{"id":560,"date":"2006-12-13T15:58:27","date_gmt":"2006-12-13T18:58:27","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=560"},"modified":"2006-12-13T15:58:27","modified_gmt":"2006-12-13T18:58:27","slug":"obra-embargada-despeja-5-toneladas-de-lixo-por-semana-em-clube-nautico-da-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/obra-embargada-despeja-5-toneladas-de-lixo-por-semana-em-clube-nautico-da-capital\/","title":{"rendered":"Obra embargada despeja 5 toneladas de lixo por semana em clube n\u00e1utico da Capital"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/ambienteja\/conduto_zonasul.jpg?0.7148118247769932\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"223\" \/><\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\"><strong>Pneus, garrafas PET e at\u00e9 uma bolsa de viagem\u00a0saem dos canos. (Foto: Ana Luiza Leal\/J\u00c1) <\/strong><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Ana Luiza Leal, especial para o J\u00c1<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">As crian\u00e7as que velejam no Iate Clube Gua\u00edba, na Zona Sul de Porto Alegre, est\u00e3o proibidas de entrar em contato direto com a \u00e1gua f\u00e9tida. Usam roupas de borracha dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a e luvas imperme\u00e1veis para se protegerem. Deslizam nas \u00e1guas ao lado de um ou outro bigu\u00e1 e desviam de toneladas de lixo e areia.<\/p>\n<p align=\"justify\">A pol\u00eamica sobre a constru\u00e7\u00e3o do conduto for\u00e7ado &#8211; que despeja esgotos cloacal e pluvial dentro do clube &#8211; est\u00e1 fora das p\u00e1ginas dos jornais h\u00e1 quatro anos, mas quem convive com o crime ambiental n\u00e3o esquece.<\/p>\n<p align=\"justify\">A administra\u00e7\u00e3o do Iate Clube Gua\u00edba recolhe cinco toneladas por semana de lixo que desce dos boeiros pela galeria. A equipe do AmbienteJ\u00c1 viu uma grande quantidade de pneus, garrafas PET e at\u00e9 uma bolsa de viagem boiando pr\u00f3ximo ao local que abriga as 280 embarca\u00e7\u00f5es dos cerca de 500 associados.<\/p>\n<p align=\"justify\">A enorme galeria de concreto armado, de 2,20 x 2,00 metros, com cerca de 3,5 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e mais um duto com di\u00e2metro de 1,20 metro, era a promessa do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) para o fim dos alagamentos na Avenida Gua\u00edba. A Prefeitura gastou R$ 5 milh\u00f5es na obra, embargada pela Justi\u00e7a antes da inaugura\u00e7\u00e3o, em 2002.<\/p>\n<p align=\"justify\">Motivos n\u00e3o faltaram: n\u00e3o foi apresentado EIA-RIMA; estudos do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por meio de um laudo e um relat\u00f3rio de vistoria do Ibama condenaram a obra. Al\u00e9m disto, o local situava-se a 150 metros da capta\u00e7\u00e3o de \u00e1guas do Departamento Municipal de \u00c1gua e Esgotos (DMAE), fato que colocava em risco a qualidade do l\u00edquido fornecido \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi uma aparente vit\u00f3ria para os velejadores. Entretanto, algumas nascentes foram conectadas \u00e0 tubula\u00e7\u00e3o durante a sua constru\u00e7\u00e3o. E como n\u00e3o h\u00e1 a separa\u00e7\u00e3o entre os esgotos pluvial e cloacal na regi\u00e3o, empresas e moradores puderam ligar seus esgotos \u00e0 rede de forma clandestina. H\u00e1 ind\u00edcios de que at\u00e9 um clube de funcion\u00e1rios da Secretaria Municipal de Obras e Via\u00e7\u00e3o (SMOV), localizado em frente ao Iate Clube, tenha feito a conex\u00e3o irregular.<\/p>\n<p align=\"justify\">Resultado: enquanto o processo aguarda a decis\u00e3o final da Justi\u00e7a, o conduto permanece desaguando na \u00e1rea. Sup\u00f5e-se que os dejetos venham dos bairros Camaqu\u00e3, Nonoai, Cavalhada e Cristal.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os despejos tamb\u00e9m trazem conseq\u00fc\u00eancias negativas para o clube vizinho, Veleiros do Sul. Para Israel Barcellos de Abreu, ge\u00f3logo e consultor ambiental do clube, o lan\u00e7amento das \u00e1guas do conduto modificou toda a caracter\u00edstica da bacia: &#8220;Mesmo com essa vaz\u00e3o m\u00ednima &#8211; o conduto n\u00e3o est\u00e1 funcionando, apenas recebe o que j\u00e1 estava conectado e liga\u00e7\u00f5es ilegais &#8211; h\u00e1 um arraste de finos e lamas que afetam. Se o projeto estivesse funcionando conforme previsto inicialmente, as sedes n\u00e1uticas n\u00e3o mais existiriam&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">O clube p\u00f3s-conduto<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Roberto Ara\u00fajo dos Santos, vice-comodoro do Iate, a administra\u00e7\u00e3o teve de contratar dois funcion\u00e1rios s\u00f3 para cuidar do lixo. S\u00e3o gastos cerca de R$ 4 mil mensais em sal\u00e1rios, combust\u00edvel e manuten\u00e7\u00e3o dos barcos e na taxa de recolhimento dos dejetos s\u00f3lidos