{"id":485,"date":"2006-03-21T14:18:19","date_gmt":"2006-03-21T17:18:19","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=485"},"modified":"2006-03-21T14:18:19","modified_gmt":"2006-03-21T17:18:19","slug":"piada-antiga-sobre-o-vento-volta-a-fazer-sucesso-em-osorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/piada-antiga-sobre-o-vento-volta-a-fazer-sucesso-em-osorio\/","title":{"rendered":"Piada antiga sobre o vento volta a fazer sucesso em Os\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><em><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/energia_eolica\/med_osoriohasse.jpg?0.02578862677548227\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"231\" height=\"350\" \/><\/strong><\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Usina \u00e9olica vai fazer girar a economia local (Fotos Geraldo Hasse)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Geraldo Hasse<\/strong>, de Os\u00f3rio<\/em><br \/>\nDita como queixa e ouvida como piada, a frase com que os habitantes da cidade justificavam o hist\u00f3rico marasmo municipal &#8212; \u201cOs\u00f3rio s\u00f3 ir\u00e1 pra frente no dia em que engarrafar vento para vender\u201d \u2013 come\u00e7a a ganhar um novo sentido diante dos primeiros resultados do trabalho dos empres\u00e1rios alem\u00e3es e espanh\u00f3is que constr\u00f3em nos campos vizinhos a primeira grande usina e\u00f3lica brasileira, com 75 cata-ventos e pot\u00eancia de 150 MW.<br \/>\n\u00c0s v\u00e9speras de completar 150 anos, o munic\u00edpio sofre uma reviravolta. Pela primeira vez o vento vai fazer girar mais r\u00e1pido a economia do munic\u00edpio, que vive tradicionalmente de tr\u00eas atividades de ciclos longos: o cultivo de arroz, a cria\u00e7\u00e3o de gado e o plantio de eucalipto.<br \/>\nMesmo sabendo que n\u00e3o vai haver redu\u00e7\u00e3o na conta da luz, a maioria dos 36 mil habitantes est\u00e1 animada por saber que a prefeitura vai dobrar seu or\u00e7amento gra\u00e7as aos impostos incidentes sobre a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica. A cidade j\u00e1 recebeu novas placas de sinaliza\u00e7\u00e3o de tr\u00e2nsito, est\u00e1 com asfalto novo nas ruas e ganhou dez ve\u00edculos de servi\u00e7os.<br \/>\nNa realidade, a obra do s\u00e9culo no litoral norte do Rio Grande do Sul beneficia um c\u00edrculo restrito de pessoas. Quando os 700 trabalhadores forem dispensados, na virada do ano, restar\u00e3o 90 felizardos na opera\u00e7\u00e3o da usina e apenas 15 fazendeiros passar\u00e3o a receber royalties pela gera\u00e7\u00e3o da nova modalidade de energia em suas terras. \u201cCada torre vai render apenas 800 reais por m\u00eas\u201d, minimiza Marcos Bolzan, um dos benefici\u00e1rios da novidade. Essa \u00e9, de fato, a estimativa m\u00ednima; o valor pode ser duas a tr\u00eas vezes maior.<br \/>\nAl\u00e9m disso, acredita-se que o parque e\u00f3lico vai gerar um bom movimento tur\u00edstico, fundado no interesse em conhecer detalhes da nova tecnologia, incipiente no Brasil. Al\u00e9m de turistas, esperam-se excurs\u00f5es estudantis. Em conseq\u00fc\u00eancia, dever\u00e3o ganhar alentos certos servi\u00e7os, como o transporte, a hotelaria e a gastronomia, gerando empregos e uma certa nostalgia.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/energia_eolica\/med_osoriotur.jpg?0.7183598719802502\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"228\" height=\"350\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Turistas j\u00e1 chegaram ao parque<\/span><\/strong><\/p>\n<p>De certa forma, a cidade poder\u00e1 reviver a \u00e9poca em que era ponto de pouso dos viajantes da capital para Torres e vice-versa. Eles sa\u00edam cedo de barco do cais de Porto Alegre, embarcavam num trenzinho em Palmares do Sul (no extremo norte da Lagoa dos Patos) e chegavam ao entardecer a Os\u00f3rio, com a maria-fuma\u00e7a soltando carv\u00e3o incandescente sobre os trilhos que cortavam a cidade.<br \/>\nOs passageiros pernoitavam nos hot\u00e9is, pens\u00f5es e pousadas do centro de Os\u00f3rio. Na manh\u00e3 seguinte tomavam os barcos que seguiam por lagoas, canais e rios para diversos destinos no litoral norte, com destaque para Tramanda\u00ed, Cap\u00e3o da Canoa e Torres, ponto final da viagem. Essa rotina s\u00f3 se alterava quando o vento nordeste soprava muito forte, prejudicando a navega\u00e7\u00e3o rumo ao interior.<br \/>\nAinda que o movimento de passageiros fosse mais intenso no ver\u00e3o, esse sistema intermodal de transporte combinando ferrovia e hidrovia funcionava o ano inteiro, pois sempre havia cargas \u2013 pinga, a\u00e7\u00facar, rapadura, farinha de mandioca, banana e outros produtos da terra.<br \/>\nInaugurado em 1922, o neg\u00f3cio parou de funcionar em 1960. O m\u00e1ximo que a ferrovia transportou foram 18 mil toneladas de cargas em 1942 e 38 mil passageiros em 1947.<br \/>\nDesde que o rodoviarismo for\u00e7ou a aposentadoria dos trens e barcos em trajetos curtos, Os\u00f3rio explora a voca\u00e7\u00e3o para o abastecimento de viajantes que trafegam pelas rodovias BR-101, BR-290, RS-030 e Estrada do Mar. N\u00e3o por acaso um dos principais neg\u00f3cios do munic\u00edpio \u00e9 o com\u00e9rcio de combust\u00edvel em 15 postos de servi\u00e7os. Outro, o abastecimento alimentar, ter\u00e1 um refor\u00e7o patrocinado pelos empres\u00e1rios do vento.<br \/>\nNo mirante que ser\u00e1 constru\u00eddo no alto do Morro da Bor\u00fassia (a 360 metros de altitude) para favorecer a contempla\u00e7\u00e3o do parque e\u00f3lico de Os\u00f3rio e das belezas naturais da regi\u00e3o, haver\u00e1 um restaurante-lanchonete com pratos tem\u00e1ticos como o pastel de vento. Dispensada a licita\u00e7\u00e3o porque os recursos foram doados pela construtora da usina, d\u00e1-se como certo que o local ser\u00e1 explorado por um primo do prefeito Romildo Bolzan Junior com experi\u00eancia na gest\u00e3o de uma das pizzarias da cidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usina \u00e9olica vai fazer girar a economia local (Fotos Geraldo Hasse) Geraldo Hasse, de Os\u00f3rio Dita como queixa e ouvida como piada, a frase com que os habitantes da cidade justificavam o hist\u00f3rico marasmo municipal &#8212; \u201cOs\u00f3rio s\u00f3 ir\u00e1 pra frente no dia em que engarrafar vento para vender\u201d \u2013 come\u00e7a a ganhar um novo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-485","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-7P","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=485"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/485\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}