{"id":57440,"date":"2017-11-19T17:40:51","date_gmt":"2017-11-19T20:40:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=57440"},"modified":"2017-11-19T17:40:51","modified_gmt":"2017-11-19T20:40:51","slug":"os-desafios-de-uma-feira-que-encolheu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/os-desafios-de-uma-feira-que-encolheu\/","title":{"rendered":"Os desafios de uma Feira que encolheu"},"content":{"rendered":"<p>Com 7 mil metros quadrados ocupados na Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, a Feira do Livro de Porto Alegre de 2017 teve a metade do tamanho alcan\u00e7ado nos anos em que parecia n\u00e3o haver limites para sua expans\u00e3o.<br \/>\nEm 2005, por exemplo, no cinquenten\u00e1rio, al\u00e9m de toda a pra\u00e7a e a avenida Sep\u00falveda, a feira ocupou tr\u00eas armaz\u00e9ns do Cais Mau\u00e1 com os livros infantis e uma programa\u00e7\u00e3o que inclu\u00eda at\u00e9 um campo de futebol para garotos de rua. At\u00e9 uma regata pelo Gua\u00edba foi promovida.<br \/>\nTodas as grandes redes de comunica\u00e7\u00e3o tinham verdadeiras esta\u00e7\u00f5es dentro da feira. A RBS tinha um stand de 300 metros quadrados num ponto central da Pra\u00e7a. Os patrocinadores eram: Gerdau, Correios, Braskem, Ipiranga, Caixa Federal. A C\u00e2mara do Livro levantou mais de R$ 6 milh\u00f5es para fazer a festa.<br \/>\nEm 2017, quando noventa barracas n\u00e3o ocuparam mais do que dois ter\u00e7os da pra\u00e7a, chega-se ao m\u00e1ximo de um decl\u00ednio, iniciado h\u00e1 dez anos. Inicialmente lento, quase impercept\u00edvel. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos acelerado, quase assustador.<br \/>\nDas redes de r\u00e1dio e tev\u00ea, apenas a Pampa manteve seu est\u00fadio na feira. A C\u00e2mara do Livro or\u00e7ou em R$ 4 milh\u00f5es o custo da feira deste ano, j\u00e1 com muitos cortes. Levantou R$ 2 milh\u00f5es \u201ca pau e corda\u201d.<br \/>\n\u201cChegou a um ponto, ali por agosto\/setembro, que achamos que n\u00e3o ia ter feira este ano\u201d, diz o presidente, Marco Cena Lopes.<br \/>\nCena est\u00e1 encerrando o segundo mandato de dois anos como presidente da C\u00e2mara Riograndense do Livro.<br \/>\n\u00c0 frente de uma diretoria de nove volunt\u00e1rios, ele enfrentou o per\u00edodo mais dif\u00edcil, que culmina com a \u201cfeira da resist\u00eancia\u201d, como definiu.<br \/>\nSegundo ele, mesmo com tamanho menor, a feira manteve a qualidade de seus eventos, ainda que com algum preju\u00edzo.<br \/>\nA palestra do escritor Mia Couto, por exemplo, teve metade do p\u00fablico porque o Teatro Carlos Urbim que antes tinha quase mil lugares num galp\u00e3o do cais, agora est\u00e1 numa barraca de lona com capacidade para 300 pessoas.<br \/>\nCr\u00edtico do \u201cgigantismo\u201d, que amea\u00e7ava transformar a feira num mega-evento dominado pelo marketing, o presidente v\u00ea na crise uma oportunidade de repensar a feira e devolv\u00ea-la \u00e0 sua verdadeira voca\u00e7\u00e3o, que \u00e9 promover o livro e a leitura.<br \/>\nPara isso, ter\u00e1 necessariamente que rever suas rela\u00e7\u00f5es com o poder p\u00fablico, com quem as negocia\u00e7\u00f5es este ano foram extremamente desgastantes.<br \/>\nO governo do Estado cortou isen\u00e7\u00f5es fiscais, limitando a capta\u00e7\u00e3o de patroc\u00ednios pela Lei de Incentivo \u00e0 Cultura.<br \/>\nA prefeitura alimentou a expectativa de que seriam mantidos os patroc\u00ednios. Em julho, simplesmente anunciou que n\u00e3o tinha dinheiro.<br \/>\nNo final, depois de muita press\u00e3o, liberou pouco mais de 20% do valor esperado, que era mais de R$ 1 milh\u00e3o.