{"id":52846,"date":"2017-08-05T14:02:09","date_gmt":"2017-08-05T17:02:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=52846"},"modified":"2017-08-05T14:02:09","modified_gmt":"2017-08-05T17:02:09","slug":"porto-alegre-por-que-nao-comprar-a-briga-com-as-empresas-de-onibus-questiona-economista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/porto-alegre-por-que-nao-comprar-a-briga-com-as-empresas-de-onibus-questiona-economista\/","title":{"rendered":"\u201cPor que n\u00e3o comprar briga com as empresas de \u00f4nibus?\u201d, questiona economista da FEE"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Matheus Chaparini<\/span><br \/>\nAndr\u00e9 Coutinho Augustin \u00e9 economista da FEE, pesquisador na \u00e1rea de tr\u00e2nsito. Nos \u00faltimos anos, Augustin vem acompanhando a situa\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico de Porto Alegre e as pol\u00edticas da Prefeitura neste sentido.<br \/>\nNa sua avalia\u00e7\u00e3o, tanto a gest\u00e3o anterior quanto a atual priorizam o carro, o transporte individual, em detrimento do coletivo. O economista afirma que as a\u00e7\u00f5es da Prefeitura tendem \u00e0 fal\u00eancia do sistema e questiona por que n\u00e3o mexer tamb\u00e9m com as empresas<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Como tu avalia as recentes medidas sobre o transporte p\u00fablico de Porto Alegre? Como elas v\u00e3o impactar o sistema?<\/span><br \/>\nO prefeito fala que o sistema est\u00e1 falido e que\u00a0 5 mil multas foram aplicadas nas empresas este ano. Bom, mas se foram aplicadas estas multas \u00e9 porque elas n\u00e3o estavam cumprindo o que obriga a legisla\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o elas recebem de brinde um aumento de passagem e a redu\u00e7\u00e3o de isen\u00e7\u00f5es porque n\u00e3o est\u00e3o cumprindo hor\u00e1rio e est\u00e3o tomando muita multa? \u00c9 muito bizarro.<br \/>\nEu peguei o documento que justifica o aumento da passagem no in\u00edcio do ano, que \u00e9 uma das principais mentiras deles. Eles fazem o c\u00e1lculo de quanto reduziria a passagem se retirasse cada isen\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que qual o problema disso? Eles sup\u00f5em que se acabar com a isen\u00e7\u00e3o, aquelas pessoas v\u00e3o continuar usando o \u00f4nibus do mesmo jeito. Ent\u00e3o, teve 23 milh\u00f5es de estudantes em 2016, eles sup\u00f5em que se acabar com o desconto para estudante, v\u00e3o continuar 23 milh\u00f5es de estudantes por ano.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">A retirada de isen\u00e7\u00f5es vai fazer cair o n\u00famero de passageiros?<\/span><br \/>\nCom certeza. Se estudante que paga meia vai pagar inteira, ele vai andar menos de \u00f4nibus. E o c\u00e1lculo sup\u00f5e que vai continuar o mesmo n\u00famero ou aumentar. \u00c9 uma suposi\u00e7\u00e3o absurda.<br \/>\nO n\u00famero total de isentos n\u00e3o aumentou muito nos \u00faltimos 20 anos, a participa\u00e7\u00e3o sim. Porque est\u00e1 caindo os pagantes. Andar de \u00f4nibus est\u00e1 ficando muito caro, est\u00e1 cada vez pior o servi\u00e7o e andar de carro est\u00e1 barato, tem Uber, tem outras coisas.<br \/>\nN\u00f3s temos um ciclo vicioso no transporte p\u00fablico de Porto Alegre, onde o pre\u00e7o da passagem faz diminuir os passageiros e essa queda aumenta o pre\u00e7o da passagem, que tende ao colapso do sistema. Se tem uma leitura de para onde est\u00e1 fugindo este passageiros e como traz\u00ea-lo de volta?<br \/>\nTem duas coisas. Uma \u00e9 que h\u00e1 muito tempo no Brasil que se incentiva o uso de carro. O custo de andar de carro est\u00e1 crescendo menos que a infla\u00e7\u00e3o no Brasil h\u00e1 pelo menos 20 anos. E ainda teve um per\u00edodo de aumento de renda, as pessoas \u00a0tinha mais dinheiro e podiam andar mais de carro. Ent\u00e3o, aumentou muito a frota de carro e est\u00e1 caindo o n\u00famero de passageiros h\u00e1 muito tempo.<br \/>\nO que piorou nos \u00faltimos dois ou tr\u00eas anos, \u00e9 que com a crise aumentou o desemprego. Muita gente que andava de \u00f4nibus est\u00e1 desempregado e anda muito menos, porque n\u00e3o vai para o trabalho, que \u00e9 o principal uso do \u00f4nibus, e nas horas vagas n\u00e3o tem dinheiro porque a passagem est\u00e1 cara. