00e3o denominado N\u00facleo de Vegetais Superiores e Intermedi\u00e1rios. Os fungos foram utilizados por ocasi\u00e3o dos estudos de diagn\u00f3stico ambiental nos munic\u00edpios de Triunfo e Montenegro, objetivando o licenciamento para implanta\u00e7\u00e3o do P\u00f3lo Petroqu\u00edmico.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Esp\u00e9cie nova na APA do Cara\u00e1<\/span><br \/>\nSuzana \u00e9 co-orientadora, ao lado dos professores universit\u00e1rios, de quatro bolsistas, ligados a diferentes universidades. A estudante J\u00e9ssica Ara\u00fajo, da Uniasselvi, iniciou recentemente o projeto dos \u201cL\u00edquens como indicadores biol\u00f3gicos na APA Municipal do Cara\u00e1\/RS\u201d. &#8220;J\u00e1 encontramos a uma esp\u00e9cie nova de l\u00edquen para ci\u00eancia&#8221;, diz.<br \/>\n<figure id=\"attachment_46986\" aria-describedby=\"caption-attachment-46986\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-46986 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Dan-liquens-7.jpg\" alt=\"Dan liquens 7\" width=\"725\" height=\"487\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46986\" class=\"wp-caption-text\">J\u00e9ssica \u00e9 aluna da gradua\u00e7\u00e3o e ingressou agora no mundo dos liquen\u00f3logos\/Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">Reserva preservada no Lami<\/span><br \/>\nA bi\u00f3loga Daniela Weber, da Unilasalle, desenvolve pesquisa com os l\u00edquens na Reserva Biol\u00f3gica\u00a0do Lami desde agosto de 2015. Ela est\u00e1 avaliando a\u00a0diversidade e a quantidade de l\u00edquens em nove tipologias vegetacionais da\u00a0reserva, como a mata alta, mata baixa, restinga, banhado e campo sujo.<br \/>\n<figure id=\"attachment_46969\" aria-describedby=\"caption-attachment-46969\" style=\"width: 166px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-46969 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Daniela-liquens-fzb2-166x300.jpg\" alt=\"Daniela faz pesquisas na Reserva do Lami\/Cleber Dioni\" width=\"166\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46969\" class=\"wp-caption-text\">Daniela faz pesquisas na Reserva do Lami\/Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cMeu objetivo \u00e9 comparar que tipo de l\u00edquen h\u00e1 em cada tipologia, e se h\u00e1 diferen\u00e7as ou n\u00e3o. A partir de coletas de uma colega e das que eu realizei, j\u00e1 conseguimos verificar que h\u00e1 diferen\u00e7a entre a mata baixa 1 e restinga, na primeira \u00e9 mais \u00famida e tem uma quantidade maior de l\u00edquen. Conseguimos\u00a0coletar mais de 120 exemplares de l\u00edquen l\u00e1. Nossa pr\u00f3xima coleta \u00e9 a Ponta\u00a0do Cego, a \u00e1rea mais preservada\u201d, projeta.<br \/>\nOutros dois projetos no laborat\u00f3rio do MCN tratam da \u2018Utiliza\u00e7\u00e3o de l\u00edquens\u00a0pelas aves na constru\u00e7\u00e3o de seus ninhos\u2019 e \u2018L\u00edquens como indicadores da\u00a0qualidade do ar no munic\u00edpio de Campo Grande, MS\u2019. Neste, desenvolvido na\u00a0Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Suzana \u00e9 colaboradora de sua\u00a0ex-aluna de doutorado.<br \/>\n<span class=\"intertit\">S\u00e3o poucas pesquisas, mas com bons resultados<\/span><br \/>\nO Brasil ainda est\u00e1 engatinhando nas pesquisas de l\u00edquens, segundo Suzana,\u00a0mas h\u00e1 boas perspectivas. \u201cH\u00e1 poucos liquen\u00f3logos brasileiros, mas fazemos\u00a0parte de um grupo brasileiro e outro latino-americano, em ambos somos muito\u00a0unidos, e do qual participam dois especialistas europeus com quem trocamos\u00a0muitas experi\u00eancias\u201d, diz a bi\u00f3loga.<br \/>\nSuzana est\u00e1 otimista diante dos bons resultados das pesquisas. \u201cAgora mesmo n\u00f3s formamos a Fabiane Lucheta no mestrado da Feevale. Ela trabalhou ao\u00a0longo da Bacia do Rio dos Sinos, comparando as localidades em diferentes\u00a0munic\u00edpios, analisando a diversidade e riqueza de esp\u00e9cies de l\u00edquens. E\u00a0posso dizer que ela teve excelentes resultados porque ela trabalhou nas \u00e1reas\u00a0rural, rural-urbana e urbana industrial.