{"id":58026,"date":"2017-12-06T16:19:31","date_gmt":"2017-12-06T18:19:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=58026"},"modified":"2017-12-06T16:19:31","modified_gmt":"2017-12-06T18:19:31","slug":"declaracao-universal-completa-70-anos-em-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/declaracao-universal-completa-70-anos-em-2018\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o Universal completa 70 anos em 2018"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Texto:\u00a0Leonardo Radaelli<\/span><br \/>\n<span class=\"assina\">Foto:\u00a0Giulia Cassol\u00a0<\/span><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.editorialj.eusoufamecos.net\/site\/agencia\/declaracao-universal-completa-70-anos-em-2018\/\">Ag\u00eancia J de Reportagem<\/a> | <strong>Famecos\/PUCRS\u200b<\/strong><br \/>\nEm outubro de 2017, Paul McCartney veio ao Brasil para uma s\u00e9rie de shows. Em meio ao repert\u00f3rio de sucesso, referindo-se a um momento ideol\u00f3gico inst\u00e1vel do pa\u00eds, o ex-Beatle citou que escreveu a can\u00e7\u00e3o\u00a0Blackbird, sucesso da banda de Liverpool, inspirado na busca por direitos iguais em uma sociedade. Dedicou a m\u00fasica para quem continua nesta luta. A obra, composta em 1968, coloca em quest\u00e3o um fator corriqueiro do mundo moderno em meio a tanta disputa ideol\u00f3gica: os direitos humanos.<br \/>\nLan\u00e7ada em um per\u00edodo p\u00f3s-guerra, no dia 10 de dezembro de 1948, a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos foi elaborada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para tentar unificar um mundo dividido, tendo em vista humanizar uma sociedade destru\u00edda pelo p\u00f3s-guerra. Dividida em 30 artigos, tem como intuito criar um cen\u00e1rio condicional de livre-arb\u00edtrio para os cidad\u00e3os.<br \/>\nEm dezembro de 2018 a Declara\u00e7\u00e3o ir\u00e1 completar 70 anos, mas a busca por um ambiente igualit\u00e1rio est\u00e1 constantemente em discuss\u00e3o. Pessoas questionam as teses relacionadas aos Direitos Humanos. Entre essas, pol\u00edticos, jornalistas e pensadores. Para Jair Krischke, o pa\u00eds est\u00e1 regredindo. \u201cEst\u00e1 havendo um retrocesso naquilo que em dezembro de 1948 na Assembleia da ONU foi aprovado. Vivemos no mundo um retrocesso. No Brasil, duplo ou triplo retrocesso. \u00c9 incr\u00edvel\u201d. Krischke \u00e9 presidente e fundador do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos (MJDH). No tema, ele \u00e9 um dos maiores especialistas do pa\u00eds.<br \/>\nDedicou a vida por um mundo mais igualit\u00e1rio e social. Em 2011, com a alcunha de \u201cO homem que salvou duas mil vidas\u201d \u2013 por dar respaldo e prote\u00e7\u00e3o aos foragidos dos regimes militares da Am\u00e9rica do Sul \u2013 foi contemplado com Comenda de Direitos Humanos Dom H\u00e9lder C\u00e2mara, no Senado. Para ele, alguns per\u00edodos da hist\u00f3ria brasileira foram determinantes para a caracteriza\u00e7\u00e3o do assunto. \u201cNo Brasil, a quest\u00e3o dos Direitos Humanos em um grande per\u00edodo ficou veiculado \u00e0 ditadura, combate \u00e0 ditadura e \u00e0s viol\u00eancias produzidas pela ditadura. S\u00f3 nisso fiz muitos inimigos poderosos. Alguns t\u00eam influ\u00eancia pesad\u00edssima nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, os tais formadores de opini\u00e3o, que relegam os direitos humanos para a quinta categoria\u201d, critica.