{"id":49459,"date":"2017-06-07T08:30:32","date_gmt":"2017-06-07T11:30:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=49459"},"modified":"2017-06-07T08:30:32","modified_gmt":"2017-06-07T11:30:32","slug":"estudo-avalia-algas-toxicas-em-lagos-de-pracas-e-parques-da-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/estudo-avalia-algas-toxicas-em-lagos-de-pracas-e-parques-da-capital\/","title":{"rendered":"Estudo avalia algas t\u00f3xicas em lagos de pra\u00e7as e parques da Capital"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span class=\"assina\">Cleber Dioni Tentardini<\/span><\/p>\n<p>Pesquisadores do Museu de Ci\u00eancias Naturais, da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, vem estudando a presen\u00e7a de cianobact\u00e9rias nos laguinhos de parques e pra\u00e7as de Porto Alegre.<br \/>\nJ\u00e1 foram pesquisados quatro lagos: do Moinhos de Vento (Parc\u00e3o), dos Pedalinhos (Reden\u00e7\u00e3o), das Tartarugas (Jardim Bot\u00e2nico) e da Pra\u00e7a It\u00e1lia (Praia de Belas).<br \/>\nA aten\u00e7\u00e3o \u00e9 para o fen\u00f4meno chamado de flora\u00e7\u00e3o, que confere \u00e0s \u00e1guas colora\u00e7\u00e3o (esverdeada, amarelada, avermelhada, marrom), odor e sabor (barro, mofo, peixe, capim), que variam conforme as esp\u00e9cies presentes.\u00a0Estas flora\u00e7\u00f5es geralmente formam manchas na superf\u00edcie da \u00e1gua.<br \/>\nEsses organismos, com caracter\u00edsticas de algas e bact\u00e9rias, s\u00e3o capazes de indicar se est\u00e1 ocorrendo algum desequil\u00edbrio ambiental. Em ambientes saud\u00e1veis, as cianobact\u00e9rias convivem com outros organismos de modo equilibrado. Mas, se o local est\u00e1 polu\u00eddo, com aumento da concentra\u00e7\u00e3o de nutrientes na \u00e1gua, principalmente f\u00f3sforo e nitrog\u00eanio, originados de fezes de animais, de esgotos dom\u00e9sticos e de atividades agr\u00edcolas\/industriais, elas se multiplicam excessivamente, gerando as flora\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO perigo \u00e9 que v\u00e1rias esp\u00e9cies s\u00e3o potencialmente t\u00f3xicas. Podem provocar a mortandade de peixes e de outros animais, incluindo o homem, que consomem a \u00e1gua e organismos contaminados.<br \/>\nDentre as cinco categorias de toxinas identificadas at\u00e9 o momento, as hepatotoxinas podem causar morte por hemorragia do f\u00edgado, as neurotoxinas podem atacar o sistema nervoso central e provocar morte por parada respirat\u00f3ria, e as dermatotoxinas, que podem provocar irrita\u00e7\u00f5es no corpo.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49472\" aria-describedby=\"caption-attachment-49472\" style=\"width: 159px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49472 \" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170510_103657-268x400.jpg\" alt=\"\" width=\"159\" height=\"233\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49472\" class=\"wp-caption-text\">A not\u00edcia da trag\u00e9dia \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEm fevereiro de 1996, hepatotoxinas produzidas por cianobact\u00e9rias provocaram a morte de 50 pessoas por insufici\u00eancia hep\u00e1tica aguda, das cem em tratamento em uma cl\u00ednica de hemodi\u00e1lise em Caruaru, Pernambuco.<br \/>\nA partir dessa trag\u00e9dia, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tornou obrigat\u00f3rio o monitoramento de cianobact\u00e9rias por todas as companhias de abastecimento de \u00e1gua do Brasil.<br \/>\nAs pesquisas nos lagos dos parques e pra\u00e7as de Porto Alegre come\u00e7aram em 2008. Em todos, foram identificadas flora\u00e7\u00f5es de cianobact\u00e9rias com potenciais t\u00f3xicos.<br \/>\nEsses importantes estudos s\u00e3o coordenados pela bi\u00f3loga Vera Regina Werner, uma das maiores especialistas brasileiras em cianobact\u00e9rias. Ela orienta estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Se\u00e7\u00e3o Bot\u00e2nica de Cript\u00f3gamas, em uma pequena sala no segundo andar do Museu de Ci\u00eancias Naturais (MCN), na FZB. Vera \u00e9 co-orientadora dos trabalhos, junto com os professores universit\u00e1rios.<br \/>\nTodos os materiais coletados s\u00e3o devidamente etiquetados e tombados no Herb\u00e1rio Professor Alarich R. H. Sch\u00fcltz (HAS) do MCN-FZBRS.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49461\" aria-describedby=\"caption-attachment-49461\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49461 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170510_111357.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"763\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49461\" class=\"wp-caption-text\">Vera com as amostras das pesquisas catalogas no herb\u00e1rio do Museu \/Fotos Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\nAtualmente, a bi\u00f3loga tem se dedicado a um projeto para ampliar os locais a serem estudados em Porto Alegre e dar continuidade \u00e0s pesquisas em andamento. O nome \u00e9 pomposo: Cianobact\u00e9rias planct\u00f4nicas de corpos d\u2019\u00e1gua artificiais da cidade de Porto Alegre, com \u00eanfase \u00e0s esp\u00e9cies formadoras de flora\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u201cPor se tratar de lagos urbanos, localizados em \u00e1rea de lazer, o conhecimento da diversidade destes organismos \u00e9 fundamental para subsidiar a correta manuten\u00e7\u00e3o desses corpos d\u2019\u00e1gua\u201d, explicou a bi\u00f3loga.