\u201d<br \/>\nFabiane defendeu sua disserta\u00e7\u00e3o em 20 de fevereiro deste ano. O trabalho \u201cL\u00edquens como indicadores ambientais na Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio dos Sinos: Estrutura Comunit\u00e1ria e An\u00e1lise Funcional teve como orientador o professor Jairo Schmitt, da Universidade Feevale, e co-orientadora, a especialista da FZB.<br \/>\nO estudo foi realizado em nove munic\u00edpios &#8211; Cara\u00e1, Rolante e Santo Ant\u00f4nio da\u00a0Patrulha (trecho superior &#8211; matriz rural), Parob\u00e9 e Sapiranga (trecho m\u00e9dio &#8211; matriz rural\/urbana), Est\u00e2ncia Velha, Novo Hamburgo, S\u00e3o Leopoldo (trecho inferior &#8211; matriz urbana\/industrial), que apresentam diferentes n\u00edveis de\u00a0urbaniza\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<figure id=\"attachment_46971\" aria-describedby=\"caption-attachment-46971\" style=\"width: 586px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-46971\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Foto-campo-1-e1491680311862.jpg\" alt=\"Fabiane analisando e coletando amostras\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"586\" height=\"398\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46971\" class=\"wp-caption-text\">Fabiane analisando e coletando amostras\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cObservamos que com o aumento da industrializa\u00e7\u00e3o nas cidades localizadas\u00a0ao longo do Rio dos Sinos (do trecho superior ao inferior) houve mudan\u00e7as\u00a0tamb\u00e9m nas comunidades de l\u00edquens. O n\u00famero de esp\u00e9cies diminuiu e a\u00a0quantidade de esp\u00e9cies tolerantes e generalistas aumentou nos munic\u00edpios\u00a0localizados no trecho inferior. J\u00e1 nos munic\u00edpios do trecho superior, registramos\u00a0um maior n\u00famero de esp\u00e9cies exclusivas e caracter\u00edsticas de ambientes mais\u00a0\u00famidos. L\u00edquens s\u00e3o importantes indicadores das mudan\u00e7as ambientais\u00a0causadas por a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas, como o desmatamento e a transforma\u00e7\u00e3o de\u00a0florestas em \u00e1reas urbanas, como demonstramos com esse estudo\u201d, ensina\u00a0Fabiane.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Pesquisa sobre qualidade do ar\u00a0em bairros da Capital<\/span><br \/>\nOutra aluna de Suzana, a bi\u00f3loga M\u00e1rcia Kaffer, fez sua tese de doutorado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia, da UFRGS, tendo como orientadora a Vera Vargas, do Setor de Biologia da Fepam (atualmente desativado).<br \/>\nSeu trabalho, defendido em 2011, comparou a biodiversidade de l\u00edquens em 32 bairros da \u00e1rea urbana de Porto Alegre e um ponto no Parque de Itapu\u00e3, em Viam\u00e3o. \u201cUsei duas metodologias. No passivo, foram avaliados a comunidade de l\u00edquens nestes bairros, mapeando diferentes \u00e1rvores. Como resultado tivemos um expressivo n\u00famero de esp\u00e9cies, com registro de novas esp\u00e9cies\u00a0para ci\u00eancia, novas ocorr\u00eancias para o Brasil e RS. Tamb\u00e9m aprimorei um\u00a0\u00edndice de qualidade do ar (empregado no Hemisf\u00e9rio Norte) para tornar ele\u00a0mais sens\u00edvel e adequado para o Hemisf\u00e9rio Sul. No ativo, fiz a exposi\u00e7\u00e3o de\u00a0duas esp\u00e9cies de l\u00edquens em tr\u00eas bairros da capital (Santa Cec\u00edlia, Anchieta e\u00a0Jardim Bot\u00e2nico). Analisei a presen\u00e7a de alguns metais pesados, enxofre e\u00a0hidrocarbonetos polic\u00edclicos arom\u00e1ticos no talo das esp\u00e9cies de l\u00edquens, al\u00e9m\u00a0da realiza\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises morfofisiol\u00f3gicas\u201d, explica M\u00e1rcia.