{"id":56149,"date":"2017-10-06T12:03:55","date_gmt":"2017-10-06T15:03:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=56149"},"modified":"2017-10-06T12:03:55","modified_gmt":"2017-10-06T15:03:55","slug":"gerdau-vai-pra-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/gerdau-vai-pra-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Gerdau vai pra S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>A mudan\u00e7a do Grupo Gerdau para S\u00e3o Paulo, depois de 116 anos em Porto Alegre, fez rebrotar na minha cachola a imagem de Helio Gama Filho no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970 em plena reda\u00e7\u00e3o paulistana da Veja, enfileirando argumentos para me convencer da pujan\u00e7a da economia do Rio Grande do Sul.<br \/>\nCom sua viv\u00eancia em Porto Alegre e a experi\u00eancia de quatro anos operando na editoria de economia, neg\u00f3cios e investimentos da Veja, ele possu\u00eda dados que eu, foca, desconhecia naqueles idos de 1972. Ele era triotimista sobre o potencial econ\u00f4mico do Rio Grande do Sul. Como n\u00e3o fazer uma leitura positiva da macroeconomia ga\u00facha? Ora, pois.<br \/>\nEmbalados pelo incentivo governamental \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de grupos econ\u00f4micos, os Gerdau haviam assumido a estatal A\u00e7os Finos Piratini, em seguida compraram a Sider\u00fargica Gua\u00edra, a Cos\u00edgua (no RJ) e tamb\u00e9m assumiriam a Usina, da Bahia.<br \/>\nEm poucos anos, comprando pequenas usinas que logo reformavam, os Gerdau formariam um agudo grupo nacional no setor de a\u00e7o, mas ainda n\u00e3o chegavam a constituir o maior grupo econ\u00f4mico ga\u00facho, como se tornariam nas d\u00e9cadas seguintes (em S\u00e3o Paulo, ascendeu na \u00e9poca a Corpora\u00e7\u00e3o Bonfiglioli, formada pela ind\u00fastria de tomates Cica e o Banco Auxiliar: n\u00e3o durou uma d\u00e9cada).<br \/>\nAl\u00e9m dos Gerdau, havia no Rio Grande do Sul outros grupos fortes: A. J. Renner, Varig, Ipiranga e o Maisonnave, que atuava no mercado financeiro e controlava a ind\u00fastria de tratores Massey Ferguson.<br \/>\nE ainda (citando de cabe\u00e7a, sem recorrer a um dos anu\u00e1rios econ\u00f4micos da \u00e9poca) os grupos Eberle, JH Santos, FrasLe; a Cotriju\u00ed, a Fecotrigo; o Joaquim Oliveira&#8230;<br \/>\nE os agentes financeiros: Banrisul, Prov\u00edncia, Nacional do Com\u00e9rcio, Sulbanco e Crefisul. Mais a Aplub e o GBOEx.<br \/>\nNa \u00e1rea qu\u00edmica, a Refinaria Alberto Pasqualini e a Borregaard. No setor energ\u00e9tico, a CEEE. No setor de transporte, a VFRGS.<br \/>\nPosso ter esquecido um ou outro grupo empresarial, mas a suposta pujan\u00e7a daquele tempo \u2013 o \u2018milagre econ\u00f4mico brasileiro\u2019 perto de dar com os burros n\u2019\u00e1gua diante do shock oil da OPEP em 1973 \u2013 esvaiu-se nas d\u00e9cadas seguintes.<br \/>\nA maior parte dos principais grupos\/empresas de 45 anos atr\u00e1s ou parou de funcionar, ou foi vendida ou se transformou em outra coisa, ainda que mantendo o mesmo nome.<br \/>\nA Varig quebrou, a Renner morreu como ind\u00fastria e virou uma multinacional de lojas com sede em Porto Alegre, o grupo Ipiranga desapareceu nas m\u00e3os de 60 herdeiros agraciados com US$ 4 bilh\u00f5es pelo grupo paulista Ultra, a Maisonnave d\u2019ont have (o que era Massey virou Agco), a FrasLe sobrevive no grupo Agrale, a Cotriju\u00ed se esfacelou, a Fecotrigo desmantelou-se, o agrocomercial Joaquim Oliveira virou a industrial-mercantil Josapar\u00a0 e, na \u00e1rea financeira, que parecia promissora, resta o Banrisul fazendo sombra a pequenas institui\u00e7\u00f5es financeiras, entre as quais floresce o Sicredi.<br \/>\nNo lugar dos primitivos grupos nativos, temos uma constela\u00e7\u00e3o de empresas estrangeiras e\/ou multinacionais como a Braskem, a GM, a Dell, a John Deere, a Pirelli, a Ventos do Sul e&#8230;<br \/>\nA CEEE foi dividida para mais duas empresas, EAS e RGE. A Via\u00e7\u00e3o F\u00e9rrea virou ALL Log\u00edstica. Depois de d\u00e9cadas a norueguesa Borregaard virou Celulose Riograndense, controlada por capitais chilenos.<br \/>\nDe capitais ga\u00fachos temos Panvel, Zaffari e alguns frigor\u00edficos e\/ou cooperativas agropecu\u00e1rias.<br \/>\nPor tudo isso a transfer\u00eancia da cabe\u00e7a do grupo Gerdau para S\u00e3o Paulo provoca um baque nos observadores da conjuntura econ\u00f4mica ga\u00facha. Sim, trocar Porto Alegre por Sampa faz parte de uma conjuntura mutante, mas para compreender tamanha mudan\u00e7a talvez seja preciso recorrer ao positivismo de um Helio Gama Filho, que sempre cal\u00e7ou suas an\u00e1lises em dados concretos, como ensinou o mestre Aloysio Biondi.<br \/>\nA esta altura da desagrega\u00e7\u00e3o da economia do RS, talvez ele tenha argumentos para explicar o que houve, o que se passa e o que vem por a\u00ed.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mudan\u00e7a do Grupo Gerdau para S\u00e3o Paulo, depois de 116 anos em Porto Alegre, fez rebrotar na minha cachola a imagem de Helio Gama Filho no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970 em plena reda\u00e7\u00e3o paulistana da Veja, enfileirando argumentos para me convencer da pujan\u00e7a da economia do Rio Grande do Sul. 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