<br \/>\nAs pesquisas tamb\u00e9m abrangem lagos e lagoas na Regi\u00e3o Metropolitana, no Litoral e no interior do Estado.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Identificadas 13 esp\u00e9cies\u00a0<\/span><span class=\"intertit\">no Lago dos Pedalinhos<\/span><br \/>\nA bi\u00f3loga Camila Borges pesquisou em 2008 as cianobact\u00e9rias no lago dos pedalinhos na Reden\u00e7\u00e3o para o trabalho de conclus\u00e3o do curso, sob orienta\u00e7\u00e3o da Vera Regina Werner e do professor Jo\u00e3o Fernando Prado, da UFRGS.<br \/>\nForam feitas sete coletas, abrangendo as quatro esta\u00e7\u00f5es do ano, junto \u00e0 entrada e sa\u00edda e no centro do lago, onde vivem tartarugas, peixes e aves. A partir da an\u00e1lise de 21 amostras, foram identificadas densas flora\u00e7\u00f5es e seis esp\u00e9cies de cianobact\u00e9rias, todas potencialmente t\u00f3xicas.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49462\" aria-describedby=\"caption-attachment-49462\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-49462\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/L.dos-Pedlinhos-26-05-08.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"1106\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49462\" class=\"wp-caption-text\">Registro na Reden\u00e7\u00e3o foi foi feito em maio de 2008\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nAl\u00e9m do excremento dos animais, presentes no lago e no minizoo, at\u00e9 ent\u00e3o aberto, uma cena muito comum de se ver nos parques s\u00e3o as pessoas jogando alimentos para os peixes e tartarugas. Essas comidas decomp\u00f5em-se e liberam nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo, criando um ambiente prop\u00edcio para as flora\u00e7\u00f5es de cianobact\u00e9rias.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Densas flora\u00e7\u00f5es\u00a0t\u00f3xicas na Pra\u00e7a It\u00e1lia<\/span><br \/>\nA estudante Andressa Adolfo, do 7\u00ba Semestre da Biologia da Unisinos, realiza pesquisas com bolsa de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da FAPERGS (PROBIC).\u00a0Andressa participa de coletas e an\u00e1lises de amostras obtidas mensalmente no lago da Pra\u00e7a It\u00e1lia, pr\u00f3ximo ao shopping Praia de Belas, onde \u00e9 comum\u00a0ver crian\u00e7as brincando no ver\u00e3o.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49463\" aria-describedby=\"caption-attachment-49463\" style=\"width: 579px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49463 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/lago-da-Pra\u00e7a-It\u00e1lia-coleta-de-amostra.jpg\" alt=\"\" width=\"579\" height=\"553\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49463\" class=\"wp-caption-text\">Amostra da \u00e1gua esverdeada \/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-49481 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170510_123912-245x400.jpg\" alt=\"\" width=\"245\" height=\"400\" \/><br \/>\nAs coletas, realizadas desde outubro de 2016, mostraram a ocorr\u00eancia de flora\u00e7\u00f5es mistas, com esp\u00e9cies potencialmente t\u00f3xicas, que podem afetar os neur\u00f4nios (coordena\u00e7\u00e3o motora) e o f\u00edgado de animais e ser humano. A \u00e1gua \u00e9 esverdeada e cont\u00eam manchas vistas a olho nu, resultantes da prolifera\u00e7\u00e3o excessiva de cianobact\u00e9rias.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<figure id=\"attachment_49476\" aria-describedby=\"caption-attachment-49476\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49476 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170510_110339.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"554\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49476\" class=\"wp-caption-text\">As amostras j\u00e1 catalogadas<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">Lago das Tartarugas, no JB, recebia esgoto da vila<\/span><br \/>\nEm 2011, orientandos da bi\u00f3loga Vera Regina Werner registraram a ocorr\u00eancia de 16 esp\u00e9cies de cianobact\u00e9rias no fitopl\u00e2ncton do Lago das Tartarugas, do Jardim Bot\u00e2nico. Em 2013, novos estudos constataram outras nove esp\u00e9cies, num total de 25.