{"id":55412,"date":"2017-09-22T13:52:48","date_gmt":"2017-09-22T16:52:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=55412"},"modified":"2017-09-22T13:52:48","modified_gmt":"2017-09-22T16:52:48","slug":"com-escassez-de-soro-estado-conta-com-zoobotanica-para-reduzir-acidentes-com-cobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/com-escassez-de-soro-estado-conta-com-zoobotanica-para-reduzir-acidentes-com-cobras\/","title":{"rendered":"Com escassez de soro, Estado conta com Zoobot\u00e2nica para reduzir acidentes com cobras"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Cleber Dioni Tentardini<\/span><br \/>\nA chegada da\u00a0primavera neste final de setembro e o aumento da temperatura deixa as cobras mais ativas em busca de alimento e acasalamento. Naturalmente, aumenta o risco de acidentes com a popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDiante do quadro limitado de soro antiof\u00eddico na rede hospitalar, o Centro Estadual de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade (CEVS), da Secretaria de Sa\u00fade, quer desencadear uma campanha de preven\u00e7\u00e3o aos\u00a0acidentes e elaborar um diagn\u00f3stico que inclui a identifica\u00e7\u00e3o das serpentes mais comuns nas regi\u00f5es em que \u00e9 alto o n\u00famero de pessoas picadas.<br \/>\nPara produzir o diagn\u00f3stico vai contar com a ajuda dos especialistas da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do Rio Grande do Sul.<br \/>\nO Estado est\u00e1 entre os dez estados brasileiros com maior n\u00famero de acidentes com cobras.\u00a0Em 2016, foram registradas 841 ocorr\u00eancias, sendo que um paciente morreu.<br \/>\nO soro antiof\u00eddico \u00e9 a \u00fanica medica\u00e7\u00e3o capaz de neutralizar o veneno das serpentes, mas teve a produ\u00e7\u00e3o reduzida pelos laborat\u00f3rios. Essa escassez atinge v\u00e1rios pa\u00edses, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).<br \/>\nA bi\u00f3loga sanitarista Cynthia da Silveira \u00e9 respons\u00e1vel no CEVS pelo controle e distribui\u00e7\u00e3o de soros antivenenos aos hospitais no Estado. Ela diz que depois de uma d\u00e9cada coordenando o abastecimento dos soros, em 2013 viu os estoques reduzidos drasticamente, na medida em que os acidentes continuaram ocorrendo como antes.<br \/>\nSua equipe, ent\u00e3o, soou o alerta de que era preciso remanejar a distribui\u00e7\u00e3o dos medicamentos recebidos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. \u201cPriorizamos os hospitais refer\u00eancias nas 19 coordenadorias regionais do Estado. Em tese, s\u00e3o esses hospitais que recebem as ampolas com soros, mas h\u00e1 munic\u00edpios em que h\u00e1 mais ocorr\u00eancias, ent\u00e3o s\u00e3o deixados estoques m\u00ednimos de soro tamb\u00e9m\u201d, afirma.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55424\" aria-describedby=\"caption-attachment-55424\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-55424\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Cynthia-da-Silveira-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"734\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55424\" class=\"wp-caption-text\">A bi\u00f3loga Cynthia da Silveira controla a distribui\u00e7\u00e3o de soros aos hospitais \/ Cleber Dioni \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nMas a bi\u00f3loga sabe que essa readequa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente porque ao suprir um munic\u00edpio com mais soros, vai deixar outros sem. E isso acontece com frequ\u00eancia.<br \/>\nO Centro de Informa\u00e7\u00f5es Toxicol\u00f3gicas (CIT), do Estado, antes ligado \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Pesquisa em Sa\u00fade (FEEPS), agora um departamento do CEVS, deve participar das a\u00e7\u00f5es, embora existam alguns contratempos como a alta demanda pelos seus servi\u00e7os de teleatendimento 24 horas e o quadro reduzido de funcion\u00e1rios do CIT.<br \/>\nNum primeiro momento, Cynthia convidou os bi\u00f3logos Roberto Baptista de Oliveira e Ac\u00e1cia Winter, da FZB, para uma reuni\u00e3o. T\u00e3o logo o projeto for formatado pelos tr\u00eas, ser\u00e1 apresentado ao secret\u00e1rio da Sa\u00fade para que marque uma reuni\u00e3o com o presidente da Zoobot\u00e2nica.<br \/>\nRoberto \u00e9 especialista em serpentes e Ac\u00e1cia tratadora de animais silvestres. Ambos trabalham no N\u00facleo de Ofiologia de Porto Alegre (NOPA), vinculado ao Museu de Ci\u00eancias Naturais da FZB.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Cangu\u00e7u e regi\u00e3o t\u00eam mais ocorr\u00eancias<\/span><br \/>\nCynthia fez um mapa do Estado onde registrou a m\u00e9dia do n\u00famero de ampolas com soro antibotr\u00f3pico usada no per\u00edodo de 2010 a 2016. Por a\u00ed, apontou onde ocorre o maior n\u00famero de acidentes. E constatou que foram utilizadas 720 ampolas com soro antibotr\u00f3pico por ano em munic\u00edpios que est\u00e3o na 2\u00aa, 3\u00aa e 4\u00aa coordenadorias regionais.