{"id":5053,"date":"2009-06-04T22:49:48","date_gmt":"2009-06-05T01:49:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=5053"},"modified":"2009-06-04T22:49:48","modified_gmt":"2009-06-05T01:49:48","slug":"e-preciso-diploma-para-ser-jornalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/e-preciso-diploma-para-ser-jornalista\/","title":{"rendered":"\u00c9 preciso diploma para ser jornalista?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Por Ana L\u00facia Behenck Mohr<\/span><br \/>\nUma discuss\u00e3o sobre a exig\u00eancia de diploma e sobre a (des)regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de jornalista. Os dois palestrantes desmereceram o debate que, mesmo assim, foi longe. Entenda por qu\u00ea.<br \/>\nO debate ocorreu nesta quarta-feira na Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da PUC-RS, minutos depois do hor\u00e1rio marcado (20h). Foi\u00a0entre Tiago Juc\u00e1 (editor da Revista &#8220;O Dil\u00favio&#8221;) e S\u00e9rgio Murillo de Andrade (presidente da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas), tendo como mediador o professor Celso Schr\u00f6der. Este \u00faltimo n\u00e3o s\u00f3 fez jus \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de vice-presidente da Fenaj nas interven\u00e7\u00f5es, como, em certo ponto do debate, assumiu ter \u201cabandonado completamente a fun\u00e7\u00e3o de mediador\u201d, o que gerou risos na plateia.<br \/>\nJuc\u00e1 disse n\u00e3o achar a discuss\u00e3o t\u00e3o importante. S\u00e9rgio Murillo afirmou tratar-se de um debate \u201ccompletamente esquizofr\u00eanico\u201d. Um debate convergente? N\u00e3o, as raz\u00f5es das opini\u00f5es semelhantes s\u00e3o bem distintas.<br \/>\nEntre os argumentos usados na contra-defesa do diploma estava o fato de haver pessoas talentosas que n\u00e3o t\u00eam diploma e a p\u00e9ssima qualidade dos cursos de Comunica\u00e7\u00e3o Social &#8211; em particular, o da escola de onde Juc\u00e1 \u00e9 oriundo, a Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS (Fabico). O jornalista detonou a Fabico. Disse que os professores eram atrasados, equipamentos antigos (\u201cagora deu uma melhorada\u201d) e o curr\u00edculo ultrapassado.<br \/>\nO editor da revista alternativa \u201cO Dil\u00favio\u201d levantou tamb\u00e9m a quest\u00e3o da censura, sobre a qual disse n\u00e3o ter visto manifesta\u00e7\u00e3o por parte da Fenaj. Citou o caso do professor da UFRGS, Wladymir Ungaretti. Ungaretti foi processado por Ronaldo Bernardi, fot\u00f3grafo da Zero Hora e agora est\u00e1 impedido de fazer cr\u00edticas ao jornal em seu <a href=\"http:\/\/www.pontodevista.jor.br\">site<\/a>.<br \/>\nTamb\u00e9m citou a censura do governo Lula \u00e0s r\u00e1dios comunit\u00e1rias e as outorgas vencidas de 25 r\u00e1dios de Porto Alegre. Deu a entender que estes seriam os debates mais importantes a serem puxados. S\u00e9rgio Murillo depois deixou subentendido que esses debates est\u00e3o \u00e0 pleno vapor.<br \/>\nA esquizofrenia do debate, conforme o presidente da Fenaj, \u00e9 compar\u00e1vel a uma discuss\u00e3o de advogados sobre se os advogados devem ou n\u00e3o estudar Direito. \u201cNo Brasil o estado regulamenta as profiss\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 para atender a demanda dos engenheiros, jornalistas, m\u00e9dicos, mas para dar uma garantia ao cidad\u00e3o\u201d, afirmou. Para ele, a defesa do diploma \u00e9 a defesa de uma informa\u00e7\u00e3o de qualidade.<br \/>\nA forma\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada importante por Juc\u00e1. Afirmou que &#8220;um jornalista deveria estudar no m\u00ednimo hist\u00f3ria e letras&#8221;. Citou in\u00fameros exemplos de obras jornal\u00edsticas de autores sem forma\u00e7\u00e3o em jornalismo (entre elas, as reportagens do m\u00e9dico Dr\u00e1uzio Varella e seu livro \u201cEsta\u00e7\u00e3o Carandiru\u201d, o livro &#8220;Os Sert\u00f5es&#8221;, de Euclides da Cunha e a pr\u00f3pria &#8220;Carta de Pero Vaz de Caminha&#8221;).