{"id":58073,"date":"2017-12-08T16:52:16","date_gmt":"2017-12-08T18:52:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=58073"},"modified":"2017-12-08T16:52:16","modified_gmt":"2017-12-08T18:52:16","slug":"visita-as-ruinas-do-berco-da-apicultura-gaucha-em-taquari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/visita-as-ruinas-do-berco-da-apicultura-gaucha-em-taquari\/","title":{"rendered":"Viagem ao ber\u00e7o destru\u00eddo da apicultura ga\u00facha \u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Geraldo Hasse<\/span><br \/>\n\u201cIsso me entristece profundamente\u201d, disse o professor Anselmo Kuhn, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Ap\u00edcola do Rio Grande do Sul (FARGS), diante das ru\u00ednas do Parque Ap\u00edcola de Taquari, criado em 1929 e fechado por falta de recursos h\u00e1 cerca de cinco anos pela Funda\u00e7\u00e3o de Pesquisas Agropecu\u00e1rias (Fepagro), extinta este ano pelo governo do Estado.<br \/>\nA \u00faltima vez que Kuhn esteve l\u00e1 foi h\u00e1 uns 15 anos, quando guiou ao local uma turma de alunos da Escola T\u00e9cnica Agr\u00edcola de S\u00e3o Leopoldo, onde lecionou at\u00e9 se aposentar.<br \/>\nRecebido pelo agr\u00f4nomo Caio Efrom,\u00a0\u00a0diretor do Centro de Pesquisas Emilio Schenk, Kuhn visitou o local na \u00faltima quinta-feira, 7\/12, para avaliar a possibilidade de reativar o parque ap\u00edcola por sua import\u00e2ncia na hist\u00f3ria do desenvolvimento da tecnologia da cria\u00e7\u00e3o de abelhas.<br \/>\n\u201cA FARGS tem interesse em recuperar o parque por raz\u00f5es culturais, mas s\u00f3 poderemos faz\u00ea-lo por meio de parcerias porque n\u00e3o temos recursos financeiros\u201d, diz ele, lembrando que o local possui ineg\u00e1veis atrativos como ponto de turismo agrocultural, j\u00e1 que Taquari \u00e9 considerado o ber\u00e7o da apicultura racional no Rio Grande do Sul.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Pioneirismo\u00a0<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_58082\" aria-describedby=\"caption-attachment-58082\" style=\"width: 200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-58082 size-thumbnail\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/schenk2-200x250.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"250\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58082\" class=\"wp-caption-text\">Emilio Schenk foi fundador e ensinou t\u00e9cnicas de apicultura por mais de 40 anos \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nFoi nesse reduto cercado por c\u00edtricos, eucaliptos e vegeta\u00e7\u00e3o nativa que o apicultor alem\u00e3o Emilio Schenk ensinou t\u00e9cnicas ap\u00edcolas a milhares de pessoas ao longo da primeira metade do s\u00e9culo XX.<br \/>\nNum esfor\u00e7o pedag\u00f3gico que se estendeu de 1903 a 1946, Schenk ministrou cursos, distribuiu mais de um milh\u00e3o de abelhas-rainha e difundiu um modelo de colmeia que leva seu nome.<br \/>\nBastante usada por apicultores amadores por ser adequada para o clima frio, a colmeia Schenk foi superada pela americana Langstroth, que se tornou padr\u00e3o mundial.<br \/>\nO parque ap\u00edcola ocupa pouco mais de um hectare. J\u00e1 se desmanchou o rancho de pau-a-pique onde tudo come\u00e7ou no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quando Schenk acampou no local e iniciou seu trabalho como apicultor disposto a dividir seus conhecimentos com a vizinhan\u00e7a.<br \/>\nJ\u00e1 em 1923 ele publicou a primeira edi\u00e7\u00e3o do livro <em>O Apicultor Brasileiro<\/em>, largamente difundido no Brasil.