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55421\" aria-describedby=\"caption-attachment-55421\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55421 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/med_amp_antibotr_10_16-2.png\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"813\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55421\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e9dia de ampolas usadas nas 19 coordenadorias regionais indica locais com mais ocorr\u00eancias \/ Reporodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_55442\" aria-describedby=\"caption-attachment-55442\" style=\"width: 281px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55442 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170831_181658-2-281x400.jpg\" alt=\"\" width=\"281\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55442\" class=\"wp-caption-text\">Munic\u00edpios com mais ocorr\u00eancias<\/figcaption><\/figure><br \/>\nFiguram munic\u00edpios como Cangu\u00e7u, Dom Feliciano, S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul, Piratini, Ca\u00e7apava do Sul, Cachoeira do Sul, Encruzilhada do Sul e Camaqu\u00e3.<br \/>\nPode-se presumir que ocorrem entre 60 e 180 acidentes. A classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 leve, moderado e grave e determina o\u00a0n\u00famero de ampolas a ser usado.<br \/>\nPara um acidente com jararaca ou cruzeira considerado leve s\u00e3o usadas quatro ampolas. Les\u00e3o moderada exige oito ampolas, e grave, 12 ou mais ampolas de soro antibotr\u00f3pico. Pelo protocolo o limite s\u00e3o 12, mas pode chegar a 20 ampolas, se n\u00e3o estancar a hemorragia que leva \u00e0 morte.<br \/>\nNoroeste e Norte do Estado tamb\u00e9m registram alto \u00edndice de ocorr\u00eancias. Naquelas cidades, foram usadas, em m\u00e9dia, 500 ampolas com soros por ano, de 2010 a 2016.<br \/>\nCada veneno de animal tem uma rea\u00e7\u00e3o e, por isso, cada um tem seu soro espec\u00edfico. O soro antibotr\u00f3pico \u00e9 usado contra o veneno das jararacas e cruzeiras. Junto com as cascav\u00e9is, as tr\u00eas esp\u00e9cies s\u00e3o respons\u00e1veis por 90% dos acidentes no Rio Grande do Sul.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55519\" aria-describedby=\"caption-attachment-55519\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55519 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/received_748097795374651-400x318.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"318\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55519\" class=\"wp-caption-text\">Cruzeira, do plantel do NOPA\\Foto Mariano Pairet<\/figcaption><\/figure><br \/>\nSe o paciente busca atendimento e o m\u00e9dico n\u00e3o consegue identificar o animal que o picou, recorre ao 0800 do CIT, que vai passar orienta\u00e7\u00f5es para o atendimento m\u00e9dico adequado.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO CIT orienta os exames necess\u00e1rios, o tipo e a quantidade de soro que o paciente precisa receber. Porque varia conforme a quantidade de veneno que o animal injetou e uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es do paciente e da les\u00e3o.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55422\" aria-describedby=\"caption-attachment-55422\" style=\"width: 264px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-55422\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Soro-antiof\u00eddico-antibotr\u00f3pico-200x155.jpg\" alt=\"\" width=\"264\" height=\"207\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55422\" class=\"wp-caption-text\">Soro antibotr\u00f3pico<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_55423\" aria-describedby=\"caption-attachment-55423\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55423 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Soro-antiof\u00eddico-200x209.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"209\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55423\" class=\"wp-caption-text\">Soro antiveneno da coral verdadeira, cuja les\u00e3o \u00e9 considerada grave<\/figcaption><\/figure><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u201cA gente precisa entender o que acontece naquelas localidades onde h\u00e1 um n\u00famero t\u00e3o grande de acidentes, se \u00e9 o tipo de atividade agr\u00edcola, tipo de vegeta\u00e7\u00e3o, microclima, e tamb\u00e9m quais as esp\u00e9cies de B\u00f3tropes predominam naquela regi\u00e3o&#8221;, explica a bi\u00f3loga. &#8220;Em S\u00e3o Louren\u00e7o, por exemplo, n\u00e3o h\u00e1 uma vegeta\u00e7\u00e3o uniforme, o tipo de relevo, ent\u00e3o precisamos saber exatamente onde est\u00e1 o problema para realizar a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o junto \u00e0s comunidades\u201d, completa.<br \/>\nA maioria das v\u00edtimas est\u00e1 na faixa et\u00e1ria produtiva, dos 19 aos 50 e poucos anos. Os acidentes normalmente acontecem no final do dia. Cynthia desconfia que \u00e9 justamente nesse hor\u00e1rio quando os agricultores est\u00e3o voltando para casa, cansados e desatentos por onde passam. O animal prefere o entardecer pra sair em busca de alimento e ataca porque se sente amea\u00e7ado.