{"id":56617,"date":"2017-10-23T15:18:49","date_gmt":"2017-10-23T18:18:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=56617"},"modified":"2017-10-23T15:18:49","modified_gmt":"2017-10-23T18:18:49","slug":"um-recorte-da-pintura-de-scheffel-em-exposicao-no-margs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/um-recorte-da-pintura-de-scheffel-em-exposicao-no-margs\/","title":{"rendered":"Um recorte da pintura de Scheffel, em exposi\u00e7\u00e3o no Margs"},"content":{"rendered":"<p>O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli promove a abertura da exposi\u00e7\u00e3o \u201cScheffel por Ele Mesmo\u201d, com curadoria de Angelo Rheinmer, nessa ter\u00e7a-feira, 24, \u00e0s 19h, na Pinacoteca do MARGS.<br \/>\nA Exposi\u00e7\u00e3o \u201cScheffel por Ele Mesmo\u201d, re\u00fane obras da Cole\u00e7\u00e3o Fam\u00edlia Zelmanowicz, , Funda\u00e7\u00e3o E. F. Scheffel e acervos privados e prop\u00f5e revelar ao p\u00fablico um recorte sobre a obra de Scheffel, talvez o mais instigante de sua produ\u00e7\u00e3o: a d\u00e9cada de 1970, que permanece ainda pouco conhecida.<br \/>\nA escolha das obras forma um conjunto estabelecido pelo pr\u00f3prio Scheffel \u2013 com texto de sua autoria \u2013 em uma exposi\u00e7\u00e3o por ele sonhada e n\u00e3o realizada em vida. Apresenta ainda, uma mostra de retratos, promovendo uma vis\u00e3o panor\u00e2mica sobre a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Scheffel, a partir da d\u00e9cada de 1950 at\u00e9 os anos 2000.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Colet\u00e2nea de obras<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_56618\" aria-describedby=\"caption-attachment-56618\" style=\"width: 275px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-56618\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/scheffel-3-275x400.jpg\" alt=\"\" width=\"275\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56618\" class=\"wp-caption-text\">Obra de Scheffel exposta no Margs \/ Divuga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nEm di\u00e1logo com a exposi\u00e7\u00e3o, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul apresenta uma colet\u00e2nea de obras dos professores do artista, no Instituto de Belas Artes (atual Instituto de Artes da UFRGS), do per\u00edodo entre 1941 e 1946. Entre eles, nomes consagrados da pintura ga\u00facha, como: Jo\u00e3o Fahrion, \u00c2ngelo Guido, Jos\u00e9 Lutzenberger, Benito Casta\u00f1eda, Maristany de Trias e Fernando Corona, possibilitando ao p\u00fablico um olhar sobre os Mestres que influenciaram diretamente a obra de Ernesto Frederico Scheffel.<br \/>\nO Margs fez agradecimento p\u00fablico\u00a0ao Dr. Rolf Udo Zelmanowicz, Presidente da Sociedade de Amigos da Funda\u00e7\u00e3o Scheffel, grande incentivador desta exposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o pode ser visitada de ter\u00e7as a domingos, das 10h \u00e0s 19h, com entrada gratuita. Visitas mediadas podem ser agendadas pelo e-mail educativo@margs.rs.gov.br<br \/>\n<strong><span class=\"culturadestaque\">A batalha do retrato<\/span><\/strong><br \/>\nO autor das obras expostas\u00a0escreveu o seguinte texto sobre o desafio de pintar retratos:<br \/>\n<em>O retrato: uma batalha \u00e0 parte<\/em><br \/>\n<em>O retrato \u00e9 considerado uma especialidade no mundo das Artes Pl\u00e1sticas \u2013 pintura e escultura \u2013 e significa para o artista, em particular, um duplo desafio. Trabalho de arte \u00fanico, \u00e9 uma proposta pessoal, elaborada atrav\u00e9s de recursos pr\u00f3prios. O retrato \u00e9 a proposta que se antep\u00f5e e, eventualmente, se contrap\u00f5e ao artista que, paulatinamente, se exercita mental e fisicamente a devorar o seu objeto, de ponta a ponta, ao ponto de romper com o espa\u00e7o e o tempo, pondo em desordem o pensamento e o sentimento. Isso n\u00e3o significa caos ou confus\u00e3o, mas um di\u00e1logo pelos caminhos ocasionais das imagens e das sensa\u00e7\u00f5es, interligadas numa atmosfera de contato, resultado de um pacto comum.