{"id":50144,"date":"2017-06-16T18:41:07","date_gmt":"2017-06-16T21:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=50144"},"modified":"2017-06-16T18:41:07","modified_gmt":"2017-06-16T21:41:07","slug":"cancro-da-macieira-preocupa-tecnicos-agricolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/cancro-da-macieira-preocupa-tecnicos-agricolas\/","title":{"rendered":"Cancro da macieira causa preju\u00edzos nos pomares de toda a regi\u00e3o Sul do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Geraldo Hasse <\/span><br \/>\nOs secret\u00e1rios da Agricultura dos tr\u00eas estados do Sul, que concentram a quase totalidade da produ\u00e7\u00e3o brasileira de ma\u00e7\u00e3 (1 milh\u00e3o de toneladas por ano), formalizaram na ter\u00e7a-feira passada (13) a cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea de preven\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as das pom\u00e1ceas. No encontro de autoridades e t\u00e9cnicos em S\u00e3o Joaquim (SC), o assunto principal era o cancro europeu, doen\u00e7a f\u00fangica que ataca as partes lenhosas das macieiras.<br \/>\nAs not\u00edcias s\u00e3o preocupantes. Em Santa Catarina, os t\u00e9cnicos estimam que o cancro esteja presente em 6,5% dos pomares existentes em pouco mais de 3 mil \u00a0pequenas propriedades. No Rio Grande do Sul, onde a ma\u00e7\u00e3 \u00e9 produzida principalmente em grandes propriedades, n\u00e3o h\u00e1 estat\u00edsticas mas, segundo Silvio Meirelles, da Embrapa de Vacaria, a doen\u00e7a est\u00e1 mais disseminada do que em Santa Catarina, por\u00e9m causaria menos preocupa\u00e7\u00e3o, pelo menos da boca para fora. \u201cPor aqui se diz que, se a ma\u00e7\u00e3 se tornar invi\u00e1vel para os produtores ga\u00fachos, eles podem passar sem problemas para o plantio de soja, pois a topografia \u00e9 mais favor\u00e1vel\u201d, diz Meirelles.<br \/>\nEm Santa Catarina, onde a ma\u00e7\u00e3 encontrou um bom habitat em pequenas propriedades de topografia acidentada, n\u00e3o h\u00e1 alternativas imediatas fora da fruticultura. Da\u00ed a preocupa\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos catarinenses em encontrar sa\u00eddas por meio do equil\u00edbrio sanit\u00e1rio dos pomares, antes que a erradica\u00e7\u00e3o das plantas doentes acabe inviabilizando a atividade.<br \/>\nA ma\u00e7\u00e3 brasileira alcan\u00e7ou dimens\u00e3o comercial a partir de 1970. O cancro foi detectado em 2002 num viveiro de mudas de Vacaria. Por ordem do Minist\u00e9rio da Agricultura, foram incineradas as 500 mil mudas de macieiras (de origem europ\u00e9ia, da\u00ed o nome da doen\u00e7a) estocadas no viveiro.<br \/>\nApesar dos cuidados, o fungo sobreviveu e foi detectado novamente em 2012, quando se formou um grupo de trabalho que re\u00fane especialistas dos \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos dos tr\u00eas estados do Sul e do Minist\u00e9rio da Agricultura. A doen\u00e7a n\u00e3o chega a atingir os consumidores, mas afeta principalmente o bolso dos produtores.<br \/>\nO combate ao cancro europeu \u00e9 caro: deve-se fazer o corte das partes afetadas e a incinera\u00e7\u00e3o posterior de todo o material cortado. Segundo Mois\u00e9s de Albuquerque, diretor executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Ma\u00e7\u00e3, os produtores ga\u00fachos est\u00e3o gastando R$ 2 mil por hectare na erradica\u00e7\u00e3o do cancro. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 pouco\u201d, diz ele, lembrando que a uni\u00e3o t\u00e9cnica dos tr\u00eas estados sulinos \u00e9 um dado novo na hist\u00f3ria da ma\u00e7\u00e3, que ocupa 34 mil hectares e gera neg\u00f3cios de R$ 6 bilh\u00f5es por ano.<br \/>\n<strong>1001 predadores<\/strong><br \/>\nA fruticultura atrai toda esp\u00e9cie de predador, desde fungos, v\u00edrus, bact\u00e9rias, insetos e p\u00e1ssaros at\u00e9 diversos parasitas situados ao longo da cadeia produtiva. Uva, banana, figo, manga: toda fruta \u00e9 alvo, mas nenhuma supera a hist\u00f3ria da laranja no s\u00e9culo XX. Ap\u00f3s progredir nos anos, no v\u00e1cuo da crise do caf\u00e9, a citricultura sofreu um surto devastador de \u201ctristeza\u201d (v\u00edrus) nos anos 1940 e um ataque violento do cancro c\u00edtrico (bact\u00e9ria) a partir de 1957, obrigando os produtores a erradicar\/incinerar os pomares afetados. Mas j\u00e1 nos anos 1980 a citricultura paulista estava de p\u00e9 outra vez, tanto que se tornou campe\u00e3 mundial na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de sucos concentrados. \u00a0A produ\u00e7\u00e3o de c\u00edtricos ocupa 700 mil hectares no Brasil (25 mil ha no RS).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse Os secret\u00e1rios da Agricultura dos tr\u00eas estados do Sul, que concentram a quase totalidade da produ\u00e7\u00e3o brasileira de ma\u00e7\u00e3 (1 milh\u00e3o de toneladas por ano), formalizaram na ter\u00e7a-feira passada (13) a cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea de preven\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as das pom\u00e1ceas. 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