{"id":54007,"date":"2017-08-24T06:20:03","date_gmt":"2017-08-24T09:20:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=54007"},"modified":"2017-08-24T06:20:03","modified_gmt":"2017-08-24T09:20:03","slug":"pesquisadoras-da-zoobotanica-podem-ajudar-a-conter-mexilhao-dourado-no-guaiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/pesquisadoras-da-zoobotanica-podem-ajudar-a-conter-mexilhao-dourado-no-guaiba\/","title":{"rendered":"Pesquisadoras da Zoobot\u00e2nica podem ajudar a conter mexilh\u00e3o dourado no Gua\u00edba"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Cleber Dioni Tentardini<\/span><br \/>\nA decis\u00e3o da Justi\u00e7a Federal para que o Estado do Rio Grande do Sul elabore um projeto a fim de controlar o mexilh\u00e3o dourado no lago Gua\u00edba deve envolver a Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do RS. Isso porque \u00e9 no Museu de Ci\u00eancias Naturais, vinculado a essa institui\u00e7\u00e3o que o governo quer extinguir, onde trabalham as \u00fanicas duas especialistas, chamadas malac\u00f3logas, a servi\u00e7o do Estado. S\u00e3o as bi\u00f3logas Ingrid Heydrich e Janine Oliveira Arruda.<br \/>\nA bi\u00f3loga Ingrid Heydrich participou de um grupo de estudos que, entre os anos de 1998 e 2000, fez levantamentos e revelou os\u00a0primeiros dados qualitativos e quantitativos do mexilh\u00e3o dourado no Delta do Jacu\u00ed, no Lago Gua\u00edba e na Laguna dos Patos. Envolveu\u00a0pesquisadores brasileiros e argentinos. Os resultados foram publicados na Revista Brasileira de Zoologia, em mar\u00e7o de 2003.<br \/>\nJanine Oliveira Arruda \u00e9 malac\u00f3loga do MCN\/FZB desde 2014. \u00c9 taxonomista, capacitada a identificar e descrever novas esp\u00e9cies, e curadora das cole\u00e7\u00f5es de moluscos.<br \/>\nA determina\u00e7\u00e3o do TRF4 envolve tamb\u00e9m\u00a0o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis, o Ibama. Sua assessoria informa que foi contratado o bi\u00f3logo Daniel Pereira, em Porto Alegre, para elaborar um diagn\u00f3stico e propor estrat\u00e9gias de manejo do molusco.\u00a0Daniel est\u00e1 formando a equipe de pesquisadores e tem at\u00e9 dezembro para entregar o estudo, segundo o \u00f3rg\u00e3o federal.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54013\" aria-describedby=\"caption-attachment-54013\" style=\"width: 329px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-54013\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20170704_102713-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"329\" height=\"189\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54013\" class=\"wp-caption-text\">Um sob o outro num peda\u00e7o de madeira, dominam o espa\u00e7o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO mexilh\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie invasora, proveniente da \u00c1sia, que provoca modifica\u00e7\u00f5es na qualidade de \u00e1gua, problemas \u00e0s companhias de abastecimento e \u00e0s hidrel\u00e9tricas e altera\u00e7\u00f5es nos ambientes, causando inclusive a morte de outras esp\u00e9cies. O molusco chegou at\u00e9 o Rio Grande do Sul atrav\u00e9s da \u00e1gua de lastro dos navios. Ele se fixa em um objeto ou local, e um sob o outro acabam por obstruir os canos. T\u00e9cnicos da Corsan e do DMAE seguidamente enfrentam transtornos com essa esp\u00e9cie ex\u00f3tica. Nas hidrel\u00e9tricas, prejudicam o sistema de resfriamento. Em 2003, foi criada at\u00e9 uma for\u00e7a tarefa para combater o mexilh\u00e3o dourado em todo o pa\u00eds.