<br \/>\n<figure id=\"attachment_58083\" aria-describedby=\"caption-attachment-58083\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-58083\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/sede_antiga_reproducao-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58083\" class=\"wp-caption-text\">Foto antiga do casebre original de Emilio Schenk; com mais de 100 anos, a casinha desabou, n\u00e3o existe mais \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\nRespeitado, ele arranjou recursos para construir o que ainda hoje se configura como um complexo de ensino e pesquisa de apicultura.<br \/>\nConstitu\u00eddo por uma casa de centrifuga\u00e7\u00e3o de mel, uma casa de lamina\u00e7\u00e3o de cera e um laborat\u00f3rio de cria\u00e7\u00e3o de abelhas-rainha, o parque foi incorporado ao Centro de Pesquisas da Fepagro em 1994, quando este era dirigido pelo professor Aroni Sattler, da UFRGS, que permanece em atividade como a maior refer\u00eancia cient\u00edfica da apicultura no Rio Grande do Sul.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Parque ap\u00edcola est\u00e1 abandonado<\/span><br \/>\n<figure id=\"attachment_58078\" aria-describedby=\"caption-attachment-58078\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-58078\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/geral1-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58078\" class=\"wp-caption-text\">Antigo laborat\u00f3rio de cria\u00e7\u00e3o de abelhas-rainhas. Abandonado \/ T\u00e2nia Meinerz \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNa casa originalmente usada pela administra\u00e7\u00e3o do parque ap\u00edcola, chegou a ser montado um museu que n\u00e3o resistiu ao gradual abandono &#8211; ultimamente se tornou ref\u00fagio de coruj\u00f5es e morcegos.<br \/>\nO que resta do acervo de livros e revistas jaz numa sala com goteiras, teias de aranha e ninhos de cupins. N\u00e3o h\u00e1 funcion\u00e1rios para zelar pela conserva\u00e7\u00e3o do material. Alguns equipamentos foram danificados ou desfalcados por ladr\u00f5es do patrim\u00f4nio p\u00fablico.<br \/>\n<figure id=\"attachment_58080\" aria-describedby=\"caption-attachment-58080\" style=\"width: 301px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-58080\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/geral4-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"204\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58080\" class=\"wp-caption-text\">Na casa originalmente usada pela administra\u00e7\u00e3o, chegou a ser montado um museu que n\u00e3o resistiu ao abandono \/ T\u00e2nia Meinerz \/ J\u00c1<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-58081 \" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/geral5-167x250.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"324\" \/><br \/>\nO efetivo do centro de pesquisas de Taquari, que j\u00e1 foi uma ativa colmeia lotada por 100 pessoas, est\u00e1 reduzido a 14 funcion\u00e1rios colocados pelo atual governo estadual num quadro de pessoal em extin\u00e7\u00e3o, ou seja, n\u00e3o podem ser sequer substitu\u00eddos, caso resolvam sair por aposentadoria ou ren\u00fancia aos seus cargos.<br \/>\nNa pr\u00e1tica, o pessoal da Fepagro est\u00e1 num regime do \u201csalve-se quem puder\u201d.<br \/>\nNa apicultura, mant\u00e9m-se ativa apenas a bi\u00f3loga Sidia Witter, que estuda as abelhas nativas, que produzem pequenos volumes de mel mas s\u00e3o fundamentais na poliniza\u00e7\u00e3o da flora.<br \/>\nNa quarta-feira, 6 de dezembro, o pessoal remanescente do centro de pesquisas de Taquari passou o dia ajudando a Brigada Militar a desalojar um pequeno contingente de pessoas que, em nome do MST, havia montado barracos dentro do per\u00edmetro de 460 hectares.