{"id":5367,"date":"2009-06-30T16:21:31","date_gmt":"2009-06-30T19:21:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=5367"},"modified":"2009-06-30T16:21:31","modified_gmt":"2009-06-30T19:21:31","slug":"em-lua-de-mel-com-os-fas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/em-lua-de-mel-com-os-fas\/","title":{"rendered":"Em lua-de-mel com os f\u00e3s"},"content":{"rendered":"<p>Por <strong>Bruno Cobalchini Mattos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" title=\"Marcelo_Camelo\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/Marcelo_Camelo-300x450.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Marcelo Camelo vive um bom momento de sua carreira. Passados dois anos desde o an\u00fancio do recesso dos Los Hemanos, o ex-guitarrista, compositor e vocalista da banda sobreviveu bem \u00e0 separa\u00e7\u00e3o: seu primeiro \u00e1lbum solo, Sou, teve boa recep\u00e7\u00e3o por parte do p\u00fablico. Em Porto Alegre, o show de lan\u00e7amento estava lotado. Era outubro, e o disco estava nas lojas havia pouco mais de um m\u00eas, mas todos na plateia j\u00e1 sabiam as letras de cor. Camelo foi acompanhado no concerto pela banda paulista Hurtmold, um dos\u00a0grupos mais interessantes da cena independente nacional \u2013 e que excursiona com ele desde o ano passado. Marcelo Camelo volta a se apresentar em Porto Alegre no pr\u00f3ximo dia 19, no Teatro do Bourbon Country. Em entrevista exclusiva, ele fala sobre musicalidade, seu projeto paralelo, Ivete Sangalo e as verdadeiras influ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>J\u00e1 &#8211; Passado quase um ano desde o lan\u00e7amento de Sou, como voc\u00ea avalia o conv\u00edvio com o Hurtmold? Que influ\u00eancia eles tiveram na maneira como voc\u00ea faz e percebe m\u00fasica?<\/strong><br \/>\n<strong>Camelo &#8211; <\/strong>Eu j\u00e1 conhecia a banda bem, os discos. Nosso conv\u00edvio tem sido \u00f3timo. Eles s\u00e3o muito parecidos e muito diferentes de mim ent\u00e3o tem assunto que n\u00e3o acaba mais. Eles s\u00e3o minha porta de entrada pra S\u00e3o Paulo, que \u00e9 uma cidade totalmente nova pra mim. Procuro viv\u00ea-la com a ajuda dos olhos deles. Ent\u00e3o s\u00e3o meus anfitri\u00f5es, meus amigos novos. Conhe\u00e7o os pais deles, os amigos mais pr\u00f3ximos, as mulheres. Conhe\u00e7o a turma deles e isso me influencia como ser humano. \u00c9 assim se dando que a gente consegue receber mesmo as coisas importantes. As influ\u00eancias verdadeiras. As coisas que transformam nosso olhar sobre as outras coisas.<br \/>\n<strong><br \/>\n<strong>J\u00e1\u00a0&#8211;<\/strong> No disco voc\u00ea trabalhou com um grande n\u00famero de m\u00fasicos convidados. De certa forma, isso acabou dando ao \u00e1lbum um ar de encontro de amigos. Como voc\u00ea faz para reproduzir isso ao vivo, sem as participa\u00e7\u00f5es especiais?<\/strong><br \/>\n<strong>Camelo &#8211; <\/strong>Eu n\u00e3o tento reproduzir o disco no palco. Arranjei tudo novamente com os Hurtmold pra gente montar um show. Acho que as m\u00fasicas j\u00e1 existem pra mim em formato solit\u00e1rio, j\u00e1 que eu as fa\u00e7o sozinho, ent\u00e3o n\u00e3o tenho muito pudor em transform\u00e1-las naquilo que eu quiser naquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>J\u00e1 &#8211; Na \u00e9poca em que saiu o disco, um amigo meu dizia que Menina Bordada parecia m\u00fasica da Ivete Sangalo. E \u00e9 interessante, porque agora voc\u00ea apareceu no DVD dela. Pode ter rolado essa influ\u00eancia?