<br \/>\nH\u00e1 anos que a \u00e1gua do lago \u00e9 constantemente esverdeada, com manchas na superf\u00edcie, resultantes de densas flora\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49465\" aria-describedby=\"caption-attachment-49465\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49465 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170510_125005-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"792\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49465\" class=\"wp-caption-text\">Manchas verdes formam uma camada na superf\u00edcie no lago do Bot\u00e2nico\/Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\nForam moradores da Vila Juliano Moreira, antiga col\u00f4nia agr\u00edcola do Hospital Psiqui\u00e1trico S\u00e3o Pedro, ao lado do Bot\u00e2nico, que informaram \u00e0 Vera que o esgoto das casas era indiretamente despejado no lago. N\u00e3o havia saneamento na vila. Por isso, as flora\u00e7\u00f5es de cianobact\u00e9rias permanentes naquele lago nos \u00faltimos anos.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Moinho no Parc\u00e3o\u00a0<\/span><span class=\"intertit\">reduz flora\u00e7\u00f5es<\/span><br \/>\nEm 2015, foi documentada a ocorr\u00eancia de 19 esp\u00e9cies de cianobact\u00e9rias planct\u00f4nicas no lago do Parque Moinhos de Vento, incluindo flora\u00e7\u00f5es. Uma pesquisa feita em 1992 identificou 145 esp\u00e9cies de algas, dentre os quais 26 cianobact\u00e9rias.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49468\" aria-describedby=\"caption-attachment-49468\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49468 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Vista-parcial-lago-Parc\u00e3o-com-flora\u00e7\u00f5es-de-cianobact\u00e9rias-manchas-verdes-na-superf\u00edcie.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"766\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49468\" class=\"wp-caption-text\">Vista parcial com flora\u00e7\u00e3o no lago do parque Moinhos de Vento \/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNaquele local, segundo Vera, h\u00e1 o Moinho com uma cascatinha mantendo a \u00e1gua em movimento e isso diminui a concentra\u00e7\u00e3o de nutrientes que alimentam as cianobact\u00e9rias, reduzindo as flora\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Ambiente saud\u00e1vel\u00a0na APA do Ibirapuit\u00e3<\/span><br \/>\nA bi\u00f3loga Mari\u00ea Mello Cabezudo desenvolveu pesquisas por tr\u00eas anos no Museu de Ci\u00eancias Naturais, da FZB, com bolsa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da FAPERGS (PROBIC). Aproveitou um trabalho amplo de manejo na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) do Ibirapuit\u00e3, na Regi\u00e3o da Campanha, que envolveu v\u00e1rias \u00e1reas da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica e come\u00e7ou o primeiro estudo de biodiversidade de cianobact\u00e9rias naquela \u00e1rea.<br \/>\nAs coletas de amostras de \u00e1gua na APA foram feitas nos meses de mar\u00e7o e novembro de 2011 e mar\u00e7o de 2012. Abrangeu o rio Ibirapuit\u00e3, banhado, arroio e lagoa.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49470\" aria-describedby=\"caption-attachment-49470\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-49470\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Coleta-cianobact\u00e9rias-APA-Ibirapuit\u00e3.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"863\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49470\" class=\"wp-caption-text\">Coleta na APA do Ibirapuit\u00e3\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_49471\" aria-describedby=\"caption-attachment-49471\" style=\"width: 275px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49471 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Mari\u00ea-5-275x400.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49471\" class=\"wp-caption-text\">Mari\u00ea e seu trabalho\/Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cPrecis\u00e1vamos conhecer a flora de cianobact\u00e9rias dos sistemas aqu\u00e1ticos na APA. Os ambientes estavam bem diversificados. Identificamos 28 esp\u00e9cies de cianobact\u00e9rias, nenhuma flora\u00e7\u00e3o. Ou seja, n\u00e3o havia desequil\u00edbrio naqueles ambientes\u201d, afirma Mari\u00ea.<br \/>\nAgora, est\u00e1 sendo preparado um trabalho cient\u00edfico para submeter \u00e0 publica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAtualmente, Mari\u00ea continua trabalhando com cianobact\u00e9rias no seu Mestrado em Ecologia da UFRGS, sob orienta\u00e7\u00e3o da Vera e da professora Luciane Crossetti.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<figure id=\"attachment_49498\" aria-describedby=\"caption-attachment-49498\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49498 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/APA.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"590\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49498\" class=\"wp-caption-text\">Cultivo de esp\u00e9cies coletadas na APA do Ibirapuit\u00e3<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">Aluna encontra flora\u00e7\u00e3o\u00a0em lago de S\u00e3o Jorge<\/span><br \/>\nA estudante Vanessa Didon\u00e9, das Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Unisinos, \u00e9 bolsista do CNPq (PIBIC), no MCN\/FZB. Coletou no in\u00edcio de 2017 amostras em um lago no munic\u00edpio ga\u00facho de S\u00e3o Jorge, que apelidou de Lago das Gar\u00e7as, devido \u00e0 grande quantidade dos animais. Com os olhos j\u00e1 treinados por Vera, desconfiou do tom esverdeado da \u00e1gua, com uma camada na superf\u00edcie de algo parecido com uma nata. Tamb\u00e9m registrou a proximidade de uma planta\u00e7\u00e3o de milho, onde poderiam estar sendo usados fertilizantes.