{"id":551,"date":"2006-10-24T15:42:04","date_gmt":"2006-10-24T18:42:04","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=551"},"modified":"2006-10-24T15:42:04","modified_gmt":"2006-10-24T18:42:04","slug":"o-diluvio-abandonado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-diluvio-abandonado\/","title":{"rendered":"O Dil\u00favio abandonado"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\"><strong>Ana Luiza Leal, especial para o J\u00c1<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/75.126.159.90\/~jornalja\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/dcp_7950.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" style=\"border: 1px solid black\" title=\"Lixo nas margens do Gua\u00edba\" src=\"http:\/\/75.126.159.90\/~jornalja\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/dcp_7950-150x112.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"112\" \/><\/a>O arroio Dil\u00favio &#8211; mais vergonhoso cart\u00e3o-postal da \u201cPorto Alegre, cidade da educa\u00e7\u00e3o ambiental\u201d &#8211; parece n\u00e3o perturbar mais o sono de ambientalistas e funcion\u00e1rios da prefeitura. Enquanto os defensores do verde alegam que s\u00f3 t\u00eam perna para \u201capagar inc\u00eandios\u201d, ou seja, atuar em cima de infra\u00e7\u00f5es pontuais, o Programa de Despolui\u00e7\u00e3o da Bacia do Arroio Dil\u00favio (Pr\u00f3-Dil\u00favio), da gest\u00e3o municipal, completou um ano de lan\u00e7amento com alguma teoria e pouqu\u00edssima a\u00e7\u00e3o. O riacho recebe por ano 50 mil metros c\u00fabicos de terra e lixo, o que equivale a dez caminh\u00f5es-ca\u00e7amba cheios.<\/p>\n<p align=\"justify\">K\u00e1thia Vasconcellos, vice-presidente do N\u00facleo Amigos da Terra (NAT\/Brasil) admite que falta press\u00e3o na quest\u00e3o por parte das ONGs e justifica a aus\u00eancia da entidade na briga pela recupera\u00e7\u00e3o do Dil\u00favio: \u201cFaltam volunt\u00e1rios e dinheiro \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas. Por parte do NAT, temos conhecimento das nossas limita\u00e7\u00f5es e acabamos priorizando certos temas, como a preserva\u00e7\u00e3o dos parques\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A presidente da Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (Agapan), Edi Xavier Fonseca, n\u00e3o quis opinar e alegou n\u00e3o estar acompanhando a situa\u00e7\u00e3o. Indicou contatar Sandra Ribeiro, representante da Agapan no Comit\u00ea do Lago Gua\u00edba, que por sua vez, n\u00e3o estava a par da situa\u00e7\u00e3o por motivo de viagem.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda os que qualificam como \u201cperda de tempo e dinheiro\u201d os investimentos no arroio. \u00c9 o caso de Gilson Tesch, da ONG Guardi\u00f5es do Lago Gua\u00edba. Para ele, o foco do governo deveria ser investir no que pode ser preservado, e citou como exemplo o Arroio do Salso. \u201cPara come\u00e7ar, o Dil\u00favio n\u00e3o merece ser chamado de arroio: est\u00e1 mais para canal de dragagem. S\u00f3 acho positivo porque talvez fa\u00e7am um trabalho de preserva\u00e7\u00e3o das nascentes\u201d, declara.<\/p>\n<p align=\"justify\">A opini\u00e3o de Tesch \u00e9 contestada pela ONG Projeto Mira-Serra, \u00fanica entidade que est\u00e1 efetivamente realizando um trabalho com o arroio. \u201cO Dil\u00favio des\u00e1gua no Gua\u00edba. Bebemos a \u00e1gua captada do Gua\u00edba. Logo, melhorar a qualidade do l\u00edquido do arroio \u00e9 melhorar o que consumimos\u201d, defende Lisiane Becker, coordenadora-presidente da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em junho deste ano, o Projeto Mira-Serra foi contatado pela prefeitura para que fizesse um diagn\u00f3stico n\u00e3o-oficial