{"id":507,"date":"2006-06-19T14:58:02","date_gmt":"2006-06-19T17:58:02","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=507"},"modified":"2006-06-19T14:58:02","modified_gmt":"2006-06-19T17:58:02","slug":"de-olho-no-plano-diretor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/de-olho-no-plano-diretor\/","title":{"rendered":"De olho no Plano Diretor"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/Cidade2\/moinhos_vive.jpg?0.4821841281209115\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"231\" \/><br \/>\n<\/strong><\/span><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o surgiu\u00a0 em fun\u00e7\u00e3o da descaracteriza\u00e7\u00e3o do bairro (Foto: T\u00e2nia Meinerz\/J\u00c1)<\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos movimentos comunit\u00e1rios mais fortes que surgiram em Porto Alegre nos \u00faltimos anos nasceu no Moinhos de Vento. A descaracteriza\u00e7\u00e3o do tradicional bairro, composto por casar\u00f5es que foram dando lugar a espig\u00f5es motivou a mobiliza\u00e7\u00e3o do grupo.<\/p>\n<p align=\"justify\">O que come\u00e7ou em conversas boca-a-boca de um pequeno n\u00facleo de moradores, logo deu lugar a abaixo-assinados, reuni\u00f5es at\u00e9 que, no final de 2002, se formou o Moinhos Vive, que serviu de modelo para outras comunidades que sofreram os efeitos do novo Plano Diretor.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os encontros peri\u00f3dicos registrados em ata e a forma\u00e7\u00e3o um conselho foram o embri\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o, que foi formalizada em setembro de 2003. Na \u00e9poca, o movimento j\u00e1 tinha obtido algumas vit\u00f3rias como uma a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a que impediu a demoli\u00e7\u00e3o de seis casar\u00f5es, na rua Luciana de Abreu.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com o tempo, o Moinhos Vive incorporou outros assuntos na sua pauta \u2013 em geral, as demandas do bairro, o que inclui seguran\u00e7a e esclarecimento sobre obras e interven\u00e7\u00f5es do servi\u00e7o p\u00fablico, caso da instala\u00e7\u00e3o da rede de g\u00e1s natural e da constru\u00e7\u00e3o do conduto for\u00e7ado \u00c1lvaro Chaves.<\/p>\n<p align=\"justify\">Indicado ao cargo de presidente, o advogado Raul Agostini foi reeleito em abril para o pr\u00f3ximo bi\u00eanio. Nesta entrevista, ele lembra a trajet\u00f3ria do movimento, suas principais conquistas e projeta atividades para esta nova gest\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #000000\">J\u00c1 &#8211; Qual <\/span>seu balan\u00e7o do Moinhos Vive?<br \/>\n<span style=\"color: #cc3300\">Raul Agostini<\/span><\/strong><span style=\"color: #cc3300\"> <\/span>&#8211; A Associa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 2002 tentando barrar a descaracteriza\u00e7\u00e3o do bairro. Especificamente, a partir de um projeto de constru\u00e7\u00e3o que iria causar a derrubada de v\u00e1rias casas na rua Luciana de Abreu. As pessoas despertaram para a necessidade de preservar o aspecto hist\u00f3rico-cultural. Um grupo come\u00e7ou a colher assinaturas, que chegaram a 10 mil, solicitando que fosse sustada a obra. Entramos com a\u00e7\u00f5es judiciais junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, que embargou a constru\u00e7\u00e3o. A empresa construtora recorreu e perdeu em primeiro e segunda inst\u00e2ncias. As casas permanecem l\u00e1, mas a defini\u00e7\u00e3o final est\u00e1 no Superior Tribunal Federal. Pareceres de historiadores e arquitetos apontam essa descaracteriza\u00e7\u00e3o do bairro. A rea\u00e7\u00e3o pode estar come\u00e7ando um pouco atrasada, mas ainda h\u00e1 tempo para salvar alguma coisa, apesar de que muito j\u00e1 foi destru\u00eddo. Isso se deve \u00e0 gan\u00e2ncia imobili\u00e1ria. \u00c0 ignor\u00e2ncia aliada \u00e0 sede de lucro.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1 &#8211; Que outras conquistas se destacam?<\/strong><br \/>\n<span style=\"color: #cc3300\"><strong>Raul Agostini<\/strong> &#8211; <\/span>Depois que j\u00e1 est\u00e1vamos mais organizados, agimos em outro epis\u00f3dio: queriam ampliar as cal\u00e7adas da Padre Chagas deixando apenas um corredor para os carros passarem. Era um estreitamento da pista para possibilitar que os bares e restaurantes avan\u00e7assem numa \u00e1rea p\u00fablica. Esse foi outro grande movimento que obtivemos sucesso. Pressionamos a Prefeitura e a id\u00e9ia n\u00e3o se consolidou.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1 &#8211; Como est\u00e1 a Associa\u00e7\u00e3o hoje?<br \/>\n<span style=\"color: #cc3300\">Raul Agostini<\/span><\/strong><span style=\"color: #cc3300\"> &#8211; <\/span>Temos um n\u00famero expressivo de participantes, tanto quantitativo quanto qualitativo. S\u00e3o cerca de 300 moradores integrados, numa estrutura razo\u00e1vel. Agora, inclusive, tivemos a elei\u00e7\u00e3o de diretoria. A primeira gest\u00e3o foi tamp\u00e3o, depois nos elegemos e, agora, nos reelegemos por mais dois anos. Nosso estatuto prev\u00ea apenas uma reelei\u00e7\u00e3o. Todas pessoas envolvidas acreditam na causa, que exige muito de cada um. Os integrantes tamb\u00e9m contribuem com uma anuidade de R$ 30.