<\/em><br \/>\n<em>A rela\u00e7\u00e3o artista-retratado n\u00e3o \u00e9, portanto, uma divis\u00e3o, uma oposi\u00e7\u00e3o, um combate de rivais em exerc\u00edcio de m\u00fatua elimina\u00e7\u00e3o de personalidades antag\u00f4nicas. O relacionamento artista-retratado, frente \u00e0 frente, \u00e9 um ato de antropofagia figurada, leal, pr\u00e9-determinada pelas partes interessadas em criar, como resultado final, uma obra de arte de alto n\u00edvel em conte\u00fado e forma.<\/em><br \/>\n<em>Com este procedimento \u2013 a posse atrav\u00e9s de uma absor\u00e7\u00e3o intensa \u2013 o artista n\u00e3o engravida o retratado nem recorre ao Esp\u00edrito Santo, algo vindo de fora ou de cima, na realiza\u00e7\u00e3o da obra de arte. A obra nasce do entendimento e relacionamento de artista e retratado que decidem remover as m\u00e1scaras, uma a uma, num ritual de concess\u00e3o das diferentes formas assumidas pelo indiv\u00edduo. A\u00ed que se encontra a revela\u00e7\u00e3o mais profunda de um car\u00e1ter \u2013 em cont\u00ednua forma\u00e7\u00e3o \u2013 de uma individualidade \u00fanica que \u00e9 \u201crelatada\u201d com seriedade e simplicidade.<\/em><br \/>\n<em>Montaigne, nos Ensaios, expressa alguns conceitos mais permanentes e atuais que podem definir essa seriedade e simplicidade, necess\u00e1rias ao artista, no ato da concep\u00e7\u00e3o do retrato, sintetizando numa s\u00f3 virtude: a fidelidade. \u201cOs outros formam o homem (os moralistas), eu o relato\u201d, escreve no Livro III, cap\u00edtulo 2.<\/em><br \/>\n<em>Conclu\u00eddo o retrato, rompe-se o liame entre artista e retratado, em favor de uma obra de arte que pode ter atingido um estado de vida permanente, como se tocada pelo imprevisto sopro dos deuses, caprichosos, atrav\u00e9s da qualidade na composi\u00e7\u00e3o, na t\u00e9cnica pict\u00f3rica e na men\u00e7\u00e3o do mundo interior do indiv\u00edduo. Est\u00e1 superado o desafio da realiza\u00e7\u00e3o pessoal, como obra de arte&#8221;<\/em><br \/>\n<em>Ernesto Frederico Scheffel<\/em><br \/>\n<strong><span class=\"culturadestaque\">O artista e sua obra<\/span><\/strong><br \/>\nErnesto Frederico Scheffel nasceu em 8 de outubro de 1927, em Campo Bom, Rio Grande do Sul. \u00c9 descendente de imigrantes alem\u00e3es de Berghausen \u2013 Westfalen, chegados em 1825 e estabelecidos na antiga col\u00f4nia de S\u00e3o Leopoldo.<br \/>\nAos 12 anos de idade, Scheffel fez parte do Grupo de \u201c<em>coloninhos<\/em>\u201d que foram levados a Porto Alegre, numa a\u00e7\u00e3o do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, dentro das pol\u00edticas de nacionaliza\u00e7\u00e3o do Estado Novo. Foi convidado a estudar no Instituto de Belas Artes e, simultaneamente, na Escola T\u00e9cnica Parob\u00e9.<br \/>\nEm 1950, segue para o Rio de Janeiro, com bolsa de estudos do Estado do Rio Grande do Sul. \u00c9 acolhido pelo pintor Osvaldo Teixeira, Diretor do Museu Nacional de Belas Artes, com quem trabalha como assistente. Scheffel participou dos Sal\u00f5es Nacionais de Belas Artes. Ap\u00f3s receber as medalhas de bronze e prata, em 1958 conquista o Pr\u00eamio Viagem ao Estrangeiro com a obra \u201cJer\u00f4nimo\u201d. O quadro premiado est\u00e1 no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.