{"id":49138,"date":"2017-05-29T16:43:23","date_gmt":"2017-05-29T19:43:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=49138"},"modified":"2017-05-29T16:43:23","modified_gmt":"2017-05-29T19:43:23","slug":"desmatamento-da-mata-atlantica-cresce-quase-60-em-um-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/desmatamento-da-mata-atlantica-cresce-quase-60-em-um-ano\/","title":{"rendered":"Desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica cresce quase 60% em um ano"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00a0<\/em>A Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgam nesta segunda-feira (29) os dados mais recentes do Atlas da Mata Atl\u00e2ntica, referentes ao per\u00edodo de 2015 a 2016.<br \/>\nO estudo aponta o desmatamento de 29.075 hectares (ha), ou 290 Km<sup>2<\/sup>, nos 17 Estados do bioma Mata Atl\u00e2ntica \u2013 representando aumento de 57,7% em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior (2014-2015), referente a 18.433 ha. A \u00edntegra, do estudo est\u00e1 no link <a href=\"http:\/\/www.sosma.org.br\/downloads\/index.php\" data-saferedirecturl=\"http:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.sosma.org.br\/downloads\/index.php&amp;source=gmail&amp;ust=1496169367012000&amp;usg=AFQjCNG2KmsYVIuxmW-mDas6MFYGYfEkkA\">http:\/\/www.sosma.org.br\/downloads\/index.php<\/a><br \/>\nMarcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atl\u00e2ntica, observa que h\u00e1 10 anos n\u00e3o era registrado no bioma um desmatamento nessas propor\u00e7\u00f5es. \u201cO que mais impressionou foi o enorme aumento no desmatamento no \u00faltimo per\u00edodo. Tivemos um retrocesso muito grande, com \u00edndices compar\u00e1veis aos de 2005\u201d, disse. No per\u00edodo de 2005 a 2008 a destrui\u00e7\u00e3o foi de 102.938 ha, ou seja, m\u00e9dia anual de 34.313 ha.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-49145\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Desmatamento-taxa-anual.jpg\" alt=\"\" width=\"669\" height=\"188\" \/><br \/>\nSegundo o\u00a0levantamento, que\u00a0tem patroc\u00ednio de Bradesco Cart\u00f5es e execu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da empresa de geotecnologia Arcplan,\u00a0a Bahia foi o estado que liderou o desmatamento com decr\u00e9scimo de 12.288 ha \u2013 alta de 207% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, quando foram destru\u00eddos 3.997 ha.<br \/>\nDois munic\u00edpios baianos \u2013 Santa Cruz Cabr\u00e1lia e Belmonte \u2013 lideram o ranking dos maiores desmatadores, com supress\u00e3o de 3.058 ha e 2.119 ha, respectivamente. Se somados aos desmatamentos identificados em outras cidades do Sul da Bahia, como Porto Seguro e Ilh\u00e9us, cerca de 30% do total do bioma foi destru\u00eddo nessa regi\u00e3o, que historicamente \u00e9 conhecida pela chegada dos portugueses e pelo in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. \u201cEssa regi\u00e3o \u00e9 a mais rica do Brasil em biodiversidade e tem grande potencial para o turismo. N\u00f3s estamos destruindo um patrim\u00f4nio que poderia gerar desenvolvimento, trabalho e renda para o estado\u201d, complementa Marcia.<br \/>\nUm sobrevoo realizado por t\u00e9cnicos da SOS Mata Atl\u00e2ntica, em 16 de maio deste ano sobre os munic\u00edpios de Santa Cruz Cabr\u00e1lia e Belmonte, constatou queimadas em floresta, convers\u00e3o da floresta em pastagens e processos de limpeza de \u00e1reas onde o entorno apresenta forte atividade de silvicultura.<br \/>\nA vice-lideran\u00e7a do ranking do desmatamento da Mata Atl\u00e2ntica ficou com Minas Gerais, com 7.410 ha desmatados, seguido por Paran\u00e1 (3.453 ha) e Piau\u00ed (3.125 ha).<br \/>\nEm Minas Gerais, os principais pontos de desmatamento ocorreram nos munic\u00edpios de \u00c1guas Vermelhas (753 ha), S\u00e3o Jo\u00e3o do Para\u00edso (573 ha) e Jequitinhonha (450 ha), regi\u00e3o reconhecida pelos processos de destrui\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica para produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o ou pela convers\u00e3o da floresta por plantios de eucalipto. Minas liderou o ranking em sete das \u00faltimas nove edi\u00e7\u00f5es do Atlas da Mata Atl\u00e2ntica, sempre com munic\u00edpios dessa regi\u00e3o figurando na lista dos maiores desmatadores.<br \/>\nJ\u00e1 no Paran\u00e1, os \u00edndices de desmatamento voltaram a subir pelo segundo ano consecutivo, passando de 1.988 ha destru\u00eddos entre 2014 e 2015 para 3.545 ha entre 2015-2016, aumento de 74%. E um alerta continua: a destrui\u00e7\u00e3o concentra-se na regi\u00e3o das arauc\u00e1rias, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, com apenas 3% de florestas remanescentes.<br \/>\nNo Piau\u00ed, os maiores desmatamentos ocorreram em Manoel Em\u00eddio (1.281 ha), Canto do Buriti (641 ha) e Alvorada do Gurgu\u00e9ia (625 ha), munic\u00edpios lim\u00edtrofes entre si e pr\u00f3ximos ao Parque Nacional Serra das Confus\u00f5es. Esse \u00e9 o quarto ano consecutivo que o Atlas registra padr\u00e3o de desmatamento nesses munic\u00edpios que ficam numa importante regi\u00e3o de fronteira agr\u00edcola, que concentra a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e \u00e9 tamb\u00e9m \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o entre a Mata Atl\u00e2ntica, o Cerrado e a Caatinga.