{"id":564,"date":"2007-01-12T16:05:20","date_gmt":"2007-01-12T19:05:20","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=564"},"modified":"2007-01-12T16:05:20","modified_gmt":"2007-01-12T19:05:20","slug":"lodos-das-estacoes-de-tratamento-de-agua-e-esgoto-comecam-a-receber-destino-correto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/lodos-das-estacoes-de-tratamento-de-agua-e-esgoto-comecam-a-receber-destino-correto\/","title":{"rendered":"Lodos das esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua e esgoto come\u00e7am a receber destino correto"},"content":{"rendered":"<p>O AmbienteJ\u00c1 publicou, nesta quinta-feira (11\/1) e sexta-feira (12\/1) duas reportagens sobre o &#8220;Lodos das esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua e esgoto come\u00e7am a receber destino ecologicamente correto no RS&#8221;.<br \/>\nA primeira parte \u2013 Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de \u00c1gua \u2013 poder ser conferida a seguir e fala sobre as medidas que Corsan e Dmae t\u00eam tomado para n\u00e3o mais despejar o res\u00edduo de volta aos mananciais e discute os usos desse material.<br \/>\nA segunda parte \u2013 Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de Esgoto \u2013 aborda as a\u00e7\u00f5es de aproveitamento desse outro tipo de lodo j\u00e1 praticadas no Estado e poder\u00e1 ser acessada a partir de segunda-feira (15\/1).<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de \u00c1gua<\/span><br \/>\n<span class=\"assina\">Ana Luiza Leal | especial para o J\u00c1<\/span><br \/>\nT\u00e9cnicos da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan\/RS) e do Departamento Municipal de \u00c1guas e Esgotos (Dmae) de Porto Alegre (RS) est\u00e3o estudando formas de reaproveitar o lodo que resta da limpeza de decantadores das Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de \u00c1gua (ETAs) do Estado. Por mais contradit\u00f3rio que pare\u00e7a, o res\u00edduo \u00e9 despejado de volta aos cursos d\u2019agua ainda hoje.<br \/>\nOs lodos das ETAs do RS foram classificados, segundo as normas da ABNT (NBR 10004, para res\u00edduos s\u00f3lidos), como n\u00e3o perigosos (apresentam n\u00edveis baixos de toxicidade, patogenicidade, reatividade, inflamabilidade e corrosividade) e inertes ao meio ambiente. T\u00eam caracter\u00edstica inorg\u00e2nica e sua composi\u00e7\u00e3o se assemelha \u00e0 do solo.<br \/>\nEntretanto, estudos feitos pelos alunos do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Recursos H\u00eddricos e Saneamento Ambiental do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apontam que o descarte pode aumentar a turbidez e a cor aparente das \u00e1guas receptoras. Al\u00e9m disso, o material lodoso contribui para o assoreamento dos mananciais, o que gera impacto \u00e0 vida aqu\u00e1tica.<br \/>\nMas, segundo o superintendente de Tratamento da Corsan, Marinho Graff, seria exagero atribuir a culpa pela degrada\u00e7\u00e3o de rios, como o Sinos ou o Gravata\u00ed, ao descarregamento desse res\u00edduo. &#8220;A interfer\u00eancia dele na qualidade da \u00e1gua seria a m\u00ednima perto de outros fatores, como o lixo, a polui\u00e7\u00e3o industrial e o esgoto dom\u00e9stico&#8221;, afirma o engenheiro, que tamb\u00e9m \u00e9 da diretoria da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenharia Sanit\u00e1ria e Ambiental (ABES\/RS).<br \/>\n<span class=\"intertit\">Corsan assinou Termo de Compromisso Ambiental<\/span><br \/>\nEm agosto de 2006, Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Henrique Luis Roessler (Fepam\/RS) e Corsan assinaram um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) para enquadrar as esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua ao licenciamento ambiental. O documento determinou um prazo para que a companhia possa efetuar a adequa\u00e7\u00e3o do tratamento e lan\u00e7amento de efluentes e lodos das esta\u00e7\u00f5es. Hoje, 13% das ETAs da Corsan fazem algum tipo de tratamento no lodo.