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54143\" aria-describedby=\"caption-attachment-54143\" style=\"width: 1020px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54143 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/scan0002666.jpg\" alt=\"\" width=\"1020\" height=\"1150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54143\" class=\"wp-caption-text\">Danos ambientais no Gua\u00edba: modificam paisagens nos juncais, nas praias e sufocam esp\u00e9cies nativas\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">Especialista alerta\u00a0para extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas<\/span><br \/>\nO que mais preocupa a bi\u00f3loga Janine \u00e9 a aus\u00eancia de um plano de manejo para as esp\u00e9cies ex\u00f3ticas e de leis mais restritivas que protejam os ambientes naturais e as esp\u00e9cies nativas. \u201cOs moluscos n\u00e3o fazem mal a ningu\u00e9m. Est\u00e3o ali se alimentando, s\u00e3o herb\u00edvoros, servem como bio-indicadores de qualidade ambiental, como outros animais. Eles pr\u00f3prios servem de alimento para os lagartos e as saracuras, que s\u00e3o famosas comedoras de moluscos\u201d, ressalta Janine.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54017\" aria-describedby=\"caption-attachment-54017\" style=\"width: 273px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54017 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20170704_095024-273x400.jpg\" alt=\"\" width=\"273\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54017\" class=\"wp-caption-text\">\u00c9 preciso preservar ambientes naturais , diz especialista\/Foto Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNo entanto, algumas esp\u00e9cies de moluscos podem trazer transtornos, e at\u00e9 se tornarem pragas, como o mexilh\u00e3o dourado. Outra esp\u00e9cie encontrada na maioria dos estados \u00e9 a Achatina fulica, nome cient\u00edfico para o caramujo gigante africano, introduzido no Brasil sem controle sanit\u00e1rio para fins comerciais, acabou tornando-se muito comum no pa\u00eds e virou uma praga, principalmente agr\u00edcola. No Rio Grande do Sul ainda n\u00e3o foi registrada oficialmente essa esp\u00e9cie.<br \/>\nNatural de Dores do Indai\u00e1, distante cerca de 290 km de Belo Horizonte, formou-se em biologia em 2004 pela Universidade Federal de Minas Gerais e, no ano seguinte, arrumou as malas e embarcou para Porto Alegre. Como j\u00e1 tinha estado na capital ga\u00facha em 2003, onde fez um est\u00e1gio de tr\u00eas semanas na PUC com o professor Thom\u00e9, lhe chamou \u00e0 prefer\u00eancia para dar continuidade aos estudos no Sul a presen\u00e7a deste e da professora Mansur.<br \/>\nCome\u00e7ou com est\u00e1gio em 2001, em Minas, fazendo pesquisas com uma lesma que viria a ser seu objeto de estudos durante toda a vida acad\u00eamica. Aos 36 anos, j\u00e1 tem curso de doutorado em sua especialidade, uma lesma do g\u00eanero Omalonyx, que tem seis esp\u00e9cies descritas e ocorre em toda Am\u00e9rica do Sul e no Caribe.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54019\" aria-describedby=\"caption-attachment-54019\" style=\"width: 230px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54019\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Lesma-Omalonyx-Passos-de-Torres-25-e-26-03-2006-045-200x120.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"143\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54019\" class=\"wp-caption-text\">Lesmas do genero&#8230;<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_54035\" aria-describedby=\"caption-attachment-54035\" style=\"width: 203px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54035\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Lesma-Omalonyx-B\u00e3o-Borja-01-a-03-02-2006-083-200x131.jpg\" alt=\"\" width=\"203\" height=\"137\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54035\" class=\"wp-caption-text\">..Omalonyx\/Juliane Pican\u00e7o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAs lesmas que Janine estuda ficam entre os ambientes terrestre e aqu\u00e1tico. Eles n\u00e3o andam na terra e n\u00e3o ficam dentro d\u2019\u00e1gua. S\u00e3o encontrados nas plantas aqu\u00e1ticas. Fica na borda de a\u00e7udes.<br \/>\nUma parte da parede da sala da bi\u00f3loga no Museu \u00e9 coberta de c\u00f3pias de v\u00e1rios sistemas reprodutores dos moluscos que ela pesquisa. Acontece que as maiores caracter\u00edsticas que diferenciam as esp\u00e9cies s\u00e3o o p\u00eanis.