dos pontos que apresentam maior contamina\u00e7\u00e3o. Constatou que a foz do Dil\u00favio, ligada ao Lago Gua\u00edba, \u00e9 a regi\u00e3o mais polu\u00edda. \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tornar pot\u00e1vel a \u00e1gua retirada naquele ponto, nem com toda a tecnologia que dispomos. O interessante \u00e9 que tem um cano de uma Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de \u00c1gua do DMAE, que faz a capta\u00e7\u00e3o do l\u00edquido n\u00e3o muito longe dali\u201d, destaca Rog\u00e9rio Mongelos, membro fundador da organiza\u00e7\u00e3o e atual conselheiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Contudo, ele destaca que o papel da ONG \u00e9 somente o de identificar e mapear &#8211; \u201cmudar fica a cargo da prefeitura\u201d. Para Mongelos, os ambientalistas deveriam reunir esfor\u00e7os para for\u00e7ar a cria\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de regulamento que obrigue as gest\u00f5es municipais a seguirem um mesmo projeto e a cumprirem um cronograma de a\u00e7\u00f5es. \u201cO que uma prefeitura constr\u00f3i, a outra faz quest\u00e3o de destruir. Assim, nunca haver\u00e1 solu\u00e7\u00e3o\u201d, polemiza.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">Pr\u00f3-Dil\u00favio<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os coordenadores do Programa de Despolui\u00e7\u00e3o da Bacia do Arroio Dil\u00favio atribuem a culpa pela demora de resultados na falta de divulga\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es \u00e0 comunidade e no fato de n\u00e3o poderem trabalhar exclusivamente para os projetos. O Pr\u00f3-Dil\u00favio congrega atividades da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAM), Departamento de Esgotos Fluviais (DEP), de \u00c1guas e Esgotos (DMAE), de Limpeza e Urbanismo (DMLU) e Funda\u00e7\u00e3o de Assist\u00eancia Social e Cidadania (FASC).<\/p>\n<p align=\"justify\">A coordenadora do programa, Gislaine Lopes Menezes (SMAM), que est\u00e1 h\u00e1 dois meses no cargo, conta que as secretarias passaram um ano estruturando as fun\u00e7\u00f5es de cada um. \u201cFoi uma fase de diagn\u00f3sticos e defini\u00e7\u00e3o de prioridades. Tudo \u00e9 feito em fun\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento, que \u00e9 apertado\u201d, sustenta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Rog\u00e9rio Mongelos, da Mira-Serra, a maior falha do Pr\u00f3-Dil\u00favio foi n\u00e3o ter buscado na academia o que j\u00e1 havia sido estudado sobre o arroio Dil\u00favio. \u201cTrabalhos n\u00e3o faltam. Pouparia trabalho e daria muito mais retorno. Faltou vontade pol\u00edtica. Mas, est\u00e1 come\u00e7ando a se estruturar um elo com a PUCRS\u201d, comenta.<\/p>\n<p align=\"justify\">O programa Esgoto Certo, cujo foco \u00e9 o res\u00edduo dom\u00e9stico, \u00e9 um dos carros-chefes do Pr\u00f3-Dil\u00favio. Ele existe desde 1994, foi retomado no ano passado pelo DMAE. Uma equipe de 16 funcion\u00e1rios visita uma m\u00e9dia de 600 resid\u00eancias por m\u00eas para verificar se as redes cloacal e pluvial est\u00e3o separadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Iara Marisa Perrone, t\u00e9cnica do departamento que trabalha no programa, confessa que a falta de divulga\u00e7\u00e3o compromete a efici\u00eancia do trabalho da equipe: \u201cAs pessoas n\u00e3o abrem a porta para estranhos, e o programa \u00e9 desconhecido. Come\u00e7ou a mudar quando contratamos duas estagi\u00e1rias que passam na casa das pessoas explicando o que \u00e9 o Esgoto Certo e agendando a visita\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o h\u00e1 ainda sequer um site hospedado no portal da prefeitura que explique o que \u00e9 o