{"id":569,"date":"2007-03-06T16:11:34","date_gmt":"2007-03-06T19:11:34","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=569"},"modified":"2007-03-06T16:11:34","modified_gmt":"2007-03-06T19:11:34","slug":"brasil-prepara-mega-proalcool","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/brasil-prepara-mega-proalcool\/","title":{"rendered":"Brasil prepara mega-Pro\u00e1lcool"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\"><strong>Geraldo Hasse, especial para o J\u00c1<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O Brasil est\u00e1 preparando um grande salto na produ\u00e7\u00e3o de cana para atender \u00e0 demanda internacional por etanol. Estudo da Universidade de Campinas, encomendado pelo Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia e Tecnologia, estima que nos pr\u00f3ximos 20 anos o pa\u00eds poder\u00e1 aumentar de 2,8 bilh\u00f5es para 200 bilh\u00f5es de litros a exporta\u00e7\u00e3o de etanol. Para chegar a esse patamar, capaz de render 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano, o Brasil ter\u00e1 de aumentar a \u00e1rea cultivada dos atuais 5,6 milh\u00f5es para 20 milh\u00f5es de hectares.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A expans\u00e3o se daria principalmente no cerrado, onde a cana pode ocupar &#8211; como j\u00e1 vem ocupando, s\u00f3 que em ritmo lento &#8211; \u00e1reas de pastagens anti-econ\u00f4micas. A um ritmo de mais um milh\u00e3o de hectares de cana por ano, haveria uma expans\u00e3o dos canaviais tamb\u00e9m em outros ecossistemas como a Amaz\u00f4nia e o semi-\u00e1rido. O Instituto Agron\u00f4mico de Campinas j\u00e1 foi consultado sobre a possibilidade de produzir variedades aptas a atravessar o per\u00edodo de estiagem do cerrado, onde n\u00e3o chove de maio a outubro.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Al\u00e9m de grande investimento agr\u00edcola, esse projeto exigir\u00e1 a implanta\u00e7\u00e3o de usinas de produ\u00e7\u00e3o de etanol. Em ambos os casos, n\u00e3o faltariam parceiros interessados em participar da grande empreitada. Entre os candidatos, destacam-se os japoneses, norte-americanos e europeus. De uma forma ou de outra, todos eles j\u00e1 investem no cerrado. Os japoneses financiaram a ocupa\u00e7\u00e3o do cerrado com caf\u00e9 e soja. Os americanos v\u00eam investindo em grandes lavouras de soja. Trading companies internacionais s\u00e3o as principais negociadoras da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola dos estados do centro-oeste brasileiro.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Na pr\u00e1tica, o que est\u00e1 se configurando \u00e9 um programa vinte vezes maior do que o Pro\u00e1lcool, criado em 1975 no governo do general Ernesto Geisel para enfrentar o desafio do encarecimento do petr\u00f3leo pelo cartel da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Produtores de Petr\u00f3leo (OPEP). O Pro\u00e1lcool demorou a decolar. Foi inicialmente boicotado pela ind\u00fastria automobil\u00edstica e, mais tarde, pela Petrobras. No auge, em meados dos anos 1980, o programa deixou de contar com o aval do governo. Entregue \u00e0 pr\u00f3pria sorte, chegou a produzir 10 bilh\u00f5es de litros de \u00e1lcool por ano &#8211; apenas para o mercado interno.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Na entrada do s\u00e9culo XXI, sem usar toda sua capacidade instalada &#8211; estimada em 16 bilh\u00f5es de litros\/ano -, o Brasil estava produzindo cerca de 13 bilh\u00f5es de litros de \u00e1lcool por ano para serem usados apenas como aditivo da gasolina. A exporta\u00e7\u00e3o n\u00e3o passava de 500 milh\u00f5es de litros por ano. Os importadores compravam o etanol brasileiro para a ind\u00fastria qu\u00edmica.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">A entrada em vigor do Protocolo de Kyoto, em fevereiro de 2005, provocou uma lenta mudan\u00e7a no comportamento dos pa\u00edses poluidores. A ascens\u00e3o do \u00e1lcool como antipoluente \u00e9 a mais recente conseq\u00fc\u00eancia da tomada de consci\u00eancia dos consumidores e dos governantes do mundo.