<br \/>\nA prefeitura de Taquari, que prometeu ajudar na ingrata tarefa de expulsar os invasores, n\u00e3o enviou o apoio esperado. Recentemente, mandou um of\u00edcio pedindo a devolu\u00e7\u00e3o de sua parte na \u00e1rea compartilhada com o Estado. Segundo Caio Efrom, essa parceria \u00e9 t\u00e3o antiga que ningu\u00e9m sabe a quem exatamente correspondem as duas \u00e1reas \u2013 uma de 199 ha, a outra de 261 ha.<br \/>\nNo fundo, esse detalhe burocr\u00e1tico \u00e9 um dos fatores capazes de complicar qualquer nova iniciativa para reativar o parque ap\u00edcola.<br \/>\nAl\u00e9m disso, h\u00e1 outras quest\u00f5es bem mais densas. Por exemplo, qual o custo da eventual restaura\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9dios deteriorados? Os equipamentos ainda poderiam ser usados ou perderam a validade? E, mais, como manter tal patrim\u00f4nio hist\u00f3rico? \u201cA FARGS pode organizar cursos e eventos aqui, mas n\u00e3o tem recursos para manter sequer um guarda nesse local\u201d, admite Kuhn.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Assembleia discute planos de recupera\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/span><br \/>\nL\u00edder nacional na produ\u00e7\u00e3o de mel, com 30 mil apicultores ativos, a maioria pequenos \u201ctiradores de mel\u201d \u2013 amadores tamb\u00e9m chamados de \u201cgigol\u00f4s de abelhas\u201d -, o Rio Grande do Sul possui um grupo de apicultores de alto n\u00edvel profissional que, al\u00e9m de abastecer o mercado interno, t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de exportar.<br \/>\nFalta-lhes, por\u00e9m, a uni\u00e3o necess\u00e1ria para empreitadas como a recupera\u00e7\u00e3o do ber\u00e7o de Taquari, um dos assuntos da pauta da assembleia geral da FARGS convocada para este s\u00e1bado, dia 9, nas depend\u00eancias da UFRGS em Eldorado do Sul.<br \/>\nA federa\u00e7\u00e3o representa 90 associa\u00e7\u00f5es ap\u00edcolas municipais ou regionais.<br \/>\nDestas, apenas 60 est\u00e3o com as presta\u00e7\u00f5es em dia, situa\u00e7\u00e3o que ainda reflete a crise conjuntural que atingiu a apicultura h\u00e1 dois anos, quando metade das 400 mil colmeias existentes no estado morreu por causas associadas ao clima. Hoje se acredita que a infraestrutura ap\u00edcola j\u00e1 se recuperou, mas a atividade vive naturalmente de altos e baixos determinados pelo comportamento da Natureza.<br \/>\nEste ano, explica Kuhn, caiu a quase zero a produ\u00e7\u00e3o de mel de laranjeira, por excesso de chuvas na \u00e9poca da florada dos c\u00edtricos. Em compensa\u00e7\u00e3o, a regi\u00e3o que mais produziu mel na temporada 2017 foi justamente a regi\u00e3o de Taquari, onde h\u00e1 milhares de cap\u00f5es de eucaliptos de diversas idades e variedades.<br \/>\nEmbora n\u00e3o haja um levantamento fidedigno sobre a contribui\u00e7\u00e3o de cada esp\u00e9cie vegetal para a produ\u00e7\u00e3o de mel no estado, Kuhn afirma que os eucaliptos respondem por cerca de 60% do total: seriam 5 mil toneladas anuais de um total de 8 mil toneladas\/ano, volume que representa cerca de 20% da produ\u00e7\u00e3o nacional (40 mil t\/ano).\u00a0\u00a0.<br \/>\nApicultor residente em Novo Hamburgo, onde envasa o Mel Lomba Grande, Kuhn possui 400 colmeias espalhadas entre Buti\u00e1 (nos eucaliptais da Celulose Riograndense), Montenegro (em pomares de c\u00edtricos) e Cambar\u00e1 do Sul (matas nativas dos Campos de Cima da Serra).\u00a0\u00c9 um profissional de m\u00e9dio para grande. Entre os maiores costuma ser citado Gerson Ferstenseifer, produtor do Mel Tio Gerson. Origin\u00e1rio de Arroio do Meio, ele tem mais de duas mil colmeias na regi\u00e3o de Bag\u00e9, onde passou a trabalhar h\u00e1 30 anos.