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o conjuntural, que acelerou no ano passado, que n\u00e3o cabe \u00e0 Prefeitura resolver, que \u00e9 a crise econ\u00f4mica brasileira.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">E o que se pode fazer para trazer esses passageiros de volta?<\/span><br \/>\nTem um dado que \u00e9 importante. O IPK \u00e9 o \u00edndice de passageiros por quil\u00f4metro, usado para calcular a tarifa. Desde 1996, todos os anos ele caiu. O \u00fanico ano que aumentou foi em 2008, que foi o ano que criaram o desconto (de 50%) na segunda passagem. Tudo bem que era um momento que estava aumentando o emprego. Mas como teve esse esquema de pegar a segunda passagem e pagar s\u00f3 meia, aumentou as isen\u00e7\u00f5es mas aumentou tamb\u00e9m o IPK.<br \/>\nEnt\u00e3o essa ideia da Prefeitura de que se tu aumenta isen\u00e7\u00e3o tu diminui o n\u00famero de pagantes n\u00e3o \u00e9 verdade. Tu pode trazer mais gente para usar o \u00f4nibus e no total tu tem mais gente pagando passagem.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">A EPTC relaciona a gratuidade da segunda passagem, a partir de 2011, com os preju\u00edzos da Carris, que come\u00e7am no mesmo ano. Como tu v\u00ea esta rela\u00e7\u00e3o?<\/span><br \/>\n\u00c9 um argumento completamente mentiroso. Porque as empresas apresentam o custo por quil\u00f4metro e a EPTC divide pelo \u00edndice de passageiros pagantes. No momento em que tu d\u00e1 a segunda passagem isenta, tu divide este custo entre as pessoas que est\u00e3o pagando. E aumentou a passagem por isso. Ent\u00e3o este custo foi dividido entre todo mundo que pagou a passagem. Isto est\u00e1 na tarifa. A n\u00e3o ser que eles admitam que o c\u00e1lculo deles est\u00e1 errado.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">A leitura da Prefeitura \u00e9 que o sistema est\u00e1 falido&#8230;<br \/>\n<\/span><br \/>\nA Prefeitura est\u00e1 se esfor\u00e7ando para falir o sistema. Toda sua pol\u00edtica tem acabar com o sistema de transporte p\u00fablico e incentivar o transporte individual. O centro, por exemplo, \u00e9 o bairro mais f\u00e1cil de chegar de \u00f4nibus. O que o mundo todo faz, a Europa, diversos pa\u00edses, \u00e9 limitar o uso do carro no centro, porque gera muito engarrafamento e polui\u00e7\u00e3o, e incentiva o transporte p\u00fablico ou a bicicleta. Aqui n\u00e3o, aqui \u00e9 o contr\u00e1rio.<br \/>\nO prefeito anterior derrubou as \u00e1rvores da pra\u00e7a (J\u00falio Mesquita)\u00a0para alargar rua e ficar mais f\u00e1cil de chegar de carro no centro, alegando que ningu\u00e9m usava as \u00e1rvores. Agora tem projeto de derrubar parte dos armaz\u00e9ns hist\u00f3ricos do Cais para ter mais estacionamento e mais gente poder ir de carro pro centro. A Prefeitura gasta uma grana todo ano asfaltando rua para o carro poder andar, mas n\u00e3o pode usar dinheiro para subsidiar \u00f4nibus. Quantos milh\u00f5es se gasta com asfalto, com viaduto para os carros? Gastar dinheiro p\u00fablico para os carros, pode. Mas gastar qualquer dinheiro com transporte p\u00fablico \u00e9 interven\u00e7\u00e3o do Estado, \u00e9 feio, \u00e9 coisa de comunista, n\u00e3o pode.<br \/>\nEnt\u00e3o n\u00e3o \u00e9 que o sistema est\u00e1 falido por si s\u00f3, a Prefeitura est\u00e1 se esfor\u00e7ando para falir o sistema, desde o governo anterior. O que a Prefeitura poderia fazer para evitar essa fal\u00eancia \u00e9, por exemplo, fazer auditoria nas empresas. \u00c9 n\u00e3o aceitar, por exemplo, que as empresas apresentem nota fiscal de combust\u00edvel acima do valor de mercado, o que a Prefeitura tem aceitado. Ent\u00e3o por que n\u00e3o fazer isso? Por que n\u00e3o comprar a briga com as empresas?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matheus Chaparini Andr\u00e9 Coutinho Augustin \u00e9 economista da FEE, pesquisador na \u00e1rea de tr\u00e2nsito. Nos \u00faltimos anos, Augustin vem acompanhando a situa\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico de Porto Alegre e as pol\u00edticas da Prefeitura neste sentido. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, tanto a gest\u00e3o anterior quanto a atual priorizam o carro, o transporte individual, em detrimento do coletivo. 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