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55518\" aria-describedby=\"caption-attachment-55518\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55518 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/received_748096248708139.jpeg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"825\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55518\" class=\"wp-caption-text\">Cruzeiras, do plantel do NOPA\\Foto Mariano Pairet<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNos munic\u00edpios da Campanha, onde tamb\u00e9m h\u00e1 muitos animais pe\u00e7onhentos, h\u00e1 poucos acidentes porque geralmente as pessoas andam protegidas com botas de couro e, em certos locais, usam at\u00e9 caneleiras que v\u00e3o at\u00e9 o joelho.<br \/>\n\u201cQuero que a Zoobot\u00e2nica me aponte quais as esp\u00e9cies que est\u00e3o l\u00e1 em Cangu\u00e7u e arredores. Porque eu vou poder analisar tamb\u00e9m se o veneno de uma determinada esp\u00e9cie \u00e9 mais potente que o das outras\u201d, afirma.<br \/>\n<span class=\"intertit\">HPS atende entre 4 e 5 pacientes por m\u00eas<\/span><br \/>\nNa \u00e1rea rural de Porto Alegre ocorrem mais acidentes com a jararaca pintada, que \u00e9 uma das menores do g\u00eanero, mas muito agressiva.<br \/>\nNa capital, os atendimentos s\u00e3o concentrados no Hospital de Pronto Socorro, que disp\u00f5e hoje de 56 ampolas com soro antibotr\u00f3pico. \u00c9 suficiente para atender quatro pacientes com les\u00f5es consideradas graves.<br \/>\nO hospital atende, por m\u00eas, durante as esta\u00e7\u00f5es mais quentes, primavera e ver\u00e3o, entre 4 e 5 v\u00edtimas. \u00c9 preocupante se considerar que a Capital n\u00e3o possui atividade agr\u00edcola expressiva. No primeiro semestre do ano passado, foram atendidos 34 pacientes picados por serpentes.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55426\" aria-describedby=\"caption-attachment-55426\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55426 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/IMG-20170908-WA0001-200x231.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"231\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55426\" class=\"wp-caption-text\">Incha\u00e7o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_55427\" aria-describedby=\"caption-attachment-55427\" style=\"width: 223px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55427 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/IMG-20170908-WA0002-223x400.jpg\" alt=\"\" width=\"223\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55427\" class=\"wp-caption-text\">A\u00e7\u00e3o do veneno no bra\u00e7o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO HPS atende tamb\u00e9m os pacientes da Regi\u00e3o Metropolitana, com exce\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios de Novo Hamburgo e Montenegro, que tamb\u00e9m recebem os soros.<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u00a0<\/span><br \/>\n<span class=\"intertit\">Agricultores est\u00e3o mais vulner\u00e1veis, diz especialista<\/span><br \/>\nPara o bi\u00f3logo Roberto Baptista de Oliveira, \u00e9 preciso fazer uma avalia\u00e7\u00e3o no local para dizer o que pode estar acontecendo naquela regi\u00e3o. Pode ser o n\u00famero muito grande de esp\u00e9cimes ou a diminui\u00e7\u00e3o dos predadores, entre os quais existem mam\u00edferos como os gamb\u00e1s, aves, lagartos e cobras que se alimentam de outras.<br \/>\n\u201cNa minha percep\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, acredito que o n\u00famero elevado de acidentes pode estar associado a caracter\u00edsticas das atividades humanas, ao uso do solo, o trabalho manual nas pequenas lavouras. A gente sabe que tem muita jararaca pintada ali, ent\u00e3o provavelmente essa esp\u00e9cie esteja causando um grande n\u00famero de acidentes. \u00c9 uma esp\u00e9cie pr\u00f3pria de afloramento rochoso, \u00e1rea de campo\u201d, avalia o bi\u00f3logo.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55429\" aria-describedby=\"caption-attachment-55429\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55429 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170910_132525.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"646\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55429\" class=\"wp-caption-text\">Roberto e as crian\u00e7as encantadas com as serpentes em evento no Jardim Bot\u00e2nico \/ Cleber Dioni \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEm torno de 90% dos acidentes s\u00e3o causados por jararaca, jararaca-pintada e cruzeira. A jararacu\u00e7u, no RS, \u00e9 restrita \u00e0 regi\u00e3o do Parque Estadual do Turvo, e s\u00e3o raros os acidentes.