<br \/>\nA regi\u00e3o da Campanha \u00e9 a mais pr\u00f3spera produtora de mel do RS, atualmente. Destacam-se Santiago, Santana do Livramento, Dom Pedrito, S\u00e3o Borja e S\u00e3o Gabriel, que sedia a Cooperativa de Apicultores do Pampa (Coapampa).<br \/>\nAposentado como professor de t\u00e9cnicas agropecu\u00e1rias, Kuhn ocupa pela primeira vez a presid\u00eancia da FARGS \u2013 seu mandato vai at\u00e9 o inverno de 2019. No congresso em que foi eleito, em agosto, em S\u00e3o Gabriel, a reativa\u00e7\u00e3o do parque ap\u00edcola de Taquari j\u00e1 provocou alguns debates entre os associados.<br \/>\n<figure id=\"attachment_58077\" aria-describedby=\"caption-attachment-58077\" style=\"width: 267px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-58077\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/anselmo_taquari2-267x400.jpg\" alt=\"\" width=\"267\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58077\" class=\"wp-caption-text\">Kuhn acredita que recupera\u00e7\u00e3o do centro em Taquari pode ser estopim para retomada da apicultura ga\u00facha \/ T\u00e2nia Meinerz<\/figcaption><\/figure><br \/>\nNa vis\u00e3o de Kuhn, a reativa\u00e7\u00e3o do parque ap\u00edcola de Taquari pode ser o estopim de uma arrancada profissionalizante na apicultura do sul do pa\u00eds. Ele mesmo acredita na perspectiva de se montar no \u00e2mbito da FARGS um grupo t\u00e9cnico para dar cursos sobre a apicultura racional. \u201cO mel est\u00e1 num bom momento, com bons pre\u00e7os ao produtor\u201d, diz ele, lembrando que h\u00e1 diversas outras quest\u00f5es que precisam ser tratadas com muito cuidado. A mais delicada \u00e9 a conviv\u00eancia da apicultura com os venenos usados por agricultores submissos aos pacotes tecnol\u00f3gicos dos trustes do agroneg\u00f3cio. Em Santiago, existe um grupo de apicultores que vem convivendo harmoniosamente com produtores agr\u00edcolas. Quando estes programam pulveriza\u00e7\u00e3o t\u00f3xica em lavouras, os criadores de abelhas s\u00e3o alertados a tempo de remover seus api\u00e1rios dos locais perigosos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nUm dos maiores entusiastas da reativa\u00e7\u00e3o de Taquari \u00e9 o bi\u00f3logo Flavio Silva, apicultor em Bag\u00e9 e membro da comiss\u00e3o cient\u00edfica da FARGS. Ele foi um dos produtores que h\u00e1 dois anos fizeram uma visita de surpresa ao Centro de Pesquisas da Fepagro em Taquari com a inten\u00e7\u00e3o de avaliar o estado dos equipamentos de manipula\u00e7\u00e3o de mel e cera deixados ali por Emilio Schenk, que morreu em 1946, quando revisava a terceira edi\u00e7\u00e3o de seu livro O Apicultor Brasileiro.<br \/>\nPara alguns associados da FARGS, como o pr\u00f3prio presidente, n\u00e3o h\u00e1 melhor lugar no Rio Grande do Sul para difundir a apicultura, que se desenvolveu ali tamb\u00e9m porque Taquari foi um polo de citricultura, de onde os c\u00edtricos se espalharam para outros munic\u00edpios situados nos vales dos rios vizinhos. Houve um momento no final dos anos 1920 em que Taquari chegou a ter uma faculdade de agronomia, fechada por falta de recursos do governo estadual. Emilio Schenk foi um dos cabe\u00e7as desse momento fugaz.<br \/>\nFoi ele quem montou a primeira laminadora de cera a operar no Estado, lembra Kuhn. At\u00e9 cinco anos atr\u00e1s, a m\u00e1quina era usada em benef\u00edcio de apicultores da regi\u00e3o, afirma Caio Efrom. Qualquer iniciativa depende da vontade da Secretaria da Agricultura, herdeira das esta\u00e7\u00f5es experimentais da Fepagro. O problema \u00e9 que, no momento, a Secretaria s\u00f3 tem recursos para a manuten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de suas opera\u00e7\u00f5es.