{"id":4757,"date":"2009-05-18T14:40:26","date_gmt":"2009-05-18T17:40:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=4757"},"modified":"2009-05-18T14:40:26","modified_gmt":"2009-05-18T17:40:26","slug":"kira-maria-zanol-em-memoria-de-uma-apaixonada-por-porto-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/kira-maria-zanol-em-memoria-de-uma-apaixonada-por-porto-alegre\/","title":{"rendered":"Kira Maria Zanol: em mem\u00f3ria de uma apaixonada por Porto Alegre"},"content":{"rendered":"<p>Por <strong>Bruno Cobalchini Mattos<\/strong><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" title=\"Kira Maria Zanol\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/05\/foto_site4.jpg\" alt=\"\" width=\"50\" height=\"67\" \/>Dona Kira morreu de c\u00e2ncer dia 4. Apesar de ter nascido em Caxias, era em Porto Alegre que ela se sentia em casa. Ao longo dos mais de 30 anos em que morou na Cidade Baixa, Kira criou la\u00e7os profundos de amizade com o bairro. Em 2005, quando se aposentou, assumiu a vice-presid\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores do Cidade Baixa.<br \/>\nComo representante do \u00f3rg\u00e3o, apoiou diversas causas sociais e ambientais, grande parte delas relacionada \u00e0 sa\u00fade e ao planejamento urbano. Uma das principais conquistas da ativista \u00e0 frente da ACMBC foi a restri\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio em que os bares da Cidade Baixa podem colocar mesas nas cal\u00e7adas. Com a defini\u00e7\u00e3o da meia noite como limite, as noites ficaram mais tranq\u00fcilas para os moradores do bairro.<br \/>\nMais velha de quatro irm\u00e3os,\u00a0Kira\u00a0Maria Rocha Zanol\u00a0veio para a cidade ainda adolescente com o intuito de cursar Matem\u00e1tica na UFRGS. Quando seu pai se aposentou, alguns anos depois, tamb\u00e9m se mudou para a capital, trazendo junto a mulher e os outros filhos. A fam\u00edlia voltou a viver sob o mesmo teto em uma casa na Lima e Silva, na Cidade Baixa. Com o tempo, os irm\u00e3os tomaram diferentes rumos. Kira permaneceu no bairro. Com grande participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica da comunidade, passou ali a maior parte de seus 59 anos.<br \/>\nFormada em matem\u00e1tica e em engenharia civil, Kira \u00e9 mestre em Contamina\u00e7\u00e3o Ambiental pela Universidade Politecnica de Madrid. De volta ao Brasil, fez carreira na Secretaria do Planejamento Municipal de Porto Alegre, onde ficaria at\u00e9 se aposentar, em 2005.<br \/>\nDepois da morte de seu pai, com os tr\u00eas irm\u00e3os morando fora do estado, Kira ficou respons\u00e1vel por cuidar de sua m\u00e3e, Noemy. Porque n\u00e3o dava conta de todo o trabalho sozinha, era auxiliada por uma jovem chamada Carmen. Carminha, como era conhecida na fam\u00edlia, veio do interior da Para\u00edba indicada por K\u00e1tia Zanol, irm\u00e3 da engenheira. Kira, que era solteira, se apegou muito a garota. No hospital, a apresentava para as enfermeiras como sendo sua filha.<br \/>\nNoemy faleceu cerca de dois anos atr\u00e1s, pouco tempo depois da filha ser diagnosticada com c\u00e2ncer. Carminha, que havia conclu\u00eddo seus estudos, passou em um concurso p\u00fablico e, por coincid\u00eancia, foi chamada para trabalhar em Caxias do Sul, onde mora at\u00e9 hoje. Depois disso, Kira passou a morar acompanhada apenas por Lolita, uma pequena cadela que, segundo os familiares, considerava uma de suas melhores amigas. Os cuidados eram tantos que o animal recebia at\u00e9 mesmo sess\u00f5es de acupuntura.<br \/>\nKeti e K\u00e1tia Zanol lembram da irm\u00e3 como uma batalhadora.