{"id":5440,"date":"2009-07-06T15:46:34","date_gmt":"2009-07-06T18:46:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=5440"},"modified":"2009-07-06T15:46:34","modified_gmt":"2009-07-06T18:46:34","slug":"casarao-da-venancio-destino-permanece-incerto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/casarao-da-venancio-destino-permanece-incerto\/","title":{"rendered":"Estado ainda n\u00e3o sabe o que fazer com casar\u00e3o abandonado h\u00e1 20 anos"},"content":{"rendered":"<p>O casar\u00e3o amarelo, numa esquina nobre de Porto Alegre (Ven\u00e2ncio Aires com Jo\u00e3o Pessoa), j\u00e1 abrigou uma escola. H\u00e1 duas d\u00e9cadas, pelo menos, est\u00e1  abandonado, porque seu propriet\u00e1rio, o governo do Estado do Rio Grande do Sul, n\u00e3o consegue achar um destino para ele.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/geraldo1.jpg\" alt=\"geraldo1\" title=\"geraldo1\" width=\"450\" height=\"338\" class=\"alignnone size-full wp-image-5444\" \/><br \/>\nPlanos n\u00e3o faltaram. O governador Ol\u00edvio Dutra queria sediar ali o Museu Antropol\u00f3gico do Estado. Seu sucessor, Germano Rigotto pensou num \u201cCentro de Cultura Negra\u201d. A Procergs quis botar l\u00e1 dentro seus computadores&#8230; Todos os planos fracassaram, ningu\u00e9m sabe direito por que. Consta que o pr\u00e9dio tem uma d\u00edvida impag\u00e1vel com a CEEE.<br \/>\nAgora, a Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o informa que o casar\u00e3o ter\u00e1 um destino nas pr\u00f3ximas semanas. Segundo a assessora de imprensa, Adriana Correia, o secret\u00e1rio El\u00f3i Guimar\u00e3es se reuniu na semana passada com tr\u00eas entidades, cujos nomes ainda n\u00e3o foram divulgados, para escolher qual a melhor proposta.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/geraldo2.jpg\" alt=\"geraldo2\" title=\"geraldo2\" width=\"450\" height=\"338\" class=\"alignnone size-full wp-image-5446\" \/><br \/>\n\u201c\u00c9 tudo enrola\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m sabe nem de quem \u00e9 essa casa, se do estado, do munic\u00edpio ou da uni\u00e3o. Cada vez vem um aqui dizendo que vai fazer um projeto, mas nunca acontece nada e a casa vai continuar abandonada se eu sair\u201d afirma Geraldo M\u00e1rcio Xavier, 64 anos que h\u00e1 tr\u00eas anos mora no casar\u00e3o.  Ele transformou o imponente pr\u00e9dio, de \u00e1rea equivalente a tr\u00eas apartamentos m\u00e9dios, num escrit\u00f3rio para seus biscates.<br \/>\nNos tempos em que ficou ao Deus dar\u00e1, o \u201cescrit\u00f3rio do Geraldo\u201d foi abrigo de desocupados, ponto de drogas, antro de maconheiros e at\u00e9 bordel para sem teto. Os vizinhos reclamavam, mas a pol\u00edcia raramente aparecia por l\u00e1.<br \/>\nSegundo o arquiteto Helton Bello, do EPAHC (Equipe do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Cultural de Porto Alegre), o pr\u00e9dio pertencente ao casario hist\u00f3rico da Jo\u00e3o Pessoa erguido no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, com tra\u00e7os do per\u00edodo Positivista.<br \/>\nPor dentro, \u00e9 um favel\u00e3o. N\u00e3o tem \u00e1gua, nem luz, est\u00e1 sem forro. De m\u00f3veis tem apenas um sof\u00e1. Seu Geraldo usa o lugar para fazer bicos de eletricista, pedreiro, carpinteiro, pintor \u2013 e aos domingos tira um troco usando o p\u00e1tio como estacionamento para freq\u00fcentadores da Reden\u00e7\u00e3o.<br \/>\nGeraldo conta que veio de Curitiba e que tem curso de administra\u00e7\u00e3o ( ele \u00e9 propositalmente vago e esquivo). O dono da banca de revistas localizada na frente do im\u00f3vel comentou que se sente mais seguro agora que ele expulsou os \u201cchinel\u00f5es\u201d. Orgulhoso do seu feito, Gerald\u00e3o se gaba:  \u201cSe eu n\u00e3o tivesse feito aquilo, hoje isso aqui nem existiria mais\u201d.