Pr\u00f3-Dil\u00favio e os seus projetos. O cidad\u00e3o porto-alegrense que tiver interesse em conhec\u00ea-lo, pode entrar em contato com a SMAM e pedir uma esp\u00e9cie de cartilha, onde encontra a seguinte defini\u00e7\u00e3o: \u201c\u00c9 um programa desenvolvido pela Prefeitura de Porto Alegre visando \u00e0 melhoria da qualidade do arroio Dil\u00favio, tamb\u00e9m conhecido como riacho Ipiranga\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Melhoria da qualidade? A defini\u00e7\u00e3o \u00e9 um tanto vaga para Lisiane Becker, coordenadora-presidente do Projeto Mira-Serra, e para K\u00e1thia Vasconcellos, vice-presidente do N\u00facleo Amigos da Terra (NAT\/Brasil). Al\u00e9m da estranha conceitua\u00e7\u00e3o, o material impresso distribu\u00eddo pela prefeitura se limita a explicar as a\u00e7\u00f5es desenvolvidas pelo DEP e DMAE.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outro destaque do Pr\u00f3-Dil\u00favio \u00e9 o Projeto de Reciclagem de \u00d3leos de Fritura, do DMLU. A proposta era espalhar dez postos de coletas pela cidade para recolher esse \u00f3leo dom\u00e9stico, e encaminh\u00e1-lo a institui\u00e7\u00f5es interessadas em comercializar o produto, j\u00e1 que o res\u00edduo pode ser usado como mat\u00e9ria-prima na fabrica\u00e7\u00e3o de sab\u00e3o, resinas para tintas e massa de vidraceiro. A opera\u00e7\u00e3o come\u00e7aria a funcionar em agosto. N\u00e3o foi o que aconteceu.<\/p>\n<p align=\"justify\">A coordenadora da a\u00e7\u00e3o, Mariza Fernanda Reis, que est\u00e1 h\u00e1 cinco meses no cargo, conta que se um cidad\u00e3o fosse hoje ao DMLU com seu vidrinho cheio de \u00f3leo sujo e boa vontade estampada no rosto, voltaria para casa com o vidrinho. \u201cAinda n\u00e3o temos estrutura para receber esse res\u00edduo. Dos dez postos pretendidos, temos um, na Vila Pinto, que \u00e9 tocado pela comunidade. Estamos na fase de elaborar o material de divulga\u00e7\u00e3o, definir como ser\u00e1 a coleta e acertar com as empresas que reciclariam \u2013 at\u00e9 agora temos tr\u00eas parcerias\u201d, afirma.<\/p>\n<p align=\"justify\">K\u00e1thia Vasconcellos diz que, por enquanto, de concreto, s\u00f3 ouviu falar na dragagem entre as ruas Santa Cec\u00edlia e Silva S\u00f3, e na retirada de 50 pessoas que moravam debaixo das pontes do arroio. \u201cTrata-se de medidas paliativas: fica bonito no jornal, mas \u00e0s vezes n\u00e3o s\u00e3o nem operacionalizadas, como \u00e9 o caso do projeto de reciclagem dos \u00f3leos de fritura. As a\u00e7\u00f5es do Pr\u00f3-Dil\u00favio s\u00e3o marketing verde\u201d, opina.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sobre a retirada de moradores, h\u00e1 discord\u00e2ncia entre as secretarias do governo. A pol\u00eamica veio \u00e0 tona no II Semin\u00e1rio Arroio Dil\u00favio, ocorrido em 11\/10, quando a gerente do Atendimento Social de Rua da Fasc, Patr\u00edcia M\u00f4naco, disse aos presentes que esse tipo de atitude s\u00f3 leva a popula\u00e7\u00e3o de rua \u00e0 \u201ctrocar de ponte\u201d. Segundo ela, s\u00e3o necess\u00e1rias medidas socioambientais para o sucesso do programa. \u201cA mentalidade do limpar a \u00e1rea retirando lixo e gente precisa ser mudada. Se n\u00e3o oferecerem condi\u00e7\u00f5es para eles sa\u00edrem de l\u00e1, o arroio continuar\u00e1 amea\u00e7ado\u201d, explica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Luiza Leal, especial para o J\u00c1 O arroio Dil\u00favio &#8211; mais vergonhoso cart\u00e3o-postal da \u201cPorto Alegre, cidade da educa\u00e7\u00e3o ambiental\u201d &#8211; parece n\u00e3o perturbar mais o sono de ambientalistas e funcion\u00e1rios da prefeitura. 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