{"id":49376,"date":"2017-06-02T18:03:30","date_gmt":"2017-06-02T21:03:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=49376"},"modified":"2017-06-02T18:03:30","modified_gmt":"2017-06-02T21:03:30","slug":"camilo-de-lelis-e-o-jeito-macunaima-de-fazer-teatro-no-mundo-globalizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/camilo-de-lelis-e-o-jeito-macunaima-de-fazer-teatro-no-mundo-globalizado\/","title":{"rendered":"Camilo de L\u00e9lis e o jeito Macuna\u00edma de fazer teatro no mundo globalizado"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Higino Barros<\/span><br \/>\nEstreia nessa sexta-feira, 02, no teatro do Instituto Goethe, \u201cNas Sombras do Cora\u00e7\u00e3o\u201d, espet\u00e1culo baseado na pe\u00e7a radiof\u00f4nica \u201c<em>Die L\u00e4cherliche Finsternis\u201d<\/em>, de Wolfram Lotz, por sua vez inspirada no romance \u201c<em>O Cora\u00e7\u00e3o das Trevas\u201d<\/em>, de Joseph Conrad, e <em>Apocalypse Now, \u00a0<\/em>filme de Francis Ford Coppola. \u00c9 a mais recente montagem do diretor Camilo de L\u00e9lis, da Cia. Teatral Face&amp;Carretos.<br \/>\nA pe\u00e7a fala de dois oficiais do ex\u00e9rcito alem\u00e3o que viajam, atrav\u00e9s do Afeganist\u00e3o, com a miss\u00e3o de eliminar um tenente-coronel renegado, que enlouqueceu e matou seus soldados. Paralelamente a essa aventura, o texto apresenta o julgamento, em um tribunal na Alemanha, de um nativo da Som\u00e1lia, que se tornou pirata devido \u00e0 pesca de seu pa\u00eds estar sendo roubada pelos pesqueiros das grandes na\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49378\" aria-describedby=\"caption-attachment-49378\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49378 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Camilo-de-L\u00e9lis-200x200.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49378\" class=\"wp-caption-text\">Camilo de L\u00e9lis, diretor \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO diretor da pe\u00e7a, Camilo de L\u00e9lis, respondeu \u00e0s perguntas do J\u00c1:<br \/>\n<strong>J\u00c1:\u00a0<\/strong>A pe\u00e7a \u201cNas sombras do Cora\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 baseada numa novela radiof\u00f4nica alem\u00e3, desconhecida para o p\u00fablico brasileiro. Que por sua vez, se baseia no \u201cCora\u00e7\u00e3o das Trevas\u201d, do Conrad e no filme \u201cApocalypse Now\u201d, do Coppola, talvez a refer\u00eancia maior para o p\u00fablico em geral. Tua transposi\u00e7\u00e3o dessa hist\u00f3ria para um palco tem, digamos, o jeito Camilo de L\u00e9lis de fazer teatro?<strong>\u00a0\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Camilo de L\u00e9lis: <\/strong>Totalmente. E isso pode ser conferido, assistindo a pe\u00e7a do diretor Alexandre Dill, \u00a0que segue o mesmo texto radiof\u00f4nico de W. Lotz, e, como a minha, estreou \u00a0no Festival Palco Girat\u00f3rio do SESC, nos dias 23 e 24 de maio, \u00a0e voltar\u00e1 a cartaz logo depois da minha temporada, que \u00e9 de 27 de maio a 18 de Junho. O Instituto Goethe nos convidou, para que ambos dessem a sua vis\u00e3o a respeito do premiado texto de Lotz &#8220;<em>As Trevas Ris\u00edveis<\/em>&#8220;, considerado, por essa obra, o melhor autor alem\u00e3o de 2015. Dill colocou um enfoque mais ao estilo p\u00f3s-dram\u00e1tico, enquanto eu dei um passo atr\u00e1s, rumo \u00e0s minhas origens teatrais, que ainda bebiam na brasilidade de Oswald de Andrade e Mario de Andrade.<br \/>\nA pe\u00e7a fala de uma viagem pela Selva, pelos grandes rios, pela estranhamento dos costumes nativos, do medo arcaico do canibalismo. Fiz um espet\u00e1culo em 1991, primeira parceria com o Instituto Goethe &#8211; \u00a0Mac\u00e1rio, o Afortunado &#8211; que tinha um tema parecido, o colonialismo europeu sobre a Am\u00e9rica Latina. Agora, 26 anos depois, estamos tratando do neocolonialismo globalizado. Por isso, eu achei melhor fazer uma reflex\u00e3o sobre o que significa um texto alem\u00e3o, quando submetido a uma est\u00e9tica latina, especialmente brasileira, na qual o \u00edndio e o negro tem muita coisa a dizer por si, sem necessitar de um intermedi\u00e1rio branco para represent\u00e1-lo. Por isso chamei atores brancos, negros e mesti\u00e7os para formar o elenco.<br \/>\nE tamb\u00e9m botei sacanagem, &#8220;macuna\u00edmicamente&#8221; coloquei a brincadeira em meio a dor e a desola\u00e7\u00e3o. O misticismo misturado \u00e0 sexualidade, o horror em meio ao encantamento&#8230; Enfim \u00e9 uma pe\u00e7a muito a ver comigo, com a minha hist\u00f3ria de n\u00e3o seguir modismos ou pensamentos filos\u00f3ficos, quase todos advindos da velha Europa, p\u00f3s Escola de Frankfurt, que tentou muito, mas n\u00e3o explicou porra nenhuma sobre o crep\u00fasculo da raz\u00e3o, do in\u00edcio do s\u00e9culo 20 em diante, at\u00e9 agora. Resumo, acho que, de alguma forma, devemos rever nossa canibaliza\u00e7\u00e3o da cultura ocidental.