<br \/>\nPor enquanto ele est\u00e1 tranq\u00fcilo. S\u00f3 a Brigada Militar aparece por l\u00e1 de vez em quando:\u201cQuando eu n\u00e3o estou os brigadianos arrombam o port\u00e3o, entram aqui, quebram tudo e levam as minhas coisas de caminh\u00e3o\u201d. Ele at\u00e9 deu queixa na pol\u00edcia, reclamando sumi\u00e7o de cama, mesa e cadeiras.<br \/>\nL\u00e1 dentro o quadro \u00e9 deprimente. Vidros quebrados em janelas quebradas, pintura gasta. Quando chove, o \u201cxerife\u201d passa trabalho com as dezenas de infiltra\u00e7\u00f5es no telhado. Tudo o que ele tem l\u00e1 \u00e9 um sof\u00e1 e uma mesinha de ferro. Na parede, ele pintou uma frase guia da empreitada: \u201cPropriedade de Deus\u201d.<br \/>\nAntes, Geraldo morava numa \u00e1rea invadida na avenida Padre Cacique, perto do Est\u00e1dio Beira Rio. Foi removido pela Prefeitura, junto com os demais moradores, por estar em \u201c\u00e1rea de risco\u201d. Pouco depois, na \u201c\u00e1rea de risco\u201d foi constru\u00edda a sede da \u201cImperadores do Samba\u201d, que est\u00e1 l\u00e1 at\u00e9 hoje.<br \/>\nSegundo Geraldo, durante um tempo, a prefeitura  pagou um hotel para ele e o filho, mas depois n\u00e3o tinha para onde ir. Todos os dias passava em frente ao casar\u00e3o e n\u00e3o entendia o porque de estar vazio, sendo que necessitava tanto de um lugar pra dormir.<br \/>\nNuma dessas decidiu entrar. \u201cQuando eu entrei aqui isso era uma bagun\u00e7a, tinha traficante, prostituta, drogado. Eu limpei isso aqui, os vizinhos at\u00e9 hoje apertam a minha m\u00e3o e me agradecem. Tem um monte de gente que fica falando que eu invadi, mas isso aqui estava abandonado, se eu n\u00e3o tivesse aqui cuidando ia estar bem pior\u201d<br \/>\n\u201cEles acham que eu estou enriquecendo aqui, ganhando 70 reais por domingo. Ficam preocupados comigo, enquanto tem um monte de gente roubando. Se eles quiserem que eu devolva o dinheiro que ganho aqui, eu devolvo, mas s\u00f3 se os pol\u00edticos e os colarinhos brancos que roubam bilh\u00f5es tamb\u00e9m devolverem.\u201d<br \/>\nSobre as entradas constantes da pol\u00edcia ao im\u00f3vel, afirma que \u201celes quebram tudo: janelas, correntes do port\u00f5es. O port\u00e3o da frente e eu j\u00e1 mandei consertar v\u00e1rias vezes, tenho todos os recibos comigo, para n\u00e3o dizerem que eu estou depredando o patrim\u00f4nio p\u00fablico\u201d.<br \/>\nH\u00e1 15 dias atr\u00e1s, viaturas da pol\u00edcia militar e uma funcion\u00e1ria do departamento de patrim\u00f4nio, foram at\u00e9 o casar\u00e3o tentar tirar Geraldo e o filho de l\u00e1. Sem saber explicar muito bem, ele diz que a \u201cdra. F\u00e1tima, diretora do departamento, prometeu um acordo\u201d. Ele sonha com \u201cuma licen\u00e7a para continuar na casa e regularizar a situa\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n\u201cSe eu sair, isso aqui vai continuar abandonado. Se querem que eu sa\u00eda, ent\u00e3o, venham conversar comigo, me ajudar, arrumar um lugar pra eu morar, porque j\u00e1 me tiraram uma casa\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>Com reportagem de <strong>Daniela De Bem<\/strong> e <strong>Pedro Lauxen<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O casar\u00e3o amarelo, numa esquina nobre de Porto Alegre (Ven\u00e2ncio Aires com Jo\u00e3o Pessoa), j\u00e1 abrigou uma escola. H\u00e1 duas d\u00e9cadas, pelo menos, est\u00e1 abandonado, porque seu propriet\u00e1rio, o governo do Estado do Rio Grande do Sul, n\u00e3o consegue achar um destino para ele. Planos n\u00e3o faltaram. 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