<br \/>\nJanine explica que n\u00e3o existe uma frequ\u00eancia determinada para os moluscos colocarem ovos, mas acredita que a frequ\u00eancia aumente em \u00e9pocas mais quentes.<br \/>\nOs moluscos s\u00e3o hermafroditas, ou seja, n\u00e3o precisam de outro indiv\u00edduo para se reproduzirem. \u201cMas, preferem o acasalamento, a troca de variabilidade gen\u00e9tica\u201d, garante a pesquisadora.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Especialidade atrai poucos alunos<\/span><br \/>\nComparativamente com outras \u00e1reas, pode-se dizer que h\u00e1 poucos malac\u00f3logos hoje no Brasil, porque os grandes pesquisadores de moluscos j\u00e1 est\u00e3o aposentados, segundo Janine. \u201cComo s\u00e3o grupos bem dif\u00edceis de estudar, n\u00e3o atraem muito os estudantes\u201d, lamenta.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54020\" aria-describedby=\"caption-attachment-54020\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54020 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Bolsista-IC-Projeto-Jardim-Bot\u00e2nico0-265x400.jpg\" alt=\"\" width=\"265\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54020\" class=\"wp-caption-text\">Thalita faz pesquisas no JB<\/figcaption><\/figure><br \/>\nMas, no MCN\/FZB h\u00e1 dois bolsistas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no setor de Malacologia. A Thalita Miller, estudante do 5\u00ba semestre da Biologia da Unisinos, bolsista h\u00e1 dois anos e meio na FZB, onde desenvolve o projeto Levantamento da Malacofauna do Jardim Bot\u00e2nico de Porto Alegre.<br \/>\n\u201cComo aqui \u00e9 muito grande, dividimos o terreno em \u00e1reas e estamos pesquisando para ver se h\u00e1 esp\u00e9cies novas de moluscos aqui, depois vamos comparar com estudos mais antigos\u201d, explica.<br \/>\nO Thiago Antoniazzi, do 5\u00ba semestre de Biologia da Ufrgs, e bolsista h\u00e1 um ano na Zoobot\u00e2nica, onde estuda a Morfologia de conchas de bivalves de \u00e1gua doce <em>Anodontites.<\/em> &#8220;Desde crian\u00e7a sempre tive interesse pelos moluscos&#8221;, diz.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54021\" aria-describedby=\"caption-attachment-54021\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54021 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Bolsista-IC-Projeto-Malaco-400x248.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"248\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54021\" class=\"wp-caption-text\">Thiago diz que desde crian\u00e7a tem interesse pelos moluscos<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">Estado tem cinco moluscos na &#8216;lista vermelha&#8217;<\/span><br \/>\nA lista de esp\u00e9cies da fauna ga\u00facha amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m chamada de lista vermelha, inclui duas esp\u00e9cies de molusco terrestres (Anthinus henseli\u00a0e Megalobulimus proclivis-aru\u00e1-alongado, que s\u00f3 se encontra no Estado) e tr\u00eas marinhas (Olivancillaria contortuplicata, Olivancillaria teaguei\u00a0e Olivella formicacorsii). Essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de 2014. A pr\u00f3xima lista deve sair em 2018.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54140\" aria-describedby=\"caption-attachment-54140\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54140 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/DSC01940-400x252.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"252\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54140\" class=\"wp-caption-text\">Equipe da FZB coleta moluscos no Gua\u00edba\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cA extin\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie compromete o delicado e din\u00e2mico equil\u00edbrio ambiental pois uma serve de alimento para outra, serve de substrato para outros organismos, ent\u00e3o qualquer altera\u00e7\u00e3o no ambiente gera impacto em outros animais e\/ou plantas\u201d, alerta Janine.