<br \/>\n<figure id=\"attachment_47022\" aria-describedby=\"caption-attachment-47022\" style=\"width: 314px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-47022 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Captura-de-tela-2017-04-09-10.14.10jpg.png\" alt=\"Mesa com as esp\u00e9cies liqu\u00eanicas estudadas por M\u00e1rcia numa das esta\u00e7\u00f5es\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"314\" height=\"522\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-47022\" class=\"wp-caption-text\">Mesa com as esp\u00e9cies liqu\u00eanicas estudadas por M\u00e1rcia numa das esta\u00e7\u00f5es\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nAs an\u00e1lises de mutag\u00eanese foram realizadas por um teste\u00a0(Salmonella\/microssoma) utilizando part\u00edculas do ar retirados dos filtros de ar\u00a0das redes de monitoramento da Fepam. Esta an\u00e1lise foi realizada pela equipe\u00a0da minha orientadora nas depend\u00eancias do Setor de Biologia da FEPAM.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Testes com l\u00edquens para Braskem duraram 16 anos<\/span><br \/>\nA Laborat\u00f3rio de Liquenologia do MCN capitaneado por Suzana prestou servi\u00e7os para a Braskem durante 16 anos, de 1999 a 2015. \u201cNa antiga Copesul\u00a0avali\u00e1vamos tanto gases como metais pesados. Mas esses dados n\u00e3o podem\u00a0ser divulgados sem autoriza\u00e7\u00e3o da Braskem\u201d, diz Suzana.<br \/>\n<figure id=\"attachment_46977\" aria-describedby=\"caption-attachment-46977\" style=\"width: 181px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-46977 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Dan-Suzana-liquens-7-181x300.jpg\" alt=\"Bi\u00f3loga mostra onde est\u00e3o guardadas as amostras \/Cleber Dioni\" width=\"181\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46977\" class=\"wp-caption-text\">Bi\u00f3loga mostra onde est\u00e3o guardadas as amostras \/Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\nTamb\u00e9m houve parcerias com a GKM do Brasil, onde foram analisados metais pesados durante dois anos; para uma termel\u00e9trica a carv\u00e3o, de Canoas, onde foi monitorado enxofre; assim como na Refinaria Alberto Pasqualini \u2013 Refap,\u00a0onde o g\u00e1s poluente analisado era o enxofre tamb\u00e9m.<br \/>\n\u201cQuando uma empresa nos contrata para realizar um monitoramento da\u00a0qualidade do ar em seu entorno, primeiro vamos conhecer o ramo da ind\u00fastria\u00a0para saber o que est\u00e1 sendo lan\u00e7ado na atmosfera. Se for do ramo coureiro-cal\u00e7adista, provavelmente s\u00e3o metais pesados, ent\u00e3o \u00e9 isso que vou buscar\u00a0nas amostras\u201d, ressalta a bi\u00f3loga.<br \/>\n<figure id=\"attachment_46975\" aria-describedby=\"caption-attachment-46975\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-46975\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Cladonia-didyma.jpg\" alt=\"Cladonia didyma\" width=\"725\" height=\"544\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46975\" class=\"wp-caption-text\">Cladonia didyma<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_46976\" aria-describedby=\"caption-attachment-46976\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-46976 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/herpothallon-roseocinctum.jpg\" alt=\"Herpothallon roseocinctum\" width=\"725\" height=\"408\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46976\" class=\"wp-caption-text\">Herpothallon roseocinctum<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA fim de padronizar as esp\u00e9cies para saber como ir\u00e3o reagir perante determinados poluentes, s\u00e3o utilizadas c\u00e2meras de fumiga\u00e7\u00e3o, existentes na\u00a0Ufrgs. \u201cEnt\u00e3o fumigamos um determinado g\u00e1s em diferentes concentra\u00e7\u00f5es,\u00a0por certo tempo de exposi\u00e7\u00e3o, para ver como reagem esses organismos a\u00a0diferentes gases. Depois, observamos isso na natureza, pr\u00f3ximo de alguma\u00a0ind\u00fastria, para ver se ela \u00e9 potencialmente poluidora ou n\u00e3o. Tamb\u00e9m j\u00e1\u00a0utilizamos outros vegetais, como goiaba, alfafa, feij\u00e3o, brom\u00e9lia\u201d, destaca a\u00a0pesquisadora.