{"id":48756,"date":"2017-05-22T17:11:41","date_gmt":"2017-05-22T20:11:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=48756"},"modified":"2017-05-22T17:11:41","modified_gmt":"2017-05-22T20:11:41","slug":"os-60-anos-das-abelhas-africanizadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/os-60-anos-das-abelhas-africanizadas\/","title":{"rendered":"Os 60 anos das abelhas africanizadas"},"content":{"rendered":"<p>Passou em branco o anivers\u00e1rio de batismo das abelhas africanizadas, \u201ccriadas\u201d h\u00e1 60 anos pelo agr\u00f4nomo paulista Warwick Kerr. Nascido em 1922 em Santana do Parna\u00edba, pequena e velha cidade \u00e0s margens do rio Tiet\u00ea, perto de S\u00e3o Paulo, o cientista havia sido autorizado em 1956 pelo Minist\u00e9rio da Agricultura a importar da \u00c1frica uma centena de abelhas-rainha da esp\u00e9cie <em>Apis mellifera scutellata<\/em>.<br \/>\nA pesquisa sobre a possibilidade de miscigena\u00e7\u00e3o com as abelhas criadas no Brasil tinha por base o horto florestal de Rio Claro, onde a Cia Paulista de Estradas de Ferro mantinha desde 1915 uma portentosa planta\u00e7\u00e3o de eucaliptos. Num fim de semana de abril de 1957, algumas abelhas-rainha escaparam do espa\u00e7o onde estavam confinadas.<br \/>\nTudo n\u00e3o teria passado de um epis\u00f3dio curioso se as africanas livres n\u00e3o tivessem se revelado muito mais agressivas do que as abelhas europeias (<em>Apis mellifera mellifera<\/em>) trazidas ao pa\u00eds pelos imigrantes alem\u00e3es no s\u00e9culo XIX.<br \/>\nFoi um terror. As abelhas africanas picaram animais e pessoas, provocando algumas mortes. A imprensa as chamou de \u201cassassinas\u201d. Warwick Kerr foi responsabilizado pelo acidente, nunca devidamente esclarecido. As abelhas n\u00e3o teriam escapado e, sim, ganho a liberdade, j\u00e1 que dentro do espa\u00e7o da pesquisa pareciam normais.<br \/>\nNa realidade, Kerr estava encantado com as africanas, pois elas eram mais sadias e produtivas do que as abelhas europeias, que adoeciam facilmente e produziam bem menos.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\" wp-image-48796 alignright\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Abelha-africanizada-foto-Fernando-Rios.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"224\" \/>Na natureza, revelou-se o fato promissor: as africanas cruzaram com as europeias, gerando um h\u00edbrido mais produtivo e mais resistente \u00e0 varroa, a principal doen\u00e7a da <em>Apis mellifera mellifera<\/em>. Al\u00e9m disso, o cruzamento gen\u00e9tico permitiu o desenvolvimento de um h\u00edbrido mais manso do que as agressivas africanas.<br \/>\nO resultado gen\u00e9tico apareceu logo, pois as abelhas vivem apenas 45 dias. Em apenas dois ou tr\u00eas anos, a apicultura brasileira estava renovada.<br \/>\nA progress\u00e3o geogr\u00e1fica da nova esp\u00e9cie tamb\u00e9m foi r\u00e1pida. J\u00e1 nos anos 1960, as abelhas africanizadas estavam chegando a Misiones, na Argentina. Nos anos 1980, estavam em toda a Am\u00e9rica Latina. Em 1990, com a chegada \u00e0 Florida e \u00e0 Calif\u00f3rnia, o governo americano mandou armar barreiras que se revelaram in\u00fateis. Nesse ano, Kerr foi o primeiro brasileiro a ser acolhido pela Academia de Ci\u00eancias dos Estados Unidos.<br \/>\nAs abelhas africanizadas se tornaram uma esp\u00e9cie de trof\u00e9u vivo de Kerr, que tamb\u00e9m estudou profundamente as abelhas nativas, como a jata\u00ed e a manda\u00e7aia. Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia de 1969 a 1973, ele lecionou e pesquisou nos Estados Unidos, em Rio Claro, Ribeir\u00e3o Preto, Manaus, S\u00e3o Luiz do Maranh\u00e3o e Uberl\u00e2ndia, onde deu aulas at\u00e9 2012. Em 2016, todo seu material pessoal de pesquisa foi doado \u00e0 biblioteca da Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passou em branco o anivers\u00e1rio de batismo das abelhas africanizadas, \u201ccriadas\u201d h\u00e1 60 anos pelo agr\u00f4nomo paulista Warwick Kerr. 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