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Museu \u00e9 refer\u00eancia em pesquisas no Brasil<\/span><br \/>\nSetor de Malacologia, da Se\u00e7\u00e3o de Zoologia de Invertebrados, do Museu de Ci\u00eancias Naturais\/FZB. Por aqui passaram alguns dos maiores especialistas em moluscos do Brasil: Jos\u00e9 Willibaldo Thom\u00e9 e Maria Cristina Dreher Mansur.<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-54031\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/scan-174x250.jpg\" alt=\"\" width=\"174\" height=\"250\" \/>A professora da Ufrgs, hoje aposentada, ainda \u00e9 a principal refer\u00eancia em moluscos bivalves de \u00e1gua doce, animal caracterizado por possuir uma concha que se divide em duas partes, muito comum tamb\u00e9m em esp\u00e9cies marinhas. Foi ela quem coordenou as pesquisas para produ\u00e7\u00e3o do livro Moluscos L\u00edmnicos Invasores no Brasil.<br \/>\nO professor Thom\u00e9, falecido h\u00e1 pouco mais de um ano, era um dos maiores especialistas no estudo dos moluscos terrestres no Brasil. Foi um dos primeiros pesquisadores do ent\u00e3o Museu Rio-Grandense de Ci\u00eancias Naturais, ao lado de Ludwig Buckup, Thales de Lema e do padre jesu\u00edta Baldu\u00edno Rambo.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54023\" aria-describedby=\"caption-attachment-54023\" style=\"width: 274px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54023 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20170704_101631-274x400.jpg\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54023\" class=\"wp-caption-text\">Cole\u00e7\u00e3o de conchas\/Fotos Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_54024\" aria-describedby=\"caption-attachment-54024\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54024 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20170704_103454-400x191.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"191\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54024\" class=\"wp-caption-text\">Cole\u00e7\u00e3o de moluscos<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA cole\u00e7\u00e3o de moluscos da MCN\/FZB est\u00e1 entre as quatro maiores do Brasil, com mais de 41 mil lotes. Um lote pode conter de uma at\u00e9 cem ou duzentas esp\u00e9cimes. S\u00e3o duas cole\u00e7\u00f5es, na realidade: Jos\u00e9 Willibaldo Thom\u00e9 e Eliseo Duarte. Esta \u00faltima foi adquirida com verba do CNPq de um colecionador uruguaio, que foi homenageado com o nome da cole\u00e7\u00e3o. Possui cerca de 20 mil lotes. A outra cole\u00e7\u00e3o recebeu o nome de seu maior incentivador. Ambas as cole\u00e7\u00f5es possuem material dos cinco continentes nos ambientes marinhos, de \u00e1gua doce (l\u00edmnicos) e terrestres.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54027\" aria-describedby=\"caption-attachment-54027\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54027 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20170704_103039-400x162.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"162\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54027\" class=\"wp-caption-text\">Lotes com mais de cem esp\u00e9cimes cada<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_54026\" aria-describedby=\"caption-attachment-54026\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54026 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Conchas_Divulga\u00e7\u00e3o-MP-400x257.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"257\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54026\" class=\"wp-caption-text\">Cole\u00e7\u00e3o de conchas<\/figcaption><\/figure><br \/>\nDestacam-se em \u00e2mbito nacional, tamb\u00e9m, as cole\u00e7\u00f5es dos museus da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal de Rio Grande \u2013 Furg e a do Museu Nacional, no RJ.