{"id":55173,"date":"2017-09-17T11:45:07","date_gmt":"2017-09-17T14:45:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=55173"},"modified":"2017-09-17T11:45:07","modified_gmt":"2017-09-17T14:45:07","slug":"origem-do-gaucho-e-em-terras-do-uruguai-e-do-rio-grande-do-sul-aponta-livro-de-fernando-cacciatore","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/origem-do-gaucho-e-em-terras-do-uruguai-e-do-rio-grande-do-sul-aponta-livro-de-fernando-cacciatore\/","title":{"rendered":"Origem do ga\u00facho \u00e9 em terras do Uruguai e do Rio Grande do sul, aponta livro de Fernando Cacciatore"},"content":{"rendered":"<p>Num per\u00edodo cheio de comemora\u00e7\u00f5es de fa\u00e7anhas &#8211; A Semana Farroupilha &#8211; um livro vem acrescentar uma pol\u00eamica no tema &#8216;a origem do ga\u00facho&#8217;. Ao contr\u00e1rio do que proclama o senso comum, sua origem n\u00e3o \u00e9 na Argentina e sim em terras uruguaias e do Rio Grande do Sul. A tese \u00e9 do embaixador Fernando Cacciatore e\u00a0o lan\u00e7amento do livro ser\u00e1 na\u00a0pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira,\u00a019\/09, \u00e0s 19h30, na Pinacoteca Rubem Berta. A obra, editada pela Buenas Ideias, \u00e9 acompanhada de ilustra\u00e7\u00f5es de Bruno Junges e pref\u00e1cio de Eduardo Bueno, o \u201cPeninha\u201d.<br \/>\nEmbasado em documentos e cita\u00e7\u00f5es, o autor da obra coloca o ga\u00facho no que ele considera o seu verdadeiro contexto hist\u00f3rico e conclui que este nasceu n\u00e3o na Argentina, mas sim nas terras entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai. Ele sustenta tamb\u00e9m que a palavra \u201cga\u00facho\u201d partiu do Brasil e se difundiu para o Prata.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Pensamento argentino<\/span><br \/>\nO autor revisou grande parte da literatura dispon\u00edvel sobre o ga\u00facho no Uruguai, na Argentina e no Rio Grande do Sul e, neste processo, se deu conta da pesada influ\u00eancia do pensamento argentino na vis\u00e3o que os rio-grandenses t\u00eam deles mesmos, porque sua hist\u00f3ria foi escrita segundo par\u00e2metros argentinos. \u201cO escritor uruguaio Fernando Assun\u00e7\u00e3o aprofundou muito a minha vis\u00e3o rio-grandense, mas eu fui al\u00e9m quando coloquei o ber\u00e7o do ga\u00facho na faixa que vai do Rio Cebolati, que desemboca na Lagoa Mirim \u00e0 Serra do Caver\u00e1, sobre os campos do Jarau e do Quara\u00ed\u201d, comenta Cacciatore.<br \/>\nSegundo ele, nessa regi\u00e3o se concentravam muitos ga\u00fachos e foi ali que se condensou esta cultura, pois eles usavam os mesmos trajes, tinham os mesmos costumes, h\u00e1bitos, jeito de falar e modos.<br \/>\nJ\u00e1 o registro mais antigo que se tem da palavra \u201cga\u00facho\u201d \u00e9 o texto em espanhol de Pablo Carbonell, comandante de Maldonado, direcionado a Juan Jos\u00e9 Vertiz, governador de Buenos Aires, em 1771. Escreveu que \u201ctinha not\u00edcia de alguns <em>gahuchos<\/em> vistos na Serra\u201d. O autor chama aten\u00e7\u00e3o para a pron\u00fancia espanhola de haver ent\u00e3o um hiato, \u201ca\u00fa\u201d, tal como em portugu\u00eas. Ele mostra que a palavra \u201cga\u00facho\u201d passou a ser usada na Argentina apenas entre 1806 \u2013 1810 e que designava uma classe social pobre, de camponeses perseguidos pelas autoridades coloniais portenhas e montados a cavalo.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Um fora da lei<\/span><br \/>\nPara Cacciatore, o ga\u00facho de Buenos Aires n\u00e3o \u00e9 o ga\u00facho que temos aqui. \u201cO nosso ga\u00facho vem do livre e sem rei, ga\u00facho da campanha e que historicamente em 1875 deixa de ser livre por causa dos arames farpados\u201d, pontua. No in\u00edcio, o ga\u00facho n\u00e3o era valorizado, era considerado um fora da lei e esse reconhecimento come\u00e7ou com Dona Leopoldina, que fez seu marido D. Pedro vestir um poncho na coroa\u00e7\u00e3o, em 1822. Um imperador de todos os povos, culturas, ra\u00e7as e etnias, valorizando a identidade do brasileiro.