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49474\" aria-describedby=\"caption-attachment-49474\" style=\"width: 581px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49474 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Coleta-em-s\u00e3o-jorge-27II2016-Vista-parcial-do-lago-deixando-evidente-a-flora\u00e7\u00e3o-de-cianobact\u00e9rias-nas-margens-Foto-Vanessa-Didon\u00e9.jpg\" alt=\"\" width=\"581\" height=\"839\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49474\" class=\"wp-caption-text\">Flora\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio ga\u00facho de S\u00e3o Jorge\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_49477\" aria-describedby=\"caption-attachment-49477\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49477 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170510_110538.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"875\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49477\" class=\"wp-caption-text\">Amostras do lago das Gar\u00e7as, em S\u00e3o Jorge\/Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cAs fezes dos animais e a possibilidade de uso de fertilizantes no milharal contribui para aumentar a concentra\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio e f\u00f3sforo na \u00e1gua e o aparecimento de flora\u00e7\u00e3o de cianobact\u00e9ria\u201d, diz Vanessa.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49473\" aria-describedby=\"caption-attachment-49473\" style=\"width: 879px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49473 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Coleta-em-s\u00e3o-jorge-27II2016-Vista-geral-do-Lago-das-Gar\u00e7as-Foto-Vanessa-Didon\u00e9.jpg\" alt=\"\" width=\"879\" height=\"441\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49473\" class=\"wp-caption-text\">Local tem grande quantidade de gar\u00e7as\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA aluna ajuda Vera a manter o banco de culturas de cianof\u00edceas, aberto em 2005. O processo consiste em isolar cada uma das esp\u00e9cies do material coletado,para an\u00e1lises moleculares, s\u00f3 realizadas fora do Estado. O banco de culturas visa \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es para subsidiar outros estudos de interesse s\u00f3cio-econ\u00f4mico<br \/>\n\u201cOs estudos de cultivo de cianobact\u00e9rias tem nos permitido realizar pesquisas com sistem\u00e1tica filogen\u00e9tica desse grupo de organismos, que \u00e9 uma exig\u00eancia atual nos estudos de diversidade e evolu\u00e7\u00e3o\u201d, diz Vera, orgulhosa por ver em Vanessa uma futura taxonomista.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49475\" aria-describedby=\"caption-attachment-49475\" style=\"width: 309px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49475 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170510_114657-309x400.jpg\" alt=\"\" width=\"309\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49475\" class=\"wp-caption-text\">Vanessa com as culturas de cianobact\u00e9rias<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">Bi\u00f3loga \u00e9 refer\u00eancia\u00a0em pesquisas no Brasil<\/span><br \/>\nH\u00e1 somente cinco pesquisadores em atividade no Brasil com conhecimento suficiente para identificar e descrever esp\u00e9cies novas de cianobact\u00e9rias, tamb\u00e9m chamadas algas azuis ou cianof\u00edceas. Vera \u00e9 uma das refer\u00eancias. Os outros taxonomistas est\u00e3o em S\u00e3o Paulo.<br \/>\nPesquisadores da Argentina, do Uruguai e de todo o Brasil seguidamente trocam informa\u00e7\u00f5es e consultam a bi\u00f3loga porto-alegrense, que completou no m\u00eas de abril 40 anos de trabalhos realizados no Museu de Ci\u00eancias Naturais da FZB.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49478\" aria-describedby=\"caption-attachment-49478\" style=\"width: 796px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49478 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170510_104545.jpg\" alt=\"\" width=\"796\" height=\"1150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49478\" class=\"wp-caption-text\">Bi\u00f3loga recebe consultas de todo pa\u00eds<\/figcaption><\/figure><br \/>\nQuando ela ingressou como estagi\u00e1ria e estudante do curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da PUC, a atual Se\u00e7\u00e3o de Bot\u00e2nica de Cript\u00f3gamas (SBC) ainda era o N\u00facleo de Vegetais Inferiores (NVI), coordenado pela bi\u00f3loga Zulanira Meyer Rosa, sua primeira orientadora.<br \/>\n\u201cL\u00e1 nas d\u00e9cadas de 70 e 80 a gente j\u00e1 reconhecia na natureza as flora\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o eram muito estudadas as cianobact\u00e9rias\u201d, afirma.