\u201cEm momento algum ela perguntou pro m\u00e9dico se ia morrer, nem quanto tempo tinha de vida. Quando ela soube que o tipo de c\u00e2ncer que tinha era forte, mas que respondia bem \u00e0 quimioterapia, isso foi o suficiente pra ela. Dali em diante ela se dedicou completamente ao tratamento\u201d, conta K\u00e1tia.<br \/>\nNo inicio de 2007, os m\u00e9dicos deram para Kira tr\u00eas meses de vida. Ela sobreviveu mais de dois anos. K\u00e1tia afirma que, exceto na \u00faltima semana de vida, a irm\u00e3 nunca achou que fosse morrer por causa do c\u00e2ncer. Tanto \u00e9 que trocou de carro em fevereiro, aproveitando a baixa dos pre\u00e7os. Uma semana antes de morrer, comprou um arm\u00e1rio novo para guardar seus discos de vinil. O m\u00f3vel foi entregue em seu apartamento no dia seguinte ao vel\u00f3rio.<br \/>\nMarco Ant\u00f4nio de Souza, presidente da ACMCB h\u00e1 mais de dez anos, foi quem convidou Kira para trabalhar na entidade. \u201cEra uma pessoa de energia incr\u00edvel, com facilidade expressiva. E muito persistente. At\u00e9 quando a m\u00e3e andava em cadeira de rodas, distribu\u00eda panfletos na rua com ela sentada do lado\u201d, disse. Apesar da piora do seu estado de sa\u00fade, foi preciso que as irm\u00e3s brigassem com ela para que se afastasse um pouco das atividades comunit\u00e1rias.<br \/>\nA casa da na Lima e Silva era cercada por caf\u00e9s e bares e, por causa de sua doen\u00e7a, Kira precisava de sil\u00eancio e repouso. Por causa disso, em outubro do ano passado, acabou se mudando para um apartamento no bairro Rio Branco. Ainda assim, continuou contribuindo para a ACMCB como assessora at\u00e9 o dia de sua interna\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA engenheira era uma grande conhecedora do plano diretor de Porto Alegre. Foi representante do Cidade Baixa no F\u00f3rum Regional de Planejamento, respons\u00e1vel pelo controle ambiental do processo de urbaniza\u00e7\u00e3o da cidade. Nestor Nadruz, arquiteto integrante do movimento Porto Alegre Vive, comenta que Kira teve um papel important\u00edssimo nessas quest\u00f5es. \u201cEla tinha um grande conhecimento t\u00e9cnico. \u00c9 uma pena perder uma pessoa t\u00e3o respons\u00e1vel e disposta\u201d.<br \/>\nKira atuou ainda junto \u00e0 Promotoria de Justi\u00e7a em Defesa do Meio Ambiente, lutando em defesa da preserva\u00e7\u00e3o da orla do Gua\u00edba e contra projetos como o do Pontal do Estaleiro. Finalmente, auxiliou na constitui\u00e7\u00e3o do plano diretor de alguns munic\u00edpios da regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, que ainda se orientavam pelo estatuto da cidade.<br \/>\nUm dia antes da morte de Kira, no dia tr\u00eas, foi votada na C\u00e2mara a revoga\u00e7\u00e3o da lei das mesas nas cal\u00e7adas. A proposta, de autoria do vereador Alceu Brasinha (PTB), visava estender o hor\u00e1rio de permiss\u00e3o nos fins de semana at\u00e9 as duas da manh\u00e3. A press\u00e3o dos moradores da regi\u00e3o conseguiu fazer com que o projeto fosse negado. Internada em estado grav\u00edssimo, Kira n\u00e3o chegou a ser informada. Naquele fim de semana, por causa de uma das moradoras mais apaixonadas que j\u00e1 passou pelo bairro, a Cidade Baixa ficou em sil\u00eancio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Cobalchini Mattos Dona Kira morreu de c\u00e2ncer dia 4. Apesar de ter nascido em Caxias, era em Porto Alegre que ela se sentia em casa. Ao longo dos mais de 30 anos em que morou na Cidade Baixa, Kira criou la\u00e7os profundos de amizade com o bairro. 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