{"id":55456,"date":"2017-09-22T14:38:15","date_gmt":"2017-09-22T17:38:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=55456"},"modified":"2017-09-22T14:38:15","modified_gmt":"2017-09-22T17:38:15","slug":"quando-o-campeonato-brasileiro-tinha-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/quando-o-campeonato-brasileiro-tinha-graca\/","title":{"rendered":"Quando o Campeonato Brasileiro tinha gra\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h2><\/h2>\n<h3>\u00a0<span class=\"assina\">EDUARDO MARETTI<\/span><\/h3>\n<p>Na era dos pontos corridos, \u00e9 bom lembrar de quando o Campeonato Brasileiro tinha gra\u00e7a, j\u00e1 que hoje o Brasileir\u00e3o n\u00e3o interessa a n\u00e3o ser para &#8220;se classificar para a Libertadores&#8221;.<br \/>\nNa \u00e9poca de ouro do boxe, era costume a gente (todo mundo) se referir a um grande combate como &#8220;a luta \u00a0do s\u00e9culo&#8221;. No futebol, como no boxe, isso \u00e9 discut\u00edvel, claro. Depende do ponto de vista.<br \/>\nMas n\u00e3o importa. O &#8220;jogo do s\u00e9culo&#8221; \u00a0aconteceu no dia 15 de dezembro de 2002, no Morumbi, quando o Santos bateu o Corinthians por 3 a 2 e sagrou-se campe\u00e3o brasileiro depois de 18 anos sem ganhar um t\u00edtulo importante. Foi o \u00faltimo campeonato antes da era dos pontos corridos, iniciada em 2003.<br \/>\nOs melhores momentos do jogo, com a narra\u00e7\u00e3o magistral (de r\u00e1dio) do grande Jos\u00e9 Silv\u00e9rio:<\/p>\n<p>Como disse um comentarista na \u00e9poca, aquilo &#8220;n\u00e3o foi um jogo de futebol, foi uma \u00f3pera&#8221;. Independentemente de eu ser santista, foi um dos maiores jogos de futebol que vi na vida. No caso, o maior, o &#8220;jogo do s\u00e9culo&#8221;.<br \/>\nEst\u00e1vamos l\u00e1, a fam\u00edlia reunida, Carmem (tamb\u00e9m conhecida como Jacar\u00e9 do Rio Claro ou Emin\u00eancia Parda) e Gabriel. Vimos tudo do lado esquerdo do Santos no primeiro tempo e do lado direito no segundo. De maneira que testemunhamos Robinho fazer as jogadas do primeiro e do segundo gols mais de perto (&#8220;mais&#8221; porque o Morumbi \u00e9 um est\u00e1dio enorme e voc\u00ea n\u00e3o fica t\u00e3o perto do campo como no maravilhoso Pacaembu ou na sagrada Vila Belmiro).<br \/>\nTamb\u00e9m vimos o monstro F\u00e1bio Costa, com suas defesas monumentais, numa das mais incr\u00edveis atua\u00e7\u00f5es de goleiro que j\u00e1 vi. E olha que j\u00e1 vi Cejas e Rodolfo Rodrigues, s\u00f3 pra falar de santistas. A 1 (um) minuto de jogo, F\u00e1bio Costa, que veio da Bahia, j\u00e1 come\u00e7ava a mostrar que aquele t\u00edtulo j\u00e1 estava escrito nas estrelas, como talvez dissesse Nelson Rodrigues. \u00c9 s\u00f3 ver o v\u00eddeo.<br \/>\n***<br \/>\nN\u00e3o publico aqui por efem\u00e9ride nem nada parecido. \u00c9 que postei esse v\u00eddeo acima no Facebook e resolvi registrar aqui porque em blog se registra mais definitivamente &#8212; no face, daqui a uma semana, ningu\u00e9m acha mais (a fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 deliberada) &#8212; e, afinal, tenho amigos que n\u00e3o t\u00eam conta na rede social.