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49479\" aria-describedby=\"caption-attachment-49479\" style=\"width: 198px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49479\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170510_105240-200x140.jpg\" alt=\"\" width=\"198\" height=\"142\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49479\" class=\"wp-caption-text\">A &#8220;b\u00edblia&#8221;, de Lothar Geitler<\/figcaption><\/figure><br \/>\nSua grande inspira\u00e7\u00e3o foi o livro de Lothar Geitler, de 1932, em alem\u00e3o, que ela considera a b\u00edblia para os estudos das cianobact\u00e9rias. Sua descend\u00eancia alem\u00e3 ajudou no aprendizado da l\u00edngua, mas Vera admite que n\u00e3o foi f\u00e1cil. Recentemente, o tcheco Jir\u00ed Kom\u00e1rek escreveu o livro Cyanoprokaryota em tr\u00eas volumes, que representam uma revis\u00e3o da \u2018b\u00edblia\u2019 de Geitler.<br \/>\n\u201cTem-se que ter muito cuidado porque \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica. E o pior: as cianobact\u00e9rias s\u00e3o muito resistentes. N\u00e3o adianta ferver a \u00e1gua porque elas podem arrebentar e liberar as toxinas na \u00e1gua\u201d, ensina. \u201cE quando atingem o solo, mesmo ali elas sobrevivem, podendo resistir por dezenas de anos em lugares secos. Elas s\u00e3o danadas. N\u00e3o resta outra alternativa se n\u00e3o investir muito em educa\u00e7\u00e3o ambiental\u2019, insiste a bi\u00f3loga.<br \/>\nHoje, h\u00e1 profissionais\u00a0habilitados para trabalhar com as cianobact\u00e9rias nos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela qualidade da \u00e1gua, sendo que muitos foram treinados\u00a0na Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica. Antes, Vera era chamada constantemente. Prefeitos, gestores e t\u00e9cnicos dos departamentos de \u00e1gua sempre recorreram \u00e0 bi\u00f3loga em busca de seu conhecimento.<br \/>\nDe S\u00e3o Leopoldo, por exemplo, iam t\u00e9cnicos toda semana \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica para receber treinamento. Os custos eram irris\u00f3rios.<br \/>\nA bi\u00f3loga prestou muito aux\u00edlio ao DMAE, \u00e0 Corsan e a companhias municipais de abastecimento de \u00e1gua do interior do Estado, onde havia problemas de flora\u00e7\u00f5es. Quando n\u00e3o ia coletar, Vera recebia amostras de v\u00e1rios locais, por exemplo, de hospitais e locais de tratamento de hemodi\u00e1lise. Em muitos casos foram identificados problemas graves no tratamento de esgoto.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49493\" aria-describedby=\"caption-attachment-49493\" style=\"width: 760px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49493 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/S\u00e3o-leopoldo-Ulbra.jpg\" alt=\"\" width=\"760\" height=\"512\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49493\" class=\"wp-caption-text\">Cultivo de esp\u00e9cies encontradas em S\u00e3o Leopoldo, Ulbra e outros<\/figcaption><\/figure><br \/>\nVera foi chamada em S\u00e3o Jer\u00f4nimo, quando a \u00e1gua ficou com colora\u00e7\u00e3o amarelada, devido \u00e0 flora\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie\u00a0Cylindrospermopsis raciborskii,\u00a0que tem essa tonalidade. No laguinho do parque de Lajeado ou da Ulbra,\u00a0a bi\u00f3loga identificou as esp\u00e9cies respons\u00e1veis pelas flora\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNa Lagoa do Viol\u00e3o, em Torres, o tom esverdeado indicava a flora\u00e7\u00e3o. Vera participou de uma reuni\u00e3o na Prefeitura. \u201cEu perguntei se tinha algum esgoto sendo lan\u00e7ado na lagoa e um sil\u00eancio dominou a reuni\u00e3o, mas, de repente, algu\u00e9m disse que havia obras com esgotos clandestinos sendo lan\u00e7ados na lagoa\u201d, resume.\u00a0\u201cEst\u00e1 a\u00ed a causa das flora\u00e7\u00f5es. Basta fechar os esgotos e o problema ser\u00e1 resolvido\u201d, explicou.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49501\" aria-describedby=\"caption-attachment-49501\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49501 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/parque-zool\u00f3gico.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"646\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49501\" class=\"wp-caption-text\">Amostras do lago no Parque Zool\u00f3gico<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA bi\u00f3loga diz que soube de casos de animais que tiveram que ser sacrificados naquele munic\u00edpio do litoral por terem ficado com problemas graves. \u201cN\u00e3o cheguei a verificar se tinha a ver com as toxinas, mas uma pessoa pelo menos relatou que o seu cachorro entrava na lagoa com flora\u00e7\u00e3o\u201d, lembra Vera.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49480\" aria-describedby=\"caption-attachment-49480\" style=\"width: 183px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49480\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170510_103601111.jpg\" alt=\"\" width=\"183\" height=\"727\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49480\" class=\"wp-caption-text\">Cisnes com problemas no movimento de uma das patas e com o f\u00edgado deteriorado<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNum laguinho do Zool\u00f3gico, em Sapucaia, foram identificadas flora\u00e7\u00f5es e animais com sintomas que podem estar relacionados \u00e0s toxinas de cianobact\u00e9rias.