{"id":52084,"date":"2017-07-25T12:57:15","date_gmt":"2017-07-25T15:57:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=52084"},"modified":"2017-07-25T12:57:15","modified_gmt":"2017-07-25T15:57:15","slug":"a-volta-sem-vergonha-do-capitalismo-selvagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-volta-sem-vergonha-do-capitalismo-selvagem\/","title":{"rendered":"A volta sem-vergonha do capitalismo selvagem"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"m_-1711447092599400699article-title\"><span class=\"assina\">Geraldo Hasse<\/span><\/h2>\n<div class=\"m_-1711447092599400699date\">\n<div>Aprovada \u00e0s pressas, a reforma trabalhista favorece o mundo empresarial e vai precarizar dramaticamente a vida dos trabalhadores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As contradi\u00e7\u00f5es entre o novo e o antigo regime v\u00e3o desaguar na Justi\u00e7a do Trabalho, formada por uma maioria de ju\u00edzes inclinados a garantir o lado mais fraco da rela\u00e7\u00e3o trabalho-capital.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nesse aspecto, levando em considera\u00e7\u00e3o o pensamento dominante no Congresso Nacional, faz total sentido a declara\u00e7\u00e3o de um deputado antitrabalhista que disse na maior cara de pau: \u201cFeita a reforma, agora \u00e9 preciso acabar com a Justi\u00e7a do Trabalho\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"m_-1711447092599400699shortcode-content\">\n<div><\/div>\n<div>No entanto, se a Justi\u00e7a do Trabalho for desmantelada, ser\u00e1 dado o passo final para instalar o caos na economia e em diversos setores da vida nacional.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho vai escancarar a porteira para a a\u00e7\u00e3o de aventureiros internacionais adeptos do capitalismo selvagem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Basta lembrar que o recente boom econ\u00f4mico da China foi iniciado por capitais norte-americanos e europeus que buscaram o grande pa\u00eds asi\u00e1tico para desfrutar do baixo custo de sua m\u00e3o-de-obra.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Passadas duas d\u00e9cadas, por\u00e9m, os sal\u00e1rios melhoraram na China. Estariam os aventureiros procurando novos territ\u00f3rios de opera\u00e7\u00e3o? \u00c9 poss\u00edvel que o Brasil seja a bola da vez, no aspecto trabalhista.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na realidade, h\u00e1 ind\u00edcios concretos de que o capital internacional quer fazer do Brasil uma plataforma rent\u00e1vel de produ\u00e7\u00e3o global.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com a ajuda de brasileiros dispostos a servir como capachos (&#8220;testas de ferro&#8221;, segundo o jarg\u00e3o de 50 anos atr\u00e1s), os EUA e a Uni\u00e3o Europeia est\u00e3o conspirando mais ou menos abertamente para reduzir o \u00edndice de conte\u00fado nacional de equipamentos brasileiros de prospec\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, que se tornaram o fil\u00e9 da ind\u00fastria nativa desde a descoberta de petr\u00f3leo na camada pr\u00e9-sal da plataforma continental, em 2006.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ao analisar as plataformas de petr\u00f3leo constru\u00eddas em estaleiros nacionais em anos recentes, os advogados do diabo alegam que o custo brasil \u00e9 muito alto e a qualidade da m\u00e3o-de-obra, muito baixa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em outras palavras, querem nos fazer crer que o pa\u00eds n\u00e3o tem futuro sen\u00e3o como col\u00f4nia. \u00c9 a segunda vez que se desmantela a ind\u00fastria naval brasileira.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na primeira arrancada, ela durou cerca de 20 anos &#8212; da d\u00e9cada de 1950 aos anos 70. Agora, a retomada dos estaleiros durou o tempo dos governos petistas &#8212; pouco mais de uma d\u00e9cada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o se sabe at\u00e9 onde vai essa onda reacion\u00e1ria no plano trabalhista, mas trata-se de um retrocesso que faz o Brasil retornar a antes de 1932, quando Getulio Vargas iniciou a regulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho e da previd\u00eancia social.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A reforma das leis trabalhistas do governo Temer deixou intacta a Justi\u00e7a do Trabalho, que dever\u00e1 se tornar alvo de uma grande ofensiva conservadora para desfazer direitos consagrados e favorecer a implanta\u00e7\u00e3o de novas formas de rela\u00e7\u00f5es de trabalho, como est\u00e1 acontecendo com a multinacional Uber e seus motoristas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Onde caberia um novo pacto social modernizador, foi imposto goela abaixo das centrais sindicais dos trabalhadores um regramento que vai favorecer a parte mais forte da rela\u00e7\u00e3o capital-trabalho.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No m\u00ednimo, o resultado ser\u00e1 um boom de a\u00e7\u00f5es trabalhistas. No limite, como escreveu o jornalista Luis Nassif, &#8220;a reconquista dos direitos perdidos trar\u00e1 de volta as grandes batalhas campais dos prim\u00f3rdios do capitalismo.\u201d<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse Aprovada \u00e0s pressas, a reforma trabalhista favorece o mundo empresarial e vai precarizar dramaticamente a vida dos trabalhadores. As contradi\u00e7\u00f5es entre o novo e o antigo regime v\u00e3o desaguar na Justi\u00e7a do Trabalho, formada por uma maioria de ju\u00edzes inclinados a garantir o lado mais fraco da rela\u00e7\u00e3o trabalho-capital. 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