<br \/>\nAl\u00e9m disso, anunciou, \u00e0s v\u00e9speras da abertura da feira, que o servi\u00e7o de limpeza da pra\u00e7a pelo DMLU s\u00f3 seria feito mediante pagamento, mais de R$ 30 mil. \u201cComo n\u00e3o t\u00ednhamos o dinheiro, tivemos que improvisar contratando garis para limpar a \u00e1rea ocupada pela feira. O problema \u00e9 que o restante da pra\u00e7a est\u00e1 um lix\u00e3o, uma vergonha\u201d, diz o presidente da C\u00e2mara.<br \/>\nEste ano foi tamb\u00e9m suspenso o servi\u00e7o de desratiza\u00e7\u00e3o, feito sempre pela Sa\u00fade, e o resultado se podia ver nos pontos mais sujos da pra\u00e7a, onde nutridas ratazanas circulavam.<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u201cBibliotecas j\u00e1 tem muitos livros\u201d, diz secret\u00e1rio<\/span><br \/>\nA prefeitura financia um dos mais importantes programas da Feira do Livro, o \u201cAdote um Escritor\u201d que este ano envolve 90 escolas.<br \/>\nO programa tem 16 anos, \u00e9 refer\u00eancia, copiado por v\u00e1rias cidades. As atividades, junto \u00e0s escolas, duram o ano inteiro. Durante a feira, uma intensa atividade envolve milhares de estudantes.<br \/>\nA prefeitura dispendia R$ 1 milh\u00e3o por ano com cach\u00ea de escritores, compra de livros, passagens e hospedagem. Este ano liberou R$ 220 mil reais.<br \/>\nO secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio, Adriano Naves, tentando justificar o corte e\u00a0 chegou a afirmar que \u201cas bibliotecas j\u00e1 t\u00eam muitos livros\u201d.<br \/>\nFoi preciso muita criatividade para manter o essencial do programa, o que s\u00f3 foi poss\u00edvel com o apoio das editoras, dos autores e das pr\u00f3prias escolas e professores.<br \/>\n\u201cFoi essa solidariedade que permitiu manter o programa cortando algumas atividades, improvisando locais, mas mantendo a qualidade no essencial. E \u00e9 isso que nos anima e nos faz acreditar que vamos superar esse momento\u201d, diz S\u00f4nia Zanchetta, que tem 21 anos de feira e coordena a \u00e1rea infanto juvenil.<br \/>\nEla v\u00ea nisso o lado positivo da atual crise.: \u201cO envolvimento \u00e9 muito grande. A feira mobiliza muitas energias e \u00e9 da\u00ed que vai vir a solu\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Prefeitura cobra pelos servi\u00e7os<\/span><br \/>\nA prefeitura vai cortar toda a verba da Feira do Livro e ainda pretende cobrar por todos os servi\u00e7os utilizados pela feira, inclusive um aluguel pelo uso da pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega.<br \/>\nDirigentes da C\u00e2mara do Livro, que participaram das negocia\u00e7\u00f5es com a prefeitura este ano, afirmaram ao J\u00c1 que esse recado j\u00e1 foi passado aos organizadores. O presidente da C\u00e2mara n\u00e3o confirma. Ele teve uma reuni\u00e3o, r\u00e1pida e formal, com o prefeito antes da feira e diz que isso n\u00e3o foi falado: \u201cN\u00e3o ouvi isso do prefeito mas, da maneira como as coisas foram encaminhadas este ano, n\u00e3o \u00e9 de se duvidar que fa\u00e7am isso\u201d.<br \/>\nNesse caso, a C\u00e2mara, al\u00e9m da desratiza\u00e7\u00e3o e da limpeza da pra\u00e7a, ter\u00e1 que pagar pelos servi\u00e7os da Procempa, que fornece os servi\u00e7os de inform\u00e1tica, e da EPTC, que cuida do tr\u00e2nsito no entorno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com 7 mil metros quadrados ocupados na Pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega, a Feira do Livro de Porto Alegre de 2017 teve a metade do tamanho alcan\u00e7ado nos anos em que parecia n\u00e3o haver limites para sua expans\u00e3o. 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