{"id":55873,"date":"2017-10-02T19:05:10","date_gmt":"2017-10-02T22:05:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=55873"},"modified":"2017-10-02T19:05:10","modified_gmt":"2017-10-02T22:05:10","slug":"margs-expoe-planeta-vermelho-desenhos-de-fabio-andre-rheinheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/margs-expoe-planeta-vermelho-desenhos-de-fabio-andre-rheinheimer\/","title":{"rendered":"Margs exp\u00f5e &quot;Planeta Vermelho&quot; &#8211; Desenhos de F\u00e1bio Andr\u00e9 Rheinheimer"},"content":{"rendered":"<p>O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli apresenta a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Planeta Vermelho &#8211; Desenhos de F\u00e1bio Andr\u00e9 Rheinheimer&#8221;, a partir da ter\u00e7a-feira, 03\/09, \u00e0s 19h, com entrada franca.<br \/>\nA mostra pode ser visitada de 4 de outubro a 26 de novembro nas Salas Negras. S\u00e3o 16 obras que celebram o imagin\u00e1rio do artista, representado em uma topografia do seu universo po\u00e9tico, por meio de t\u00e9cnica apurada e subjetividade.<br \/>\nO Margs distribuiu o seguinte texto sobre a mostra:<br \/>\n<span class=\"intertit\">Aquilo que se insinua sem se afirmar<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">&#8220;O esfor\u00e7o em desvendar o espa\u00e7o para compreender seus modos de representa\u00e7\u00e3o acompanha a Hist\u00f3ria da Arte desde suas mais remotas manifesta\u00e7\u00f5es. Nessa busca, tanto artistas como arquitetos foram levados a explorar solu\u00e7\u00f5es por diversas vias, por\u00e9m imbu\u00eddos de um mesmo objetivo: planificar em uma superf\u00edcie como o papel ou a tela o que se dava a ver na tridimensionalidade do espa\u00e7o \u2014 e tamb\u00e9m o seu inverso. Foi assim, por exemplo, que se desenvolveram os saberes do desenho geom\u00e9trico projetivo e dos tratados de perspectiva da Idade M\u00e9dia e do Renascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Esse desejo de dominar o espa\u00e7o pela sua representa\u00e7\u00e3o encontrou no desenho o meio privilegiado de apreens\u00e3o do real. A abordagem cient\u00edfica que \u00e9 pr\u00f3pria \u00e0 raz\u00e3o conduziu ao dom\u00ednio dos c\u00f3digos visuais da realidade segundo os princ\u00edpios r\u00edgidos das leis da matem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Da\u00ed, ao mesmo tempo, ter-se desenvolvido a forma\u00e7\u00e3o de um olhar naturalista que logo imp\u00f4s um estatuto visual que concedeu privil\u00e9gio \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o mim\u00e9tica da realidade, no sentido de reprodu\u00e7\u00e3o e fidelidade ao que se v\u00ea e da maneira como se v\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">O que as correntes modernas da abstra\u00e7\u00e3o trouxeram com o s\u00e9culo XX foi, entre outras coisas, a possibilidade de desnaturalizar esse olho que por s\u00e9culos disciplinou-se a criar sentidos somente por fidedigna correspond\u00eancia a um referente real externo. Ao se voltar ao que \u00e9 espec\u00edfico \u00e0 planaridade do meio, a orienta\u00e7\u00e3o abstrata liberou o olhar da servid\u00e3o naturalista a que fora submetido, confrontando o observador a experenciar o fen\u00f4meno visual a partir de novos entendimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A realidade n\u00e3o mais se encontrava necessariamente l\u00e1 fora, na fei\u00e7\u00e3o das coisas como elas se apresentam, mas, sim, dentro de uma realidade pr\u00f3pria ao sujeito na sua capacidade de conferir sentido \u00e0s formas em um processo interior e mental. Uma realidade enquanto imagin\u00e1rio, fruto da possibilidade de se criar imagens a partir do que ainda n\u00e3o era nem estava dado, mas somente conceb\u00edvel enquanto pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">No campo da arte, o impacto n\u00e3o foi algo menos que tremendo, pois ao artista n\u00e3o cabia mais oferecer a representa\u00e7\u00e3o do mundo conforme se aparentava ao olhar. Seu est\u00edmulo passava a ser a possibilidade de poder ver tudo de outro jeito, muitas vezes radicalmente diferente. Foi ent\u00e3o que o artista se viu lan\u00e7ado a percorrer uma realidade que era somente sua, porque localizada no interior de seu imagin\u00e1rio, ao qual a chance de acesso era dada somente a ele. Assim, esse novo entendimento &#8220;do ver&#8221; logo levou ao desafio &#8220;do mostrar&#8221;. Ou melhor, &#8220;do como mostrar&#8221;. Eis a empreitada encarada por diversos artistas desde ent\u00e3o, como \u00e9 agora o caso de