<\/strong><br \/>\n<strong>Camelo &#8211;<\/strong> A Ivete sempre foi uma influ\u00eancia pra mim, desde a banda Eva. Eu acho que os baianos foram quem melhor transformaram um imagin\u00e1rio brasileiro em cultura de massa. Mas pra quem est\u00e1 de longe uma marchinha s\u00f3 lembra o Chico Buarque, uma batida africana s\u00f3 lembra a Ivete, um forr\u00f3 o Gonzag\u00e3o.<br \/>\n<strong><br \/>\nJ\u00e1 &#8211; Saudade e Passeando s\u00e3o m\u00fasicas que t\u00eam grava\u00e7\u00f5es alternativas no disco, tocadas no piano por Clara Sverner. Por que deixar as duas vers\u00f5es de cada uma no trabalho final? Voc\u00ea acha que a mudan\u00e7a de contexto deu um novo sentido para as melodias?<\/strong><br \/>\n<strong>Camelo &#8211;<\/strong> N\u00e3o. N\u00e3o sei se h\u00e1 sentido numa melodia. Mas eu gosto das duas vers\u00f5es ent\u00e3o coloquei as duas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>J\u00e1 &#8211; Conversa de Botas Batidas, m\u00fasica da \u00e9poca do Los Hermanos, \u00e9 um di\u00e1logo que voc\u00ea imaginou a partir de uma not\u00edcia de jornal. E agora, em Sou, voc\u00ea utilizou sons incidentais como, por exemplo, uma m\u00e1quina de lavar roupa. O que significa para voc\u00ea trabalhar com elementos da vida cotidiana?<\/strong><br \/>\n<strong>Camelo &#8211; <\/strong>Minha m\u00fasica \u00e9 cada vez mais org\u00e2nica, pelo menos at\u00e9 este disco foi assim. Meio naturalista, realista, que nem as fotos de divulga\u00e7\u00e3o. Quando vou no apartamento em que fiz estas m\u00fasicas eu lembro do porqu\u00ea delas. \u00c9 quase como se elas existissem a partir daquele determinado lugar. Estes sons que habitam o disco est\u00e3o nas m\u00fasicas tamb\u00e9m, s\u00e3o m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>J\u00e1 &#8211; Que escritores voc\u00ea mais gosta? Como eles influenciam as letras que voc\u00ea comp\u00f5e?<br \/>\nCamelo &#8211;<\/strong> Eu gosto muito mais da l\u00edngua falada do que da escrita. Minha atra\u00e7\u00e3o sempre foi pelo som. A escrita tamb\u00e9m tem som, mas \u00e9 como se a fala j\u00e1 fosse o pr\u00f3prio som. Me interessa mais. Um discurso tem musicalidade e geralmente ela d\u00e1 muito mais raz\u00e3o a quem fala do que o pr\u00f3prio significado das palavras. Tente assistir a uma discuss\u00e3o em uma l\u00edngua que voc\u00ea n\u00e3o conhece e \u00e9 muito f\u00e1cil, na maioria das vezes, escolher quem tem a raz\u00e3o. Gosto da m\u00fasica que tem na fala do dublador do Gene Hackman. Gosto de ouvir o Mano Brown falando, o Robert Anton Wilson, gosto da m\u00fasica da fala do Chico Anysio, que faz profissionalmente isso. Quem tem uma m\u00fasica boa na fala \u00e9 o garoto que apresenta o programa de video game do Multishow, uma entona\u00e7\u00e3o diferente que eu acho carism\u00e1tica. Nando Reis fala muito bonito. O texto das crian\u00e7as \u00e9 muito simples e po\u00e9tico tamb\u00e9m, muitas vezes. Tem um exemplo que eu acho cl\u00e1ssico de argumenta\u00e7\u00e3o que \u00e9 de uma menina alem\u00e3. Ela falou sobre picha\u00e7\u00e3o: &#8220;o pessoal acha que picha\u00e7\u00e3o deixa a cidade suja mas eu n\u00e3o acho. Eu acho que ela fica bonita&#8221;. Porra, vai contra argumentar que eu quero ver! \u00c9 que nem aquela do Cesare Pavesi que diz que poema \u00e9 quando um idiota olha pro mar e diz que parece azeite. Ah, de escritor tem o Shakespeare que falado em