{"id":53450,"date":"2017-08-14T12:37:33","date_gmt":"2017-08-14T15:37:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=53450"},"modified":"2017-08-14T12:37:33","modified_gmt":"2017-08-14T15:37:33","slug":"pms-ocupam-audiencia-em-universidade-paulista-e-discutem-com-alunos-e-professores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/pms-ocupam-audiencia-em-universidade-paulista-e-discutem-com-alunos-e-professores\/","title":{"rendered":"PMs ocupam audi\u00eancia em universidade paulista e discutem com alunos e professores"},"content":{"rendered":"<p>O caso aconteceu na Unifesp da Baixada Santista, em S\u00e3o Paulo. Policiais militares, com placas de \u201cBolsonaro 2018\u201d, compareceram em peso na audi\u00eancia p\u00fablica sobre o Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos para aprovar pautas que retiram conceitos de direitos humanos da educa\u00e7\u00e3o. Alunos e professores foram amea\u00e7ados e intimidados.<br \/>\nAlunos e professores da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (UNIFESP) do campus Baixada Santista (SP) est\u00e3o assustados com o que aconteceu na \u00faltima sexta-feira (11). \u00a0Foi realizada na universidade, sem muita divulga\u00e7\u00e3o, uma audi\u00eancia p\u00fablica, convocada pelo\u00a0Conselho Estadual da Condi\u00e7\u00e3o Humana, para discutir o texto do Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos de S\u00e3o Paulo. A comunidade acad\u00eamica, de acordo com relatos, foi surpreendida por uma presen\u00e7a massiva de policiais militares \u2013 eram cerca de 100 agentes, entre fardados e \u00e0 paisana.<br \/>\nSegundo professores e alunos, muitos desses policiais portavam placas com os dizeres \u201cBolsonaro 2018\u201d e \u201cDireitos humanos para humanos direitos\u201d. Intrigados, estudantes e docentes resolveram participar da audi\u00eancia e, ent\u00e3o, constataram que os policiais estavam ali, na verdade, para aprovar pautas no plano que limitam o conceito de direitos humanos na educa\u00e7\u00e3o. Entre as propostas dos policiais, estava\u00a0\u201cmudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolu\u00e7\u00e3o de 1964\u201d, \u201cretirar a discuss\u00e3o de g\u00eanero nas escolas\u201d, entre outras medidas.<br \/>\nDe acordo com a Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da Unifesp (ADUNIFESP), que divulgou nota de rep\u00fadio sobre o caso, os policiais n\u00e3o queriam deixar os docentes e estudantes participarem da audi\u00eancia sob o argumento de que eles n\u00e3o estavam l\u00e1 desde o in\u00edcio. Como a comunidade acad\u00eamica protestou, os PMs teriam come\u00e7ado a desferir xingamentos como \u201cvagabundos\u201d e fazer intimida\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as, como film\u00e1-los. Ainda mais grave, teriam disparado frases como \u201cDepois morre e n\u00e3o sabe o porqu\u00ea!\u201d ou \u201cQuando precisarem da pol\u00edcia, chamem o Batman\u201d.<br \/>\nA reportagem da\u00a0F\u00f3rum\u00a0entrou em contato com a secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica, respons\u00e1vel pela Pol\u00edcia Militar, para que se posicionasse quanto \u00e0s den\u00fancias aqui apresentadas mas n\u00e3o obteve retorno at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria.<br \/>\nConfira, abaixo, a nota da ADUNIFESP detalhando o epis\u00f3dio.<br \/>\n<em>Manifestamos nosso mais profundo rep\u00fadio ao que ocorreu na Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, Campus Baixada Santista, na noite de 11 de agosto de 2017, durante a Audi\u00eancia P\u00fablica convocada pelo Conselho Estadual da Condi\u00e7\u00e3o Humana para discutir o texto do Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos de S\u00e3o Paulo.<\/em><br \/>\n<em>Desde \u00e0s 18h o campus foi ocupado por policiais, muitos fardados e inicialmente armados (foi exigido que guardassem as armas). A cal\u00e7ada do port\u00e3o principal ficou abarrotada de viaturas da Pol\u00edcia Militar. A comunidade acad\u00eamica que ali se encontrava para as atividades di\u00e1rias tinha pouca informa\u00e7\u00e3o a respeito e ficou estarrecida quando soube que se tratava de uma audi\u00eancia em que seriam definidos os rumos da educa\u00e7\u00e3o em direitos humanos e, mais ainda, quando compreendeu que os policiais militares (que a esta altura chegavam a quase cem) defendiam a proposta de eliminar conte\u00fados fundamentais \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Estes bradavam por \u201cdireitos humanos aos humanos direitos\u201d, \u201cmudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolu\u00e7\u00e3o de 1964\u201d, \u201cretirar a discuss\u00e3o de g\u00eanero nas escolas\u201d, etc<\/em><br \/>\n<em>Professores, t\u00e9cnicos e estudantes que estavam no campus, ap\u00f3s tomarem conhecimento do que ocorria, decidiram participar da audi\u00eancia e foram hostilizados pela tropa, que tentou impedir que votassem, sob o argumento de que n\u00e3o estavam l\u00e1 desde o in\u00edcio. Houve at\u00e9 gritos de \u201cvagabundos\u201d. Se fazem isso contra quem estava no pr\u00f3prio espa\u00e7o de trabalho e estudo (muitos descendo da sala de aula), o que n\u00e3o far\u00e3o com pessoas mais vulner\u00e1veis em um pa\u00eds com cerca de treze milh\u00f5es de desempregados?