<br \/>\n\u201cA imperatriz era divulgadora das ideias do iluminismo, de liberdade e este movimento tamb\u00e9m esteve presente na cria\u00e7\u00e3o da Escola de Belas Artes de 1816, hoje Escola Nacional de Belas Artes\u201d, esclarece o autor. Para ele, a escola acabou com resqu\u00edcios medievais na arte brasileira e tamb\u00e9m da posi\u00e7\u00e3o do artista na sociedade, deu identidade aos brasileiros, igualou a arte do Brasil \u00e0 arte da Europa.<br \/>\nA valoriza\u00e7\u00e3o do ga\u00facho, descrita no livro, continuou com Jos\u00e9 de Alencar, encaminhou-se com o trabalho do Partenon Liter\u00e1rio de Porto Alegre, sobretudo Caldre e Fi\u00e3o e Apolin\u00e1rio Porto-Alegre, seguido de Sim\u00f5es Lopes Neto. \u201cO ga\u00facho atual foi sendo constru\u00eddo pelos literatos da cidade\u201d, conclui Cacciatore.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Faca nos dentes<\/span><br \/>\nNessa forma\u00e7\u00e3o ele tamb\u00e9m cita o papel importante de Oswaldo Aranha, que manifestava as qualidades do \u201cga\u00facho\u201d; Erico Verissimo, com a publica\u00e7\u00e3o de O Continente, de valor internacional, e Paix\u00e3o Cortes que, com seus colegas do Col\u00e9gio J\u00falio de Castilhos, em Porto Alegre, fundou o Movimento Tradicionalista Ga\u00facho (MTG) em 1947.<br \/>\n\u201cIsso resultou na identidade do ga\u00facho hoje, no orgulho que nos d\u00e1 em dizer o que somos, em tomar nosso mate nas tardes no Parc\u00e3o e de montar verdadeiras \u2018operetas guascas\u2019 nos CTGs, para engrandecer Anita e Garibaldi\u201d, finaliza Cacciatore que para tanto, segundo Eduardo Bueno: \u201c&#8230;despiu-se das vestes da diplomacia, arrega\u00e7ou as mangas e mandou \u00e0s favas a polidez. Com o prop\u00f3sito de decifrar a esfinge \u2013 e cutucar o centauro \u2013, entrou de cabe\u00e7a na luta, com uma faca entre os dentes. Faca verbal, bem dito&#8230;<em>\u201d.<\/em><br \/>\nSobre o autor: Fernando Cacciatore \u00e9 um diplomata brasileiro, nascido em Porto Alegre em 1944. Foi diplomata nas Embaixadas do Brasil em Londres, Bagkok, Bonn, Nova D\u00e9lhi, Caracas e Berlim. Desde 2006 vive em sua cidade natal e se dedica a escrever. \u00c9 autor de <em>Fronteira Iluminada \u2013 Hist\u00f3ria do Povoamento, Conquista e Limites do Rio Grande do Sul, a partir do Tratado de Tordesilhas \u2013 1420-1920,<\/em> <em>Como escrever a hist\u00f3ria do Brasil: mis\u00e9ria e grandeza <\/em>e<em> O Ritual dos Pastores<\/em> e <em>A arquitetura neocl\u00e1ssica em Porto Alegre.<\/em><br \/>\n<span class=\"intertit culturadestaque\"><strong>SERVI\u00c7O<\/strong><\/span><br \/>\nLan\u00e7amento e sess\u00e3o de aut\u00f3grafos do livro <em>A Origem do Ga\u00facho e Outros Ensaios<\/em>, de Fernando Cacciatore<br \/>\n(editora Buenas Ideias, 128 p\u00e1ginas, R$ 50,00).<br \/>\nTer\u00e7a-feira, 19 de setembro, \u00e0s 19h30. Onde: Pinacoteca Rubem Berta ( Rua Duque de Caxias &#8211; 973. Centro Hist\u00f3rico)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num per\u00edodo cheio de comemora\u00e7\u00f5es de fa\u00e7anhas &#8211; A Semana Farroupilha &#8211; um livro vem acrescentar uma pol\u00eamica no tema &#8216;a origem do ga\u00facho&#8217;. Ao contr\u00e1rio do que proclama o senso comum, sua origem n\u00e3o \u00e9 na Argentina e sim em terras uruguaias e do Rio Grande do Sul. 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