por uma empresa contratada. Nunca receberam sequer um centavo da Prefeitura. &#8220;Seria mais f\u00e1cil se fosse s\u00f3 o lixo, mas o que dificulta mesmo \u00e9 assoreamento, t\u00e3o grande que chega at\u00e9 a impedir o tr\u00e2nsito de pequenos barcos&#8221;, conta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma ilha que quase toca a \u00e1gua se formou a dez metros \u00e0 frente do conduto. Ele conta que a forma\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m submersa porque funcion\u00e1rios e s\u00f3cios se revezam permanentemente na limpeza da \u00e1rea. &#8220;Numa ocasi\u00e3o, em 2005, me desesperei. Peguei a draga do clube e entrei na \u00e1gua. A areia formara uma grande ilha, impossibilitando a navega\u00e7\u00e3o. Fui autuado em R$ 5 mil pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAM) por n\u00e3o ter licen\u00e7a para dragar, e o mais absurdo: por ter feito isso na \u00e1rea do conduto do DEP. A obra j\u00e1 estava embargada&#8221;, lembra.<\/p>\n<p align=\"justify\">As aulas da escola n\u00e1utica para jovens e crian\u00e7as ficaram suspensas at\u00e9 o in\u00edcio deste ano. Santos diz que o medo dos pais inviabilizava as atividades. &#8220;Em 2004, um rapaz de 31 anos que navegava no clube morreu de leptospirose. Doen\u00e7as de pele e conjuntivites s\u00e3o comuns em quem n\u00e3o se protege. Se algu\u00e9m se molha, recebe orienta\u00e7\u00e3o para sair correndo para o banho&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong><span style=\"color: #cc3300\">Prefeitura ainda n\u00e3o cumpriu Termo de Ajustamento de Conduta<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Em outubro de 2002, Prefeitura, clubes n\u00e1uticos e comunidade se reuniram para firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). No documento, ficou acertado que o munic\u00edpio deveria apresentar projeto para a constru\u00e7\u00e3o de um emiss\u00e1rio, que levasse o despejo at\u00e9 o canal de navega\u00e7\u00e3o, ou a constru\u00e7\u00e3o de uma tubula\u00e7\u00e3o que conduzisse o material para o escoamento natural no Arroio Cavalhada.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m disso, o munic\u00edpio se comprometeu a monitorar a qualidade da \u00e1gua recolhida junto ao ponto de capta\u00e7\u00e3o do DMAE e a efetuar dragagens peri\u00f3dicas sempre que o Iate Clube Gua\u00edba julgasse necess\u00e1rio. O descumprimento do termo acarretaria em multa de R$ 5 mil por dia de atraso, contando seis meses ap\u00f3s a assinatura.<\/p>\n<p align=\"justify\">O vice-comodoro sentou para fazer as contas. Como nenhuma das medidas acordadas foi tomada em 44 meses, a Prefeitura deve, em tese, mais de R$ 6 milh\u00f5es. &#8220;\u00c9 claro que n\u00e3o esperamos receber esse dinheiro, mas seria bom para pagar aquela multa que a SMAM emitiu para a dragagem e ajudar nas despesas com o lixo&#8221;, ironiza.<\/p>\n<p align=\"justify\">DEP e DMAE se mostraram confusos nas respostas \u00e0 den\u00fancia sobre o conduto. S\u00e9rgio Zimmermann, diretor-geral em exerc\u00edcio do DEP, disse que a quest\u00e3o estava na depend\u00eancia da conclus\u00e3o de uma obra a ser executada pelo DMAE e pediu para que o AmbienteJ\u00c1 entrasse em contato com os representantes do Departamento Municipal de \u00c1gua e Esgotos para mais informa\u00e7\u00f5es. Sobre o desassoreamento, previsto no TAC, falou que o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o pode executar a a\u00e7\u00e3o &#8220;enquanto a obra estiver embargada e n\u00e3o houver a licen\u00e7a ambiental&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Carlos Fernando Marins, gerente do Programa Socioambiental do DMAE, disse desconhecer o fato de o conduto estar trazendo res\u00edduos s\u00f3lidos para a regi\u00e3o do clube n\u00e1utico. Alegou n\u00e3o ter recebido den\u00fancias sobre o assunto. Sobre a obra, revelou que se trata da instala\u00e7\u00e3o de um separador absoluto. Ela levaria o esgoto cloacal para o Arroio Cavalhada e integraria o Programa Socioambiental. Marins garantiu que a parte do processo que cabe ao DMAE estar\u00e1 conclu\u00edda at\u00e9 o fim de 2007.<\/p>\n<p align=\"justify\">A comodoria do Iate Clube Gua\u00edba afirma que nenhum projeto de obra foi apresentado pela Prefeitura at\u00e9 agora. Roberto Ara\u00fajo dos Santos est\u00e1 pessimista: &#8220;\u00c9 engodo. S\u00f3 espero que eu ainda esteja vivo quando a Prefeitura decidir fazer alguma coisa. Isso que eu tenho 48 anos&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pneus, garrafas PET e at\u00e9 uma bolsa de viagem\u00a0saem dos canos. (Foto: Ana Luiza Leal\/J\u00c1) Ana Luiza Leal, especial para o J\u00c1 As crian\u00e7as que velejam no Iate Clube Gua\u00edba, na Zona Sul de Porto Alegre, est\u00e3o proibidas de entrar em contato direto com a \u00e1gua f\u00e9tida. 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