<br \/>\nMais antiga do que o legado t\u00e9cnico e espiritual de Emilio Schenk em Taquari, segundo Kuhn, \u00e9 a heran\u00e7a cultural e material deixada em Rio Pardo por Frederico Augusto Hannemann,\u00a0mestre apicultor alem\u00e3o considerado o pioneiro da apicultura rio-grandense. Em sua Fazenda Abelina, Hannemann montou em 1865, com pe\u00e7as importadas da Alemanha e complementos feitos por ele com madeira, a primeira centr\u00edfuga de mel a operar no Rio Grande do Sul. Era uma m\u00e1quina manual acionada por uma prosaica corda. Esse e outros equipamentos s\u00e3o conservados em Rio Pardo, o primeiro ber\u00e7o da apicultura.<br \/>\nBem ou mal, Schenk e Hannemann ensinaram a chacareiros, sitiantes e fazendeiros os segredos da cria\u00e7\u00e3o das abelhas e da extra\u00e7\u00e3o de mel, pr\u00f3polis e cera. De Schenk, falecido h\u00e1 70 anos, ainda se ouvem hist\u00f3rias deixadas por seus disc\u00edpulos ou parceiros.<br \/>\nApicultores veteranos citam nomes de l\u00edderes da apicultura como Jos\u00e9 Muxfeldt (Porto Alegre), Eduardo Vidra (Taquara) e de Bruno Schirmer, editor do jornal A Colm\u00e9ia, que nasceu em Santa Maria e morreu em Canoas, onde tamb\u00e9m operava o russo Roberto Grunupp, imigrante exc\u00eantrico que importava abelhas-rainha de v\u00e1rias partes do mundo e se tornou popular por ser&#8230; av\u00f4 da atriz Elke Maravilha (1945-2012).<br \/>\nUm dos nomes que permanecem na mem\u00f3ria dos praticantes da apicultura \u00e9 o de um criador de abelhas-rainhas da Vila IAPI, em Porto Alegre. Todos o conheciam por Trainini. Parece lenda, mas a lembran\u00e7a tem fundamento: o sobrenome Trainini consta como fabricante de antigos aparelhos ap\u00edcolas ainda existentes em perfeito estado no parque de Taquari.<br \/>\nN\u00e3o seria esta uma boa raz\u00e3o para pensar no restauro do ber\u00e7o da apicultura rio-grandense?<br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-58076\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/anselmo_taquari1-375x400.jpg\" alt=\"\" width=\"375\" height=\"400\" \/><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse \u201cIsso me entristece profundamente\u201d, disse o professor Anselmo Kuhn, presidente da Federa\u00e7\u00e3o Ap\u00edcola do Rio Grande do Sul (FARGS), diante das ru\u00ednas do Parque Ap\u00edcola de Taquari, criado em 1929 e fechado por falta de recursos h\u00e1 cerca de cinco anos pela Funda\u00e7\u00e3o de Pesquisas Agropecu\u00e1rias (Fepagro), extinta este ano pelo governo do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":58075,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-58073","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[{"id":1280,"url":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-menino-que-se-tornou-brizola\/","url_meta":{"origin":58073,"position":0},"title":"O Menino que se Tornou Brizola","author":"da Reda\u00e7\u00e3o","date":"28 de julho de 2008","format":false,"excerpt":"Autor: Cleber Dioni A vida de Leonel Brizola, com \u00eanfase para os primeiros anos em Porto Alegre, at\u00e9 o ex\u00edlio no Uruguai e a volta, quinze anos depois. \u00a0\"...\u00c9ramos todos jovens e nos identific\u00e1vamos com aquela massa an\u00f4nima a percorrer as ruas de Porto Alegre, gritando 'Get\u00falio', 'Get\u00falio' e empunhando\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Livros&quot;","block_context":{"text":"Livros","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/category\/livros\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/brizola.gif?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200},"classes":[]}],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-f6F","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58073"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58073\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}