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">No Gua\u00edba, esp\u00e9cie agressiva<\/span><br \/>\nEm 2004, foi identificada flora\u00e7\u00e3o de cianobact\u00e9rias no Gua\u00edba, que deu a colora\u00e7\u00e3o esverdeada, cheiro e gosto fortes de barro na \u00e1gua, caracter\u00edsticas de\u00a0<em>Planktothrix, <\/em>esp\u00e9cies\u00a0potencialmente t\u00f3xicas. Segundo Vera, essas cianobact\u00e9rias filamentosas, agressivas, s\u00e3o muito comuns no Gua\u00edba durante o ver\u00e3o, porque se desenvolve mais em temperaturas quentes e quando chove menos. Nestas \u00e9pocas o n\u00edvel da \u00e1gua diminui, aumenta a concentra\u00e7\u00e3o de nutrientes, criando o ambiente ideal pra esses organismos proliferarem-se.<br \/>\nO \u00faltimo problema com a \u00e1gua do Gua\u00edba, verificado no ano passado, nada teve a ver com as flora\u00e7\u00f5es. Vera coletou amostras e verificou que n\u00e3o havia prolifera\u00e7\u00e3o de cianobact\u00e9rias.<br \/>\n\u201cNormalmente, se a gente sente cheiros da natureza, terra, mofo, peixe, est\u00e3o presentes as cianobact\u00e9rias. Por causa da geosmina, o cheiro liberado na \u00e1gua por esses organismos.&#8221;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<figure id=\"attachment_49489\" aria-describedby=\"caption-attachment-49489\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49489 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Planktothrix-Planktothricoides-2-20x-1695.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"863\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49489\" class=\"wp-caption-text\">Esp\u00e9cie Planktothrix Planktothricoides, comum no Gua\u00edba<\/figcaption><\/figure><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Pesquisas re\u00fanem dados\u00a0sobre as lagoas do litoral<\/span><br \/>\nDesde que ingressou na FZB, Vera desenvolve o projeto \u201cDiversidade e distribui\u00e7\u00e3o de cianobact\u00e9rias formadoras de flora\u00e7\u00f5es, com \u00eanfase \u00e0s esp\u00e9cies potencialmente t\u00f3xicas, em mananciais do estado do Rio Grande do Sul.<br \/>\nCome\u00e7ou as pesquisas nas lagoas da plan\u00edcie costeira. Em sua tese de doutorado, as pesquisas envolveram 33 lagoas da regi\u00e3o litor\u00e2nea, de Torres ao Chu\u00ed, incluindo o banhado do Taim e a Lagoa do Peixe.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49492\" aria-describedby=\"caption-attachment-49492\" style=\"width: 770px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49492 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Trabalho-de-Vera.jpg\" alt=\"\" width=\"770\" height=\"1150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49492\" class=\"wp-caption-text\">Mapa das lagoas pesquisadas por Vera em sua tese de doutorado<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cEnt\u00e3o, na Lagoa dos Quadros, onde tem esta\u00e7\u00e3o de piscicultura, a gente j\u00e1 observava manchas verdes na superf\u00edcie da \u00e1gua. Sab\u00edamos que eram flora\u00e7\u00f5es de cianobact\u00e9rias, mas ainda n\u00e3o se conhecia o problema das toxinas. Hoje, se sabe que determinadas esp\u00e9cies s\u00e3o t\u00f3xicas e perigosas\u201d, observa. A Lagoa dos Patos tamb\u00e9m apresenta muito problema de flora\u00e7\u00e3o. J\u00e1, no mar, segundo Vera, n\u00e3o tem essa situa\u00e7\u00e3o. \u201cAquelas algas com colora\u00e7\u00e3o marrom, caracter\u00edstica do litoral ga\u00facho, n\u00e3o s\u00e3o potencialmente t\u00f3xicas\u201d, tranquiliza.<br \/>\nEm 2003, o trabalho de mestrado de Mari\u00e9llen Martins, pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Microbiologia (Unesp\/Ibilce), sob orienta\u00e7\u00e3o do professor Luis Henrique Branco, com a co-orienta\u00e7\u00e3o de Vera, envolveu \u00e1reas da lagoa do Casamento e dos butiazais de Tapes, incluindo arroios, banhados e sangradouros nos munic\u00edpios de Mostardas, Capivari do Sul, Palmares do Sul, Barra do Ribeiro e Tapes.<br \/>\nNeste estudo foram encontradas v\u00e1rias esp\u00e9cies at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o registradas para o Rio Grande do Sul e algumas at\u00e9 para o Brasil, inclusive, esp\u00e9cies que os pesquisadores n\u00e3o esperavam encontrar nesses locais.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49491\" aria-describedby=\"caption-attachment-49491\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49491 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Mari\u00e9llen-Dornelles-Martins_medindo-dados-abi\u00f3ticos-do-lago-da-ULBRA.