{"id":47885,"date":"2017-05-02T01:43:31","date_gmt":"2017-05-02T04:43:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=47885"},"modified":"2017-05-02T01:43:31","modified_gmt":"2017-05-02T04:43:31","slug":"accurso-temos-que-ter-a-coragem-de-pensar-a-longo-prazo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/accurso-temos-que-ter-a-coragem-de-pensar-a-longo-prazo\/","title":{"rendered":"Accurso: &quot;Temos que ter a coragem de pensar a longo prazo&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Aos 88 anos, o economista Cl\u00e1udio Accurso est\u00e1 fazendo a revis\u00e3o final em seu \u00faltimo trabalho, um livro de 300 p\u00e1ginas, que lhe custou cinco anos de pesquisa.<br \/>\n\u201c\u00c9 um livro para provocar, para desafiar\u201d, diz ele. Por isso, embaixo do t\u00edtulo acad\u00eamico \u201cValoriza\u00e7\u00e3o do Trabalho e Produtividade\u201d ele acrescentou entre par\u00eantesis: \u201cPensando o Brasil\u201d.<br \/>\nFormado pela UFRGS, Accurso fez seus cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e2o na Universidade do Chile \u00a0e na CEPAL, Na\u00e7\u00f5es Unidas. Foi professor universit\u00e1rio at\u00e9 1964, quando foi cassado, sendo reincorporado em 1980.<br \/>\nFoi secret\u00e1rio do Planejamento do Rio Grande do Sul, no governo de Pedro Simon (1987-1990). Al\u00e9m de longos anos de assessoria governamental na \u00e1rea de planejamento e de projetos, tanto como integrante de quadros p\u00fablicos como consultor privado, esteve tamb\u00e9m a servi\u00e7o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, na Bol\u00edvia e no Per\u00fa.<br \/>\nUma pergunta que orientou a sua pesquisa: \u201cPor qu\u00ea o Brasil, depois de tantos planos econ\u00f4micos, se mant\u00e9m no mesmo patamar de atraso em rela\u00e7\u00e3o ao mundo?\u201d.<br \/>\n&#8220;Por que o Brasil n\u00e3o sai do lugar? Por qu\u00ea est\u00e1 sempre patinando, quando a gente pensa que vai andar, volta tudo para tr\u00e1s?\u201d.<br \/>\nPara buscar as respostas, Accurso concentrou-se num per\u00edodo de meio s\u00e9culo, de 1960 at\u00e9 2008, que \u00e9 o limite para se ter n\u00fameros e avalia\u00e7\u00f5es j\u00e1 sedimentadas.<br \/>\n\u00c9 um per\u00edodo de altos e baixos. Num primeiro momento, entre os anos 60\/80, altas taxas de crescimento. O pais chegou a crescer 10 por cento ao ano durante o chamado \u201cMilagre brasileiro\u201d. Depois um longo per\u00edodo de estagna\u00e7\u00e3o e, em seguida, uma nova retomada.<br \/>\nO que impressiona, segundo o economista, \u00e9 que nada disso alterou o essencial: a produtividade dos \u00a0trabalhadores brasileiros segue muito baixa.<br \/>\n\u201cA produtividade do trabalho segue sendo um ter\u00e7o apenas dos pa\u00edses desenvolvidos\u201d, diz ele.<br \/>\nNo in\u00edcio do per\u00edodo estudado, a Cor\u00e9ia por exemplo estava mais ou menos no mesmo n\u00edvel do Brasil. \u201cHoje a produtividade deles \u00e9 dez vezes a brasileira&#8221;.<br \/>\nPor qu\u00ea? &#8220;Porque o motor da produtividade \u00e9 a inova\u00e7\u00e3o. Por que o empres\u00e1rio brasileiro n\u00e3o investe nisso? Porque n\u00e3o precisa. A produtividade \u00e9 baixa, mas a taxa de lucro dele \u00e9 alta e se mant\u00e9m. Ele vai investir para que?\u201d.<br \/>\nSegundo ele, s\u00f3 com uma pol\u00edtica econ\u00f4mica que eleve o custo do trabalho vai se alterar essa realidade. &#8220;N\u00e3o se trata de socialismo, trata-se na verdade de desenvolver o capitalismo&#8221;.<br \/>\nQuando iniciou seu trabalho, aos 83 anos, Accurso j\u00e1 sabia que era uma quest\u00e3o de longo prazo. Agora com ele pronto, esse aspecto fica mais evidente. \u201cSe n\u00e3o pensarmos num horizonte de 50 anos, n\u00e3o vamos chegar a lugar nenhum\u201d, constata.<br \/>\nE completa, com otimismo: &#8220;Temos que ter a coragem de acreditar que esse quadro pol\u00edtico deprimente que est\u00e1 ai vai ser superado e que vamos construir uma perspectica para o pa\u00eds&#8221;<br \/>\nPor isso, ele segue com calma, fazendo os \u00faltimos ajustes no texto, entrando em contato com outros colegas, como Bresser Pereira, preocupados em repensar o Brasil e tentando encontrar um editor que garanta uma circula\u00e7\u00e3o nacional do livro. (E.B.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 88 anos, o economista Cl\u00e1udio Accurso est\u00e1 fazendo a revis\u00e3o final em seu \u00faltimo trabalho, um livro de 300 p\u00e1ginas, que lhe custou cinco anos de pesquisa. \u201c\u00c9 um livro para provocar, para desafiar\u201d, diz ele. 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