<br \/>\nAs corais verdadeiras s\u00e3o muito abundantes em todo o Estado, mas os acidentes s\u00e3o raros, devido principalmente ao comportamento pouco agressivo da esp\u00e9cie; o padr\u00e3o de colora\u00e7\u00e3o chamativo tamb\u00e9m pode ser um fator que colabora com o baixo n\u00famero de acidentes, pois torna f\u00e1cil sua visualiza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55434\" aria-describedby=\"caption-attachment-55434\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-55434\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170905_113602-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"1103\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55434\" class=\"wp-caption-text\">Coral verdadeira, no NOPA<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cAgora \u00e9 o momento ideal para realizarmos estudos nesses locais. Est\u00e3o mais ativas para alimenta\u00e7\u00e3o, termorregula\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o. Os acasalamentos ocorrem principalmente neste per\u00edodo (final do inverno e primavera), e os nascimentos ocorrem principalmente entre o ver\u00e3o e in\u00edcio do outono\u201d, ressalta Oliveira.<br \/>\nNo Estado ocorrem aproximadamente 80 esp\u00e9cies de serpentes. Dessas, quatro foram inclu\u00eddas em alguma categoria de esp\u00e9cies da fauna amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o no RS (Decreto Estadual No\u00a051797 de 2014),:\u00a0Apostolepis quirogai, na categoria \u201cEm Perigo\u201d, e\u00a0Atractus thalesdelemai (cobra da terra),\u00a0Bothrops jararacussu\u00a0(Jararacu\u00e7u) e\u00a0Hydrodynastes gigas\u00a0(Boipeva\u00e7u), na categoria \u201cVulner\u00e1vel\u201d. Outras 12 esp\u00e9cies foram consideradas como \u201cDados Insuficientes\u201d para avalia\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDez esp\u00e9cies s\u00e3o consideradas pe\u00e7onhentas de import\u00e2ncia m\u00e9dica: seis do g\u00eanero\u00a0Bothrops\u00a0(grupo das jararacas), uma do g\u00eanero\u00a0Crotalus\u00a0(cascavel) e tr\u00eas do g\u00eanero\u00a0Micrurus\u00a0(corais-verdadeiras).<br \/>\n<figure id=\"attachment_55435\" aria-describedby=\"caption-attachment-55435\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-55435\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Cascavel-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"713\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55435\" class=\"wp-caption-text\">Cascavel, do plantel do NOPA\/ Foto Raul Carvalho\/Minist\u00e9rio P\u00fablico RS\u00a0<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">NOPA orienta equipes de sa\u00fade e seguran\u00e7a<\/span><br \/>\nA bi\u00f3loga Ac\u00e1cia Winter ressalta a import\u00e2ncia de capacitar o maior n\u00famero poss\u00edvel de agentes de sa\u00fade para que possam repassar as informa\u00e7\u00f5es \u00e0s comunidades. Os servidores do NOPA regularmente oferecem treinamento de conten\u00e7\u00e3o, manejo e identifica\u00e7\u00e3o de serpentes aos soldados da Brigada Militar e do Ex\u00e9rcito, bem como aos agentes de sa\u00fade e ambientais.<br \/>\nAc\u00e1cia lembra que o N\u00facleo ainda acolhe serpentes capturadas e que n\u00e3o podem ser soltas na natureza novamente e conforme a demanda, fornece pe\u00e7onha para pesquisas cient\u00edficas nas faculdades.<br \/>\n<figure id=\"attachment_48079\" aria-describedby=\"caption-attachment-48079\" style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-48079 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/Ac\u00e1cia.jpg\" alt=\"\" width=\"725\" height=\"483\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-48079\" class=\"wp-caption-text\">Ac\u00e1cia com alunos de Biologia da Ufrgs \/ Mariano Pairet \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nHoje, o NOPA \u00e9 o \u00fanico serpent\u00e1rio do Estado que realiza extra\u00e7\u00e3o de pe\u00e7onha. Mant\u00e9m cerca de 350 cobras de 16 esp\u00e9cies, sendo oito pe\u00e7onhentas. H\u00e1 esp\u00e9cies que ocorrem somente no Rio Grande do Sul como a Jararaca-pintada (Bothrops pubescens). S\u00e3o encontradas ali, tamb\u00e9m, a cruzeira, a coral verdadeira, a cascavel, a jiboia, entre outras.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55502\" aria-describedby=\"caption-attachment-55502\" style=\"width: 1133px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-55502\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/received_747836338734130.jpeg\" alt=\"\" width=\"1133\" height=\"1150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55502\" class=\"wp-caption-text\">Servidora do NOPA extraindo veneno\/Foto Mariano Pairet\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO contrato com o Instituto Vital Brazil, (IVB), um dos quatro laborat\u00f3rios respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o nacional de soro antiof\u00eddico, est\u00e1 suspenso desde janeiro deste ano. Assim como permanece <a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/cobras-do-museu-de-ciencias-podem-ir-para-rio-de-janeiro\/\">fechada a \u00e1rea de visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica do serpent\u00e1rio<\/a>.