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Bi\u00f3logas ser\u00e3o coautoras de\u00a0obra internacional\u00a0<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_54028\" aria-describedby=\"caption-attachment-54028\" style=\"width: 242px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54028 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20170705_111732-2-242x400.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54028\" class=\"wp-caption-text\">Prof Maria Cristina Mansur\/Foto Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA bi\u00f3loga Maria Cristina Mansur \u00e9 incans\u00e1vel. Come\u00e7ou como estagi\u00e1ria em 1964 no Museu Rio-grandense de Ci\u00eancias Naturais, na \u00e9poca ainda era um departamento da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o e funcionava pr\u00f3ximo \u00e0 Santa Casa. Formada em Historia Natural pela PUC ga\u00facha, deu aulas na Ufrgs e trabalhou como pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica at\u00e9 se aposentar.<br \/>\nA professora, no entanto, ainda pode ser vista com frequ\u00eancia no Museu, envolvida em pesquisas e passando orienta\u00e7\u00f5es aos pesquisadores. Ela foi convidada junto com Janine a participar da 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do livro Ecologia e Classifica\u00e7\u00e3o de Invertebrados de \u00c1gua Doce, editado pelos renomados pesquisadores norte-americanos J. H. Thorp\u00a0e A. P. Covich.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<figure id=\"attachment_54015\" aria-describedby=\"caption-attachment-54015\" style=\"width: 360px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54015 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/20170704_095658-360x400.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54015\" class=\"wp-caption-text\">Janine Oliveira Arruda \/ Foto Cleber Dioni<\/figcaption><\/figure><br \/>\nJanine vai escrever nesse livro sobre as lesmas Omalonyx e outros carac\u00f3is.\u00a0O trabalho busca falar sobre a biologia, ecologia, import\u00e2ncia econ\u00f4mica, sistem\u00e1tica, taxonomia, chave de identifica\u00e7\u00e3o e m\u00e9todos de prepara\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies de <em>Succineidae<\/em>.<br \/>\nA obra \u00e9 um manual de refer\u00eancia sobre os invertebrados das \u00e1guas interiores do mundo e destina-se aos profissionais de universidades, ag\u00eancias governamentais e empresas privadas, bem como estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMaria Cristina Mansur foi a primeira bolsista do professor Jos\u00e9 Willibaldo Thom\u00e9. \u201cFoi meu grande orientador. Ele trabalhava com gastr\u00f3podes terrestres, e me indicou estudar os bivalves de \u00e1gua doce. Eu n\u00e3o sabia nada, ent\u00e3o tive bolsas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, at\u00e9 que, em 1968, fui a Santa F\u00e9, na Argentina, visitar o Instituto Nacional de Limnologia, um laborat\u00f3rio maravilhoso, com grandes tanques de piscicultura, e onde trabalhava o doutor Bonetto, um cientista de renome internacional especialista em animais de agua doce. Naquela \u00e9poca, eles j\u00e1 controlavam os peixes e moluscos no rio Paran\u00e1 e a extra\u00e7\u00e3o de p\u00e9rolas dos bivalves de \u00e1gua doce\u201d, lembra.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Buckup e Thales de Lema iniciaram cole\u00e7\u00f5es<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_54036\" aria-describedby=\"caption-attachment-54036\" style=\"width: 193px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54036 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/thom\u00e9-193x250.jpg\" alt=\"\" width=\"193\" height=\"250\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54036\" class=\"wp-caption-text\">O mestre Willibaldo Thom\u00e9<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO acervo malacol\u00f3gico iniciou em 1955 com as cole\u00e7\u00f5es de conchas doadas por Ludwig Buckup e Thales de Lema e a transfer\u00eancia do Acervo Hist\u00f3rico do Museu Julio de Castilhos. Mais tarde, foi assumida por Willibaldo Thom\u00e9.