<br \/>\nO Santos podia at\u00e9 perder por um gol de diferen\u00e7a que seria campe\u00e3o (porque ganhou o primeiro jogo de 2 a 0) e vencia por 1 a 0 at\u00e9 30 do segundo tempo. Mas, quando a gente come\u00e7ava a timidamente querer comemorar (nunca se comemora uma vit\u00f3ria contra o Corinthians de antem\u00e3o), eles empataram, aos 30, e viraram aos 39. Sofrimento, tens\u00e3o extrema, taquicardia, at\u00e9 falta de ar. Mais um gol e aquele maravilhoso time de meninos de Emerson Le\u00e3o perderia para a equipe de Carlos Alberto Parreira, um belo time de um grande t\u00e9cnico, diga-se.<br \/>\nMas, 3 minutos e meio depois do segundo gol corintiano, Elano marcou o segundo do Peixe, aos 43. O gol do t\u00edtulo. Elano saindo pra comemorar o gol e o t\u00edtulo levantando a camisa e mostrando a imagem de Nossa Sra. Aparecida, a padroeira do Brasil. Ou seja, foi um gol m\u00e1gico e espiritual para coroar um t\u00edtulo m\u00e1gico e espiritual. S\u00f3 santista entende isso.<br \/>\nEstava 2 a 2. Eram 43 do segundo tempo e o Corinthians, o sempre terr\u00edvel advers\u00e1rio, precisava ent\u00e3o fazer dois gols em 4 minutos. \u00c9ramos campe\u00f5es! Chor\u00e1vamos na arquibancada.<br \/>\nO gol do t\u00edtulo, talvez o maior gol que o maior ataque do mundo j\u00e1 fez (o Santos \u00e9 o time que mais fez gols na hist\u00f3ria do futebol, com cerca de 12.400 gols). A jogada foi um desenho geom\u00e9trico (pode conferir no v\u00eddeo), um tri\u00e2ngulo (Elano-Robinho-Elano) para a antologia do futebol.<br \/>\nElano seria, ali\u00e1s, autor do gol do t\u00edtulo brasileiro de 2004 tamb\u00e9m. Mas a\u00ed j\u00e1 era campeonato de pontos corridos, que os brasileiros resolveram copiar dos europeus para estragar nosso campeonato nacional, para regozijo da &#8220;cr\u00f4nica esportiva&#8221;, que at\u00e9 hoje bate palmas para essa estupidez.<br \/>\n*\u00a0Digo que o campeonato de 2002 foi o \u00faltimo que teve gra\u00e7a porque foram raros os que, a partir da era dos pontos corridos (2003), emocionaram. Curiosamente, um dos \u00fanicos foi o de 2004, quando de novo o campe\u00e3o foi o Santos, numa disputa que s\u00f3 terminou na \u00faltima rodada, aos 45 do segundo tempo.<br \/>\n***<br \/>\nAs escala\u00e7\u00f5es da final de 2002:<br \/>\nSantos: F\u00e1bio Costa; Maurinho, Andr\u00e9 Lu\u00eds, Alex e L\u00e9o; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego (Robert, depois Michel); Robinho e William (Alexandre). T\u00e9cnico: \u00c9merson Le\u00e3o<br \/>\nCorinthians: Doni; Rog\u00e9rio, Anderson, F\u00e1bio Luciano e Kl\u00e9ber; Vampeta, Fabinho (Fabr\u00edcio) e Renato (Marcinho); Gil, Deivid e Guilherme (Leandro). T\u00e9cnico: Carlos Alberto Parreira<br \/>\n<em>(Publicado originalmente no <a href=\"http:\/\/fatosetc.blogspot.com.br\/2017\/08\/para-nao-esquecer-final-do-campeonato.html\">blog do autor<\/a>)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0EDUARDO MARETTI Na era dos pontos corridos, \u00e9 bom lembrar de quando o Campeonato Brasileiro tinha gra\u00e7a, j\u00e1 que hoje o Brasileir\u00e3o n\u00e3o interessa a n\u00e3o ser para &#8220;se classificar para a Libertadores&#8221;. Na \u00e9poca de ouro do boxe, era costume a gente (todo mundo) se referir a um grande combate como &#8220;a luta \u00a0do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-55456","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-analiseopiniao"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-eqs","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55456"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55456\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}