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1 &#8211; O Moinhos Vive ainda \u00e9 refer\u00eancia para outras associa\u00e7\u00f5es?<br \/>\n<\/strong><span style=\"color: #cc3300\"><strong>Raul Agostini<\/strong><span style=\"color: #cc3300\"> &#8211;<\/span> <\/span>Algumas entidades estavam embrion\u00e1rias ou estagnadas e, ap\u00f3s o nosso \u00eaxito nessas lutas, acabamos sendo exemplo para a forma\u00e7\u00e3o de outras associa\u00e7\u00f5es. O Moinhos Vive conseguiu motivar muito e hoje participa do movimento Porto Alegre Vive, que articula associa\u00e7\u00f5es de bairro. Auxiliamos em v\u00e1rias campanhas como a do armamento da Guarda Municipal e a da preserva\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores do t\u00fanel verde da Marqu\u00eas do Pombal, que seriam cortadas para a passagem do conduto \u00c1lvaro Chaves-Goethe.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1 &#8211; E a quest\u00e3o da seguran\u00e7a?<br \/>\n<span style=\"color: #cc3300\">Raul Agostini<\/span><\/strong><span style=\"color: #cc3300\"> &#8211;<\/span>Nossa id\u00e9ia \u00e9 que a Guarda Municipal se integre com a Brigada Militar para policiar toda a cidade. E tamb\u00e9m que estruturas bem montadas como a EPTC se unam a Guarda Municipal, exercendo uma fun\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva. S\u00e3o mais de 500 homens agregados \u00e0 Guarda Municipal. Tamb\u00e9m estamos integrados com outras organiza\u00e7\u00f5es, como o movimento Chega de Viol\u00eancia e, atrav\u00e9s de uma parceria com a Prefeitura, estamos engajados no aspecto social, porque a inseguran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pela falta de efetivo policial. A origem est\u00e1 nessa disparidade social chocante que vivemos. Ent\u00e3o, a id\u00e9ia \u00e9 adotar uma comunidade carente, provavelmente, a Vila dos Papeleiros. Essa inseguran\u00e7a talvez desperte a participa\u00e7\u00e3o social das pessoas.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1 &#8211; E nessa gest\u00e3o, quais s\u00e3o os objetivos?<br \/>\n<span style=\"color: #cc3300\">Raul Agostini<\/span><\/strong><span style=\"color: #cc3300\"> &#8211; <\/span>Temos o embate do Plano Diretor que ser\u00e1 debatido este ano. Somos absolutamente contr\u00e1rios a essas edifica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o levam em conta o meio ambiente e o ser humano que est\u00e1 inserido nele. A quest\u00e3o solar, a ventila\u00e7\u00e3o, mobilidade, tudo isso s\u00e3o fatores importantes. A Prefeitura imaginava que teria grande retorno com essa densifica\u00e7\u00e3o o que foi um grande engano. S\u00f3 o conduto \u00c1lvaro Chaves-Goethe, que vai resolver transitoriamente o problema, custar\u00e1 dezenas de milh\u00f5es de reais. No fim, quem paga essa obra \u00e9 toda a popula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 esmagada de tanto imposto. Temos que partir de exemplos mais civilizados onde existe o respeito ao meio ambiente, como no Canad\u00e1, onde as regras s\u00e3o r\u00edgidas. As edifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o erguidas dentro de certos limites.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>J\u00c1 &#8211; Que perspectivas tem o movimento?<br \/>\n<span style=\"color: #cc3300\">Raul Agostini<\/span><\/strong><span style=\"color: #cc3300\"> &#8211; <\/span>Nosso progn\u00f3stico \u00e9 otimista. O despertar da cidadania est\u00e1 ocorrendo em v\u00e1rios aspectos. Estamos cada vez mais conscientes de que os governos devem servir \u00e0 comunidade e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Vamos continuar a luta pelo respeito ao hor\u00e1rio das mesas nas cal\u00e7adas, fiscalizar o acordo de preserva\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores da rua Marqu\u00eas do Pombal, acompanhar os debates sobre o Plano Diretor, em especial os limites para constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Associa\u00e7\u00e3o surgiu\u00a0 em fun\u00e7\u00e3o da descaracteriza\u00e7\u00e3o do bairro (Foto: T\u00e2nia Meinerz\/J\u00c1) Um dos movimentos comunit\u00e1rios mais fortes que surgiram em Porto Alegre nos \u00faltimos anos nasceu no Moinhos de Vento. A descaracteriza\u00e7\u00e3o do tradicional bairro, composto por casar\u00f5es que foram dando lugar a espig\u00f5es motivou a mobiliza\u00e7\u00e3o do grupo. O que come\u00e7ou em conversas boca-a-boca [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-507","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-8b","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/507\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}