{"id":55989,"date":"2017-10-04T16:19:36","date_gmt":"2017-10-04T19:19:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=55989"},"modified":"2017-10-04T16:19:36","modified_gmt":"2017-10-04T19:19:36","slug":"o-racismo-bem-tratado-por-um-escritor-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-racismo-bem-tratado-por-um-escritor-branco\/","title":{"rendered":"O racismo bem tratado por um escritor branco"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\" style=\"font-size: medium\">Geraldo Hasse <\/span><br \/>\nUm bom narrador surgiu na pra\u00e7a. \u00c9 Mauro Paz, ga\u00facho de Porto Alegre (1981) e publicit\u00e1rio em S\u00e3o Paulo. Publicado pela Editora Patu\u00e1 em agosto de 2017, seu livro \u201cEntre Lembrar e Esquecer\u201d tem timing para se tornar filme. At\u00e9 parece que foi escrito para a tela.<br \/>\nA pegada do autor se revela logo nas cinco primeiras linhas: \u201cDepois de mudar para S\u00e3o Paulo, sempre que o telefone vibrava e na tela surgia o n\u00famero da casa da minha m\u00e3e, eu esperava uma not\u00edcia de morte. Numa tarde de setembro a not\u00edcia chegou. Ao contr\u00e1rio da ordem natural do tempo, n\u00e3o trouxe o nome de nenhum dos meus pais. Cadu, meu sobrinho de dezessete anos, estava morto.\u201d<br \/>\nInspirado numa hist\u00f3ria real ocorrida em abril de 2013 em Porto Alegre, o livro investiga de forma coloquial a morte de um adolescente, de 17 anos, cujo corpo, com sinais de viol\u00eancia, apareceu nos fundos de uma casa vizinha de um condom\u00ednio residencial na zona sul onde se dera uma festa guardada por seguran\u00e7as.<br \/>\nDetalhes 1: o jovem morto era um negro da classe m\u00e9dia; 2: a festa fora na casa de um deputado num condom\u00ednio; 3: a pol\u00edcia n\u00e3o fez per\u00edcia no local do acidente\/crime; 4: a imprensa ignorou o caso e s\u00f3 se mexeu meses depois, ap\u00f3s uma manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica de protesto.<br \/>\nA hist\u00f3ria \u00e9 narrada por um jornalista que se sente na obriga\u00e7\u00e3o de investigar o caso, j\u00e1 que a v\u00edtima \u00e9 seu sobrinho. A intervalos mais ou menos regulares, o narrador oferece sacadas tri-pertinentes sobre o racismo embutido no comportamento da sociedade branca. O t\u00edtulo do livro vem de um racioc\u00ednio segundo o qual \u201ca sanidade vem do equil\u00edbrio entre lembrar e esquecer.\u201d<br \/>\n<figure id=\"attachment_55993\" aria-describedby=\"caption-attachment-55993\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-55993\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Mauro-400x267.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-55993\" class=\"wp-caption-text\">Mauro Paz lan\u00e7ara o livro em Porto Alegre em outubro \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nFormado em Letras, Mauro Paz \u00e9 contista, com dois livros publicados, e tem participa\u00e7\u00e3o em diversas antologias de contos, g\u00eanero liter\u00e1rio que exercitou em oficinas dirigidas pelo escritor Luiz Ant\u00f4nio de Assis Brasil. Al\u00e9m do aprendizado em cursos, parece que herdou algo da viv\u00eancia reportarial do pai, o jornalista Walmaro Paz. Pela forma como escreve, \u00e9 leitor de novelas policiais.<br \/>\nSeu livro, definido como romance, \u00e9 mais uma novela que se desenrola sem digress\u00f5es, agarrado ao estilo vapt-vupt dos roteiristas de takes cinematogr\u00e1ficos. N\u00e3o certamente por acaso, os assuntos s\u00e3o separados por n\u00fameros; a maior parte dos takes ocupa menos de uma p\u00e1gina. T\u00e1tica que poderia ajudar a manter o leitor preso \u00e0 narrativa, n\u00e3o fosse ela extremamente flu\u00edda, com toques precisos sobre a geografia humana de Porto Alegre.<br \/>\nRegistrada na \u00faltima p\u00e1gina, a tiragem inicial de agosto foi de apenas 100 exemplares, n\u00famero j\u00e1 superado em setembro, em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 demanda direta junto \u00e0 Editora Patu\u00e1, de S\u00e3o Paulo, que vende exclusivamente pelo seu site (<a href=\"http:\/\/editorapatua.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/editorapatua.com.br\/<\/a>).<br \/>\nAt\u00e9 o final de outubro o livro tamb\u00e9m estar\u00e1 dispon\u00edvel em algumas livrarias independentes &#8211; como a Bamboletras, de Porto Alegre. Est\u00e1 sendo vendido a R$ 40 o exemplar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse Um bom narrador surgiu na pra\u00e7a. \u00c9 Mauro Paz, ga\u00facho de Porto Alegre (1981) e publicit\u00e1rio em S\u00e3o Paulo. 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