<br \/>\nAbriga moluscos marinhos, terrestres e de \u00e1gua doce e cont\u00e9m esp\u00e9cimes de valor hist\u00f3rico com cinco lotes coletados por Reinhold Hensel no RS, entre 1864 e 1866, e identificados por Eduard von Martens, 1868.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">RS est\u00e1 livre do caramujo gigante africano<\/span><br \/>\nH\u00e1 uns anos atr\u00e1s apareceram not\u00edcias nos telejornais em que os moradores de Santa Catarina relatavam apavorados terem encontrado centenas de moluscos gigantes nos p\u00e1tios de casa. \u00c9 o caramujo gigante africano.<br \/>\nA comunidade cient\u00edfica considera essa esp\u00e9cie invasora uma das cem piores do mundo, por causar s\u00e9rios danos ambientais.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54033\" aria-describedby=\"caption-attachment-54033\" style=\"width: 444px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54033 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/caramujo-africano.jpg\" alt=\"\" width=\"444\" height=\"281\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54033\" class=\"wp-caption-text\">Caramujo gigante africano, esp\u00e9cie invasora<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO primeiro registro no Brasil foi um trabalho cient\u00edfico de 1975, relatando a ocorr\u00eancia em Juiz de Fora, Minas Gerais. Em 1988, o caramujo africano foi apresentado em uma feira agropecu\u00e1ria no Paran\u00e1 como uma forma barata de substituir o\u00a0escargot na gastronomia. Quando o neg\u00f3cio n\u00e3o deslanchou como o prometido, foram liberados no ambiente. Sem predadores naturais no pa\u00eds, esses animais se proliferaram sem controle algum por quase todos estados.<br \/>\n\u201cAinda n\u00e3o chegou ao Rio Grande do Sul, pelo menos ainda n\u00e3o h\u00e1 registros comprovados, mas \u00e9 quest\u00e3o de tempo\u201d, acredita Janine.<br \/>\nSegundo ela, um pesquisador venezuelano Ign\u00e1cio Agudo, identificou em uma \u00e1rea no Distrito Industrial de Cachoeirinha, regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, um caramujo como sendo o Achatina fulica, mas n\u00e3o comprovou sua descoberta. Uma equipe da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica investigou o local em que ele afirmou ter visto e n\u00e3o encontrou nada.<br \/>\n\u201cPerguntei a ele onde estava guardado o animal, mas ele disse que n\u00e3o havia coletado, s\u00f3 fotografado. Falamos com moradores, comerciantes, mostramos fotos, e ningu\u00e9m viu esse caramujo. Descartamos parcialmente o aparecimento dele no Estado porque onde aparece um, normalmente existem muitos outros. Eles se reproduzem em larga escala. E como s\u00e3o grandes, assustam, chamam a aten\u00e7\u00e3o nas lavouras, em p\u00e1tios, lix\u00f5es. Devoram tudo por onde passam\u201d, afirma Janine.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54032\" aria-describedby=\"caption-attachment-54032\" style=\"width: 513px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54032 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/620_caramujos_incidencia.jpg\" alt=\"\" width=\"513\" height=\"349\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54032\" class=\"wp-caption-text\">Reproduzem em larga escala e devoram tudo por onde passam<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO mesmo pesquisador fez um registro na Base de Dados Nacional de Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas invasoras (I3N Brasil) para o caramujo gigante africano em Torres, litoral Norte, mas a Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria do Munic\u00edpio n\u00e3o confirmou o aparecimento da esp\u00e9cie. E o Centro Estadual de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria n\u00e3o tem registros do molusco em nenhum munic\u00edpio ga\u00facho, segundo sua assessoria de comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Amea\u00e7a \u00e0 fauna e a outras esp\u00e9cies<\/span><br \/>\n\u201cAl\u00e9m de competir com as nativas, o gigante africano \u00e9 muito voraz, come tudo o que v\u00ea pela frente, planta\u00e7\u00f5es, jardins, e h\u00e1 registros dele comendo jornais e revistas e at\u00e9 outros moluscos, configurando o canibalismo\u201d, alerta Janine.