<br \/>\n<strong>D\u00e9cada de 70<\/strong><br \/>\nPartiu para a Europa, em 1959. Depois de viajar e conhecer diversos pa\u00edses estabeleceu-se em Floren\u00e7a, na It\u00e1lia, onde desenvolveu s\u00f3lida carreira. Trabalhou com o Professor Augusto Vemehren, Diretor do Laborat\u00f3rio de Restauro da Galeria dos Of\u00edcios, restaurando pictoricamente obras de Rubens, Vel\u00e1zquez, Ticiano, entre outros. Ao longo dos anos 1960, Scheffel realizou oito obras p\u00fablicas, a maioria de cunho religioso, em Floren\u00e7a.<br \/>\nInicia a d\u00e9cada de 1970 influenciado pelas manifesta\u00e7\u00f5es e protestos contra as institui\u00e7\u00f5es e os valores vigentes, que eclodem na Europa, na segunda metade da d\u00e9cada de 1960, inaugurando uma nova fase, mais ousada e aut\u00eantica. Como o pr\u00f3prio Scheffel define:<br \/>\n<em>\u201c&#8230; finalmente posicionei-me no campo da arte pela valoriza\u00e7\u00e3o da individualidade, no esplendor de suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, cujas qualidades devem ser exaltadas como um direito est\u00e9tico que une a humanidade<\/em>&#8230;\u201d.<br \/>\nEm 1974, retorna ao Brasil como convidado oficial do Munic\u00edpio de Novo Hamburgo para uma exposi\u00e7\u00e3o retrospectiva, dentro das comemora\u00e7\u00f5es do Sesquicenten\u00e1rio da Imigra\u00e7\u00e3o e Coloniza\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 no Brasil, que resultou na cria\u00e7\u00e3o do Museu de Arte e tamb\u00e9m sua mantenedora Funda\u00e7\u00e3o Ernesto Frederico Scheffel, tornando poss\u00edvel a exposi\u00e7\u00e3o permanente de grande parte da sua obra. Scheffel tamb\u00e9m inicia uma verdadeira cruzada pela preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico relativo \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 no Rio Grande do Sul. A escolha de um pr\u00e9dio de caracter\u00edsticas neocl\u00e1ssicas, constru\u00eddo em 1890, para a instala\u00e7\u00e3o do Museu de Arte, sinaliza o trabalho a ser desenvolvido nas d\u00e9cadas seguintes, culminando com o tombamento do Centro Hist\u00f3rico de Hamburgo Velho e o acervo pict\u00f3rico da Funda\u00e7\u00e3o Ernesto Frederico Scheffel, pelo IPHAN \u2013 Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional, em maio de 2015.<br \/>\nScheffel viveu os \u00faltimos anos da sua vida entre It\u00e1lia e Brasil, e manteve sua rotina atrav\u00e9s da pintura e composi\u00e7\u00e3o musical. Faleceu em Porto Alegre, em 16 de julho de 2015.<br \/>\n<span class=\"culturadestaque\">SERVI\u00c7O<\/span><br \/>\nScheffel Por Ele Mesmo<br \/>\nAbertura: 24 de outubro de 2017, \u00e0s 19h;<br \/>\nVisita\u00e7\u00e3o: 25 de outubro a 5 de dezembro de 2017;<br \/>\nTer\u00e7as a domingos das 10h \u00e0s 19h;<br \/>\nLocal: Pinacoteca do MARGS (Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, s.\/n.).<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli promove a abertura da exposi\u00e7\u00e3o \u201cScheffel por Ele Mesmo\u201d, com curadoria de Angelo Rheinmer, nessa ter\u00e7a-feira, 24, \u00e0s 19h, na Pinacoteca do MARGS. A Exposi\u00e7\u00e3o \u201cScheffel por Ele Mesmo\u201d, re\u00fane obras da Cole\u00e7\u00e3o Fam\u00edlia Zelmanowicz, , Funda\u00e7\u00e3o E. F. 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