<br \/>\nAinda em janeiro deste ano, falou\u2013se na possibilidade de transfer\u00eancia do serpent\u00e1rio para IVB, que fica no Rio de Janeiro. Na \u00e9poca, o diretor cient\u00edfico do Vital Brazil, Rafael Cisne, disse que o Instituto tinha interesse em receber as serpentes do NOPA, mas dependia de recursos do Estado para efetuar a remo\u00e7\u00e3o dos animais. Mas, o impacto financeiro que essa transfer\u00eancia acarretaria aos cofres p\u00fablicos deficit\u00e1rios do Rio inviabilizou o envio dos animais.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Em 2016, 841 pessoas foram picadas no Estado<\/span><br \/>\nO Rio Grande do Sul est\u00e1 entre os dez estados brasileiros com maior n\u00famero de acidentes com cobras. Figuram como campe\u00f5es os estados do Par\u00e1, Minas Gerais e Bahia.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55425\" aria-describedby=\"caption-attachment-55425\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55425 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/IMG-20170908-WA0000-200x163.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"163\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55425\" class=\"wp-caption-text\">Primeiros sintomas<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEm 2016, foram notificados ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade 841 casos de acidentes com serpentes no Rio Grande do Sul, sendo que um paciente morreu. No Brasil, foram 26.244 casos e 116 \u00f3bitos. Em 2015, foram registrados 886 acidentes e um \u00f3bito em solo ga\u00facho, e 27.120 casos e 106 \u00f3bitos no pa\u00eds.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<span class=\"intertit\">Acidentes com serpentes (Brasil)<\/span><br \/>\nAno\u00a0 2014 &#8211; 26.185<br \/>\n2015 &#8211; 27.120<br \/>\n2016 &#8211; 26.244<br \/>\n<span class=\"intertit\">Acidentes com serpentes (RS)<\/span><br \/>\nAno\u00a0 2014 &#8211; 805<br \/>\n2015 &#8211; 886<br \/>\n2016 &#8211; 841<br \/>\n<span class=\"intertit\">Os \u00f3bitos (BR)<\/span><br \/>\nAno\u00a0 2014 &#8211; 101<br \/>\n2015 &#8211; 106<br \/>\n2016 &#8211; 116<br \/>\n<span class=\"intertit\">Os \u00f3bitos (RS)<\/span><br \/>\nAno\u00a0 2014 &#8211; 5<br \/>\n2015 &#8211; 1<br \/>\n2016 &#8211; 1<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u201cSe n\u00e3o tiver soro, o mundo vem abaixo\u201d<\/span><br \/>\nImpressiona a rede de sa\u00fade e log\u00edstica montada para prestar atendimento \u00e0s v\u00edtimas de picadas de cobras. A dor intensa e os efeitos vis\u00edveis provocados pelo veneno desse animal acabam mobilizando todos na sua volta.<br \/>\nA estrat\u00e9gia \u00e9 de guerrilha. Cynthia tem planilhas atualizadas diariamente. Um banco de dados na internet tem que estar com as informa\u00e7\u00f5es em dia. Hoje, ela sabe exatamente o estoque de ampolas que possui o Hospital de Santo \u00c2ngelo ou a Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, de Santana do Livramento. Com a condi\u00e7\u00e3o de que os estoques dessas institui\u00e7\u00f5es tenham sido atualizados.<br \/>\nA bi\u00f3loga carrega um telefone celular s\u00f3 para atender as chamadas dos hospitais e n\u00e3o tem hora, \u00e0s vezes ligam \u00e0 meia-noite para saber onde h\u00e1 soro mais pr\u00f3ximo de um determinado munic\u00edpio.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55433\" aria-describedby=\"caption-attachment-55433\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55433 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Cynthia-da-Silveira-400x248.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"248\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55433\" class=\"wp-caption-text\">Bi\u00f3loga trabalha h\u00e1 18 anos no CEVS \/ Cleber Dioni \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA rede est\u00e1 montada para atender de forma \u00e1gil. As primeiras tr\u00eas horas ap\u00f3s a picada s\u00e3o imprescind\u00edveis para neutralizar o veneno. Cynthia tem que saber onde est\u00e3o as ampolas para mandar buscar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Se o paciente tem condi\u00e7\u00f5es, o SAMU o leva at\u00e9 o hospital que possui a medica\u00e7\u00e3o, mas se est\u00e1 com quadro hemorr\u00e1gico grave e n\u00e3o pode ser transferido, a prioridade, ent\u00e3o, \u00e9 que algum motorista leve o soro at\u00e9 onde ele est\u00e1.<br \/>\n\u201cSe um paciente chegar ao hospital e n\u00e3o tiver soro, o mundo vem abaixo. Porque ele pode morrer. Como as pessoas t\u00eam muito medo de cobras, quando acontece um acidente, isso gera uma como\u00e7\u00e3o impressionante. Nos 18 anos em que trabalho nesse programa, nunca recebi um n\u00e3o para atender alguma ocorr\u00eancia, seja a hora que for&#8221;, explica.<br \/>\nA bi\u00f3loga narra situa\u00e7\u00f5es que acontecem seguidamente: \u201cVer\u00e3o de 2017, oito horas da noite de um domingo, me ligam de Bag\u00e9. Estavam sem soro. Eu peguei minha planilha e vi que havia tantas ampolas l\u00e1. O problema \u00e9 que eles n\u00e3o haviam registrado o uso e estavam sem a medica\u00e7\u00e3o. Liguei para o lugar mais pr\u00f3ximo, em Pelotas, e disse que algu\u00e9m teria que levar as ampolas para Bag\u00e9. N\u00e3o daria para enviar por \u00f4nibus, era caso de emerg\u00eancia. Um motorista tem que ser liberado para ir buscar soro. Mas o funcion\u00e1rio era novo e ficou em d\u00favida porque implicaria no pagamento de horas extras. O motorista se prontificou na hora, buscou o carro e levou as ampolas\u201d.