<br \/>\nPara Mario Mantovani, diretor de Pol\u00edticas P\u00fablicas da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grav\u00edssima e indica uma revers\u00e3o na tend\u00eancia de queda do desmatamento registrada nos \u00faltimos anos. E, para ele, n\u00e3o \u00e9 por acaso que os quatro estados campe\u00f5es de desmatamento s\u00e3o conhecidos por sua produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria.<br \/>\n\u201cO setor produtivo voltou a avan\u00e7ar sobre nossas florestas, n\u00e3o s\u00f3 na Mata Atl\u00e2ntica, mas em todos os biomas, ap\u00f3s as altera\u00e7\u00f5es realizadas no C\u00f3digo Florestal e o subsequente desmonte da legisla\u00e7\u00e3o ambiental brasileira. Pode ser o in\u00edcio de uma nova fase de crescimento do desmatamento, o que n\u00e3o podemos aceitar\u201d, destaca.<br \/>\nSegundo ele, a ofensiva continua com a tentativa de flexibiliza\u00e7\u00e3o do licenciamento ambiental e diversos ataques ao Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cNo momento em que o caos est\u00e1 instalado em Bras\u00edlia, numa crise pol\u00edtica que tem no seu centro a maior empresa de carnes do mundo, a bancada do agroneg\u00f3cio e o n\u00facleo central do governo federal avan\u00e7am, de forma orquestrada e em tempo recorde, sobre o nosso sistema de prote\u00e7\u00e3o ambiental. A sociedade n\u00e3o pode ficar alheia \u00e0s decis\u00f5es tomadas por nossos governantes e legisladores. Precisamos nos mobilizar para frear o desmonte da nossa legisla\u00e7\u00e3o\u201d, conclui.<br \/>\n<strong>Mangue e Restinga<\/strong><br \/>\nNo per\u00edodo de 2015 a 2016 foi identificada supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o de restinga em 9 dos 17 estados do bioma: Cear\u00e1 (788 ha), Piau\u00ed (244 ha), Santa Catarina (199 ha), Bahia (64 ha), Sergipe (50 ha), S\u00e3o Paulo (32 ha), Rio de Janeiro (29 ha), Paran\u00e1 (14 ha) e Rio Grande do Norte (6 ha).<br \/>\nJ\u00e1 o desmatamento em mangues aconteceu apenas na Bahia, em uma \u00e1rea de 68 ha.<br \/>\n<strong>Desmatamento zero<\/strong><br \/>\nEm maio de 2015, 17 secret\u00e1rios de Meio Ambiente dos Estados da Mata Atl\u00e2ntica assinaram a carta <a href=\"http:\/\/www.sosma.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/NOVA-HISTORIA-SOSMA-WEB1.pdf\" data-saferedirecturl=\"http:\/\/www.google.com\/url?hl=pt-BR&amp;q=http:\/\/www.sosma.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/NOVA-HISTORIA-SOSMA-WEB1.pdf&amp;source=gmail&amp;ust=1496169367012000&amp;usg=AFQjCNEaHpVTNLDc7Lk4WyaQf4TLNFqRdQ\">\u201cNova Hist\u00f3ria para a Mata Atl\u00e2ntica<\/a>\u201d, compromisso que prev\u00ea a amplia\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal nativa e a busca do desmatamento ilegal zero no bioma at\u00e9 2018.<br \/>\nEntretanto, dois anos ap\u00f3s o acordo, esta edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Mata Atl\u00e2ntica aponta que apenas cinco estados est\u00e3o no n\u00edvel do desmatamento zero, ou seja, com menos de 100 hectares (1 Km2) de desflorestamentos, somadas \u00e1reas desmatadas em florestas, mangues e restingas: Rio Grande do Norte (6 ha), Alagoas (11 ha), Para\u00edba (32 ha), Pernambuco (16 ha) e, Rio de Janeiro (66 ha).<br \/>\nN\u00e3o est\u00e3o mais no n\u00edvel de desmatamento zero Goi\u00e1s, com 149 ha desmatados; Cear\u00e1, com 797 ha e S\u00e3o Paulo, com 730 ha. A boa not\u00edcia fica para Pernambuco, que voltou para a lista desse ano com a redu\u00e7\u00e3o de 88% do desmatamento \u2013 passou de 136 ha entre 2014 e 2015 para 16 ha no \u00faltimo ano.<br \/>\n\u201cApesar do grande aumento do desmatamento em S\u00e3o Paulo, \u00e9 importante destacar que 90% ocorreu por causas naturais, mais especificamente vendavais e tornados que atingiram os munic\u00edpios de Jarinu, Atibaia, Mairinque, S\u00e3o Roque e Embu-Gua\u00e7u em 5 de junho do ano passado\u201d, esclarece Fl\u00e1vio Jorge Ponzoni, pesquisador e coordenador t\u00e9cnico do estudo pelo INPE.<br \/>\nConfira o ranking completo dos estados:<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-49140\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Desmatamento-Mata-Atl\u00e2ntica-quadro-estados.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"425\" \/><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0A Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgam nesta segunda-feira (29) os dados mais recentes do Atlas da Mata Atl\u00e2ntica, referentes ao per\u00edodo de 2015 a 2016. O estudo aponta o desmatamento de 29.075 hectares (ha), ou 290 Km2, nos 17 Estados do bioma Mata Atl\u00e2ntica \u2013 representando aumento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":49142,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-49138","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-cMy","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49138"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49138\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}