\u00a0Tupy or not tupy, essa \u00e9 ainda a nossa quest\u00e3o.<br \/>\n<strong>J\u00c1: <\/strong>O que o expectador encontra vendo tua montagem? O que ela tem de inovadora? O que ela tem de teatro tradicional?<br \/>\n<strong>Camilo: <\/strong>H\u00e1 o teatro. O teatro inova, quando retorna sobre seus passos. N\u00e3o ao teatr\u00e3o, \u00e0 com\u00e9dia ligeira, pois isso seria apenas uma fuga para o nada, mas temos de buscar o que de melhor tivemos a partir da semana de 22. As refer\u00eancias da for\u00e7a expressiva de Antunes Filho, Z\u00e9 Celso, e outros encenadores que n\u00e3o se europeizaram, devem nos dar uma luz nesse momento. Eu sempre coloquei o Brasil nas minhas encena\u00e7\u00f5es de textos alem\u00e3es, e isso se tornou a minha assinatura. N\u00e3o se trata de uma coisa pueril, for\u00e7ada, expl\u00edcita, mas o p\u00fablico reconhece que aquilo ali t\u00e1 muito digerido, amolecido, para ser uma encena\u00e7\u00e3o da ideologia branca ocidental.<br \/>\n<strong>J\u00c1: <\/strong>Como tu chegou na forma\u00e7\u00e3o do elenco? O que tu privilegiou ou quis destacar?<br \/>\n<strong>Camilo: <\/strong>Juntei velhos camaradas da d\u00e9cada de 70, como o Zeca Kiechaloski e o Marco S\u00f3rio, mas que n\u00e3o fizeram parte de minha trajet\u00f3ria, tamb\u00e9m gente que j\u00e1 fez alguma coisa comigo, e um jovem de 26 anos, com quem eu nunca havia trabalhado. Tamb\u00e9m resolvi canibalizar os t\u00e9cnicos para dentro do espet\u00e1culo, fazendo som ao vivo e performances sem texto.<br \/>\n<strong>J\u00c1: <\/strong>\u00c9 um grande elenco, uma produ\u00e7\u00e3o cuidadosa e como obter isso nos dias de hoje, com a cena cultural da cidade t\u00e3o debaixo de chuvas e trovoadas?<br \/>\n<strong>Camilo: <\/strong>Isso s\u00f3 Dion\u00edsio explica. \u00c9 muito amor \u00e0 arte. Muito tes\u00e3o pelo tablado.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>Servi\u00e7o:<\/strong><br \/>\nTeatro: NAS SOMBRAS DO CORA\u00c7\u00c3O<br \/>\nOnde: Teatro do Instituto Goethe (Rua 24 de Outubro, 112 \u2013 fone:21187800)<br \/>\nQuando: De 02 a 18 de junho &#8211; sextas, s\u00e1bados e domingos \u00e0s 20h<br \/>\nQuanto: R$40,00 (inteira)- 50% desconto para idosos, estudantes e classe art\u00edstica (mediante apresenta\u00e7\u00e3o de documento)<br \/>\n<strong>Ficha t\u00e9cnica:<\/strong><br \/>\nTexto Wolfram Lotz. Dire\u00e7\u00e3o geral Camilo de L\u00e9lis<br \/>\nElenco: Denizeli Cardoso, Marco S\u00f3rio, Diego Acauan, Luis Franke e participa\u00e7\u00e3o especial de \u00a0Zeca Kiechaloski, no papel do Tenente-Coronel louco. Atua\u00e7\u00f5es perform\u00e1ticas, no decorrer do espet\u00e1culo, de Fabr\u00edzio Rodrigues, Diego Steffani e Jorge Foques.<br \/>\nEquipe de cria\u00e7\u00e3o: Cen\u00e1rio Felipe Helfer. Ilumina\u00e7\u00e3o Fernando Och\u00f4a. Figurino Fabr\u00edzio Rodrigues. Trilha S\u00e9rgio Rojas. Prepara\u00e7\u00e3o vocal Marisa Rotenberg. Designer gr\u00e1fico Rafael Franskowiak. Dramaturgista Renata de L\u00e9lis. Fotografia Gerson de Oliveira.<br \/>\nA Cia. Teatral Face &amp; Carretos, fundada em 1982, conquistou em sua trajet\u00f3ria, a partir da encena\u00e7\u00e3o de \u201cMac\u00e1rio, o Afortunado\u201d, muitos pr\u00eamios e fez v\u00e1rias excurs\u00f5es pelo Brasil e exterior. Seu \u00faltimo trabalho foi \u201c<em>As Quatro Dire\u00e7\u00f5es do C\u00e9u\u201d<\/em>, de Roland Schimmelpfennig, pelo qual recebeu o Pr\u00eamio Braskem &#8211; 2015 de melhor espet\u00e1culo e dire\u00e7\u00e3o para Camilo de L\u00e9lis.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Higino Barros Estreia nessa sexta-feira, 02, no teatro do Instituto Goethe, \u201cNas Sombras do Cora\u00e7\u00e3o\u201d, espet\u00e1culo baseado na pe\u00e7a radiof\u00f4nica \u201cDie L\u00e4cherliche Finsternis\u201d, de Wolfram Lotz, por sua vez inspirada no romance \u201cO Cora\u00e7\u00e3o das Trevas\u201d, de Joseph Conrad, e Apocalypse Now, \u00a0filme de Francis Ford Coppola. \u00c9 a mais recente montagem do diretor Camilo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":49377,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-49376","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-materiasecundaria"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-cQo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49376\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}