<br \/>\nNo caso das ETAs complexas e semi-complexas, a Corsan deve implantar algum tipo de tratamento de lodo at\u00e9 2016 e, no caso das simples, at\u00e9 2031. A companhia se antecipou e come\u00e7ou a investir em pesquisas e testes sobre o assunto j\u00e1 em 2005.<br \/>\n<span class=\"intertit\">DMAE arquivou projetos sobre o assunto em 1992<\/span><br \/>\nO reaproveitamento do lodo de ETAs come\u00e7ou a ser discutido no Estado no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90. Em 1991, o DMAE criou uma comiss\u00e3o interna para estudar o tratamento e a disposi\u00e7\u00e3o desses materiais. As pesquisas constataram que era economicamente invi\u00e1vel destinar o res\u00edduo in natura para alguma empresa que o aceitasse como mat\u00e9ria-prima. Isso porque o lodo \u00e9 constitu\u00eddo por cerca de 97% de \u00e1gua. Seria necess\u00e1rio desaguar o material em uma centr\u00edfuga. Como os custos de implementa\u00e7\u00e3o desse sistema se mostraram elevados, os estudos foram arquivados no ano seguinte.<br \/>\nAt\u00e9 o momento, n\u00e3o foram estipuladas datas limites para a implanta\u00e7\u00e3o de sistemas para tratamento de lodo nas Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de \u00c1gua do DMAE. Entretanto, os t\u00e9cnicos do departamento elegeram o tema como uma das bandeiras da atual gest\u00e3o. Os debates acerca da destina\u00e7\u00e3o do res\u00edduo foram retomados em 2005.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Alternativas para o res\u00edduo<\/span><br \/>\nO lodo que resta dos decantadores das ETAs pode ter, pelo menos, cinco destinos mais corretos do que o simples retorno \u00e0 \u00e1gua:<br \/>\n&#8211; disposi\u00e7\u00e3o em aterros sanit\u00e1rios;<br \/>\n&#8211; utiliza\u00e7\u00e3o como fertilizante em solos muito pobres ou na reposi\u00e7\u00e3o do solo;<br \/>\n&#8211; compostagem;<br \/>\n&#8211; elabora\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o do cimento;<br \/>\n&#8211; quando misturado com a argila, pode ser usado na produ\u00e7\u00e3o de tijolos e outros produtos cer\u00e2micos.<br \/>\nContudo, o aproveitamento do lodo freq\u00fcentemente esbarra na quest\u00e3o econ\u00f4mica. O engenheiro Marinho Graff lembra que a Corsan entrou em contato com ind\u00fastrias de cimento, mas o projeto n\u00e3o foi adiante. &#8220;A produ\u00e7\u00e3o de lodo \u00e9 pequena. N\u00e3o vale a pena transportar esse material a grandes dist\u00e2ncias. Juntar cada pouco de um lado e trazer isso para uma ind\u00fastria \u00e9 invi\u00e1vel. Estamos procurando solu\u00e7\u00f5es adequadas regionalmente&#8221;, afirma.<br \/>\nOutro problema no caso do cimento: a Corsan s\u00f3 pode fornecer o material a empresas que t\u00eam licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o \u2013 boa parte das pequenas ind\u00fastrias cimenteiras n\u00e3o a possui. Enquanto o impasse n\u00e3o \u00e9 resolvido, a companhia deve encaminhar o lodo para aterros sanit\u00e1rios.<br \/>\nNa contram\u00e3o, a ETA Montenegro fechou uma parceria com a usina de compostagem da Cooperativa dos Citricultores Ecol\u00f3gicos do Vale do Ca\u00ed (Ecocitrus). Cerca de 30% do adubo produzido s\u00e3o formados pelo res\u00edduo recebido da esta\u00e7\u00e3o de tratamento. O composto \u00e9 vendido, e a renda vai para as fam\u00edlias dos agricultores associados.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Corsan e Dmae testam tecnologias<\/span><br \/>\nA desidrata\u00e7\u00e3o do lodo continua sendo empecilho para a implementa\u00e7\u00e3o dos projetos. Embora tenham surgido novas tecnologias para desaguar o material \u2013 como o geotube, um saco (bag) de tecido &#8211; o pre\u00e7o \u00e9 alto. O lodo com 97% de umidade \u00e9 bombeado para dentro desse saco, que funciona como um filtro \u2013 ret\u00e9m o s\u00f3lido e expulsa a \u00e1gua. Neste momento, Corsan e DMAE est\u00e3o testando os equipamentos e montando esta\u00e7\u00f5es piloto.<br \/>\nNo caso do DMAE, a qu\u00edmica Sissi Cabral, da Divis\u00e3o de Tratamento, conta que o departamento teve de &#8220;montar um quebra-cabe\u00e7a&#8221; para estruturar a primeira unidade de testes, que ser\u00e1 na ETA Jos\u00e9 Loureiro da Silva, no bairro Menino Deus.