ingl\u00eas \u00e9 demais de bonito. Esse cara era muito musical. Eu tenho um amigo tamb\u00e9m chamado Ca\u00edto Manier que escreve praquele programa Larica Total, que tem o texto mais impressionantemente musical que j\u00e1 ouvi. Ele \u00e9 de Niteroi, mesma terra do De Leve, um rapper que tamb\u00e9m tem essa esp\u00e9cie de musicalidade estranha, travada e r\u00edtmica ou suave e doce, esses caras fazem o que querem com os sentidos. Eles entendem de din\u00e2mica e t\u00eam compreens\u00e3o avan\u00e7ada do som na l\u00edngua. Esses caras s\u00e3o mestres da escrita pra mim. O Ca\u00edto \u00e9 demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>J\u00e1 &#8211; Conte um pouco da hist\u00f3ria dos Imprevis\u00edveis (projeto paralelo lan\u00e7ado atrav\u00e9s do MySpace).<br \/>\nCamelo &#8211; <\/strong>N\u00e3o tem muita hist\u00f3ria. Eu sempre fa\u00e7o estas conversas musicais quando estou em casa com os amigos. Se deixar um instrumento na m\u00e3o de cada um, alguma coisa que sai som, uma hora acaba virando aquilo que \u00e9 uma improvisa\u00e7\u00e3o a partir do som usando instrumentos musicais. \u00c9 tipo uma conversa que acontece mesmo. Uma comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o- verbal que pode ser executada mesmo por quem n\u00e3o treina um instrumento h\u00e1 anos. \u00c9 s\u00f3 tentar. Deixa um instrumento na m\u00e3o de cada um e uma hora nego para de falar e come\u00e7a a tocar um com o outro. \u00c9 uma transforma\u00e7\u00e3o grandiosa esse momento. O mecanismo \u00e9 muito parecido com o da fala ent\u00e3o vira uma esp\u00e9cie de conversa. D\u00e1 pra entender a fun\u00e7\u00e3o e a origem da l\u00edngua e da m\u00fasica e de tudo, \u00e9 demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>J\u00e1 &#8211; No show que voc\u00ea fez em Porto Alegre no ano passado o pessoal da produ\u00e7\u00e3o subiu no palco para tocar tambores em Copacabana. Como surgiu essa participa\u00e7\u00e3o, e como isso mexe na maneira com que a banda e a equipe se relacionam ao longo da turn\u00ea?<br \/>\nCamelo &#8211; <\/strong>Eles na verdade j\u00e1 est\u00e3o ali o show inteiro, ajudando a gente mas sem tocar. O Paulinho, que \u00e9 roadie, \u00e9 da bateria da Gavi\u00f5es e colocou pilha de tocar na m\u00fasica. Arrumou um repique pro Guto que \u00e9 diretor de palco, o Heroi que tamb\u00e9m \u00e9 roadie n\u00e3o quis ficar de fora e trouxe o cavaco. Somos todos amigos de profiss\u00e3o, num barco que depende de todos n\u00f3s pra funcionar direito. Nos entendemos bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>J\u00e1 &#8211; Quais as suas perspectivas pro show do dia 19?<br \/>\nCamelo &#8211; <\/strong>Acho que vai ser muito maneiro. O primeiro show foi muito bom, um dos meus preferidos da turn\u00ea. A casa \u00e9 muito boa e n\u00f3s agora estamos tocando muito melhor do que quando estivemos a\u00ed, ent\u00e3o acho que vai ser \u00f3timo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>J\u00e1 &#8211; Em Vida Doce, voc\u00ea diz que caminha no tempo que bem entender. Nesse momento da carreira, em que tempo voc\u00ea quer caminhar?<br \/>\nCamelo &#8211; <\/strong>Agora eu vou lan\u00e7ar o DVD que gravamos em Salvador e come\u00e7ar a pensar no disco novo. Pra mais tarde fica o que vier.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruno Cobalchini Mattos Marcelo Camelo vive um bom momento de sua carreira. 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