F\u00e1bio Andr\u00e9 Rheinheimer em seu mais novo trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">&#8220;Planeta Vermelho&#8221; \u00e9 a reuni\u00e3o de uma s\u00e9rie de trabalhos de ineg\u00e1vel orienta\u00e7\u00e3o abstrata. O caminho at\u00e9 eles \u00e9 conduzido pelo interesse do artista em tornar expresso um imagin\u00e1rio que antes existe apenas como ideia e conceito em sua po\u00e9tica. Estamos falando de um universo particular ficcional que convoca o desenho como recurso para estabelecer comunica\u00e7\u00e3o sobre algo que inicialmente habita apenas o universo criativo do artista \u2014 que se \u00e9 real ao sujeito, \u00e9 abstrato para o outro. Nesse sentido, o desenho n\u00e3o deixa tamb\u00e9m de corresponder a um desejo de proje\u00e7\u00e3o das profundezas da subjetividade individual para a exterioridade comum ao mundo e aos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Para F\u00e1bio Andr\u00e9 Rheinheimer, seus desenhos oferecem vis\u00f5es de relevo, como parte integrante de um imagin\u00e1rio sobre a superf\u00edcie do referido Planeta Vermelho. \u00c9 como se ele estivesse esbo\u00e7ando a topografia do terreno de pouso para onde nos leva em um plano de voo pelo seu universo po\u00e9tico. Embora o artista veja apenas pedras sobre pedras em seus desenhos, em um ato talvez de mod\u00e9stia sobre o seu trabalho, aceitar essa vis\u00e3o de pronto seria reduzir a abertura que a arte pode proporcionar ao desestabilizar percep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Sendo arquiteto de forma\u00e7\u00e3o, F\u00e1bio Andr\u00e9 Rheinheimer j\u00e1 havia tido no passado uma rela\u00e7\u00e3o instrumental com o desenho geom\u00e9trico. Recentemente, reencontrou os l\u00e1pis de cor e se viu experimentando um tipo de desenho um tanto diverso do que praticara na arquitetura. Ele continuava se valendo das formas geom\u00e9tricas, mas a rigidez do pensamento matem\u00e1tico cedera lugar \u00e0 liberdade do criar. Se acompanharmos as linhas, perceberemos que elas fingem ser perspectiva, pois o que est\u00e1 contido nelas \u00e9 algo de indisciplina e desvio, que sempre escapa \u00e0 regra ou n\u00e3o a confirma. Ao observarmos as tramas que resultam das composi\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m nada nos oferecer\u00e1 o conforto da explica\u00e7\u00e3o do que s\u00e3o ou possam ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Esses desenhos estabelecem jogos din\u00e2micos com os planos e as volumetrias por baralharem nossos c\u00f3digos visuais pr\u00e9-figurados. S\u00e3o jogos porque o que F\u00e1bio Andr\u00e9 Rheinheimer busca \u00e9 extrair sensa\u00e7\u00f5es pelo recurso da ilus\u00e3o, interessado nas maneiras como cada percep\u00e7\u00e3o \u00e9 atingida e ativada. S\u00f3 que n\u00e3o se trata de ilus\u00e3o de \u00f3tica como pode parecer, mas de acionar os artif\u00edcios ilus\u00f3rios do desenho em sua tarefa de representar o tridimensional planificando-o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">S\u00e3o desenhos que n\u00e3o fazem mais do que arquitetar espa\u00e7os, ainda que tais espa\u00e7os n\u00e3o sejam reais nem encontrem referentes externos. Apenas o t\u00edtulo da s\u00e9rie \u2014 &#8220;Planeta Vermelho&#8221; \u2014 pode sugerir algo que a cultura se encarregue de nomear. Se abrirmos m\u00e3o da refer\u00eancia endere\u00e7ada ao planeta Marte, logo nos veremos desamparados em meio \u00e0s formas e volumes que se movimentam e confluem no plano do desenho. Aqui, desamparo significa potencialidade, uma vez que somente assim temos a chance de despir o olhar naturalizado para que possamos ver nos trabalhos o que neles se insinua sem se afirmar&#8221;.<\/p>\n<p><span class=\"culturadestaque\">SERVI\u00c7O<\/span><br \/>\nT\u00edtulo: Planeta Vermelho &#8211; Desenhos de F\u00e1bio Andr\u00e9 Rheinheimer<br \/>\nArtista: F\u00e1bio Andr\u00e9 Rheinheimer<br \/>\nTexto de apresenta\u00e7\u00e3o de Francisco Dalcol<br \/>\nAbertura 3 de outubro (ter\u00e7a) de 2017<br \/>\nVisita\u00e7\u00e3o: De 4 de outubro a 26 de novembro de 2017<br \/>\nLocal: Salas Negras do MARGS (Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, s.\/n.)<br \/>\nEntrada Franca<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli apresenta a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Planeta Vermelho &#8211; Desenhos de F\u00e1bio Andr\u00e9 Rheinheimer&#8221;, a partir da ter\u00e7a-feira, 03\/09, \u00e0s 19h, com entrada franca. 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