<br \/>\n\u201cEm Santo \u00c2ngelo, tivemos uma situa\u00e7\u00e3o peculiar tempos atr\u00e1s, onde foram atendidos num s\u00f3 dia seis pacientes picados\u201d.<br \/>\n\u201cUm jovem agricultor de 32 anos foi picado, em quest\u00e3o de meia hora j\u00e1 estava recebendo todo o atendimento adequado, mas foi ao \u00f3bito porque tinha uma gastrite e n\u00e3o conseguiram reverter o quadro hemorr\u00e1gico\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">CIT \u00e9 refer\u00eancia em emerg\u00eancias h\u00e1 41 anos<\/span><br \/>\nO\u00a0Centro de Informa\u00e7\u00e3o Toxicol\u00f3gica do Rio Grande do Sul (CIT\/RS) completou 41 anos em agosto como a principal refer\u00eancia no Estado para auxiliar profissionais de sa\u00fade em caso de intoxica\u00e7\u00f5es dos pacientes e orientar a popula\u00e7\u00e3o sobre os primeiros socorros e na preven\u00e7\u00e3o de acidentes.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55438\" aria-describedby=\"caption-attachment-55438\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55438 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170911_153812.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"646\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55438\" class=\"wp-caption-text\">Unidade de telemedicina atende 24 horas, nos sete dias da semana \/ Cleber Dioni \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO CIT funciona atrav\u00e9s de um sistema informatizado de atendimento, feito por 21 pessoas que se revezam nos plant\u00f5es. Trabalham ali universit\u00e1rios de semestres avan\u00e7ados, como estagi\u00e1rios, e profissionais das \u00e1reas da medicina, veterin\u00e1ria, biologia e farm\u00e1cia. \u00c9 o que chamam de uma unidade de\u00a0telemedicina,\u00a0que atende em regime de plant\u00e3o 24 horas, nos sete dias da semana, atrav\u00e9s do seu 0800.721.3000.<br \/>\nAt\u00e9 2016, o Centro era vinculado \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Produ\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Sa\u00fade (FEPPS), extinta pelo governo estadual. Hoje, \u00e9 ligado ao Centro Estadual de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade (CEVS), da Secretaria da Sa\u00fade. Est\u00e1 com quadro de funcion\u00e1rios bem reduzido, 21 funcion\u00e1rios, embora cres\u00e7a a cada ano a demanda por seus servi\u00e7os.<br \/>\nO secret\u00e1rio adjunto da SES e diretor do Departamento de Assist\u00eancia Hospitalar e Ambulatorial (DAHA), Francisco Zancan Paz, ressalta que o CIT mant\u00e9m em estoque permanentemente amostras de soros necess\u00e1rios para o tratamento de intoxica\u00e7\u00f5es por todo tipo de picada de animais pe\u00e7onhentos encontrados no Estado.<br \/>\n\u201cTemos condi\u00e7\u00f5es de, em uma hora, disponibilizar o soro indicado para qualquer parte do Estado, desde que cumpridos os protocolos pois face a pequena capacidade de produ\u00e7\u00e3o de soros no pa\u00eds, tem sido necess\u00e1rio manter-se um rigoroso controle de estoque, para evitar situa\u00e7\u00e3o de desabastecimento. Mas as utiliza\u00e7\u00f5es de soro nos hospitais polos s\u00e3o rapidamente repostas\u201d, afirma.<br \/>\nPaz destaca ainda a import\u00e2ncia de o CIT realizar campanhas de preven\u00e7\u00e3o, nas regi\u00f5es com mais ocorr\u00eancias do Estado, principalmente com a chegada dos meses mais quentes.<br \/>\nA bi\u00f3loga K\u00e1tia Moura, servidora h\u00e1 17 anos no Centro, afirma que os casos mais comuns envolvem intoxica\u00e7\u00f5es por medicamentos, animais e plantas.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55446\" aria-describedby=\"caption-attachment-55446\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55446 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170911_154727-400x225.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55446\" class=\"wp-caption-text\">K\u00e1tia com a aranha marrom, venenosa \/ Cleber Dioni \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nPor se tratar sempre de atendimento de emerg\u00eancia m\u00e9dica, atrav\u00e9s de liga\u00e7\u00e3o gratuita, o Centro acaba recebendo demandas de todo o pa\u00eds.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u201cSeguidamente recebemos liga\u00e7\u00f5es de outras regi\u00f5es do Brasil e at\u00e9 de pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina como Uruguai e Argentina porque os profissionais da sa\u00fade buscam atendimento em um 0800 e, se n\u00e3o conseguem, j\u00e1 tentam outro at\u00e9 receberem as orienta\u00e7\u00f5es que precisam\u201d, explica K\u00e1tia.