<br \/>\nA esp\u00e9cie adapta-se muito facilmente. Carrega consigo uma concha marrom escura com listras esbranqui\u00e7adas, no formato de um cone. Os indiv\u00edduos adultos podem pesar meio quilo e chegar a 20 cm de comprimento. Podem realizar at\u00e9 cinco posturas por ano, com 50 a 600 ovos por postura.<br \/>\n<figure id=\"attachment_54034\" aria-describedby=\"caption-attachment-54034\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-54034 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/caramujo2.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-54034\" class=\"wp-caption-text\">Podem colocar centenas de ovos<\/figcaption><\/figure><br \/>\nOs ovos s\u00e3o pouco maiores que uma semente de mam\u00e3o, branco-amarelados, que poder\u00e3o ser enterrados ou depositados em uma superf\u00edcie, como folha, ou sob uma pedra.<br \/>\nAl\u00e9m dos preju\u00edzos ambientais, s\u00e3o potencialmente transmissores de doen\u00e7as aos animais e seres humanos, quando infectados por vermes. Os parasitas, do g\u00eanero Angiostrongylus, podem causar doen\u00e7as abdominais, cujo sintoma \u00e9 como se fosse uma apendicite, e at\u00e9 meningite, o que \u00e9 mais grave e, inclusive, j\u00e1 foi detectado na esp\u00e9cie em 2007, na Funda\u00e7\u00e3o Instituto Oswaldo Cruz \u2013 Fiocruz.<br \/>\nAtivo no inverno, resistente ao frio e \u00e0 seca, geralmente passa o dia escondido e sai para se alimentar e reproduzir \u00e0 noite ou durante e logo ap\u00f3s as chuvas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">SC criou Programa de Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas Invasoras<\/span><br \/>\nSanta Catarina criou o Programa Estadual de Esp\u00e9cies Ex\u00f3ticas Invasoras onde produz e divulga materiais informativos sobre formas eficazes de controle de esp\u00e9cies invasoras, especialmente para conter a dispers\u00e3o do caramujo gigante africano, que pode ocorrer tamb\u00e9m de forma acidental atrav\u00e9s do transporte.<br \/>\nA bi\u00f3loga Luthiana Carbonell dos Santos, da Ger\u00eancia de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e Estudos Ambientais, da Funda\u00e7\u00e3o do Meio Ambiente (FATMA), de Santa Catarina, explica que os m\u00e9todos de controle utilizados s\u00e3o eficazes para redu\u00e7\u00e3o da prolifera\u00e7\u00e3o e devem ser realizados continuamente, uma vez que a esp\u00e9cie se reproduz o ano todo.\u00a0Al\u00e9m disso, o potencial invasor e a severidade dos impactos causados pelas invas\u00f5es podem ser intensificados em raz\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br \/>\n\u201cNo caso do Rio Grande do Sul, h\u00e1 um cen\u00e1rio positivo para o controle. Assim, como o caramujo gigante africano, muitas outras esp\u00e9cies s\u00e3o introduzidas sem a devida an\u00e1lise de risco de invas\u00e3o e biosseguran\u00e7a, e \u00e9 importante aprendermos com os equ\u00edvocos do passado para evit\u00e1-los no futuro. Temos no Brasil um litoral extenso com alta diversidade de esp\u00e9cies de peixes, no entanto, cogita-se a introdu\u00e7\u00e3o do peixe panga (Pangasius hypophthalmus) esp\u00e9cie com hist\u00f3rico em outras partes do mundo, e cujas an\u00e1lises de risco resultaram em alto risco de invas\u00e3o. Por isso, \u00e9 de suma import\u00e2ncia que a introdu\u00e7\u00e3o de uma nova esp\u00e9cie seja precedida de an\u00e1lise de risco de invas\u00e3o, estudos de biosseguran\u00e7a e de viabilidade de mercado\u201d, completa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleber Dioni Tentardini A decis\u00e3o da Justi\u00e7a Federal para que o Estado do Rio Grande do Sul elabore um projeto a fim de controlar o mexilh\u00e3o dourado no lago Gua\u00edba deve envolver a Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do RS. 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