{"id":528,"date":"2006-09-06T15:20:55","date_gmt":"2006-09-06T18:20:55","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=528"},"modified":"2006-09-06T15:20:55","modified_gmt":"2006-09-06T18:20:55","slug":"ultimo-lojista-resiste-no-hortomercado-quintino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/ultimo-lojista-resiste-no-hortomercado-quintino\/","title":{"rendered":"\u00daltimo lojista resiste no Hortomercado Quintino"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Carla Ruas<\/span><br \/>\nPara desgosto de vizinhos e clientes, o Hortomercado Quintino, tradicional ponto de compras do bairro Moinhos de Vento, est\u00e1 quase desativado. Com mais de 30 anos de atividade, o local j\u00e1 reuniu 28 pequenas lojas, que formavam um excelente centro gastron\u00f4mico da cidade.<br \/>\nMas venceu, em 31 de agosto, o prazo final para o fechamento dos poucos estabelecimentos que ainda restavam no local. O galp\u00e3o na rua Quintino Bocai\u00fava foi negociado pelo propriet\u00e1rio. E ainda abriga um \u00faltimo lojista, que resiste \u00e0s press\u00f5es.<br \/>\n\u00c9 o dono da loja de especiarias Arco Verde, Gilberto Chies, que ainda ocupa um espa\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 em obras internas de desmanche. Mesmo assim, ele atende clientes, muitas vezes aflitos para saber o destino do seu com\u00e9rcio, que vende desde vinhos at\u00e9 nozes, queijos e temperos.<br \/>\n\u201cEstou aqui por tempo indeterminado\u201d, garante. Ele aguarda a determina\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a sobre o pre\u00e7o da indeniza\u00e7\u00e3o que vai receber para sair do seu ponto de venda nos os \u00faltimos 28 anos.<br \/>\nChies: &#8220;Passei quase 30 anos fazendo minha clientela&#8221;<br \/>\n\u201cN\u00e3o \u00e9 justo sair por uma bagatela\u201d, diz ele, referindo-se ao valor pago de indeniza\u00e7\u00e3o \u00e0s outras 10 lojas que entraram com a\u00e7\u00f5es judiciais: cada uma recebeu cerca de R$ 500 mil.<br \/>\nOutra preocupa\u00e7\u00e3o de Chies \u00e9 com a mudan\u00e7a dos mais de mil itens que ainda guarda no estoque da loja. \u201cEstou procurando um lugar grande e perto, porque passei quase 30 anos fazendo minha clientela do bairro\u201d.<br \/>\nO comerciante lamenta que os lojistas n\u00e3o foram avisados com grande anteced\u00eancia de que teriam de abandonar seus pontos. Ele lembra que tudo come\u00e7ou h\u00e1 tr\u00eas anos, quando as lojas que iam sendo desocupadas ficavam vazias, sem receber novos inquilinos.<br \/>\n\u201cTinha uma placa na frente dizendo que o local ia ser alugado, mas os propriet\u00e1rios estavam fazendo exatamente o contr\u00e1rio\u201d, reclama. Logo, o esvaziamento gradativo come\u00e7ou a incomodar. Quanto menos lojas alugadas, menor a movimenta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<br \/>\nPara o propriet\u00e1rio da loja Del\u00edcias do Mundo, Mauricio Gon\u00e7alves, a sa\u00edda do Hortomercado acabou sendo uma ben\u00e7\u00e3o. Depois de 30 anos vendendo no local, ele foi um dos \u00faltimos a sair em agosto.<br \/>\n\u201cJ\u00e1 eram poucas pessoas freq\u00fcentando e as vendas ficaram muito ruins\u201d. Com a indeniza\u00e7\u00e3o recebida, ele montou uma loja na rua Benjamin Constant, n\u00ba 761. \u201cEstamos muito bem e os clientes s\u00e3o os mesmos\u201d, garante.<br \/>\nMas a freq\u00fcentadora de anos do local, Maria Helena Preis, diz que o atrativo do Hortomercado era encontrar tudo no mesmo lugar. \u201cEra um espet\u00e1culo\u201d, resume. Hoje ela est\u00e1 muito decepcionada com o fechamento dos estabelecimentos. \u201cCada vez que venho tem menos lojas, \u00e9 uma pena\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Fim de uma tradi\u00e7\u00e3o<\/span><br \/>\nA parte interna do galp\u00e3o est\u00e1 em fase avan\u00e7ada de desmanche.<br \/>\nO Hortomercado abriu as portas em 1975, e tinha como principal atrativo o supermercado de produtos b\u00e1sicos Cobal. O galp\u00e3o ainda comportava diversas lojas que complementavam as necessidades dos clientes, e por isso passou a ser muito freq\u00fcentado.<br \/>\nNo in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, o supermercado fechou e por cinco anos as pequenas lojas sobreviveram sozinhas. Depois desse per\u00edodo, a rede de supermercados Rissul ocupou o espa\u00e7o por quatro anos.<br \/>\nNestes \u00e1ureos tempos, o hortomercado ganhou status de centro gastron\u00f4mico e oferecia, al\u00e9m das lojas de frutas e verduras, tamb\u00e9m restaurante, bar, floricultura, peixaria e queijaria. Com o fechamento do Rissul, as lojas ficaram isoladas novamente.<br \/>\nPara Chies, este fator n\u00e3o \u00e9 determinante para a sobreviv\u00eancia dos estabelecimentos. Ele sonha com a continuidade do Hortomercado com caracter\u00edsticas semelhantes ao centro de compras mais tradicional de Porto Alegre.<br \/>\n\u201cSe a Prefeitura comprasse esse galp\u00e3o, n\u00e3o precisaria investir nas lojas e teria um segundo Mercado P\u00fablico\u201d, acredita. Assim, o ponto seria incorporado \u00e0 mem\u00f3ria da cidade e n\u00e3o destru\u00eddo. \u201cN\u00e3o sabemos nem porque o pr\u00e9dio est\u00e1 sendo vendido\u201d, lamenta.<br \/>\nAssim, o grande terreno na Quintino Bocai\u00fava, entre Marqu\u00eas do Pombal e Crist\u00f3v\u00e3o Colombo deve mesmo dar lugar a um novo empreendimento no bairro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Ruas Para desgosto de vizinhos e clientes, o Hortomercado Quintino, tradicional ponto de compras do bairro Moinhos de Vento, est\u00e1 quase desativado. Com mais de 30 anos de atividade, o local j\u00e1 reuniu 28 pequenas lojas, que formavam um excelente centro gastron\u00f4mico da cidade. 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