<br \/>\nApesar dos resultados confi\u00e1veis, at\u00e9 agora os liquen\u00f3logos da FZB s\u00f3 fizeram parcerias com a iniciativa privada. A Fepam, por exemplo, nunca utilizou l\u00edquens no monitoramento da qualidade do ar. Uma vez chegou \u00e0s minhas m\u00e3os um laudo sobre essa termel\u00e9trica em Canoas e a bi\u00f3loga que fez um\u00a0levantamento citava a ocorr\u00eancia de uma esp\u00e9cie de l\u00edquen que nem ocorria\u00a0no Brasil. Depois de um tempo, a ind\u00fastria nos chamou para fazer uma an\u00e1lise\u00a0e identificamos 72 esp\u00e9cies. Quase ningu\u00e9m conhece a fundo esse organismo.<br \/>\nPor isso, a import\u00e2ncia de multiplicar esse conhecimento. Existe um tipo de reprodu\u00e7\u00e3o dos l\u00edquens que chama sor\u00e9dios, ent\u00e3o eu brinco que eu j\u00e1 lancei meus sor\u00e9dios por a\u00ed\u201d, brinca Suzana.<br \/>\n<figure id=\"attachment_46970\" aria-describedby=\"caption-attachment-46970\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-46970 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Herpothallon-rubrocinctum.jpg\" alt=\"Herpothallon rubrocinctum\" width=\"725\" height=\"544\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46970\" class=\"wp-caption-text\">Herpothallon rubrocinctum<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">Preocupa destino do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico<\/span><br \/>\nAl\u00e9m de pesquisadora e editora-assistente da Revista Iheringia S\u00e9rie Bot\u00e2nica, \u00e9 curadora de tr\u00eas cole\u00e7\u00f5es no MCN &#8211; de Fungos, L\u00edquens e Bri\u00f3fitas,\u00a0conservadas no Herb\u00e1rio Alarich Schultz. O HAS possui registros da flora\u00a0ga\u00facha e muitas coletas de outros estados. As cole\u00e7\u00f5es t\u00eam 12 mil amostras\u00a0de l\u00edquens, 500 de fungos e umas 100 amostras de bri\u00f3fitas, que come\u00e7ou h\u00e1\u00a0pouco. O herb\u00e1rio como um todo tem mais de 120 mil amostras, contando com\u00a0as algas e as plantas vasculares.<br \/>\n<figure id=\"attachment_46978\" aria-describedby=\"caption-attachment-46978\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-46978 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/Dan-Suzana-liquens-4-300x199.jpg\" alt=\"Curadora mostra as cole\u00e7\u00f5es preservadas no HAS\" width=\"300\" height=\"199\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-46978\" class=\"wp-caption-text\">Curadora mostra as cole\u00e7\u00f5es preservadas no HAS<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cEst\u00e1 tudo armazenado aqui e a gente quer saber para onde ser\u00e3o enviadas as cole\u00e7\u00f5es. E tem os typus, que s\u00e3o os primeiros testemunhos de uma nova esp\u00e9cie. E tudo isso \u00e9 patrim\u00f4nio gen\u00e9tico. Porque em 2002, a nossa Funda\u00e7\u00e3o foi reconhecida como fiel deposit\u00e1ria de um banco gen\u00e9tico.\u00a0Ent\u00e3o, muitas amostras s\u00e3o enviadas para n\u00f3s. Eu recebo muito fungo do pessoal da UCS, de Caxias do Sul\u201d, completa.<\/p>\n<header><\/header>\n<header><\/header>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Laborat\u00f3rio de Liquenologia do MCN, por exemplo, abriga trabalhos t\u00e3o importantes ao meio ambiente como desconhecidos. Cleber Dioni Tentardini O Museu de Ci\u00eancias Naturais (MCN) e o Jardim Bot\u00e2nico de Porto Alegre, duas das tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es vinculadas \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do Rio Grande\u00a0do Sul (FZB), t\u00eam mais de cem projetos de pesquisa \u00a0em andamento. 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