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"991\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49491\" class=\"wp-caption-text\">Mari\u00e9llen medindo dados abi\u00f3ticos do lago da ULBRA\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u2018Foi um trabalho important\u00edssimo, que contribuiu para conhecimento das \u00e1reas estudadas, onde vimos a import\u00e2ncia de tais ecossistemas e a flora riqu\u00edssima encontrada ali, principalmente em regi\u00f5es de banhados, que j\u00e1 se sabe, e n\u00e3o \u00e9 de hoje, que s\u00e3o ecossistema ricos em esp\u00e9cies de v\u00e1rios grupos biol\u00f3gicos\u201d, ressalta Mari\u00e9llen.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49490\" aria-describedby=\"caption-attachment-49490\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49490 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170516_111050-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"1122\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49490\" class=\"wp-caption-text\">Mapa das lagoas estudadas por Mari\u00e9llen<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEsse trabalho j\u00e1 rendeu tr\u00eas publica\u00e7\u00f5es e est\u00e1 saindo a quarta, todas em revistas cient\u00edficas reconhecidas.<br \/>\nSurgiu, ent\u00e3o, a ideia de reunir as informa\u00e7\u00f5es das duas grandes pesquisas e lan\u00e7ar um s\u00f3 trabalho, com intuito de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de todo conhecimento adquirido ao longo dos anos, n\u00e3o apenas da regi\u00e3o da plan\u00edcie costeira, mas do estado do Rio Grande do Sul.\u00a0Mas \u00e9 um processo demorado e, portanto, sem previs\u00e3o de conclus\u00e3o.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Cartilha orienta popula\u00e7\u00e3o e gestores<\/span><br \/>\nVera produziu uma cartilha a fim de ensinar e alertar a popula\u00e7\u00e3o para tomarem determinados cuidados em locais com flora\u00e7\u00e3o e orientar os agentes p\u00fablicos. O t\u00edtulo \u00e9<em> \u2018Cianobact\u00e9rias: Belas mas, \u00e0s vezes, perigosas<\/em>.\u2019<br \/>\nNa cartilha, a bi\u00f3loga explica que as cianof\u00edceas foram os primeiros organismos produtores de oxig\u00eanio, apresentando ao mesmo tempo, caracter\u00edsticas de bact\u00e9rias e de algas. S\u00e3o seres bastante primitivos, com registros de documentos f\u00f3sseis de cerca de 3,5 bilh\u00f5es de anos. Ocorrem tanto na \u00e1gua como em superf\u00edcies s\u00f3lidas, como solo, pedra e \u00e1rvores.<br \/>\n\u201cEnt\u00e3o, a gente faz esses levantamentos e produz relat\u00f3rios e cartilhas para enviar aos administradores dos parques ou diretamente \u00e0s prefeituras, como forma de orient\u00e1-los\u201d, completa.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Informa\u00e7\u00f5es gerais\u00a0<\/span><br \/>\n<span class=\"entreperg\">Quais cianotoxinas elas podem produzir e quais suas consequ\u00eancias?<\/span><br \/>\n&#8211; Neurotoxinas: atuam no sistema nervoso central, inibindo\u00a0 transmiss\u00e3o de impulsos \u00e0 musculatura, provocando a morte por parada respirat\u00f3ria.<br \/>\n&#8211; Hepatotoxinas: intoxica\u00e7\u00f5es, morte por hemorragia do f\u00edgado.<br \/>\n&#8211; Dermatotoxinas: problemas na pele, irritante ao contato<br \/>\n<figure id=\"attachment_49488\" aria-describedby=\"caption-attachment-49488\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49488 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Flora\u00e7\u00e3o-de-ciano-de-S\u00e3o-Jorge-visto-ao-microsc\u00f3pio.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"768\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49488\" class=\"wp-caption-text\">Flora\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Jorge, visto ao microsc\u00f3pio<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"entreperg\">Quais s\u00e3o os sintomas provocados pelas cianotoxinas?<\/span><br \/>\n&#8211; Alergia, rinite, conjuntivite e dispneia, por inala\u00e7\u00e3o<br \/>\n&#8211; intoxica\u00e7\u00f5es agudas: diarr\u00e9ia, n\u00e1useas, febre, v\u00f4mitos, c\u00f3licas. abdominais, anorexia, astenia, hepatomegalia, por ingest\u00e3o.<br \/>\n&#8211; Dermtites (urticariforme), conjuntivites e rinite, pelo contato.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Quais as consequ\u00eancias das cianotoxinas para o ambiente e para os seres vivos?<\/span><br \/>\nIntoxica\u00e7\u00f5es, mortandades de peixes e de outros animais, inclusive seres humanos, t\u00eam sido registrados no mundo inteiro.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49487\" aria-describedby=\"caption-attachment-49487\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49487 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Esp\u00e9cie-encontrada-na-Pra\u00e7a-It\u00e1lia6.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"863\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49487\" class=\"wp-caption-text\">Esp\u00e9cie encontrada na Pra\u00e7a It\u00e1lia<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"entreperg\">Como podemos saber se a \u00e1gua est\u00e1 contaminada por cianobact\u00e9rias?