{"id":48669,"date":"2017-05-18T20:15:34","date_gmt":"2017-05-18T23:15:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=48669"},"modified":"2017-05-18T20:15:34","modified_gmt":"2017-05-18T23:15:34","slug":"100-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/100-anos-depois\/","title":{"rendered":"100 anos depois"},"content":{"rendered":"<p><strong>Claudir Nespolo<\/strong><br \/>\nEm 1917 os oper\u00e1rios brasileiros realizaram a primeira grande greve geral para reivindicar medidas contra a carestia, elevar os sal\u00e1rios, reduzir a jornada de trabalho para 8 horas e proibir o trabalho infantil. Cem anos atr\u00e1s o povo trabalhador entrou em cena e disse: \u201ctemos direito a ter direitos\u201d. Antes e depois de 1917, por meio de greves memor\u00e1veis, boa parte dos direitos do trabalho, que hoje usufru\u00edmos como um patrim\u00f4nio civilizat\u00f3rio, foram explicitados nas ruas por homens e mulheres que sobreviviam com o suor do seu rosto.<br \/>\nPara as elites da \u00e9poca, acostumadas com o relho e o pelourinho, soava degradante negociar direitos com a \u201chorda indolente\u201d. A\u00e7oite e xilindr\u00f3 nos l\u00edderes, vociferavam patr\u00f5es ditos republicanos. A contragosto, sobretudo da elite empresarial paulistana, que tamb\u00e9m se autoproclamava moderna, Get\u00falio Vargas imp\u00f4s um projeto de industrializa\u00e7\u00e3o com garantias m\u00ednimas de direitos do trabalho. Atrav\u00e9s de artif\u00edcios de domina\u00e7\u00e3o, o Estado transformou uma conquista dos trabalhadores em presente de governante, at\u00e9 hoje a CLT carrega essa m\u00e1cula.<br \/>\nCem anos depois realizamos outra greve geral, em 28 de abril. A maior da nossa hist\u00f3ria. S\u00f3 no RS estimamos a paralisa\u00e7\u00e3o de 2 milh\u00f5es de trabalhadores e 40 milh\u00f5es no Brasil. Desta vez, para assegurar direitos conquistados pelos nossos antepassados. O recado foi claro: parem com o trator das \u201creformas\u201d, pois n\u00f3s sabemos que s\u00e3o prejudiciais.<br \/>\nN\u00e3o acreditamos em rompante modernizador que corte direitos. O que traz gera\u00e7\u00e3o de empregos \u00e9 crescimento econ\u00f4mico. Seguran\u00e7a jur\u00eddica \u00e9 respeitar a CLT e o trabalho com direitos. Fomos crucificados como adoradores de greve. N\u00e3o nos pe\u00e7am para sermos c\u00famplices deste hediondo retrocesso na Previd\u00eancia e nos direitos trabalhistas. Temos o dever moral de defender os nossos direitos, honrar os nossos antepassados e zelar pelo futuro dos nossos filhos e netos.<br \/>\n<strong>Claudir Nespolo\u00a0<\/strong>\u00e9 metal\u00fargico e presidente da CUT-RS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claudir Nespolo Em 1917 os oper\u00e1rios brasileiros realizaram a primeira grande greve geral para reivindicar medidas contra a carestia, elevar os sal\u00e1rios, reduzir a jornada de trabalho para 8 horas e proibir o trabalho infantil. Cem anos atr\u00e1s o povo trabalhador entrou em cena e disse: \u201ctemos direito a ter direitos\u201d. 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