<\/em><br \/>\n<em>Estudantes e professores que se manifestaram pacificamente com cartazes em defesa da Escola P\u00fablica e dos Diretos Humanos tamb\u00e9m foram hostilizados. Ouviram-se frase macabras, como \u201cDepois morre e n\u00e3o sabe o porqu\u00ea!\u201d ou \u201cQuando precisarem da pol\u00edcia, chamem o Batman\u201d. Al\u00e9m disso, um grupo de militares e seus apoiadores come\u00e7ou a fazer cartazes com \u201cBolsonaro 2018\u201d, \u201cLiberdade sem libertinagem\u201d, \u201cPode confiar #\u201d. Situa\u00e7\u00e3o preocupante em que os que defendem a \u201cescola sem partido\u201d partidarizam sua atua\u00e7\u00e3o portando as vestes e as ins\u00edgnias de uma corpora\u00e7\u00e3o militar. Ainda mais lament\u00e1vel: a alta patente fardada nada fez para controlar seus subordinados que, ali\u00e1s, quase agrediram fisicamente algumas docentes e estudantes.<\/em><br \/>\n<em>Feita a leitura do texto-base do Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos de S\u00e3o Paulo, come\u00e7ou a \u201cvota\u00e7\u00e3o\u201d. O que se viu foi um verdadeiro espet\u00e1culo de horror. Depois de perderem uma proposta, militares agrediram verbalmente professores e estudantes, chamando-os \u2013 mais uma vez \u2013 de \u201cvagabundos\u201d. Nas vota\u00e7\u00f5es subsequentes, intimidaram-nos fazendo pessoalmente a contagem dos votos e filmando, fotografando e olhando de modo amea\u00e7ador cada um que votava contra a posi\u00e7\u00e3o deles. Ao longo da noite, a comunidade acad\u00eamica correu s\u00e9rios riscos.<\/em><br \/>\n<em>Foi aprovada a supress\u00e3o de qualquer refer\u00eancia a direitos humanos no plano estadual; foi eliminado o item que obrigava o Estado a garantir a perman\u00eancia e combater a evas\u00e3o escolar das minorias; foi suprimida a obriga\u00e7\u00e3o de formar agentes de seguran\u00e7a p\u00fablica com base nos princ\u00edpios dos direitos humanos.<\/em><br \/>\n<em>Apesar do temor, a comunidade acad\u00eamica resistiu pacificamente. Externamos nossa forte preocupa\u00e7\u00e3o com quem pretende, na base do grito, se sobrepor \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos, \u00e0 liberdade de pesquisa, \u00e0 democracia e \u00e0 autonomia universit\u00e1ria.<\/em><br \/>\n<em> A Adunifesp-SSind entende que este ato abusivo e autorit\u00e1rio se insere num movimento maior de ataques \u00e0 democracia e aos direitos humanos em curso em nosso pa\u00eds. Tamb\u00e9m o fato de que ele tenha ocorrido dentro da Unifesp escancara o processo de demoniza\u00e7\u00e3o e ataque \u00e0s Universidades P\u00fablicas que \u00e9 impetrado hoje em dia por setores reacion\u00e1rios da sociedade.\u00a0<\/em><br \/>\n<em> Por fim, repudiamos veementemente o modo como ocorreu a vota\u00e7\u00e3o e solicitamos que o Conselho Estadual da Condi\u00e7\u00e3o Humana desconsidere o resultado desta \u201cconsulta\u201d.<\/em><br \/>\n<em>Queremos esclarecimentos sobre a utiliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo para epis\u00f3dios desta natureza. Manifestamos nossa preocupa\u00e7\u00e3o com a integridade f\u00edsica dos professores, t\u00e9cnicos e estudantes que ali defendiam o ensino p\u00fablico e de qualidade, a escola sem morda\u00e7a, a perman\u00eancia dos direitos humanos como princ\u00edpio norteador da educa\u00e7\u00e3o. Exigimos que as chamadas autoridades competentes manifestem posi\u00e7\u00e3o urgente e clara sobre o ocorrido, especialmente no tocante \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre disciplina da tropa e Estado de direito.<\/em><br \/>\nADUNIFESP \u2013 SSind<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.revistaforum.com.br\/2017\/08\/13\/pm-ocupa-audiencia-publica-em-universidade-e-intimida-alunos-e-professores\/\">Revista F\u00f3rum<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caso aconteceu na Unifesp da Baixada Santista, em S\u00e3o Paulo. Policiais militares, com placas de \u201cBolsonaro 2018\u201d, compareceram em peso na audi\u00eancia p\u00fablica sobre o Plano Estadual de Educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos para aprovar pautas que retiram conceitos de direitos humanos da educa\u00e7\u00e3o. Alunos e professores foram amea\u00e7ados e intimidados. 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