{"id":55585,"date":"2017-09-25T15:15:23","date_gmt":"2017-09-25T18:15:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=55585"},"modified":"2017-09-25T15:15:23","modified_gmt":"2017-09-25T18:15:23","slug":"tertulia-de-fischer-abre-janela-para-a-musica-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/tertulia-de-fischer-abre-janela-para-a-musica-do-sul\/","title":{"rendered":"Tert\u00falia de Fischer abre janela para a m\u00fasica do Sul"},"content":{"rendered":"<p>Um dos \u00faltimos eventos do 24\u00ba Porto Alegre em Cena, o inusitado show \u201cDiscutindo a Rela\u00e7\u00e3o: M\u00fasica e Literatura\u201d poderia talvez atrair p\u00fablico maior, caso tivesse sido programado para uma data mais favor\u00e1vel aos militantes da arte e da cultura. No s\u00e1bado, 23\/09, \u00e0 noite, ocupou apenas a metade do audit\u00f3rio (120 lugares) do Instituto Goethe, no Bairro Moinhos de Vento. Uma pena.<br \/>\nEscudado pelo flautista Ayres Potthoff e o violonista Mathias Pinto, ambos professores de m\u00fasica e habitu\u00e9s de saraus na capital ga\u00facha, o professor de literatura Lu\u00eds Augusto Fischer iniciou e terminou suas falas admitindo que n\u00e3o sabia exatamente como definir o evento classificado como \u201cespet\u00e1culo local\u201d no \u00edndice do cat\u00e1logo do Porto Alegre em Cena de 2017.<br \/>\nFoi uma tert\u00falia, sem d\u00favida, em que Fischer, Pinto e Potthoff usaram como iscas textos de Machado de Assis, Alu\u00edsio de Azevedo, Olavo Bilac, Rui Barbosa e Jo\u00e3o do Rio; e can\u00e7\u00f5es de Anacleto Medeiros, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Carlos Gomes, Joaquim Callado e Pixinguinha &#8211; todos autores que viveram no Rio de Janeiro entre o final do s\u00e9culo XIX e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<br \/>\nA ideia subjacente a esse passeio l\u00edtero-musical era tentar captar os momentos em que os g\u00eaneros liter\u00e1rios (conto, romance, cr\u00f4nica) e musicais (polca, maxixe, lundu, modinha, valsa, tango, chorinho) se cruzaram na hist\u00f3ria brasileira, gerando as ra\u00edzes do que se conhece hoje por MPB &#8211; m\u00fasica popular brasileira.<br \/>\nSegundo o consenso resultante dos depoimentos dos tr\u00eas componentes do Discutindo a Rela\u00e7\u00e3o, a MPB come\u00e7ou a tomar forma a partir do maxixe \u2018Corta Jaca\u2019 de Chiquinha Gonzaga, da polca \u2018Ameno Resed\u00e1\u2019 de Ernesto Nazareth e do chorinho \u2018Carinhoso\u2019 de Pinxinguinha \u2013 o primeiro de 1893, o \u00faltimo de 1917.<br \/>\nCom dura\u00e7\u00e3o de 80 minutos, a tert\u00falia de Fischer, Potthoff e Mathias restringiu-se a personagens atuantes no Rio de Janeiro, refor\u00e7ando a lenda de que a MPB teve origem na ex-capital do Brasil, de onde teria sido difundida, por partituras, para o resto do pa\u00eds, que depois passaria a receber a influ\u00eancia carioca via r\u00e1dio, disco e TV.<br \/>\nEm seus coment\u00e1rios finais, Fischer abriu uma janela lateral ao citar o ga\u00facho Jo\u00e3o Sim\u00f5es Lopes Neto, que nos idos de 1913, sob o pseud\u00f4nimo de Jo\u00e3o do Sul, andou escrevendo cr\u00f4nicas populares sobre praticantes de serenatas em Pelotas, uma das cidades do interior que possu\u00edam conservat\u00f3rios, bandas e orquestras, sem falar dos m\u00fasicos de botecos, de bailes e de serestas que tocavam de tudo.<br \/>\nPor a\u00ed se v\u00ea que a percep\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno carioca como meca cultural corresponde a um estere\u00f3tipo provinciano que mereceria ser discutido por outros music\u00f3logos atuantes como o radialista, m\u00fasico e professor Arthur de Farias, autor de uma excelente hist\u00f3ria da m\u00fasica em Porto Alegre. A m\u00fasica regional ga\u00facha, por exemplo, \u00e9 um farto fil\u00e3o a ser explorado.<br \/>\nN\u00e3o cabem d\u00favidas de que as tert\u00falias coordenadas por Fischer podem render bons espet\u00e1culos e at\u00e9 tornar-se programa de r\u00e1dio ou TV, saciando a fome de conhecimento de um p\u00fablico perdido em rodas de m\u00fasica contaminadas pelo jab\u00e1, conforme conta Katia Suman num dos cap\u00edtulos de O Alcance da Can\u00e7\u00e3o (Editora Arquip\u00e9lago, 392 p\u00e1ginas, 2106), livro organizado por Lu\u00eds Augusto Fischer e Carlos Augusto Bonif\u00e1cio Leite.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos \u00faltimos eventos do 24\u00ba Porto Alegre em Cena, o inusitado show \u201cDiscutindo a Rela\u00e7\u00e3o: M\u00fasica e Literatura\u201d poderia talvez atrair p\u00fablico maior, caso tivesse sido programado para uma data mais favor\u00e1vel aos militantes da arte e da cultura. 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