<br \/>\nEntre as principais v\u00edtimas de intoxica\u00e7\u00f5es est\u00e3o crian\u00e7as com idade abaixo de cinco anos. Os acidentes nesta faixa et\u00e1ria ocorrem normalmente dentro de casa e com produtos qu\u00edmicos de uso frequente como medicamentos, limpadores, desinfetantes, solventes, detergentes, produtos de higiene e cosm\u00e9ticos.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55437\" aria-describedby=\"caption-attachment-55437\" style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55437 size-full\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170911_154530.jpg\" alt=\"\" width=\"1150\" height=\"646\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55437\" class=\"wp-caption-text\">Bi\u00f3loga mostra um exemplar do plantel de animais pe\u00e7onhentos do CIT \/ Cleber Dioni \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO CIT mant\u00e9m ainda um pequeno plantel de animais pe\u00e7onhentos, entre aranhas, escorpi\u00f5es e serpentes, mas n\u00e3o extrai mais veneno, que era doado \u00e0s universidades. Al\u00e9m de passar orienta\u00e7\u00f5es, realiza an\u00e1lises laboratoriais e de diagn\u00f3sticos para tratamento das exposi\u00e7\u00f5es t\u00f3xicas.<br \/>\nAl\u00e9m do telefone 0800, a p\u00e1gina na internet do CIT (http:\/\/www.cit.rs.gov.br\/) cont\u00e9m muitas informa\u00e7\u00f5es \u00fateis.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Para evitar acidentes com animais pe\u00e7onhentos<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_55440\" aria-describedby=\"caption-attachment-55440\" style=\"width: 240px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55440 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/20170911_161123-240x400.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55440\" class=\"wp-caption-text\">Material usado para preven\u00e7\u00e3o de acidentes<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">Medidas Preventivas:<\/span><br \/>\nUsar botas de borracha (at\u00e9 o joelho), ou botinas com perneiras ao andar no campo ou mata;<br \/>\nUsar luvas de raspa de couro e\/ou abrigo com mangas longas nas atividades de jardinagem. Manter jardins e quintais limpos. Limpar terrenos baldios pr\u00f3ximos das resid\u00eancias. Evitar folhagens densas junto a paredes e muros de casas. Usar graveto, enxada ou gancho ao mexer em lenha, buracos, folhas secas, troncos ocos;<br \/>\nRebocar paredes para que n\u00e3o apresentem rachaduras ou frestas;<br \/>\nVedar soleiras de portas com rolos de areia ou rodos de borracha. Colocar telas nos ralos das pias ou tanques;<br \/>\nConsertar rodap\u00e9s soltos;<br \/>\nColocar telas nas janelas;<br \/>\nEvitar o contato com lagartas urticantes. Observar a presen\u00e7a de folhas ro\u00eddas, fezes ou pupas no solo.<br \/>\n<strong>Primeiros socorros:<\/strong><br \/>\nLave o local da picada com \u00e1gua e sab\u00e3o;<br \/>\nMantenha a v\u00edtima sentada ou deitada para n\u00e3o favorecer a circula\u00e7\u00e3o do veneno. Se a picada for na perna ou no bra\u00e7o, mantenha-os em posi\u00e7\u00e3o mais elevada;<br \/>\nLeve a v\u00edtima ao servi\u00e7o de sa\u00fade mais pr\u00f3ximo para que possa receber atendimento;<br \/>\nSe poss\u00edvel, fazer registro fotogr\u00e1fico da cobra causadora do acidente, para que seja feito o tratamento adequado;<br \/>\nLigue para o CIT\/RS \u2013 0800 721 3000.<br \/>\n<strong>O que n\u00e3o fazer?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o fazer torniquete ou garrote, n\u00e3o colocar subst\u00e2ncias no local da picada (caf\u00e9, fumo, folhas, urina etc), n\u00e3o cortar ou queimar o local da picada, n\u00e3o sugar o veneno, n\u00e3o ingerir bebidas alco\u00f3licas ou outras subst\u00e2ncias. Aten\u00e7\u00e3o: s\u00f3 o soro cura a picada de cobra.<br \/>\nO soro n\u00e3o \u00e9 vendido. Ele s\u00f3 pode ser aplicado em hospitais. Em caso de acidente na regi\u00e3o de Porto Alegre, deve-se procurar o Hospital de Pronto Socorro (HPS), pelo telefone 192 ou, em qualquer parte do Estado, o Centro de Informa\u00e7\u00e3o Toxicol\u00f3gica (CIT), pelo telefone 0800-721 3000.<br \/>\n<strong>N\u00e3o matar as cobras<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de serem animais silvestres protegidos por lei, as cobras s\u00e3o predadores e presas, respons\u00e1veis pelo controle populacional de outros animais (ratos, por exemplo). O veneno \u00e9 usado para fabricar medicamentos, entre eles o tratamento para picada de serpentes e rem\u00e9dio para press\u00e3o alta.\u00a0No Rio Grande do Sul, est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o a jararacussu, a cotiara e a surucucu do Pantanal.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade tem estoque limitado de soros antiof\u00eddicos<\/span><br \/>\nH\u00e1 quatro laborat\u00f3rios conveniados com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que produzem os nove tipos de antivenenos, incluindo os cinco tipos de soro antiof\u00eddico: o Instituto Butantan (SP), Instituto Vital Brazil (RJ), a Funda\u00e7\u00e3o Ezequiel Dias (MG) e o Centro de Produ\u00e7\u00e3o e Pesquisa de Imunobiol\u00f3gicos (PR).