<br \/>\nEm contrapartida, S\u00e9rgio Murillo fez a defesa incondicional do curso, chegou a fazer uma analogia com uma crian\u00e7a doente. \u201cSe a crian\u00e7a est\u00e1 doente, n\u00e3o devemos mat\u00e1-la, mas dar rem\u00e9dios\u201d. No entanto, Murillo n\u00e3o chegou a prescrever nenhum medicamento para nosso beb\u00ea enfermo, embora tenha citado que a Fenaj est\u00e1 envolvida comiss\u00e3o que cria novas diretrizes curriculares para os cursos de jornalismo.<br \/>\nPara o presidente da Fenaj, a defesa do diploma e da regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o n\u00e3o exclui a defesa da liberdade de express\u00e3o. \u201cN\u00e3o tem em nenhum lugar do Brasil, sindicato pedindo fim de r\u00e1dio comunit\u00e1ria\u201d, ironizou. Disse que h\u00e1 uma confus\u00e3o entre a comunica\u00e7\u00e3o e jornalismo, e este \u00faltimo deve ser exercido por um profissional especializado (com diploma). \u201cEntre numa reda\u00e7\u00e3o dos EUA, voc\u00ea n\u00e3o vai encontrar jornalista que n\u00e3o seja formado\u201d, disse.<br \/>\nMurillo procurou frisar que a desregulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma demanda patronal, em espec\u00edfico do Sr. Ot\u00e1vio Frias Filho, dono da Folha de S\u00e3o Paulo, e visa a maior precariza\u00e7\u00e3o da atividade. Referindo-se ao descumprimento das leis trabalhistas, afirmou ainda que os patr\u00f5es do Brasil est\u00e3o na Idade M\u00e9dia. Citou a vit\u00f3ria do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, onde os funcion\u00e1rios do jornal O Globo (da fam\u00edlia Marinho) n\u00e3o recebiam hora extra porque n\u00e3o havia controle de jornadas, para defender a import\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o sindical.<br \/>\nGra\u00e7as \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o da categoria, agora a empresa est\u00e1 cumprindo a lei. Respondeu \u00e0 cr\u00edtica de um estudante (o \u00fanico que se atreveu a defender os donos da m\u00eddia), segundo o qual a Fenaj seria um bra\u00e7o do petismo, desqualificando-a como ideol\u00f3gica. \u201cSe a Fenaj \u00e9 bra\u00e7o do petismo, n\u00f3s poder\u00edamos dizer que a Folha \u00e9 bra\u00e7o dos tucanos\u201d, comparou.<br \/>\nQuanto \u00e0 refer\u00eancia feita pelo mesmo estudante de que a regulamenta\u00e7\u00e3o havia sido originada durante a ditadura e por isso era ruim, disse que \u201cn\u00f3s n\u00e3o temos a a regulamenta\u00e7\u00e3o por causa da ditadura, mas apesar da ditadura\u201d. E arrematou: \u201cse tudo que foi criado na ditadura fosse ruim, disse, o Estatuto do \u00cdndio teria que ser revogado e a ponte Rio-Niter\u00f3i derrubada\u201d.<br \/>\nLei de Imprensa \u2013 Perguntado pelo mediador, Tiago Juc\u00e1 silenciou sobre a Lei de Imprensa, revogada recentemente. Disse n\u00e3o ter ainda uma opini\u00e3o formada sobre o assunto.<br \/>\nConforme S\u00e9rgio Murillo, a Fenaj defende a Lei de Imprensa. \u201cN\u00e3o achamos que a lei da \u00e9poca da ditadura est\u00e1 boa, mas \u00e9 melhor do que n\u00e3o ter lei\u201d, disse. Falou ainda que o direito de resposta era bom, e agora ele fica \u201cde acordo com a boa vontade de juiz de primeira inst\u00e2ncia\u201d. \u201cHoje, na \u00e1rea de imprensa, o Brasil vive um blackout jur\u00eddico\u201d, criticou.<br \/>\nPor fim, o presidente da Fenaj conclamou uma intifada contra os patr\u00f5es, em defesa da regulamenta\u00e7\u00e3o. \u201cSe eles tem canh\u00f5es, n\u00f3s temos pedras\u201d. Os patr\u00f5es, como n\u00e3o estavam presentes fisicamente (apenas espiritualmente, atrav\u00e9s do estudante supracitado), n\u00e3o puderam se defender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ana L\u00facia Behenck Mohr Uma discuss\u00e3o sobre a exig\u00eancia de diploma e sobre a (des)regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de jornalista. Os dois palestrantes desmereceram o debate que, mesmo assim, foi longe. Entenda por qu\u00ea. O debate ocorreu nesta quarta-feira na Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da PUC-RS, minutos depois do hor\u00e1rio marcado (20h). 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