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">O lan\u00e7amento dos motores bicombust\u00edveis, aptos a consumir tanto \u00e1lcool como gasolina, recolocou na ordem do dia a quest\u00e3o da biomassa como fonte energ\u00e9tica. Com todos os problemas em torno do carro a \u00e1lcool, o Brasil \u00e9 uma refer\u00eancia mundial no assunto. A lideran\u00e7a brasileira na produ\u00e7\u00e3o de cana, a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool est\u00e1 consolidada. O \u00e1lcool substituiu parcialmente a gasolina, mas se firmou mesmo como aditivo. Agora, \u00e9 definitivamente alternativo. S\u00f3 que tem muito mais futuro do que a gasolina, pois \u00e9 renov\u00e1vel, n\u00e3o polui e, transcendendo o aspecto energ\u00e9tico, tornou-se o insumo certo para ajudar na redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o ambiental provocada pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">At\u00e9 agora, o mercado internacional de etanol estava em banho-maria. O protecionismo agr\u00edcola na Europa e nos Estados Unidos impedia que o \u00e1lcool de biomassa se transformasse numa commodity. Agora, com o relat\u00f3rio da ONU sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas divulgado no dia 2 de fevereiro, iniciou-se uma corrida para reduzir a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Em conseq\u00fc\u00eancia, a ind\u00fastria canavieira brasileira tende a assumir a lideran\u00e7a nas exporta\u00e7\u00f5es nacionais. Dever\u00e3o importar grandes volumes o Jap\u00e3o, a Europa e os Estados Unidos. Em sua visita ao Brasil, em mar\u00e7o, o presidente norte-americano George Bush deve tratar do assunto com Lula, que est\u00e1 bem informado. Ele sabe que em abril de 2004 a C\u00e2mara de Representantes dos Estados Unidos aprovou a legisla\u00e7\u00e3o que cria um mercado interno de 19 bilh\u00f5es de litros\/ano de \u00e1lcool anidro at\u00e9 2015. Isso representa um Pro\u00e1lcool e meio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span style=\"font-size: x-small\"><\/p>\n<p class=\"texto\" align=\"center\"><span style=\"font-size: x-small\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/economia\/Agasa%202007%20004.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" align=\"left\" \/><\/span><\/p>\n<p class=\"menulat\" align=\"right\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: xx-small\">Ru\u00ednas da A\u00e7\u00facar Ga\u00facho S.A.(Agasa),\u00a0usina estatal desativada no governo Pedro Simon (1985-1988), em Santo Ant\u00f4nio da Patrulha, no nordeste do Rio Grande do Sul, onde a cana ainda ocupa um bom espa\u00e7o rural, mas s\u00f3 para produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a, melado, rapadura e a\u00e7\u00facar mascavo (Foto: Geraldo Hasse\/J\u00c1)<\/span><\/p>\n<p class=\"menulat\" align=\"right\">\n<p><\/span><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: left\"><span style=\"font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif;font-size: x-small\">Os americanos fazem \u00e1lcool com as sobras do milho que produzem, mas v\u00e3o ter de importar quantidades crescentes de \u00e1lcool do Brasil. \u00c9 uma grande oportunidade para S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Goi\u00e1s, que lideram a produ\u00e7\u00e3o de cana, mas at\u00e9 mesmo o Rio Grande do Sul poder\u00e1 tirar partido da mudan\u00e7a que vem a\u00ed. Por causa do frio h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es para a lavoura de cana\u00a0 no Sul, mas de qualquer vegetal \u00e9 poss\u00edvel produzir etanol.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse, especial para o J\u00c1 O Brasil est\u00e1 preparando um grande salto na produ\u00e7\u00e3o de cana para atender \u00e0 demanda internacional por etanol. 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