<\/span><br \/>\nPelo aspecto da \u00e1gua, colora\u00e7\u00e3o ou mancha esverdeada, avermelhada ou amarelada, pelo cheiro e sabor de barro, peixe ou mofo. A amostra da \u00e1gua dever\u00e1 ser analisada em microsc\u00f3pio para confirmar a presen\u00e7a e mensurar a densidade de cianobact\u00e9rias.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49485\" aria-describedby=\"caption-attachment-49485\" style=\"width: 584px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-49485\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Esp\u00e9cie-encontrada-na-Pra\u00e7a-It\u00e1lia4.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"441\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49485\" class=\"wp-caption-text\">Esp\u00e9cie encontrada na Pra\u00e7a It\u00e1lia<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"entreperg\">Podemos beber \u00e1gua com flora\u00e7\u00f5es de cianobact\u00e9rias?<\/span><br \/>\nN\u00e3o, pois a mesma pode apresentar toxicidade.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49484\" aria-describedby=\"caption-attachment-49484\" style=\"width: 457px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-49484 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Esp\u00e9cie-encontrada-na-Pra\u00e7a-It\u00e1lia3.jpg\" alt=\"\" width=\"457\" height=\"364\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49484\" class=\"wp-caption-text\">Esp\u00e9cie encontrada na Pra\u00e7a It\u00e1lia<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"entreperg\">Podemos comer peixes e carnes de outros animais que vivam nessas \u00e1guas?<\/span><br \/>\nN\u00e3o, porque as cianotoxinas podem ser acumuladas, principalmente no f\u00edgado. Al\u00e9m disso, o sabor e o odor podem ficar alterados.<br \/>\n<figure id=\"attachment_49483\" aria-describedby=\"caption-attachment-49483\" style=\"width: 691px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-49483\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Esp\u00e9cie-encontrada-na-Pra\u00e7a-It\u00e1lia2.jpg\" alt=\"\" width=\"691\" height=\"887\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-49483\" class=\"wp-caption-text\">Esp\u00e9cie encontrada na Pra\u00e7a It\u00e1lia<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"entreperg\">Outros animais podem beber \u00e1gua com cianobact\u00e9rias?<\/span><br \/>\nN\u00e3o, pois mortandades de peixes e de outros animais t\u00eam sido registradas devido a cianotoxinas presentes na \u00e1gua.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Existe legisla\u00e7\u00e3o para proteger a popula\u00e7\u00e3o?<\/span><br \/>\nSim. A Portaria n\u00ba 2.914\/2011 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade exige o monitoramento de cianobact\u00e9rias e cianotoxinas em mananciais de abastecimento p\u00fablico, assim como de cianotoxinas na \u00e1gua a ser disponibilizada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Quais os aspectos positivos das cianobact\u00e9rias?<\/span><br \/>\nAl\u00e9m de serem produtoras prim\u00e1rias (produzem oxig\u00eanio atmosf\u00e9rico-O<sub>2<\/sub>), somente as cianobact\u00e9rias e certas bact\u00e9rias s\u00e3o capazes de fixar o nitrog\u00eanio atmosf\u00e9rico. Assim como as de vida livre como as associadas a outros seres vivos, t\u00eam import\u00e2ncia na fertiliza\u00e7\u00e3o do ambiente. S\u00e3o ainda consideradas organismos agregadores do solo, protegendo-o contra a eros\u00e3o. Colaboram na produ\u00e7\u00e3o do h\u00famus; atuam como pioneiras na coloniza\u00e7\u00e3o dos solos.<br \/>\nAl\u00e9m de sua significativa representa\u00e7\u00e3o na natureza e import\u00e2ncia para estudos ecol\u00f3gicos e toxicol\u00f3gicos, atualmente, t\u00eam sido pesquisadas suas qualidades e aplicabilidades na ind\u00fastria farmac\u00eautica, t\u00eaxtil e de alimentos. Na alimenta\u00e7\u00e3o, as cianobact\u00e9rias t\u00eam papel importante devido ao alto valor proteico e vitam\u00ednico de certas esp\u00e9cies.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleber Dioni Tentardini Pesquisadores do Museu de Ci\u00eancias Naturais, da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, vem estudando a presen\u00e7a de cianobact\u00e9rias nos laguinhos de parques e pra\u00e7as de Porto Alegre. J\u00e1 foram pesquisados quatro lagos: do Moinhos de Vento (Parc\u00e3o), dos Pedalinhos (Reden\u00e7\u00e3o), das Tartarugas (Jardim Bot\u00e2nico) e da Pra\u00e7a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":49532,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1998,26,1999],"tags":[],"class_list":["post-49459","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fundacoes","category-geral","category-reportagens-especiais"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-cRJ","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49459","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49459"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49459\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49459"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49459"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49459"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}