{"id":57958,"date":"2017-12-04T17:36:19","date_gmt":"2017-12-04T19:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=57958"},"modified":"2017-12-04T17:36:19","modified_gmt":"2017-12-04T19:36:19","slug":"os-pingentes-2-o-que-fazer-pelos-desvalidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/os-pingentes-2-o-que-fazer-pelos-desvalidos\/","title":{"rendered":"Os pingentes 2 &#8211; o que fazer pelos desvalidos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intertit assina\">GERALDO HASSE<\/span><br \/>\nNos \u00f4nibus urbanos e intermunicipais n\u00e3o entram pedintes nem catadores. Pedestres pela pr\u00f3pria natureza, eles n\u00e3o t\u00eam dinheiro para pagar a passagem.<br \/>\nJ\u00e1 nos trens dos metr\u00f4s circulam pedintes e vendedores de guloseimas que constrangem os passageiros com relatos sobre suas trag\u00e9dias existenciais.<br \/>\nNos shopping centers n\u00e3o h\u00e1 pedintes. Nem catadores.<br \/>\nA reciclagem de res\u00edduos est\u00e1 embutida na rotina operacional dos mais de 500 shoppings centers existentes no Brasil.<br \/>\nVeja os funcion\u00e1rios da limpeza desses estabelecimentos comerciais: eles trabalham uniformizados, com luvas e crach\u00e1s de identifica\u00e7\u00e3o, sob o olhar vagamente ausente do p\u00fablico frequentador.<br \/>\nPor conseguinte, para os pedintes e catadores restam apenas as ruas, onde tamb\u00e9m atuam, bastante \u00e0 vontade, assaltantes, trombadinhas, vigaristas, descuidistas e malandros em geral.<br \/>\nOu, ent\u00e3o, em \u00faltimo caso, sobra para os pobres desvalidos a chance remota de conseguir uma vaga em hospital p\u00fablico, ap\u00f3s atropelamento, facada ou acesso de justa ira.<br \/>\nDevia haver um canal de consolo ou desafogo para essa gente sem eira nem beira.<br \/>\nSe aos \u00edndios foram outorgadas reservas naturais e aos quilombolas \u00e1reas de sobreviv\u00eancia, aos demais desvalidos de meios de subsist\u00eancia deveriam ser assegurados direitos semelhantes, por simples isonomia.<br \/>\nAbrigo para os sem teto.<br \/>\nAlimento para os famintos.<br \/>\nEscola para os \u00f3rf\u00e3os da educa\u00e7\u00e3o e cultura.<br \/>\nPostos de sa\u00fade para os enfermos do corpo e da alma.<br \/>\nTerra para os nost\u00e1lgicos da vida rural.<br \/>\nE assim por diante, at\u00e9 zerar as car\u00eancias dos ca\u00eddos no acostamento das estradas da vida.<br \/>\nNada mais justo do que operar em favor da equaliza\u00e7\u00e3o do bem estar.<br \/>\nEnquanto os governos continuarem se preocupando prioritariamente com a bonan\u00e7a das elites, a base da popula\u00e7\u00e3o vai sonhar com um redentor.<br \/>\nPiedade: direito do povo, obriga\u00e7\u00e3o do governo, miss\u00e3o do estado.<br \/>\n<em><strong>LEMBRETE DE OCASI\u00c3O<\/strong><\/em><br \/>\n<em>\u201cNa linha de extrema pobreza que leva em conta o percentual de brasileiros com renda inferior a R$ 70 por m\u00eas, valor adotado pelo Programa Brasil Sem Mis\u00e9ria, o aumento de brasileiros na extrema pobreza (&#8230;) elevou o percentual de miser\u00e1veis de 3,6% para 4% ou 8,05 milh\u00f5es.\u201d<\/em><br \/>\nTrecho de not\u00edcia de O Globo de 5 de novembro de 2014; os dados constavam do site do IPEA, \u00f3rg\u00e3o oficial<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GERALDO HASSE Nos \u00f4nibus urbanos e intermunicipais n\u00e3o entram pedintes nem catadores. 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