<br \/>\nConforme o presidente do MJDH, a rotina da sociedade est\u00e1 ligada \u00e0s quest\u00f5es humanas. \u201cOs direitos humanos nos acompanham 24 horas por dia, at\u00e9 quando estamos dormindo. Todo ser humano tem direito ao descanso reparador, que \u00e9 quando eu estou dormindo, me reabastecendo para a pr\u00f3xima jornada. Ent\u00e3o, at\u00e9 quando a gente dorme, nossos direitos s\u00e3o pass\u00edveis de viola\u00e7\u00e3o\u201d. De acordo com suas concep\u00e7\u00f5es, o conhecimento pleno da Declara\u00e7\u00e3o desenvolveria uma intelectualidade comunit\u00e1ria, ajudando a desmistificar o tema, contribuindo para atingir um debate socialmente construtivo. \u201cO grave problema \u00e9: para ter vig\u00eancia plena, os Direitos Humanos t\u00eam que ser conhecidos. A pessoa tem que conhecer. Al\u00e9m de conhecer, tem que aceitar. Os Direitos Humanos s\u00f3 se realizam no coletivo, s\u00f3 se d\u00e1 em sociedade\u201d.<br \/>\nKrischke enxerga que o cen\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 prop\u00edcio para quem mais precisa da Declara\u00e7\u00e3o elaborada pela ONU. \u201cA declara\u00e7\u00e3o \u00e9 redigida numa linguagem sofisticada, bonita, e muito dif\u00edcil das pessoas mais humildes entenderem. \u00c9 uma linguagem dif\u00edcil para os que geralmente t\u00eam seus direitos violados. E esse n\u00e3o conseguem entender bem o que est\u00e1 escrito ali. \u00c9 preciso que todos entendam, conhe\u00e7am. Os direitos precisam ser aceitos por todos porque \u00e9 regra de conv\u00edvio social\u201d.<br \/>\nKrischke acredita que algumas convic\u00e7\u00f5es humanistas s\u00e3o centro da cr\u00edtica atual pelo momento de inseguran\u00e7a que o Brasil vive. Em um ambiente vulner\u00e1vel, as pessoas n\u00e3o querem estar na mira do perigo e, com esse receio, desenvolvem um pensamento fr\u00e1gil de prote\u00e7\u00e3o de que \u201cquem me amea\u00e7a que morra\u201d, trazendo alguns discursos de \u00f3dio como \u201cbandido bom \u00e9 bandido morto\u201d. Krischke reprova. \u201cEm um pa\u00eds que tem uma distribui\u00e7\u00e3o de renda que \u00e9 uma vergonha internacional e que tem uma enorme popula\u00e7\u00e3o indigente, os pobres, que s\u00e3o muito mais honestos que a classe poderosa, \u00e9 vista como inimiga. A\u00ed, claro, n\u00f3s temos que entrar em campo para dizer: N\u00e3o\u201d, afirma, referindo-se \u00e0 viol\u00eancia policial contra pobres e negros, especialmente. \u201cA pol\u00edcia n\u00e3o pode mais matar o n\u00famero de pessoas que mata hoje. \u00c9 a pol\u00edcia que mais mata no mundo. E, majoritariamente, mata jovens negros. O que ta acontecendo com esse pa\u00eds? Est\u00e1 mal. Assim, temos que denunciar. Denunciamos. Por isso, muitas vezes os Direitos Humanos s\u00e3o apresentados como inimigo da sociedade, o que \u00e9 absolutamente um equivoco\u201d, relata.<br \/>\nOlhando para a sociedade brasileira moderna, Jair Krischke analisa que os valores sociais t\u00eam sido substitu\u00eddos pelo interesse pessoal e pol\u00edtico. A popula\u00e7\u00e3o \u00e9 um espelho de tudo que acontece no pa\u00eds. \u201cO grande violador dos direitos humanos no Brasil \u00e9 o Estado brasileiro. Quando eu digo Estado brasileiro, eu digo a Uni\u00e3o, os Estados e munic\u00edpios. O Estado brasileiro sonega educa\u00e7\u00e3o, sonega sa\u00fade, desampara as crian\u00e7as e os velhos. \u00c9 o grande violador\u201d.\u00a0 Para ele, o Brasil n\u00e3o precisaria de uma declara\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. \u201cN\u00e3o precisa ser uma declara\u00e7\u00e3o, mas como s\u00e3o regras de conviv\u00eancia social. Basta colocar em pr\u00e1tica o Artigo 5 da Declara\u00e7\u00e3o Universal, que j\u00e1 est\u00e1 pronto\u201d. Diz o Artigo 5: Ningu\u00e9m ser\u00e1 submetido \u00e0 tortura nem a penas ou tratamentos cru\u00e9is, desumanos ou degradantes. \u201cPrecisamos \u00e9 que isso tenha vida\u201d, conclui Krischke.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto:\u00a0Leonardo Radaelli Foto:\u00a0Giulia Cassol\u00a0 Ag\u00eancia J de Reportagem | Famecos\/PUCRS\u200b Em outubro de 2017, Paul McCartney veio ao Brasil para uma s\u00e9rie de shows. 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