<br \/>\nPegou emprestado de outras esta\u00e7\u00f5es de Porto Alegre equipamentos como tanques de produtos qu\u00edmicos, bombas e misturadores. Os t\u00e9cnicos comemoraram a compra de uma centr\u00edfuga e de uma unidade m\u00f3vel. O projeto piloto deve come\u00e7ar a operar neste semestre e ter\u00e1 dura\u00e7\u00e3o de um ano.<br \/>\nO departamento quer que o lodo seja usado na compostagem \u2013 processo em que s\u00e3o misturados res\u00edduos diversos, cujo resultado \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de um adubo rico para a agricultura. Desde 2004, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) recebe o lodo das Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de Esgoto (ETEs) do DMAE \u2013 o qual apresenta caracter\u00edsticas bem diferentes dos res\u00edduos das ETAs \u2013 e vende o composto para floricultores da regi\u00e3o de Porto Alegre. Antes de destinar o material lodoso \u00e0 compostagem, o DMAE pretende fazer um tratamento qu\u00edmico para retirar o alum\u00ednio da massa e reaproveit\u00e1-lo na etapa de coagula\u00e7\u00e3o do tratamento da \u00e1gua.<br \/>\nA quest\u00e3o do coagulante com teor de alum\u00ednio \u00e9 pol\u00eamica. Hoje, grande parte das ETAs do Estado usa o sulfato de alum\u00ednio na etapa de coagula\u00e7\u00e3o. Algumas pesquisas defendem que o seu retorno ao meio aqu\u00e1tico possa ocasionar impactos no ciclo do f\u00f3sforo na natureza.<br \/>\nA disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de Eliane Ferranti \u2013 &#8220;Desidrata\u00e7\u00e3o de Lodos de Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de \u00c1gua&#8221;, conclu\u00edda em 2005 no Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas da UFRGS, resgatou um estudo de 2001, que analisou o impacto dos descartes de lodos de alum\u00ednios nos banhados de Uganda. Foi constatado que a presen\u00e7a desse lodo afetou a produtividade da planta Cyperus papyrus e teria provocado anomalias nas ra\u00edzes da esp\u00e9cie. As anomalias estariam relacionadas \u00e0 defici\u00eancia de f\u00f3sforo, que \u00e9 imobilizado pela presen\u00e7a do alum\u00ednio no lodo.<br \/>\nA coordenadora da unidade piloto de desidrata\u00e7\u00e3o e tratamento de lodo da ETA Gravata\u00ed, da Corsan, Karla Pieper, defende que o tratamento qu\u00edmico para remo\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio do lodo \u00e9 desnecess\u00e1rio. Ela \u00e9 mestranda do IPH e presidente da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Res\u00edduos S\u00f3lidos do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema\/RS). A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto de estudos feitos pela companhia, em parceria com a Embrapa. Al\u00e9m disso, a mesma pesquisa concluiu que o lodo n\u00e3o tem caracter\u00edsticas fertilizantes.<br \/>\nO projeto piloto na ETA Gravata\u00ed faz parte de uma iniciativa maior onde os t\u00e9cnicos da Corsan v\u00eam caracterizando o res\u00edduo e estudando o reaproveitamento desse material. &#8220;A companhia est\u00e1 testando a utiliza\u00e7\u00e3o dos usos reposi\u00e7\u00e3o do solo, compostagem, ind\u00fastrias cimenteira e cer\u00e2mica&#8221;, diz Karla.<br \/>\nEla s\u00f3 lamenta que n\u00e3o haja troca de informa\u00e7\u00f5es sobre o assunto no Brasil. &#8220;As companhias estaduais e municipais est\u00e3o trabalhando individualmente, assim como as ind\u00fastrias que produzem o res\u00edduo. Todos est\u00e3o encontrando solu\u00e7\u00f5es, mas elas s\u00e3o n\u00e3o coletivas&#8221;, opina.<br \/>\nCom o intuito de incentivar debates sobre o tema, a ABES\/RS vai promover, em abril, o 1\u00ba Encontro Inova\u00e7\u00f5es Tecnol\u00f3gicas no Saneamento &#8211; Lodos e Odores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O AmbienteJ\u00c1 publicou, nesta quinta-feira (11\/1) e sexta-feira (12\/1) duas reportagens sobre o &#8220;Lodos das esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua e esgoto come\u00e7am a receber destino ecologicamente correto no RS&#8221;. 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