<br \/>\n<figure id=\"attachment_55436\" aria-describedby=\"caption-attachment-55436\" style=\"width: 706px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-55436\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Inst-Butant\u00e3.png\" alt=\"\" width=\"706\" height=\"413\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55436\" class=\"wp-caption-text\">Produ\u00e7\u00e3o de soros no Instituto Butantan \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nO Minist\u00e9rio requisita anualmente um n\u00famero determinado de ampolas com soros, que ser\u00e1 distribu\u00eddo para todo o Brasil. O contrato em vigor neste ano de 2017 prev\u00ea a entrega de 495.500 ampolas de antivenenos. Destas, 360.500 ampolas correspondem aos soros para os acidentes com serpentes. Esse estoque d\u00e1 para atender cerca de 30 mil acidentes, considerando a utiliza\u00e7\u00e3o de, no m\u00e1ximo, 12 ampolas para cada paciente, procedimento padr\u00e3o em ocorr\u00eancias com certa gravidade.<br \/>\nAs solicita\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas mensalmente pelos estados, exceto em situa\u00e7\u00f5es especiais quando poder\u00e3o ser solicitadas remessas extras.<br \/>\nPara o Rio Grande do Sul, em 2016 foram enviadas 8.600 ampolas de antivenenos, sendo 6.300 de antiof\u00eddicos. Em 2017, at\u00e9 o momento, j\u00e1 foram enviadas 5.630 ampolas, sendo 4.395 ampolas de antivenenos de cobras.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Problema no abastecimento come\u00e7ou em 2013<\/span><br \/>\nO problema no abastecimento come\u00e7ou em 2013. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade avisou que iria ter uma escassez de soro com o argumento de que a Anvisa havia determinado uma reorganiza\u00e7\u00e3o nos laborat\u00f3rios produtores para atender a um manual de boas pr\u00e1ticas, conforme ficou acertado em reuni\u00e3o da OPAS \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o Pan-americana de Sa\u00fade.<br \/>\n<figure id=\"attachment_55504\" aria-describedby=\"caption-attachment-55504\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-55504 size-medium\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/Soro-antiof\u00eddico-antibotr\u00f3pico-2-400x362.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"362\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55504\" class=\"wp-caption-text\">Soro antiof\u00eddico anticrot\u00e1lico<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u201cAntes, todos os hospitais no Estado, independente de registrar ou n\u00e3o acidentes com cobras, tinham no m\u00ednimo 12 ampolas de soro em seu estoque. Mas tivemos que centralizar em fun\u00e7\u00e3o da falta de soro, diz Cynthia, do CEVS ga\u00facho.<br \/>\n<span class=\"intertit\">OMS alerta para escassez global de ant\u00eddotos\u00a0<\/span><br \/>\nCada vez menos empresas produzem soro antiof\u00eddico.\u00a0A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade divulgou um comunicado no final de agosto alertando para a escassez global de ant\u00eddotos contra venenos de cobras devido a diminui\u00e7\u00e3o de empresas produtoras de soro antiof\u00eddico e o consequente aumento do n\u00famero de mortes por envenenamento.<br \/>\nMais de 100 mil pessoas morrem anualmente no mundo em consequ\u00eancia de picada de cobra, sendo que o problema \u00e9 particularmente grande na \u00c1frica. At\u00e9 30 mil pessoas morrem por ano no continente ap\u00f3s serem picadas por serpentes. Na \u00cdndia, o n\u00famero de v\u00edtimas mortais sobe para 50 mil.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Testes em laborat\u00f3rio<\/span><br \/>\nAl\u00e9m dos cavalos utilizados para a produ\u00e7\u00e3o de soros, est\u00e1 sendo testadas subst\u00e2ncias com ajuda de vacas e ovelhas, cujos genes dos sistemas imunol\u00f3gicos animais foram trocados por genes humanos. O m\u00e9todo j\u00e1 est\u00e1 sendo testado nos EUA, com resultados promissores. \u201cMas o novo m\u00e9todo ainda n\u00e3o \u00e9 uma alternativa para produ\u00e7\u00e3o das grandes quantidades de soro antiof\u00eddico necess\u00e1rias\u201d, pondera N\u00fcbling.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleber Dioni Tentardini A chegada da\u00a0primavera neste final de setembro e o aumento da temperatura deixa as cobras mais ativas em busca de alimento e acasalamento. Naturalmente, aumenta o risco de acidentes com a popula\u00e7\u00e3o. Diante do quadro limitado de soro antiof\u00eddico na rede hospitalar, o Centro Estadual de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade (CEVS), da Secretaria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":55420,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1998,26,1999],"tags":[],"class_list":["post-55412","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fundacoes","category-geral","category-reportagens-especiais"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-epK","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55412"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55412\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}